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Ler por aí

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Combateremos a Sombra, Lídia Jorge



Osvaldo Campos, umpsicanalista, divide-se entre as aulas que lecciona na faculdade e os seuspacientes no consultório no 5º andar de um prédio na Avenida de SantaPulquéria. A mulher, Maria Cristina e o filho ficam para segundo plano. Nanoite da passagem do milénio Osvaldo esforça-se para concluir um artigo “quandopesa uma alma?- responde um prático” e ainda assim chegar a tempo àcomemoração. Nessa noite, que lhe mudará a vida, recebe um ex paciente, loucoou não, com uma mensagem enigmática, que nunca conseguirá decifrar, perde amulher para um concorrente e conhece uma nova mulher. Uma noite em cheio.
Maria London, a pacientemagnifica, a visita da noite no consultório de Osvaldo, é a peça chave destahistória. Uma mulher desequilibrada, com muito para contar e sem forma de ofazer é paciente deste psicanalista que a vê como um caso extraordinário,como  mais “o” caso que lhe permitiráevoluir enquanto psicanalista. Mas o caso muda de figura quando se apercebe quesob as fantasias loucas de Maria London há verdades escondidas, verdadesnegras.
Rossiana, uma mulher comuma história de vida invulgar é mais uma peça nesta história de sombras .

Lídia Jorge conta-nosesta história negra de uma forma linear, sim qualquer climax e que poderia serreal. Provavelmente é-o, mesmo que os personagens são existam, mesmo que nãoseja nada assim. As sombras, o poder e maldade são reais.
Não é um livro fácil deler. Já li algumas criticas negativas e compreendo-as. Passamos boa parte dotempo à espera de mais, à espera do acontecimento e muitas vezes nem nosapercebemos que já aconteceram. Não é uma história com princípio, meio e fim,em que os bons acabam bem, os maus são castigados e os heróis vivemfelizes  para sempre. Não há nada aquitão óbvio assim.
E foi precisamente porisso que gostei bastante deste livro. Custou-me a lê-lo, levei bastante tempo,mas isso teve mais a ver comigo do que com o livro.
Conheci a escritora numa tertúlia e se tivesse que a descrever diraapenas “doce”. Nunca pensaria que ela escrevesse um livro destes, um livro emtons de cinzento, um livro tão pouco feliz, tão descrente. Mas a verdade é queem qualquer dos seus livros há temas importantes e tudo menos doces. Talvezseja esse o seu segredo, exorcizar vários fantasmas na escrita e manter adoçura na vida.
Resumindo: gostei bastante e recomendo. Tenho mesmo que completar aminha coleção dos livros da escritora (de momento só tenho este, o “A costa dosmurmúrios” e “o Vento assobiando nas gruas”)
Mais uma nota: continuo a achar fantásticos os títulos  destes livros. “Combateremos a Sombra” .Muito bom.

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