Ler por aí
 
24 de Abril de 2013

 
Com o tempo esqueço-me de porqueé que decidi deixar de ler os livros de certos escritores. Antes de comprar umlivro tenho que ir reler as minhas notas (ou seja os post) sobre os livros doautor. Se o tivesse feito provavelmente teria, no dia em que me esqueci dolivro que estava a ler em casa, comprado a revista LER (a minha ideia inicial) emvez do livro “A Bala Santa” de Luís Miguel Rocha.
Há várias razões para não tergostado especialmente do livro:
·      O tipo denarrador irritou-me. Sabem aquele tipo de narrador omnisciente que passa a vidaa dizer-nos que mais tarde não sei o quê ou que a informação que estão a darafinal não interessa para nada? Pois, é desses. Não gosto. Um narradoromnisciente tudo bem, mas que não seja chato.
·      Demasiadospersonagens. Principalmente demasiados personagens sem nome. Funciona numfilme, em que reconheces o senhor da próxima vez que aparecer. Não funcionaaqui. E torna-se uma confusão. Este tipo de livre é, supostamente, de leiturarápida por isso não nos devia obrigar a pensar vezes sem conta em quem é quem.Depois parte dos personagens têm “nomes de código”. Juro-vos que me deu asensação de “espera aí que me dá jeito que afinal aquele gajo seja este”.
·      Muita parrae pouca uva: uma vez mais o tema tem tudo para ser interessante, mas acaba porser uma chatice. Passei a maior parte do livro a pensar, mas afinal isto nãoera sobre a morte do João Paulo II?
·      O autor,again, parece-me querer agradar a gregos e troianos. Agrada aos fiéis porque afé, a existência de deus não é, nunca, posta em causa. Agrada aos fanáticos dasconspirações, porque este livro é todo ele uma conspiração pegada. Agrada aosque consideram a Igreja uma nódoa. Agrada aos fãs do Papa. Agrada aos que nãosão fãs de Bento XVI (há lá umas farpazinhas, que não chegam a ser acusaçõesmas que ficam perto). Agrada aos que têm a certeza de que a impunidade e acorrupção são o mote que faz com a vida corra para a frente. Agrada aos que têma certeza que o Vaticano é um ninho de cobras. Acho mesmo que só não agrada àOpus Dei, mas agrada a todos os outros.
·      Demasiadoconfuso. A história é confusa, os saltos entre os vários tempos da ação também.Too much, too much. Este tipo de livros quer-se polémico mas simples. Leiturarápida.
·      Aquele finalé… surreal. A sério, só me deu vontade de rir. Nop, definitivamente não.
 E a verdade é que a maioriadestes pontos já tinha sido mencionada nas anteriores leituras de livros desteescritor. Por isso “mea culpa” que voltei a cair na esparrela. Mas é que eugosto tanto, tanto de livros sobre religião, conspirações e afins. São os meusguilty pleasures.
sinopse
Depois de surpreender o mundo comO último papa, thriller baseado na estranha morte do papa João Paulo l em 1978,Luís Miguel Rocha fisga mais uma vez os leitores com Bala santa, a continuaçãode uma história de conflitos, intrigas e mistérios dentro da Igreja Católica.Desta vez, o ponto de partida é maio de 1981, quando o papa João Paulo II sofreum atentado brutal no Vaticano. Em Bala santa, as dúvidas sobre os fatos semisturam com as respostas oferecidas pela imaginação do autor. O resultado éuma trama hipnotizante, que faz pensar: será esta apenas uma obra de ficção?
publicado por Patrícia às 14:29 link do post
Patrícia,
nunca li nada deste autor. Tenho lido imensas críticas positivas aos seus livros e à sua escrita por isso tenho tenho a certeza de que só podes estar... certa. :)
Nem por um segundo ponho em causa o que escreves. Sem nunca o ter lido (excepto sinopses e algumas páginas avulso) a sensação com que sempre fiquei foi do género: "Ok, quem sabe um dia".
O principal motivo pelo qual nunca me interessou ler este senhor foi o facto de todos os livros dele serem sobre o mesmo. Acredito que os enredos sejam diferentes entre si mas, por favor, quem é que me convence a ler 23450 livros sobre Papas??
Por tudo o que intuía somado ao que escreveste... Continuará na pilha dos "a ler um dia" (assim um dia se acabarem de escrever outros livros que me interessem)
:)
André Nuno a 26 de Abril de 2013 às 18:36
Ora, ora... cá está algo, que parece quase saído da minha linda boca! :D
Li "Bala Santa" e também "O Último Papa" fiquei com a sensação de que eram 2 fotocópias, os seguintes, peguei neles na livraria e achei mais do mesmo, fruta com pouco sumo. No entanto reconheço que em Portugal, fazem falta este género de livros, pois temos de facto excelentes escritores, mas também se parecem muito uns com os outros. Temos de falta de histórias arrebatadoras, mas que não usem e abusem dos floreados, que parecem quase tirados a saca-rolhas.
Lamento, mas LMR, pode convencer Gregos e também Troianos, mas não me convence a mim, que sou Português.
Os livros deste autor, valem o que valem e ainda bem que tem o seu público (pois o esforço é sem dúvida de louvar) Gozam no entanto de um certo "protagonismo" muito por causa de uma máquina gigantesca de propaganda, que não é acessível a qualquer um.
Disseste muito bem: "muita parra e pouca uva"
nuno chaves a 27 de Abril de 2013 às 16:34
Patrícia,

Li "A Filha do Papa" e adorei. Os dois livros que mencionas não os li.
Dentro do género policial com ramificações ao Vaticano tens um verdadeiro mestre que, apesar do nome, é americano e chama-se Daniel Silva. É um luso-descendente! Adoro este autor. Tenho andado a ler todos os seus livros e não me canso.
UmaMaria a 28 de Abril de 2013 às 14:20
Olá André,
Confesso que gosto imenso de ler sobre Papas, religião e teorias da conspiração. Mas os livros deste escritor não me enchem as medidas. Nada a fazer.
Patrícia a 30 de Abril de 2013 às 14:45
Concordo. principalmente quando dizes que fazem falta bons escritores Portugueses a escrever este género de livros, policiais, de suspense.
Mas LMR também não me convenceu.
Patrícia a 30 de Abril de 2013 às 14:48
Já li um livro do Daniel Silva, mas acho que não foi dos melhores dele. Mas ando numa de policiais e ainda lhe vou dar outra oportunidade
Patrícia a 30 de Abril de 2013 às 14:48
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