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Ler por aí

Ler por aí

Caim, de José Saramago


“A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós , nem nós o entendemos a ele."

José Saramago


Para quem me conhece não é novidade nenhuma que eu não propriamente fã de José Saramago. Dele, até agora, li dois livros: o “Ensaio sobre a cegueira” e o “Evangelho segundo Jesus Cristo”. Não gostei de nenhum simplesmente porque não consigo gostar da forma como ele escreve. Até diria que era o meu gene “filha de professora primária” que não me permite gostar das “calinadas” na gramática dos livros dele se a minha mãe não fosse uma leitora ávida de Saramago. O resultado é que lá em casa há praticamente todos os livros do prémio Nobel mas de todos só li 2. Depois chegou “Caim” e a polémica. O drama atingiu proporções épicas e nunca ficou provado se foi também uma grande jogada de marketing ou se foi apenas mais uma tolice da igreja. Enfim, a minha mãe, católica praticante e inteligente, disse logo que tinha que ler o livro. E leu. E adorou. Talvez como só alguém que conhece a bíblia pode gostar. Desta vez convenceu-me a ler o livro também. E tenho que confessar que gostei. Pronto, continuo a não gostar daquela forma de escrever, corrida, sem pontuação, sem maiúsculas, sem parágrafos, que me obriga a ter atenção às palavras e não apenas à história. Mas isso já eu sabia que ia acontecer. O que eu não esperava era achar piada à história. Ou melhor, à confusão de histórias. Porque é isso mesmo que o livro é: uma fantástica e muito bem construída confusão. Não é apenas a história de Caim mas também a de Job, Abraão, Noah, Lilith, Adão e Eva, Noé e toda a sua família entre outros que conhecemos.

Saramago apresenta-nos o seu deus através de todas estas histórias, através da relação de Caim e de Deus. E fá-lo de uma forma extremamente divertida.

Não acho que haja razão para tanta polémica. Sinceramente acho que quem tanto criticou não deve ter lido o livro.

Ou seja, gostei e recomendo.

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