Ler por aí
 
11 de Maio de 2015


Eu queria muito ter gostado deste livro. A sério. Extremamente bem recomendado, queria muito ter gostado. Infelizmente é um livro que não me convenceu. 
Tenho um problema: não gosto de adivinhar o final dos livros. Não gosto de estar certa, gosto de ser enganada, confundida e surpreendida. Não aconteceu. Adivinhei o destino dos personagens desde o início e se durante algum tempo estive enganada no que ao "como" diz respeito, até isso se tornou claro muito tempo antes do final. E confesso que só acabei de ler para tirar as teimas (e sempre tive uma secreta esperança de estar errada).

Agora que já vos desiludi (sorry) e que já vos baixei um bocadinho as expectativas (depois agradecem-me é sempre melhor começar a ler um livro com baixas expectativas e depois ser agradavelmente surpreendido), deixem-me dizer-vos que há cartas interessantíssimas neste livro. Sim, porque este é um livro de cartas. Um homem decide (auto) exilar-se nos Açores e viver uma vida de sonho: durante uns tempos vive meio isolado, à espera das baleias, à espera de se encontrar, à espera de encontrar as razões para continuar vivo (amei a ideia de uma coluna de jornal com "motivos para não nos matarmos") que ocupa o seu tempo a escrever cartas para um amigo em Lisboa. São essas cartas que compõem este livro. E a estas juntam-se outras. Cartas e mais cartas. Algumas bem interessantes. Escritas não só por este protagonista mas por outro também.

Há várias coisas positivas neste livro: há textos, cartas, realmente interessantes. Há passagens muito interessantes, uma manancial para quem gosta de citações, passagens bonitas ou simplesmente frases interessantes. É um livro que nos obriga a ler devagar, a saborear as palavras, a ver os Açores pelos olhos do protagonista. Para além disso é um livro sobre a perda. Mas é um livro que conta a perda de uma forma diferente do habitual.

Outro ponto positivo é obrigar-nos, a um determinado ponto, a perceber que estamos a conhecer, não a história, não um personagem, mas aquilo que esse personagem, essa pessoa quer que saibamos acerca dele. Permite-nos imaginar uma outra história. O porquê do personagem nos contar aquilo, daquela forma.

Talvez seja da minha falta de interesse ao que estava explícito (ou talvez não) mas a verdade é que me vi a imaginar o que não estava escrito, as emoções entre as linhas de cada carta. É um livro às camadas, que podemos escolher explorar.

Mas este livro não é para mim. Ou pelo menos não é para mim numa fase da vida em que não posso parar. Aconselho-vos a lê-lo numa altura em que não tenham absolutamente mais nada que fazer, mais nada em que pensar. Porque o livro veio mesmo muito bem recomendado por isso acredito que neste caso o problema foi mesmo meu.


publicado por Patrícia às 23:56 link do post
Se calhar uma opção para me acompanhar nas férias aos açores :)
Fuschia a 12 de Maio de 2015 às 10:49
História simplesmente espetacular. Moby Dick é considerado como um monumento da literatura mundial, um magnífico dramatização do espírito humano em um estágio de natureza primitiva. Recentemente, vi o filme No Coração do Mar (I compartilhar o link das próximas transmissões: http://br.hbomax.tv/movie/TTL603317/No-Coracao-Do-Mar) Ron Howard, e é um espetáculo visual muito interessante que recebe cenas específicas com força suficiente. Uma grande história, bons desempenhos, melhores efeitos especiais e cenas de ação enérgicos, mas talvez o script é um pouco dispersos querendo cobrir muitos tópicos, a mensagem final não deixa de ser claro e não consegue mover como deveria. Vou ver como é o livro.
Pia a 18 de Janeiro de 2017 às 21:39
Pia, lamento mas este livro, apesar do nome, não tem nada a ver com o "Moby Dick". É algo absolutamente diferente.
Patrícia a 18 de Janeiro de 2017 às 23:39
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