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Ler por aí

Ler por aí

A Vida de PI, Yann Martel




 
Se não fosse a terceira parte do livro tinha adorado.Soubesse eu o que sei hoje e tinha lido primeiro o fim e só depois ia ler oresto. E vai ser precisamente isso a que vou aconselhar a minha mãe que, dequalquer dos modos, é daquelas pessoas que lê sempre o final do livro primeiro.
Com toda a publicidade ao livro e ao filme até os muitodistraídos já sabem a história que aqui nos é contada: um naufrágio e como umjovem, o Pi, sobrevive num bote salva-vidas com um tigre-de-bengala. Para alémdisso este livro foi premiado, transformado em filme, é um best-seller, éapreciado transversalmente por todo o tipo de leitores. Simplesmente há quegoste de tudo, há quem não goste de uma parte (geralmente a primeira). Mas eunão gostei da terceira.
Na primeira parte do livro conhecemos Pi, a sua vida, a suafamília, a sua relação com os animais e com Deus. Pessoalmente gostei imensodesta parte do livro. Achei-a interessante, divertida. Acho que me consigoidentificar com PI e sei o quanto adoraria ter crescido num zoo, rodeada debicharada por todos os lados. Uma das minhas visões do paraíso, certamente. Estelivro é “vendido” como “um livro que nos faz acreditar em Deus”. Não faço ideiaquem teve esta ideia, mas sinceramente, não acho que seja minimamente correcta.Mas nesta primeira parte do livro a religião tem um lugar importante. E euachei giríssima a relação e PI com Deus. Como o mundo seria um lugar melhor sehouvesse mais gente assim.
Na segunda parte, é-nos relatada na primeira pessoa, ahistória do naufrágio e a sobrevivência de PI e de Richard Parker. Adorei estaparte. Uma história bem contada que me fez viver ali, no meio do oceano, sofrercom eles, sorrir com eles.
A terceira parte do livro é um regresso à normalidade. É ocomparar de uma história com animais com uma história sem animais. Odiei. Nãome interessa se aquela é a parte que faz pensar, se filosoficamente falando é aparte mais importante do livro, se literariamente falando está bem construída.Odiei. Fez-me perder o sorriso que mantive ao longo do livro. Deu-me náuseas.Foi um choque com a beleza que vinha antes. Se tivesse sido ao contrário, se anegritude viesse primeiro tudo bem, mas no final estragou-me a leitura.
Não sei se o filme retrata ou não esta última parte mas,sinceramente, não sei se me apetece vê-lo se o fizer.
Fiquei sem saber o que pensar acerca deste livro. Continuo aachar que vale a pensa ser lido mas o ideal era não ler a terceira parte edeixar que a imaginação fizesse o resto. Mas claro que é impossível um leitorter força de vontade suficiente para deixar algumas páginas por ler…

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