Ler por aí
 
07 de Abril de 2014

 
Ler Chimamanda Ngozi Adichie é sempre um prazer. Os seuslivros trazem uma garantia de qualidade que a fez tornar-se uma das minhasautoras favoritas depois de apenas ter lido dois dos seus livros. O Meio SolAmarelo é já um dos preferidos de todos os tempos. Mas hoje estou aqui pararegistar a minha opinião acerca do Americanah, o último romance desta escritoraNigeriana.
A protagonista deste livro é Ifemelu, uma miúda nigerianaque vai estudar para os Estados Unidos. Ao longo destas páginas acompanhamos ocrescimento da Ifemelu na Nigéria, a sua paixão pelo Obinze, a sua relação comos pais, amigos, colegas. Conhecemos a realidade Nigeriana e as razões pelasquais tantos Nigerianos optam por ir estudar para o estrangeiro (EUA eInglaterra, principalmente). Aliás “Americanah” é precisamente o nome pela qualaqueles que retornam a casa vindos dos Estados Unidos são conhecidos.
Já nos USA Ifemelu sente-se, pela primeira vez, negra. É lá,fora de África, que a questão da raça se põe pela primeira vez. E é essa questãoque leva esta mulher a escrever um blog “SobreRaça ou Várias Observações sobre os Negros Americanos (Anteriormente chamadosPretos) por uma Negra Não Americana”. Mas este não um livro apenas sobreRaça. É um livro sobre Penteados. Sobre Amor. Sobre ser jovem, ser adulto.Sobre ser mulher (e chamem-me o que quiserem mas eu gosto de livros sobre mulheresescritos por mulheres). É um livro sobre racismo, sobre violência, sobre livros(é impressionante a quantidade de referências a livros que encontramos nestaspáginas). É um livro sobre identidade. Sobre preconceito, sacrifício, amizade esobre escolhas.
Não há heróis, nem heroínas. Há pessoas, com qualidades edefeitos. Há acontecimentos que nos permitem enquadrar a história no tempo etermos a certeza que aqueles sentimentos podem estar a ser sentidos por alguémque conhecemos.
Chimamanda Ngozi Adichie obriga-nos a ver de váriasperspectivas as nossas próprias atitudes. Racista, eu? Nunca. Ou será que sim?
Gostamos de acreditar que para nós não há qualquer diferença em relação à cor da pele mas será que é mesmo assim? Será que nunca olhamos para alguém diferente de uma forma especial por esse alguém ser diferente? Mas a verdade é que o preconceito não é exclusivo de nenhuma raça. Não sei se cá por Portugal existe a diferença entre os Negros Portugueses e os Negros não Portgueses mas a verdade é que por cá há muito preconceito. Mesmo que seja um preconceito bem intencionado, uma espécie de discriminação positiva, mas que não deixa de ser preconceito.
A imigração ilegal ocupa uma pequena mas importante parte deste livro. Quanto daquilo se passa aqui em Portugal? Muito, provavelmente. E confesso que essa foi a parte deste livro que mais me chocou.
Gostei imenso das citações do Blog da Ifemelu, com os seus titulos pomposos, mordazes e importantes.
Acho que já perceberam que gostei bastante deste livro. Nãoé tão bom como o Meio Sol Amarelo, mas é uma fantástica leitura.
( Um último ponto que se refere apenas à edição Portuguesado Livro. O preço deste livro é absurdamente elevado. Quase 25 euros. É certoque o livro é grande (e as folhas são demasiado grossas) mas continua a serdemasiado caro. Parece-me um aproveitamento do nome da escritora, da suapopularidade. E uma vez mais não existe em ebook, pelo menos em Português dePortugal (não procurei em Português do Brasil mas na verdade apenas encontreiem Inglês e Espanhol). Um bocadinho triste, não?)
publicado por Patrícia às 17:56 link do post
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