Ler por aí
 
29 de Março de 2017

Vamos "agarrar o boi pelos cornos"? 

Então o primeiro Mito (e tema livresco) vai ser "Não há maus livros".

O primeiro argumento é "o importante é ler, não interessa o quê".

Não, não é verdade. E se há idade (leia-se maturidade) que permite diferenciar o trigo do joio, há situações em que a responsabilidade do que é lido (e as suas consequências) está na mão de quem escolhe as leituras. Não sou a favor de se vetar os livros a serem lidos, nem sequer considero que há livros não adequados a jovens (a discussão à volta do livro do Valter Hugo Mãe foi simplesmente ridícula) mas acho importante que os miúdos leiam livros bem escritos, que não perpetuem erros gramaticais ou factuais e que fomentem não só os hábitos de leitura mas também a vontade de aprender.

O segundo argumento é "Mas lá porque tu não gostas do livro isso não significa que o livro seja mau, há quem goste, vende, etc"

Certíssimo. Mas (e há sempre um "mas") há dois tipos de maus livros. Um livro de que eu não gosto é, para mim e exclusivamente para mim, um mau livro mas sou plenamente capaz de o oferecer a alguém que dele goste e de admitir que é um caso de "não és tu, sou eu" (ninguém no seu juízo perfeito poderá dizer que um livro do Lobo Antunes ou da Agustina é mau, simplesmente eu ainda não cresci o suficiente para os saber apreciar - e espero um dia lá chegar, como cheguei a tantos outros).

Eu não chamo "mau livro" aos livros puramente lúdicos, que existem (e ainda bem) para nos fazer esquecer o mundo durante umas horas. Nada contra livros de vampiros, zombies e afins. Nada contra livros (mais ou menos) eróticos mesmo que aquilo só dê vontade de rir (dar vontade de rir é bom, o mundo precisa de riso). Nada contra romances românticos com novelas de faca e alguidar... desde que cumpram o seu papel e que estejam acima do nível "lixo" no que à língua/linguagem diz respeito. 

Mas deixe-mo-nos de tretas: há mesmo maus livros. Há livros que nunca deveriam ter saído das gavetas (ou do computador) do escritor. Há livros que deveriam ter sido barrados no editor (ou passado por um editor para bem do aspirante a escritor).

Um escritor tem que saber escrever, não lhe basta ter uma boa ideia. Infelizmente há quem até tenha boa ideias mas não as saiba transmitir. Um livro tem que ter um enredo, esse enredo tem que ser interessante, os personagens têm que estar bem construídos, os factos têm que estar correctos. E se estivermos a falar de ficção cientifica ou fantasia, a coisa tem que estar coerente e bater certinho no fim. Caso contrário não funciona. E há muitos livros que por aí andam que não estão em nenhuma destas categorias. E é fundamental que estejam, pelo menos, numa delas. Caso contrário, desculpem, mas são maus livros. 

 

 

 

publicado por Patrícia às 22:17 link do post
Eu sou uma snob em relação à literatura e na minha mente tenho bem definido o que é um mau livro, mas desde que não tentem impingir-mo, opto pelo "vive e deixa viver". Acho que não se ganha nada em tentar envergonhar ou menosprezar uma pessoa que está metida na sua vidinha numa atividade inócua, a tentar relaxar ou a passar o tempo.
Quanto à Agustina, não, não, ainda sofro de stress pós-traumático, mas do Lobo Antunes estou a ler Os Cus de Judas aos bocadinhos, porque é muito rococó e muita bílis, e estou a gostar.
Paula
Paula a 31 de Março de 2017 às 14:33
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