Ler por aí
 
03 de Novembro de 2016

desde a sombra.jpg

 A premissa é simples: um homem, que nada tem, para não ser apanhado a roubar, acaba por (num centro comercial) se enfiar dentro dum armário. Esse armário é levado, com o nosso protagonista lá dentro, para uma casa onde vive uma família. E, só porque sim, esse homem continua a viver nessa casa, num armário, sem que ninguém saiba. Uma espécie de fantasma que, ainda por cima, arruma a casa toda e faz o jantar enquanto a família está fora.

 

150 páginas que contam esta história, que podia ser divertida só que não é, chega a ser angustiante, que podia ser simples, mas que de simples não tem nada. 150 páginas que contam uma história que não cabe em 150 páginas. Ou melhor, que só lá cabe porque o escritor é um génio com as palavras e que condensou a coisa de tal forma que deve ser impossível retirar uma frase deste livro sem desvirtuar a história.

n formas de escrevermos sobre este livro mas se escrevermos sobre todas arriscamo-nos a escrever mais do que estas 150 páginas. Por isso apenas vos falar do que mais me impressionou.

Logo nas primeiras páginas percebemos que toda uma outra realidade se passa na cabeça do protagonista. Paralelamente à vida real, uma vida vazia de gente e sucesso, este homem, na sua cabeça e de uma forma absolutamente consciente, mantém uma conversa com um jornalista. Ao mesmo que tempo que vive, imagina-se num programa de televisão a dar uma entrevista onde vai contando pormenores do seu dia a dia ou simplesmente histórias do passado. O público imaginário reage, as audiências sobem ou descem consoante o interesse da conversa, às vezes há até a necessidade de apimentar a coisa. Aquelas conversas imaginárias são fantásticas - e atenção, em nenhum momento do livro o homem acredita serem reais, ele está sempre consciente de que aquele homem, aquele programa de televisão, é uma criação sua, que só existe na sua cabeça.

Ao longo da leitura pensei várias vezes "deve ser extremamente cansativo viver na cabeça deste homem" mas a verdade é que é extremamente cansativo viver na maioria das nossas cabeças. Calma, eu não tenho amigos imaginários nem me imagino a ser trending topic por contar promenores escabrosos da minha vida... mas a verdade é que é inevitável, após ler este livro, pensar no mundo, às vezes ligeiramente diferente da realidade, que existe apenas dentro de nós e como temos a capacidade de fugir da realidade para um mundo só nosso.*

 

Mais um livro que recomendo sem reservas.

 

*ok, acredito que estejam agora convencidos que eu sou completamente maluca, um caso de estudo da psiquiatria, mas calma, isto é tudo teoria e literatura. A mente humana fascina-me.

publicado por Patrícia às 16:59 link do post
Nem mais a propósito, ontem estive a pôr o "Livro do Dia" em dia, porque me esqueci dele devido à pausa tão grande, e o resumo que o Carlos Vaz Marques fez chamou-me logo a atenção.
Pelo que li aqui, ainda me parece melhor.
Paula
Paula a 4 de Novembro de 2016 às 16:43
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