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Ler por aí

Ler por aí

A Rapariga que inventou um Sonho, de Haruki Murakami


Não sou a maior fã de contos. Estas histórias pequeninas deixam-me desconfortável precisamente porque no melhor da coisa... acabam. No entanto foi precisamente por um livro de contos que "ataquei" o escritor da moda Murakami. As expectativas não eram altas... por um lado sou um bocadinho anti-modas e por outro não sou fã de contos.
Mas o livro estava disponível e a minha mãe (a dona do livro) desafiou-me dizendo-me o quão estranho o achou. Nem sequer o quis discutir comigo - e nós dissecamos os livros que lemos. Por isso resolvi-me a lê-lo. Mente aberta e curiosidade. 
Primeiro estranhei-o. Na realidade não gostei especialmente dos primeiros contos. Mas depois habituei-me a estas conversas com o escritor, em que pormenores mais ou menos interessantes eram contados. Foi o que mais gostei no livro: quase todas as histórias poderiam ser o resultado de uma (estranha) conversa de café. E eu gosto de conversar. E nem sempre uma conversa tem que ter um propósito para além da conversa propriamente dita. Como alguns destes contos não têm que ter um propósito, um ensinamento, um fim em si. São momentos de vida. Com a particularidade de envolverem a morte, tema recorrente ao longo de todo o livro. E eu sou uma pessoa um bocadinho mórbida por isso gostei bastante. 
Não faço ideia se este livro é ou não típico e representativo da escrita de Murakami. Sei que gostei e que um dia destes ainda hei-de pegar no livro para reler uma ou outra história.