Ler por aí
 
17 de Junho de 2017

Feira 2017.jpg

 

Não interessa onde estou... se estou em casa, este bicho maravilhoso é a minha sombra. Ontem, quando me sentei para ver os emails, ele arranjou maneira de se aninhar ao meu lado. Não interessa se os livros da feira ainda não foram arrumados na estante e ainda estão em pilha em cima da secretária, há ali lugar para ambos. Para os livros e para o gato. 

publicado por Patrícia às 11:49 link do post
13 de Junho de 2017

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Ontem fui a mais uma tertúlia da 20|20, onde o Ricardo Duarte conversa com escritores sobre livros e leituras. Já lá tinha ido no primeiro dia (e o convidado era o Pedro Vieira) e, tal como ontem, havia pouquíssima gente a assistir à conversa. Ganhámos nós, os poucos que ali estávamos, porque tínhamos bastante espaço e ainda conseguimos estar uns minutos à conversa com entrevistador e entrevistado. Perde quem não está. Ouvir o João Reis a falar do seu "A Avó e neve russa" foi muito divertido.

Tenho tanta pena de não conseguir ir mais vezes (mas vou ouvir todas as conversas assim que forem divulgadas as gravações) e garanto-vos que se a tertúlia fosse às 19h e não às 21h estava lá todos os dias. Assim, fui duas vezes, espero ir pelo menos mais uma e vou ficar à espera que para o ano a editora aposte novamente neste formato. 

O desinteresse dos leitores portugueses pelos nossos escritores é gritante na feira e sinceramente isso entristece-me e preocupa-me, porque eu acho que se escreve muito bem por cá e porque gosto mesmo muito de ler em Português.

 

E já, agora, para quem possa pensar que o post me foi encomendado ou que recebo livros do grupo editorial em questão, como é costume por aí, esqueça. Eu ou este blog não tem qualquer género de ligação com qualquer editora (excepto que eu lhes compro livros).

publicado por Patrícia às 14:12 link do post
06 de Junho de 2017

feira 2017.jpg

(sniff, sniff, cheira a farturas....

Sim, já fui à feira, já bebi ginjinha e já comprei livros. Já fui à feira acompanhada e já fui sozinha. Fiz todas as compras quando fui sozinha. Comprei num alfarrabista o "O Ano da morte de Ricardo Reis" de José Saramago porque é um dos poucos livros de Saramago que não tenho e há quem diga que é o melhor dele. Comprei na barraquinha da Teodolito o "A Teoria dos Limites" da Maria Manuel Viana porque é um dos meus livros favoritos e não tinha nenhum exemplar meu e comprei Noite e Dia, da Virgínia Woolf na Relógio D'água porque me apeteceu.

Quando fui à feira sozinha não havia por lá escritores e havia espaço, muito espaço. Gosto de andar assim, à vontade. Confesso, aqui que ninguém nos ouve, que gosto tanto de ir à feira com o pessoal dos livros como de ir assim, sem tempo marcado nem conversas. 

O melhor da feira este ano? Para além dos livros? As tertúlias com os escritores que acontecem no espaço da 20|20. É sempre um prazer ouvir o Ricardo Duarte à conversa sobre livros e só não vou todos os dias porque não posso. Fui no primeiro dia, ouvir o Pedro Vieira e espero ir ouvir o João Reis e Patrícia Reis. E, se conseguir, a Dulce Maria Cardoso. E espero ouvir todas as conversas em podcast (espero que seja divulgado nesse formato).

O pior da feira? A comida e o café em copo de chocolate. De quem foi a triste ideia de inventar café em copo de chocolate? Eu sei que, por um miserável minuto, me passou pela cabeça de que podia ser interessante mas passou-me depressa. 

publicado por Patrícia às 09:41 link do post
31 de Maio de 2017

A imagem mais forte que retenho da feira do ano passado foi a de uma mulher sentada numa mesa. Sozinha. 

Era fácil perceber que era escritora e fácil imaginar que não estaria ali por vontade própria. Eu pelo menos não estaria. Sozinha. Numa montra. Sozinha mas em versão mau. Eu gosto de me sentar sozinha numa mesa da feira a ler um livro, a ver quem passa. Mas eu posso escolher, a qualquer momento, levantar-me e ir embora. 

Ela estava sozinha, com um ar infeliz de cão abandonado. Quem olhava para ela percebia que era escritora, lia o nome numa placa e seguia em frente, sem parar.

Sozinha. Identificável. 

Confesso que senti pena. Não parei para falar com ela porque senti pena e não tinha nada para lhe dizer. 

Olhei para ela e aposto que ela se sentia como uma atracção da feira e das que ninguém gosta. 

Nesse dia não não gostei da feira.

Uns dias mais tarde e por causa daquela imagem, entrei numa livraria e comprei o livro dela. Um dia falo dele aqui.

 

Já vos disse que sempre que vou à feira bebo ginjinha em copo de chocolate?

