Ler por aí
 
27 de Abril de 2017

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Dizia o autor (nesta entrevista) que neste livro a história fazia tangentes à História e à tradição oral de contar histórias. De facto, é impossível não perceber algumas dessas tangentes até para alguém tão distraído e pouco culto como eu.

Neste novo universo, a que chamou Mitologias, Gonçalo M. Tavares apresenta-nos a personagens fascinantes. Desde logo a mulher-sem-cabeça e o homem-de-mau-olhado que nos são apresentados no título. Mas não acredito que haja leitores indiferentes a Ber-lim, cujo nome (e não só) foi divido ao meio numa viagem de comboio a alta velocidade, por exemplo. Ou à Mulher-ruiva. Ou aos Cem-homens mais um. Ou até, quiçá, ao Lobo.

Uma das coisas que me fascina na escrita deste autor é a possibilidade de ler o que escreve de uma forma mais ou menos literal. Optei por ler este livro devagar, com calma, sempre em busca de pistas para outros significados, outras camadas. Gosto da lógica estranha do escritor (não será por acaso que o meu livro favorito dele é o O  Torcicologologista, Excelência) que permite várias leituras, que permite que a sua escrita (especialmente neste tipo de livro onde as leis da física e da lógica sejam completamente deturpadas – gosto do fantástico, já sabem) se transforme quase num jogo, sempre em busca de mais uma camada.

E se pararmos para pensar um pouco começamos a perceber que, também aqui, num livro que podia ser considerado um livro de contos de terror, se reflecte sobre o mal, a natureza humana, a coragem e a cobardia, a aleatoriedade, as escolhas de cada um a cada momento. Afinal, são os temas que GMT vai explorando em cada livro.

Não espero que todos gostem deste livro mas eu não hesito, nunca, em recomendá-lo. E tendo em conta que já o li 2 vezes, acho que ainda vou voltar a estas páginas outras vezes. Gosto e pronto.

 

"O Muro é da altura de um homem de um metro e oitenta, cujos pés balançam quatro metros acima do solo. Era esta a medida, a referência" pag 66

 

 

publicado por Patrícia às 18:20 link do post
A que se refere os Cem-homens mais um?
Joao a 5 de Maio de 2017 às 03:37
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