Ler por aí
 
31 de Janeiro de 2017

Quando é que a discussão de um determinado livro ser ou não adequado para constar no PNL do 3º ciclo passou para o ataque a um escritor ou a quem acha que o livro não é adequado aos miúdos?

 

(só para que conste: li os filhos da droga aos 12, não tenho moral para falar do que é adequado ou não para determinada e já deixei a minha opinião sobre o que os miúdos devem ou não ler neste post. Para além disso só tenho a dizer que tenho pena do prof que analise este texto do vhm numa sala de aula com adolescentes mas que tiro o chapéu ao que o conseguir fazer sem perder o controlo da turba. Além disso gostava de chamar a atenção para a possibilidade dos miúdos lerem livros fora da escola. Para muitos pais isto parece ser estranho mas há imensas leituras que podem e devem ser feitas fora da escola, que não são adequadas à sala de aula mas que devem ser lidos e discutidos em casa. Mesmo sem ter lido o livro atrevo-me a dizer que o livro "o nosso reino" do Valter Hugo Mãe é um destes casos. Aproveitem ser um "livro proibido", coisa que o tornará muito mais atraente aos olhos da miudagem para darem literatura de qualidade aos vossos pimpolhos.)

 

 

 

publicado por Patrícia às 09:52 link do post
27 de Janeiro de 2017

Já sabem que sou fã de ouvir podcasts quando ando de carro. Ora, quando ando de avião gosto, sobretudo, de ler. Sou o género de pessoa extremamente insociável que aproveita aquelas horas para ler e para dormir. Geralmente, adormeço ainda no taxiway e acordo quando servem a refeição. É depois disso a fase mais calma da viagem e que me permite ler bastante. Desta vez preparei para a viagem um audiobook. Passo a explicar. No início de 2016 o programa (também disponível em podcast) Livro do Dia da TSF foi dedicado ao livro "O Torcicologologista, Excelência" de Gonçalo M. Tavares. Ao longo de alguns meses ouvi, a cada dia, um bocadinho deste livro nas maravilhosos vozes do Carlos Vaz Marques e do Gonçalo Waddington. Agora decidi re-ouvir este livro. Tudo de seguida, como quem lê (também tenho o livro, pelo que dá para ler e ouvir) e garanto-vos que esta é, na minha opinião, a maneira certa de ler este livro. 

Este é, muito à custa deste podcast, o meu livro favorito do escritor. Acho que ajuda ouvir (tantas vezes mais do que uma vez) aos poucos, pela voz de outros (quem já teve que ler em voz alta uma parte de um livro para a apreender completamente que levante a mão) estas crónicas non-sense mas que fazem todo o sentido.

É provável que me achem estranha  (aliás, todas as pessoas a quem eu, entusiasticamente, mostrei alguns destes programas, olharam-me com aquele ar de pena "agora passou-se de vez") mas a verdade é que estranhamente vejo-me a concordar e a seguir o fio condutor daquela coisa estranha chamada "O Torcicologologista, Excelência".

publicado por Patrícia às 09:10 link do post
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20 de Janeiro de 2017

Como é que há tantas novidades a metade do preço à venda na candonga?

Não preciso que respondam mas gostava mesmo que pensassem nisso... e nas consequências disso.

publicado por Patrícia às 23:03 link do post
18 de Janeiro de 2017

Ando a ler, às prestações e à velocidade de lesma, o "A máquina de Joseph Walser". A culpa não é do livro (que é muito bom) mas da minha falta de tempo/disponibilidade mental. Há livros que precisam ser livros em silêncio, há livros que precisam ser lidos à velocidade de lesma, mesmo. E eu cada vez mais gosto desses livros.

Confesso que nem sei porque tenho esta pancada com os livros do Gonçalo M. Tavares mas a verdade é que se há autor de que quero ler tudo é este. Tenho ando a pensar a pensar nisso (e à custa da falta de tempo para ler, a ouvir entrevistas ou debates com o autor) e acho que cheguei a algumas conclusões.

Os livros do GMT desafiam-me. Chego sempre ao final com a sensação de que deixei passar qualquer coisa (ou muito, vá) mas que ainda assim gostei.

Gosto imenso da forma que ele escreve. E hoje percebi porquê ao ouvir uma escritora a falar sobre a escrita dele. O GMT não escreve "bonito", por qualquer motivo não precisa. Ela disse qualquer coisa deste género e eu pensei "epá, é isso mesmo".

Lamento, eu não sou leitora de poesia (falta-me esse gene, lamento), não tenho paciência para citações, marcações e afins (mas adoro post-its, ok?), não tenho pachorra para escritas lirícas, nem poesia em prosa, nem nada desse género. 

Às vezes sabe bem ler coisas bonitas, claro. Mas eu gosto é de duas coisas: de uma história bem contada ou de um livro que me faça pensar e crescer. E que me desafie. 

