Ler por aí
 
28 de Fevereiro de 2017

A relação entre entre livro e leitor mudou muito nos últimos anos. Ainda há pouco tempo comprar um livro era uma coisa séria, implicava ponderação, compromisso. A maioria dos leitores quando comprava um livro sabia que aquele objecto iria ser importante e fundamental na sua vida nos tempos seguintes. Um livro não era só mais um. Era O livro do momento. Sem outras fontes de informação, o livreiro era um dos principais conselheiros e não poucas vezes a relação leitor-livro ganhava um outro vértice. E, tantas vezes, a relação leitor-livreiro era já uma relação de amizade.

É inegável que é infinitamente melhor ter acesso a livros diferentes, opiniões diferentes, preços diferentes. Mas não posso deixar de sentir alguma saudade desse tempo, que na verdade nunca foi meu, em que a necessidade de ser parco nas compras implicava um engenho na escolha. Mas não voltava atrás. Gosto de acrescentar livros à estante sempre que me apetece, gosto de levar num dispositivo electrónico dezenas de livros. Gosto de saber que o acesso aos livros é cada vez mais amplo, que há mais livros, mais leitores.

Mas não é possivel trilhar este caminho sem deixar vítimas pelo caminho. As pequenas livrarias, os alfarrabistas ficaram sem clientes e muitas estão a fechar. Os grandes livreiros, que eram acima de tudo grandes leitores, são uma espécie cada vez mais em extinção. 

Vivemos um tempo de transição, sentimos as feridas das vitimas deste processo de modernização, sentimos as suas vitórias. E este texto que nos deixo (de Nuno Pacheco, no Público) é um exemplo disso. Vale a pena ler.

 

No universo das livrarias teremos ainda, provavelmente, mais más notícias no futuro. Mas a par delas vão surgindo novos espaços, com ousadia e ideias próprias, uns nascidos dos que fenecem, outros vindos apenas de gente com paixão pela leitura, pelos livros, pelo mundo que os vê crescer. Talvez a prazo ressurjam até os antigos vendedores qualificados, que se foram perdendo na mercantilização rápida e impessoal dos nossos dias. Se isso acontecer, o requiem de hoje poderá dar lugar a um verdadeiro renascimento nos próximos anos. E há-de haver público, se houver engenho e gosto em tal tarefa.

 

 

publicado por Patrícia às 09:15 link do post
Eu acho que o trabalho de um livreiro é uma das coisas mais bonitas que existem. Fui livreira (de certa forma) e, se o mundo não tivesse regras nem contas para pagar, era isso que queria fazer até morrer (o meu sonho de Euromilhões é abrir uma livraria na praia e trabalhar todos os dias). Não há nada mais gratificante do que entregar um livro nas mãos de alguém :)
Inês a 28 de Fevereiro de 2017 às 11:18
E que grande livreira deverias ser :)
Uma livraria na praia é uma grande ideia. Eu e a Catarina (que volta e meia também escreve por aqui) passamos a vida a imaginar a livraria que vamos abrir as duas quando uma de nós ganhar o euromilhões. O sonho de fazer dos livros vida deve ser algo que une os leitores todos deste mundo.
um beijinho
Patrícia a 28 de Fevereiro de 2017 às 11:48
Inês, abre essa livraria. Eu vou trabalhar para ti ;)
vanita a 7 de Março de 2017 às 10:32
Vanita, dá-me só umas semanitas para ganhar o Euromilhões e abrimos a livraria do oeste ;)
Inês a 7 de Março de 2017 às 23:32
Visual novo e vários posts, boa!

Esta ideia do livreiro é bonita, mas não dá com o meu feitio. Se me disserem mais que "bom dia" e "se precisar de ajuda, diga", é certinho que não volto a entrar naquele sítio! Bichinho do mato...
Por outro lado, agrada-me o "staff pick" que há em algumas livrarias no estrangeiro, com a opinião (não sei se verdadeira ou não, claro) dos funcionários para uns quantos livros. Lá está, desde que não andem atrás de mim...
Paula
Paula a 28 de Fevereiro de 2017 às 19:37
ahahah, que mau feitio, Paula. :)
Mas é verdade, às vezes só queremos ficar a ver à nossa maneira. Mas outras vezes é tão bom poder falar sobre livros com quem está na área.
Beijinhos e boas leituras
Patrícia a 1 de Março de 2017 às 16:04
As livrarias, para mim, são lugares sagrados. Se fosse possível, não me importaria de passar o dia a falar com os livreiros e folhear os livros. Mas, a história não para, por isso, temos de a acompanhar.
cheia a 7 de Março de 2017 às 19:48
Bem-vinda, cheia
Acho que qualquer leitor se sente em casa (e em permanente tentação) numa livraria. Durante anos só entrava numa quando podia comprar um livro (e nessa altura nem sempre podia) mas hoje, confesso, já me controlo melhor e consigo aproveitar o passeio mesmo quando decido não comprar nada.
Boas leituras
Agradeço o teu interesse, pelos meus blogs. Os livros são os melhores amigos.
cheia a 11 de Março de 2017 às 20:49
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