Ler por aí
 
04 de Março de 2017

Mudar de opinião acerca de um livro é mais do que um direito. Mudar de opinião é natural, saudável e, diria até, fundamental.

A nossa idade, maturidade e experiência são fundamentais para a apreciação de um livro. 

Não falo apenas dos livros que adoramos em criança ou na adolescência. Falo, acima de tudo, dos livros que lemos numa determinada altura da nossa vida adulta e que, uns meses ou anos depois, relemos e nos apercebemos de que a nossa opinião anterior já não faz qualquer sentido.

Há livros que me recuso a reler porque os adorei e tenho pavor de os "estragar". São livros que me marcaram e que eu considerei, num determinado momento, maravilhosos mas que sei que me vão desiludir se os ler com os "olhos" de hoje. Sinceramente prefiro não o fazer. A "ideia" que tenho do livro, o sentimento bom que ficou, é suficiente. Chega-me saber que aquele livro foi o certo na altura certa".

 

Há também o contrário: livros que não gostei muito e que hoje (ou no futuro) serei capaz de ler de forma diferente. (Sei hoje que) Na altura li-os de uma forma superficial, que não tinha capacidade para apreciar todas as suas camadas.

 

 

 

publicado por Patrícia às 09:26 link do post
Concordo a 100%, ainda que não tenha o costume de reler livros. Ainda assim, há livros sobre os quais escrevi ou fiz vídeo e que, à distância, percebo que me marcaram mais do que julguei. E o contrário também acontece.
Em todo o caso, também dou valor às impressões que ficam mal terminamos a leitura e gosto sempre de olhar para trás e ver o que achei na altura.
Inês a 4 de Março de 2017 às 12:52
Eu sinto muita falta de reler livros. Sinto falta de reler em a pressa de conhecer o final, sinto falta das descobertas da segunda (ou terceira) leitura.
Fico muitas vezes com a sensação de que ler uma vez só não chegou (por exemplo com os livros do Gonçalo M. Tavares).
beijos
Patrícia a 11 de Março de 2017 às 18:55
Sim, sem dúvida. "A Lua de Joana" é um dos que penso que nunca mais lerei, apesar de ser um dos meus favoritos, se não O favorito, porque o li na altura certa. O corropio de emoções que senti ao lê-lo (ou ao vivê-lo) foi uma experiência única e que será muito difícil de repetir porque já não sou a mesma pessoa, e muito do que sou foi fruto de o ter lido naquela tarde soalheira.

Já com o primeiro livro de "As Brumas de Avalon" aconteceu uma coisa diferente. Na primeira leitura achei Igraine fabulosa, a sua história e figura trágicas, enquanto que Morgaine me parecia aborrecida. Numa segunda leitura como me pareceram tão diferentes as mesmas personagens! Igraine fútil e egocêntrica, Morgaine tão sábia ainda que jovem. A nossa perspectiva pode, de facto, mudar e é interessante perceber como e porquê.
Carla B. a 5 de Março de 2017 às 14:25
Acreditas que nunca li o "A lua de Joana"? Acho que no "meu" tempo ainda não estava na moda (nem sei se já teria sido publicado ou não). O meu "abre-olhos" desse género foi o "os filhos da droga" e o "viagem ao mundo da droga".
Já as Brumas li tantas vezes... a pessoa que foi mudando para mim foi a Viviane.
E Só um leitor perceberá o quão os livros nos mudam e nos moldam.
Beijos
Eu nem sei como é que "A Lua de Joana" me veio parar às mãos e foi um daqueles acasos em que já tinha lido tudo o que tinha da Alice Vieira comigo, isto em férias. Os que mencionas nunca me chegaram às mãos mas também não sei se teriam o mesmo impacto. Teriam de certeza um outro impacto, pelo que tenho ouvido são mais crus e impressionam, mas eu senti que podia ser a Joana. A sensação foi a de que saí de mim e vivi toda uma outra vida, toda uma experiência que me fez pensar, quando voltei a mim, "okay, já sei ao que leva a porta A, vamos experimentar a B". É complicado colocar por palavras tudo o que o livro foi, é, me fez sentir.
Carla B. a 11 de Março de 2017 às 21:38
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