Ler por aí
 
31 de Maio de 2017

A imagem mais forte que retenho da feira do ano passado foi a de uma mulher sentada numa mesa. Sozinha. 

Era fácil perceber que era escritora e fácil imaginar que não estaria ali por vontade própria. Eu pelo menos não estaria. Sozinha. Numa montra. Sozinha mas em versão mau. Eu gosto de me sentar sozinha numa mesa da feira a ler um livro, a ver quem passa. Mas eu posso escolher, a qualquer momento, levantar-me e ir embora. 

Ela estava sozinha, com um ar infeliz de cão abandonado. Quem olhava para ela percebia que era escritora, lia o nome numa placa e seguia em frente, sem parar.

Sozinha. Identificável. 

Confesso que senti pena. Não parei para falar com ela porque senti pena e não tinha nada para lhe dizer. 

Olhei para ela e aposto que ela se sentia como uma atracção da feira e das que ninguém gosta. 

Nesse dia não não gostei da feira.

Uns dias mais tarde e por causa daquela imagem, entrei numa livraria e comprei o livro dela. Um dia falo dele aqui.

 

Já vos disse que sempre que vou à feira bebo ginjinha em copo de chocolate?

 

DSC04439.JPG

 

 

 

publicado por Patrícia às 15:59 link do post
30 de Maio de 2017

Cada vez leio mais devagar. Não tenho pressa. Para quê ter pressa de ler, se ler é um prazer, se ler é algo que faço porque quero, porque preciso, porque faz parte de quem eu sou?

Cada vez mais gosto de pensar o que leio, de levar o meu tempo a percorrer aquela história. Há livros e leituras que pedem calma, lentidão. O número de livros que leio por mês não me interessa nada. A qualidade dos livros que leio sim. Ou melhor, a qualidade da (minha) leitura, sim. Há livros que preciso mastigar, digerir. 

Na verdade, isto é algo que, para vocês, tem zero importância mas a verdade é que isso faz com este blog não tenha tantos post de opinião como eu gostaria. E eu não me consigo disciplinar (nem na verdade tenho qualquer interesse em fazê-lo) e escolher leituras mais rápidas ou inventar cenas para publicar. 

 

publicado por Patrícia às 09:29 link do post
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24 de Maio de 2017

Estou numa fase em que a pior coisa que me podem dizer de um livro é que "é belo". Se estamos a falar de ser belo no sentido físico deixa-me de pé atrás em relação ao conteúdo. Gosto tanto como qualquer outro leitor do objecto "livro" e é maravilhoso pegar num livro com uma edição bonita e cuidada mas, tirando raras excepções, a maior parte dos livros bonitos não me agrada. 

E se falarmos de "escrita bonita", "escrita lírica", "escrita poética" a coisa piora um pouco. Para já, não faço ideia do que raio é uma escrita poética ou lírica (apesar de, por vezes já ter pensado saber e achar que determinado livro tem esse tidpo de escrita) e por outro lado sei que gosto muito mais da escrita dura, objectiva, sem "salamaleques".

Não quero que me maravilhem com o horror: prefiro sentir-me horrorizada.

Não quero que me encantem com o nojo, prefiro sentir-me enojada.

Não quero que me façam pensar na literatura, quero que a literatura me faça pensar na vida.

Não quero que a literatura me faça mergulhar nas palavras, quero que me transporte para o impensável.

 

publicado por Patrícia às 10:53 link do post
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23 de Maio de 2017

Ando a namorar o The Alloy of Law , de Brandon Sanderson, desde que acabei de ler o Uma Magia Mais Escura, de V.E. Schwab. Isto de ler fantasia é como as cerejas e depois de um apetece-nos ler outro e outro e continuar naquele mundo. E Cosmere é sempre uma boa escolha. Ter que esperar até Novembro para voltar aos Stormlight Archives com o Oathbringer está a deixar-me um bocado... bem... errrr.... solitária? digamos "solitária", que qualquer outro termo far-me-á parecer ainda mais maluca do já pareço.

Mas voltando à vaca fria... comprar ou não comprar. Por um lado, vem aí a feira do livro de Lisboa e devia, mesmo, guardar-me para lá. Por outro lado, estar a ler um calhamaço como este (qualquer livro do Brandon Sanderson é um calhamaço, a questão é sempre "quão acima das mil páginas" e não quantas páginas tem) far-me-á ter alguma vergonha de comprar mais livros e pode, efectivamente, ajudar-me a não comprar livros que não vou ler nos próximos tempos.

