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Ler por aí

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David Soares e o conselho aos escritores

DS - Seja de fantasia ou não, o meu conselho é sempre ler muito, porque é a única escola de escrita que existe. Ler muito e aprender bem as regras da gramática, chamemos-lhes isso. Um escritor tem de ser erudito. Se não for assim, não vale a pena escrever, porque só vai escrever obras menores. Como em qualquer arte, a personalidade criadora, a voz, vai de dentro para fora. Quando se é mesmo artista, isso rompe, mostra-se. O resto é polimento, é refinamento, é desenvolvimento. De facto, tem de ser-se, já, artista. Os artistas nunca se fazem: já o são. Um indivíduo pode matar-se a trabalhar, a aprender a ser muito bom, mas se não for, de facto, artista, isso vai notar-se sempre, vai ser sempre uma sombra que ofusca o que ele cria. Hoje, existe uma fronteira muito ténue entre o autor e o público, porque é o público que compra a obra, logo o mercado obriga a essa proximidade, mas isso é muito destrutivo porque os indivíduos acham que a arte tem de estar ao nível deles, quando são eles que têm de pôr-se ao nível da arte. Há poucas dezenas de anos, um tipo entrava numa galeria e até tinha vergonha de admitir que não percebia um fiapo de arte: hoje, pelo contrário, diz-se que a arte é má se não for compreendida à primeira olhadela. Há uma grande tirania do público que está a matar a arte. Não tenho nenhum hábito de citar Nietzsche, mas ele, no Para Além do Bem e do Mal, tem um aforismo certeiro sobre isto: «-Não gosto. - Porquê? -Porque não estou à altura. Alguma vez alguém pensou assim?» Os artistas precisam de recuperar inacessibilidade, ascetismo. Precisam de recuperar mistério, por que não?

Gosto muito dos livros do David Soares e estive a ler com muita atenção uma entrevista que ele deu  e que publicou no seu blog. Roubei-lhe a resposta à última pergunta "Que conselho darias a um escritor de fantasia?" porque achei um óptimo conselho e concordo totalmente com ele (e eu nunca o saberia dizer tão bem - lá está, sou leitora e não escritora) e porque é mais um forma de vos dar a conhecer este escritor e este blog.
Claro que não consegui deixar de revirar os olhos quando na mesma entrevista li "Aliás, eu leio dicionários como quem lê romances: começo no A e acabo no Z, por isso... "... a sério??? (sim, é trauma, mas à conta deste escritor já aprendi o significado de várias palavras sendo a minha preferida "peripatetismo")

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