Ler por aí
 
09 de Agosto de 2014

Gostei muito do “Demónios” e de todas as suas personagens. Álvaro Cobra que morreu duas vezes, nunca viu o mar e conversa com o pai, que morreu só uma vez mas completamente. O errante subversivo Benalma que diz mal do padre ocioso, dos santos e da Igreja em geral. Mais a prostituta Margot com o seu espectáculo de luz e cor. Maria Braz com as suas mãos diferentes, uma gorda outra magrinha. A avó que parece que já morreu e esqueceu-se de avisar. A Clarinha nómada que é obrigada a casar com o velho Álvaro e a lançar âncora numa única terra contra sua vontade. Tive pena que a Clarinha se sumisse a meio da história, fiquei com curiosidade de saber mais sobre ela.
Estranhamente ou não lembrei-me muitas vezes dos livros que li da Isabel Allende, com as suas personagens fora do vulgar. Menos a parte dos grifos, esses fizeram-me lembrar os abutres do Lucky Luke.
Gostei também do bom humor existente aqui e ali:
“...ÁlvaroCobra, mais bruto do que uma mula, nem ouviu as últimas ameaças do padre e deixou-o a pregar para as hortaliças sequiosas, ideia que nem o sábio Vieira havia alguma vez cogitado por ter na fé melhores ouvintes entre os povoadores marinhos.”
“...Benalma ... Inventou, na sua cabeça feita para as invenções, que o padre se chamava Jesuíno porque tinha herdado Je do pai e suíno da mãe.”
“Quando os grifos o viram com tão pouca vontade julgaram-no doente. Discutiram às bicadas os melhores lugares no telhado... – São uns ingratos, estes cabrões! –desabafou Álvaro com a mãe, depois de uma noite de insónias com o rosnar dos necrófagos. – Fingem-se afeiçoados, mas no fundo estão à espera que eu morra para me comerem.”
Em resumo, boa história, bem contada vale muito a pena.
 
 
Quanto ao “Mal nascer” não fez grande mossa.

 

Fez-me lembrar os romances de Júlio Dinis que li quando era cachopa e romances não são a minha cena. 
Se gostam, leiam este, vão gostar, e não se preocupem no final não são irmãos – é Júlio Dinis e não Eça de Queirós - só não digo se acaba bem ou não, têm de ler até ao último parágrafo.
publicado por Catarina às 23:49 link do post
Lá terei que ir ler os Demónios...
Patrícia C. a 10 de Agosto de 2014 às 10:48
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