 

DSC04439.JPG

 

 

 

publicado por Patrícia às 15:59 link do post
30 de Maio de 2017

Cada vez leio mais devagar. Não tenho pressa. Para quê ter pressa de ler, se ler é um prazer, se ler é algo que faço porque quero, porque preciso, porque faz parte de quem eu sou?

Cada vez mais gosto de pensar o que leio, de levar o meu tempo a percorrer aquela história. Há livros e leituras que pedem calma, lentidão. O número de livros que leio por mês não me interessa nada. A qualidade dos livros que leio sim. Ou melhor, a qualidade da (minha) leitura, sim. Há livros que preciso mastigar, digerir. 

Na verdade, isto é algo que, para vocês, tem zero importância mas a verdade é que isso faz com este blog não tenha tantos post de opinião como eu gostaria. E eu não me consigo disciplinar (nem na verdade tenho qualquer interesse em fazê-lo) e escolher leituras mais rápidas ou inventar cenas para publicar. 

 

publicado por Patrícia às 09:29 link do post
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24 de Maio de 2017

Estou numa fase em que a pior coisa que me podem dizer de um livro é que "é belo". Se estamos a falar de ser belo no sentido físico deixa-me de pé atrás em relação ao conteúdo. Gosto tanto como qualquer outro leitor do objecto "livro" e é maravilhoso pegar num livro com uma edição bonita e cuidada mas, tirando raras excepções, a maior parte dos livros bonitos não me agrada. 

E se falarmos de "escrita bonita", "escrita lírica", "escrita poética" a coisa piora um pouco. Para já, não faço ideia do que raio é uma escrita poética ou lírica (apesar de, por vezes já ter pensado saber e achar que determinado livro tem esse tidpo de escrita) e por outro lado sei que gosto muito mais da escrita dura, objectiva, sem "salamaleques".

Não quero que me maravilhem com o horror: prefiro sentir-me horrorizada.

Não quero que me encantem com o nojo, prefiro sentir-me enojada.

Não quero que me façam pensar na literatura, quero que a literatura me faça pensar na vida.

Não quero que a literatura me faça mergulhar nas palavras, quero que me transporte para o impensável.

 

publicado por Patrícia às 10:53 link do post
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23 de Maio de 2017

Ando a namorar o The Alloy of Law , de Brandon Sanderson, desde que acabei de ler o Uma Magia Mais Escura, de V.E. Schwab. Isto de ler fantasia é como as cerejas e depois de um apetece-nos ler outro e outro e continuar naquele mundo. E Cosmere é sempre uma boa escolha. Ter que esperar até Novembro para voltar aos Stormlight Archives com o Oathbringer está a deixar-me um bocado... bem... errrr.... solitária? digamos "solitária", que qualquer outro termo far-me-á parecer ainda mais maluca do já pareço.

Mas voltando à vaca fria... comprar ou não comprar. Por um lado, vem aí a feira do livro de Lisboa e devia, mesmo, guardar-me para lá. Por outro lado, estar a ler um calhamaço como este (qualquer livro do Brandon Sanderson é um calhamaço, a questão é sempre "quão acima das mil páginas" e não quantas páginas tem) far-me-á ter alguma vergonha de comprar mais livros e pode, efectivamente, ajudar-me a não comprar livros que não vou ler nos próximos tempos.

Decisões, decisões.... (ou desculpas esfarrapadas para justificar a compra de mais um livro. Sim, é mais isso)

publicado por Patrícia às 15:39 link do post
22 de Maio de 2017

Já sabem que volta e meia venho aqui deixar-vos sugestões para um novo podcast. Aceito também as vossas sugestões. Neste momento, os podcast que sigo são:

 

  • Biblioteca de Bolso
  • O Livro do Dia, da TSF
  • À volta dos livros
  • A última edição
  • A força das Palavras
  • 30 Min de Literatura (BR)
  • A Páginas Tantas
  • Sem Barbas na Língua
  • Governo Sombra

 

Dos 9, os únicos que têm pouco a ver com livros (apesar de ambos serem feitos por escritores) são o Sem Barbas na Língua e o Governo Sombra. Encaixo ambos na mesma categoria : nem sempre concordo com tudo o que se diz mas divirto-me na mesma. Para mim, são ambos uma espécie de herdeiros de Noite da má língua, em que se fala a sério a brincar.

Mas hoje quero mesmo é chamar-vos a atenção para o "A páginas tantas" que, confesso, só descobri há pouco enquanto navegava pela página dos podcast no site da RTP. Obviamente fiquei fã e ando a ouvir, da frente para trás, os programas todos. À conversa com a Ana Daniela Soares estão a Patrícia Reis, a Inês Pedrosa e a Rita  Ferro. 4 mulheres a falar de livros? Obviamente que quero ouvir.

O tema desta semana foi a desculpa que precisava (como se eu precisasse de desculpas para vos impingir podcast) para vir escrever este post: Blogues Literários.  

