Ler por aí
 
27 de Outubro de 2016

Contracorpo.jpg

 

Às vezes questionamo-nos como é possível que um livro descreva tão bem coisas que sentimos e nunca conseguimos transmitir.

Às vezes perguntamo-nos como é possível que aquele escritor escreva sobre nós.

Às vezes transformamos em nosso um livro e torna-se difícil, ou mesmo impossível, opinar sobre ele.

Este é um daqueles livros em que isso me aconteceu e por isso ando há semanas a “engonhar”, a processá-lo na minha cabeça, assim meio esquecido, meio presente.

Quando acabo de ler um livro e tento pôr em palavras a minha opinião, a primeira coisa em que penso é no tema do livro, na mensagem que o escritor/a quis passar e se (eu acho que) o conseguiu fazer. Ora, de início, achei que obviamente este era um livro sobre o luto. Maria perde o marido, Pedro perde o pai e ambos têm que aprender a viver sobre isso. Depois torna-se óbvio que o livro fala sobre a maternidade, sobre a relação de uma mãe com o seu filho adolescente. Depois percebi que este livro é uma viagem de autoconhecimento, para ambos, mãe e filho.

Mas para mim, e provavelmente só para mim, este livro é sobre a transformação. Maria começa por ser a viúva, a mãe e precisa, sob pena de se perder definitivamente, de se transformar, acima de tudo, na mulher.

E o Pedro precisa de se encontrar, de se responsabilizar. Apesar de à sua volta todos julgarem todas as suas atitudes à luz daquela morte (a morte de um pai marca, muda e condiciona tudo), o Pedro tem consciência de que as suas atitudes são suas e que também ele se tem que libertar das desculpas, dos condicionamentos, assumir as suas responsabilidades e acima de tudo tomar decisões, fazer escolhas. Escolhas, é isso. Escolhas.

publicado por Patrícia às 09:22 link do post
Isso de fazer um livro nosso aconteceu-me, em parte, com A Mulher-Casa, da Tãnia Ganho, que me custou a ler na mesma medida em que gostei dele. A única explicação é sermos, afinal, tão diferentes e tão parecidos uns com os outros.
carla soares a 27 de Outubro de 2016 às 10:03
A Tânia Ganho é outra escritora que tenho que conhecer. Já ouvi falar tanto desse livro mas ainda não o li. Tão pouco tempo...
Patrícia a 3 de Novembro de 2016 às 16:24
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