Ler por aí
 
11 de Maio de 2014

 



A Lisboa da segunda guerra mundial fascina-me. A mistura entre o provincianismo das nossas gentes, fechadas ao mundo por uma ditadura que, ainda assim, conseguiu livrar esta gente das piores agruras da guerra, com a cultura,a inteligência e a beleza dos refugiados e dos espiões parece-me perfeita para as páginas dos livros. Afinal a verdade é que Lisboa se tornou um palco privilegiado dos bastidores da Segunda Guerra Mundial. 
Começam a aparecer os romances com este pano de fundo. Quem me conhece sabe da minha paixão pelo “Uma companhia de estranhos” de Robert Wilson e da minha desilusão com o “Enquanto Salazar dormia” de Domingos Amaral. A primeira coisa que me atraiu neste “A última noite em Lisboa” foi a capa que me fez pegar no livro, ler a sinopse e decidir que queria ler aquele livro.
E ainda bem que o fiz. Gostei muito.
Ao contrário do “Uma companhia de estranhos” esta história não se centra no desempenho dos espiões, da contra-espionagem, da rede de informação e contra-informação que por cá foi construída. Mas essa parte não deixa de fazer parte deste romance. Está lá, em pano de fundo. Tal como o glamour das festas, das estreias, dos casinos, dos bares. Tal como as meias de seda e as pernas bem torneadas das refugiadas (coisa nunca vista nas ruas Portuguesas), tal como a luz de Lisboa, os apitos dos elétricos e as iscas, com e sem elas.
Mas, acima de tudo, nestas páginas transborda a tristeza dos que por aqui passaram, a dor que comoveu os Portugueses que, na sua maioria, partilhou com generosidade o pouco que tinha.
O protagonista masculino, Henrique, cresceu ao longo da história. De um parolo inteligente que trabalha num jornal pró-nazi transforma-se num homem generoso e corajoso ao conhecer a bela e misteriosa Charlotte. Charlotte, uma refugiada austríaca, com ligação a um ex-prisioneiro de guerra comunista (e que, naturalmente, se torna combatente na guerra civil Espanhola) é uma mulher comum passado que não partilha facilmente, cujas intenções não são claras e que vem destabilizar a relação de Henrique e Maria Carolina.
Dos três protagonistas destaco Maria Carolina que, para mim, representou muito bem Portugal. Provinciana, pobre, honrada, bondosa, curiosa, corajosa. O que esta mulher cresceu ao longo do livro! Tal como Portugal que, com a convivência com todos os que por aqui passaram, soube crescer, aprender, absorver cultura, coragem e beleza.

 

Mas mais do que a Estória eu gostei da História neste livro. Gostei dos pormenores que o escritor usou para nos descrever a Lisboa, o ambiente que se vivia. A mistura entre realidade e ficção é perfeita. Adorei e recomendo.
publicado por Patrícia às 22:35 link do post
A cara do autor não me é estranha, parece-se muito com um professor de Filosofia que tive no secundário, mas não encontrei nada que o ligasse à filosofia (vi a cara dele na time out, sobre o seu novo livro, o dos insultos).
Fuschia a 12 de Maio de 2014 às 09:56
Hum... conhecendo o tio como conheces (em gostos literários obviamente) saberás por certo que irei ler este livro.
É em casos destes que a blogosfera, cumpre o objectivo, conseguir entusiasmar-me e levar-me a ler um livro pela opinião de outro leitor... Tirando o facto de ser fã deste género, como bem sabes.
Obrigado pela Partilha Patrícia.
Beijinhos, boas leituras
N.
nuno chaves a 19 de Maio de 2014 às 12:04
Um pequeno esclarecimento para a Fuschia. Sou professor, mas de História e de História de Arte. Se passou pela Escola Secundária de Mem Martins, cruzou-se comigo. Abraço a todos e parabéns pelo blog.
Sérgio Luís de Carvalho
Sérgio Luís de Carvalho. a 21 de Agosto de 2014 às 17:00
Obrigada eu pela visita :)
E muitos Parabéns pelo livro.
Patrícia C. a 30 de Agosto de 2014 às 16:02
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