Decisões, decisões.... (ou desculpas esfarrapadas para justificar a compra de mais um livro. Sim, é mais isso)

publicado por Patrícia às 15:39 link do post
22 de Maio de 2017

Já sabem que volta e meia venho aqui deixar-vos sugestões para um novo podcast. Aceito também as vossas sugestões. Neste momento, os podcast que sigo são:

 

  • Biblioteca de Bolso
  • O Livro do Dia, da TSF
  • À volta dos livros
  • A última edição
  • A força das Palavras
  • 30 Min de Literatura (BR)
  • A Páginas Tantas
  • Sem Barbas na Língua
  • Governo Sombra

 

Dos 9, os únicos que têm pouco a ver com livros (apesar de ambos serem feitos por escritores) são o Sem Barbas na Língua e o Governo Sombra. Encaixo ambos na mesma categoria : nem sempre concordo com tudo o que se diz mas divirto-me na mesma. Para mim, são ambos uma espécie de herdeiros de Noite da má língua, em que se fala a sério a brincar.

Mas hoje quero mesmo é chamar-vos a atenção para o "A páginas tantas" que, confesso, só descobri há pouco enquanto navegava pela página dos podcast no site da RTP. Obviamente fiquei fã e ando a ouvir, da frente para trás, os programas todos. À conversa com a Ana Daniela Soares estão a Patrícia Reis, a Inês Pedrosa e a Rita  Ferro. 4 mulheres a falar de livros? Obviamente que quero ouvir.

O tema desta semana foi a desculpa que precisava (como se eu precisasse de desculpas para vos impingir podcast) para vir escrever este post: Blogues Literários.  

Boas leituras 

 

 

publicado por Patrícia às 14:53 link do post
21 de Maio de 2017

UmaMagiamaisEscura.jpg

 

Aqui entre nós: esta capa é, ou não, brutal? Bastante diferente do cansaço que são as capas da maioria dos livros de fantasia, esta capa fascinou-me. Compraria este livro só por esta capa. 

Acho que é unânime que o melhor desta história é a teoria dos mundos paralelos, as várias Londres que nos são apresentadas são muito interessantes. A teoria dos mundos paralelos não é propriamente uma enorme novidade mas é-nos apresentada de uma forma interessante e para mim, que não sou propriamente uma especialista neste género de teoria, coerente o suficiente. Gostei do desenvolvimento deste universo. A construção do mundo, as regras que o regem são fundamentais para que uma história de fantasia funcione. Esta parecei-me ser simples o suficiente (às vezes menos é mesmo mais) para funcionar. E quando digo "simples" talvez esteja a ser injustamente simplista, uma vez que temos magia e regras diferentes em cada mundo, uma linguagem própria, artefactos que encaixam e que com, pelo menos, 4 mundos diferentes isto funciona.

O primeiro livro de uma série de fantasia é sempre, e acima de tudo, uma apresentação. Do mundo, dos personagens que nos vão acompanhar durante (esperemos) vários livros, das histórias a desenvolver.

Kell, um Antari, capaz de viajar entre os vários mundos, é originário da Londres  Vermelha, onde o equilíbrio entre a magia e a humanidade parece mais estável. Lila é uma ladra originária da Londres Cinzenta, um mundo com pouca ou nenhuma magia. Hollande, da Londres Branca, onde o equilíbrio entre magia e humanidade parece estar a ser vencido pela magia, pela corrupção, pela maldade. Talvez a sua proximidade à Londres Negra não seja inócua.

O meu maior problema com este livro é que, ao longo de toda a leitura, não consegui deixar de comparar a Lila e o Kell com o Kelsier e a Vin (e como não ver o Elend no Rhy???). E ninguém ganha ao Kel e à Vin (com uma possível excepção para o Kaladin e a Shallan). É injusto, eu sei, comprar esta série com Mistborn mas não deu para evitar. Demasiados pontos em comum. Ainda por cima o último livro de fantasia que li foi precisamente o Words of Radiance, o segundo volume dos Stormlight Archives, cujo nível de complexidade é vários graus acima deste livro. A razão porque refiro isto é, precisamente, para justificar a minha falta de entusiasmo em relação a estas personagens.

Espero, no entanto, continuar a seguir as aventuras de Lila e Kell ao longo dos próximos volumes desta série. 

Acho que este Uma Magia Mais Escura, é uma boa forma de começar a ler fantasia, um óptimo cartão de visita para quem está a descobrir o género literário mais apaixonante de todos.

publicado por Patrícia às 12:01 link do post
12 de Maio de 2017

no silêncio de Deus.jpg

 

Às vezes a solidão aos 30 é igual à solidão dos 60 ou dos 70. Às vezes há amizades que não parecem fazer muito sentido mas a verdadeira e mais interessante relação entre duas pessoas é quando ela acontece sem que haja preparação, escolha ou preconceito envolvido. Quando simplesmente acontece.

A sinopse deste livro diz

    Um livro sobre os livros e o exercício da escrita.

    Um escritor descobre que está a morrer.
    Uma jornalista tenta desvendá-lo.
    Ambos procuram a redenção.
    Encenam uma fuga à realidade.
    Três cidades: Lisboa, Jerusalém, Amesterdão.
    E ainda uma prostituta, um barman, um médico homeopata.
    A possibilidade da salvação e a procura da humanidade.
    As falhas de cada um. O passado como identidade. Um fado.
    Vários livros. Dor e consternação.
    No fim, sem medo, uma ideia melhor.

