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Ler por aí

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A Small death in Lisbon / O ultimo acto em Lisboa, de Robert Wilson

 

 



O que une o homicídio de uma miúda em Lisboa com a história de um homem, pertencente às SS, em 1941 em Berlin?
É a resposta a esta questão que, numa primeira fase, os leitores deste livro vão procurar.
No final dos anos 90 uma miúda de 14/15 anos aparece mortana praia de Carcavelos e o investigador da Polícia Judiciária é o Zé Coelho.Paralelamente começamos a conhecer a história de Klaus Felsen, Alemão, que em1941 se torna membro (algo forçado) das SS.
 
Não me vou alongar com a história deste livro, num policial/thriller é sempre difícil saber onde está a linha do “spoiler”.
Prefiro falar-vos do porquê deste ser um dos meus livros preferidos.
Robert Wilson aproveita uma história de mistério para nos contar uma parte da História de Portugal. Em 1941, Lisboa era uma cidade em movimento, Portugal era um país em mudança. Em plena segunda guerra mundial o nosso país era palco de cenas reais de espionagem e contra-espinagem, com nazis e aliados lado a lado entre o glamour do Estoril e o atraso do país. A verdade é que por aqui passaram gentes de todos os lados da Europa, uns em fuga para a América, outros a comprar ou apenas contrabandear bens. E Portugal tinha algo muito importante para os países em guerra: Volfrâmio. E tinha um ditador que jogava muito bem um jogo duplo.
E quantos de nós, Portugueses, conhecem este período da História? Confesso-vos que nunca ouvi falar da maioria disto nas aulas de história.
Neste livro reconheci cada Português. Mesmo quando preferia que aquela não fosse a nossa realidade, tenho que a reconhecer. Mesmo quando não gostava dos personagens (e há poucos, muito poucos neste livro de quem gostei) reconhecia-os.
Não sei como um leitor que não tenha qualquer ligação a Portugal reage a este livro mas imagino que não consiga apreciar a melhor parte desta história. Há personagens que, para muita gente, devem parecer muito pouco credíveis e no entanto são as mais reais, são as tais que me fazem gostar imenso desta história (veja-se, por exemplo, a mulher do Joaquim Abrantes ou o próprio Joaquim Abrantes).
Gostei da estrutura deste livro: duas histórias que acabam por se unir. Não é muito comum, não ajuda à leitura, tornando-a até difícil a princípio mas que acabou por me agradar (especialmente nesta releitura).
O final não me agradou a 100% devo confessar. É certo que não adivinhei o assassino (e eu gosto disso) mas pareceu-me algo rebuscado demais. Ainda assim isso não faz com que tenha gostado menos do livro por isso.
Continuo a recomendar a todos o “O último acto em Lisboa”.

 

Uma das minhas próximas releituras será o “Uma companhia de estranhos”, também deste escritor e também passado em Lisboa durante a segunda guerra Mundial. 
 
Uma nota para as capas que aqui deixo: a horrível é a da minha edição em Português e a maravilhosa é a da minha edição de bolso em Inglês (entretanto ofereci-a, mas continuo a achá-la linda).

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