Ler por aí
 
04 de Dezembro de 2014

 
A violência tolhe aliberdade, a ignorância destrói a vontade e torna-se possível construir umasociedade baseada em valores distorcidos. As mulheres são, como tantas vezes naHistória, transformadas em seres sem vontade, fracos, amorfos. Dividas emcastas e com cores a representá-las são as Servas, mulheres férteis ereprodutoras numa sociedade seca e estéril, as protagonistas desta história.
Defred conta-nos a suahistória, a sua passagem de mulher moderna, mãe e trabalhadora, casada e feliza mulher sem nome, sem passado ou futuro, entregue a uma família para fazeraquilo de que o seu corpo já provou ser capaz: reproduzir-se. Reproduzir-se é apalavra certa, ser mãe é tão mais do isso e se algum dia engravidar, Defredsabe que não o poderá ser, que nunca poderá chamar seu a um bebé que lhe saiadas entranhas.
O drama da geração deDefred é a memória, é o saber, o lembrar-se ainda de que houve um tempo em queler era normal, em que ir à praia também, em que ter uma conta no banco ousimplesmente apaixonar-se era aceitável. Haverá gerações de mulheres que, pornão se lembrarem, por nunca terem sabido deixarão de considerar possível sermais do que a aquilo em qua as transformaram, a que as reduziram. Vencer pelaignorância.
E quantas vezes o vemos,o vimos e ainda o veremos? Em quantas partes do mundo ainda se vence pelaviolência, se ensina com ignorância, se reduz pelo medo?
Até que ponto serápossível cair-se no extremismo de uma religião, deturpar-se leis e pensamentos,interpretar-se de forma abjeta textos “sagrados” e datados de uma época que nãoé a nossa?
Ciclicamente na Históriado mundo tem havido gentes, géneros ou povos que se consideram superiores e quesendo militarmente superiores vergam à sua medida gentes e países.
Gostei muito deste livro quelevanta muitas questões, incluindo uma a que é tão difícil dar resposta: Seriapossível?
publicado por Patrícia às 14:19 link do post
Respondendo à tua pergunta: sim, acho que seria possível. Já vemos tantas liberdades atropeladas nos dias que correm... É ser-se um bocado pessimista, admito, mas vejo uma degradação de valores tão grande e coisas a acontecerem que jamais deviam acontecer, que não tenho dificuldades em acreditar que uma coisa deste género pudesse acontecer.
É um livro poderoso e quem sem dúvida vale a pena ler.
Célia a 4 de Dezembro de 2014 às 14:26
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