 

E, de facto, a solidão está presente em todas as personagens, em todas as páginas. E a procura de um sentido para a vida, no sentido mais restrito e particular do termo. O que faz de uma vida uma boa vida? Uma vida digna se ser vivida? Todos temos, em maior ou menor grau, o medo de chegar ao final do caminho, olhar para trás e não encontrar nada que realmente tenha valido a pena. Nada em que tenhamos deixado a nossa marca. E da mesma forma já olhámos para o vazio do futuro com medo, sem esperança.

Sara e Manuel, os dois protagonistas desta história são, à primeira vista muito diferentes, mas em ambos encontramos a mesma solidão, a mesma falta de esperança. E digo-vos já que me apeteceu, muitas vezes, abanar ambos. Mais a Sara, que o Manuel. Apesar de tudo compreendo-o melhor a ele que a ela. 

Este é um livro sobre sentimentos, decisões, momentos, escolhas. Sobre arrependimento. Sobre a possibilidade de nos reinventarmos.

Gostei muito e, ainda antes de terminar esta leitura, comprei o "Por este mundo acima"  que será, uma das minhas próximas leituras.

publicado por Patrícia às 11:57 link do post
12 de Maio de 2017

E acreditem, é mesmo a última oportunidade. Porque ou é reunido o valor necessário até segunda-feira ou este projeto não vai passar de uma boa ideia.

A Livros de Ontem e a Junta de Freguesia dos Olivais juntaram-se aos escritores Luísa Semedo, João de Almeida, Quita Miguel, Márcia Balsas e Márcia Costa e continuam a tentar que esta ideia, que o seu trabalho tenha a possibilidade de ser lido, conhecido. 

 

São cinco contos que eu gostava mesmo de ler...

 

Luísa Semedo - Céu de carvão, mar de aço

João de Almeida - Caminho em chamas numa casa que gela

Quita Miguel - Sob um céu de um outro Deus

Márcia Balsas - Gaveta de Mistérios

Márcia Costa - Sopro de cinzas

 

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publicado por Patrícia às 11:39 link do post
02 de Maio de 2017

Acho que todos vocês já sabem que sou mega fã do podcast Biblioteca de Bolso. As minhas terças-feiras começam quase sempre a ouvir o episódio da semana enquanto vou para o trabalho. Hoje não foi excepção. Saber que a convidada era a Patrícia Reis aumentou as expectativas. Por um lado já tive a oportunidade de estar numa sessão de uma comunidade de leitores com ela e, por outro, estou a ler um livro dela (O Silêncio de Deus). 

E devo dizer-vos que este episódio tornou-se rapidamente um dos meus favoritos de sempre. 

E gostava muito de vos pedir que o ouvissem. Gostava mesmo. Espero que oiçam e que o partilhem. Ouvir a Patrícia Reis a falar de mulheres como a Agustina Bessa-Luís ou a Maria Teresa Horta deixa-me tão orgulhosa quanto envergonhada. Orgulhosa, porque acho a postura da Patrícia Reis brilhante, a mulher não tem qualquer problema em chamar os bois pelos nomes e é uma lutadora que merece admiração. Envergonhada porque deixei que a leitura obrigatória da Sibilia me afastasse dos livros da Agustina e isso é imperdoável. Tal como é nunca ter livro Maria Teresa Horta. Mas deixo aqui a promessa de colmatar estas falhas muito em breve.

E se pensam que tenho algum interessa em divulgar (tantas vezes) a Biblioteca de Bolso, enganam-se. Não conheço nenhum dos envolvidos neste projecto, não conheço a escritora, nenhum deles me conhece ou me pediu o que quer que seja. 

Oiçam e depois partilhem, se acharem que o merece. 

 

 

publicado por Patrícia às 20:48 link do post
01 de Maio de 2017

 

Que tal ajudarem a concretizar um sonho literário? Imagino que este livro, um projecto que é uma parceria entre a Livros de Ontem e a Junta de Freguesia dos Olivais, seja isso mesmo (a concretização de um sonho) para todos os que têm um conto aqui.

Mas este sonho apenas se tornará realidade se, até dia 15 de Maio, houver gente suficiente a apoiar este projecto.

Vamos ajudar?

 

Atendendo ao papel essencial da literatura no desenvolvimento cultural e intelectual do indivíduo, este projecto tem como intuito promover a criatividade, o gosto pela leitura e sobretudo, a criação literária. 

Constituí também uma homenagem ao escritor que lhe dá nome, procurando assim promover também o conhecimento da obra de Eça de Queirós, um dos autores mais relevantes da nossa literatura. 

ma publicação Livros de Ontem.

Parceria Junta de Freguesia dos Olivais.

Contos de Luísa Semedo, João de Almeida, Quita Miguel, Márcia Balsas e Márcia Costa.

Edição e revisão de João Batista | Livros de Ontem.

Projecto gráfico de Nádia Amante | Livros de Ontem.

 

publicado por Patrícia às 16:10 link do post
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