Boas leituras 

 

 

publicado por Patrícia às 14:53 link do post
21 de Maio de 2017

UmaMagiamaisEscura.jpg

 

Aqui entre nós: esta capa é, ou não, brutal? Bastante diferente do cansaço que são as capas da maioria dos livros de fantasia, esta capa fascinou-me. Compraria este livro só por esta capa. 

Acho que é unânime que o melhor desta história é a teoria dos mundos paralelos, as várias Londres que nos são apresentadas são muito interessantes. A teoria dos mundos paralelos não é propriamente uma enorme novidade mas é-nos apresentada de uma forma interessante e para mim, que não sou propriamente uma especialista neste género de teoria, coerente o suficiente. Gostei do desenvolvimento deste universo. A construção do mundo, as regras que o regem são fundamentais para que uma história de fantasia funcione. Esta parecei-me ser simples o suficiente (às vezes menos é mesmo mais) para funcionar. E quando digo "simples" talvez esteja a ser injustamente simplista, uma vez que temos magia e regras diferentes em cada mundo, uma linguagem própria, artefactos que encaixam e que com, pelo menos, 4 mundos diferentes isto funciona.

O primeiro livro de uma série de fantasia é sempre, e acima de tudo, uma apresentação. Do mundo, dos personagens que nos vão acompanhar durante (esperemos) vários livros, das histórias a desenvolver.

Kell, um Antari, capaz de viajar entre os vários mundos, é originário da Londres  Vermelha, onde o equilíbrio entre a magia e a humanidade parece mais estável. Lila é uma ladra originária da Londres Cinzenta, um mundo com pouca ou nenhuma magia. Hollande, da Londres Branca, onde o equilíbrio entre magia e humanidade parece estar a ser vencido pela magia, pela corrupção, pela maldade. Talvez a sua proximidade à Londres Negra não seja inócua.

O meu maior problema com este livro é que, ao longo de toda a leitura, não consegui deixar de comparar a Lila e o Kell com o Kelsier e a Vin (e como não ver o Elend no Rhy???). E ninguém ganha ao Kel e à Vin (com uma possível excepção para o Kaladin e a Shallan). É injusto, eu sei, comprar esta série com Mistborn mas não deu para evitar. Demasiados pontos em comum. Ainda por cima o último livro de fantasia que li foi precisamente o Words of Radiance, o segundo volume dos Stormlight Archives, cujo nível de complexidade é vários graus acima deste livro. A razão porque refiro isto é, precisamente, para justificar a minha falta de entusiasmo em relação a estas personagens.

Espero, no entanto, continuar a seguir as aventuras de Lila e Kell ao longo dos próximos volumes desta série. 

Acho que este Uma Magia Mais Escura, é uma boa forma de começar a ler fantasia, um óptimo cartão de visita para quem está a descobrir o género literário mais apaixonante de todos.

publicado por Patrícia às 12:01 link do post
12 de Maio de 2017

no silêncio de Deus.jpg

 

Às vezes a solidão aos 30 é igual à solidão dos 60 ou dos 70. Às vezes há amizades que não parecem fazer muito sentido mas a verdadeira e mais interessante relação entre duas pessoas é quando ela acontece sem que haja preparação, escolha ou preconceito envolvido. Quando simplesmente acontece.

A sinopse deste livro diz

    Um livro sobre os livros e o exercício da escrita.

    Um escritor descobre que está a morrer.
    Uma jornalista tenta desvendá-lo.
    Ambos procuram a redenção.
    Encenam uma fuga à realidade.
    Três cidades: Lisboa, Jerusalém, Amesterdão.
    E ainda uma prostituta, um barman, um médico homeopata.
    A possibilidade da salvação e a procura da humanidade.
    As falhas de cada um. O passado como identidade. Um fado.
    Vários livros. Dor e consternação.
    No fim, sem medo, uma ideia melhor.

 

E, de facto, a solidão está presente em todas as personagens, em todas as páginas. E a procura de um sentido para a vida, no sentido mais restrito e particular do termo. O que faz de uma vida uma boa vida? Uma vida digna se ser vivida? Todos temos, em maior ou menor grau, o medo de chegar ao final do caminho, olhar para trás e não encontrar nada que realmente tenha valido a pena. Nada em que tenhamos deixado a nossa marca. E da mesma forma já olhámos para o vazio do futuro com medo, sem esperança.

Sara e Manuel, os dois protagonistas desta história são, à primeira vista muito diferentes, mas em ambos encontramos a mesma solidão, a mesma falta de esperança. E digo-vos já que me apeteceu, muitas vezes, abanar ambos. Mais a Sara, que o Manuel. Apesar de tudo compreendo-o melhor a ele que a ela. 

Este é um livro sobre sentimentos, decisões, momentos, escolhas. Sobre arrependimento. Sobre a possibilidade de nos reinventarmos.

Gostei muito e, ainda antes de terminar esta leitura, comprei o "Por este mundo acima"  que será, uma das minhas próximas leituras.

publicado por Patrícia às 11:57 link do post
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