 

publicado por Patrícia às 23:49 link do post
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10 de Janeiro de 2017

TAG em português significa etiqueta, algo que é usado para identificar ou marcar algo.

Na blogosfera esta palavra atingiu um estatuto ligeiramente diferente e basicamente indica uma corrente de perguntas, sujeitas a determinado tema, ordem e acima de tudo com determinada origem.

Ora é esta origem que dá, tantas vezes, confusão e que me faz fugir das TAG a 7 pés.

Na blogosfera é um insulto da pior espécie fazer algo que outra pessoa já fez sem indicar o blog/canal de origem, quem traduziu e quem nos indicou para ser mais um elo desta corrente (só um parêntesis para dizer que o aportuguesamento do verbo To Tag é coisa para me deixar à beira de uma apoplexia).

Não falo de plágio, de citar sem indicar a fonte, isso é no máximo crime e no mínimo indicador de má fé.

Falo, claro, dos créditos. E se faz todo o sentido dar os créditos a quem teve o trabalho/imaginação/criatividade, a verdade é que isto às vezes toma proporções bíblicas com discussões absolutamente ridículas do género: “em mil novecentos e carqueja tive uma ideia muito parecida com essa e ptto a patente é minha”, com insultos, zangas e lágrimas à mistura.

Ora, como eu tenho muita pouca paciência para esse tipo de merdice (desculpem a expressão) prefiro não entrar neste género de briga e por isso raramente respondo a esse tipo de corrente e quando o faço é porque vi o original e gostei, faço-lhe referência e já está. E claro, se cito alguém, indico a fonte.

publicado por Patrícia às 18:03 link do post
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09 de Janeiro de 2017

Confesso que tenho sempre que me disciplinar e lembrar que as pessoas normais não são tão aficionadas por livros como eu, que é como quem diz, tenho que fazer algum esforço por não ser a "maluquinha dos livros". Por isso é maravilhosos quando, num daqueles jantares de amigos dás por ti a encontrar alguém que gosta tanto de falar de livros como tu e passam horas a falar de livros, autores, sugestões de leitura. 

A parte boa é que te sentes muito mais "normal", a má é que a lista de livros obrigatórios subitamente tem mais meia dúzia de títulos. 

publicado por Patrícia às 06:00 link do post
08 de Janeiro de 2017

Ele - Que livro é que vais ler?

Eu - Que livro é que "estou" a ler, queres tu dizer.

Ele - Pronto, está bem, que livro é que estás a ler?

Eu - A Máquina de Joseph Walser, do Gonçalo M. Tavares

Ele - E quem é o Joseph Walser?

Eu - um gajo que usa sapatos antiquados

Ele - ... é isso que tens a dizer sobre o livro?

Eu - Os sapatos são castanhos e a roupa também é antiquada

 

Estou sempre a ler um livro. Assim que acabo uma leitura decido a outra, tiro o livro da estante e preparo-o para a leitura. Como poderia viver sem saber o que estou a ler??? 

 

publicado por Patrícia às 21:27 link do post
04 de Janeiro de 2017

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 Não sei se o Afonso Cruz tem razão quando nos avisa, às páginas tantas, que "o contacto com o mal pode ser redentor". Mas sei que li este livro, de uma ponta à outra, com o coração apertado, com a alma em frangalhos. Foi com o Flores que me reconciliei com o autor dos Guarda-Chuvas e agora.. isto. 

Na minha opinião ninguém tem tanto talento para contar a maldade, a crueldade, a tristeza e a solidão como Afonso Cruz. Há muitos a cantar a tragédia, há poucos a fazê-lo com beleza. A mestria com as palavras, a forma como o escritor nos destrói de uma forma luminosa chega a ser irritante. 

Senti muitas vezes, ao longo desta leitura, que este é um livro de excessos. Seriam mesmo necessários tantos episódios cheios de crueldade? 

Este livro está cheio de personagens geniais. Tristan entrou directamente para a minha lista de personagens favoritos. Este menino e a sua caixa de sapatos conquistaram-me.

Há quem diga que este livro conta uma história de amor, há quem destaque a música que se ouve em cada página. Mas eu li, acima de tudo, uma história de solidão. De como a solidão mata, de como a solidão destrói, de como se pode viver em solidão no meio de tanta gente, de como podemos ignorar a solidão dos outros, de como se vence a solidão. Solidão, Solidão, Solidão. 

Acho que este vai ser o meu livro favorito do AC (e a todas as pessoas que eu massacrei ao longo desta leitura só consigo dizer: eu não sou completamente maluca e continuo a achar que há aqui muita crueldade mas a história do Tristan conseguiu dar-me a volta...)

 

 

publicado por Patrícia às 22:59 link do post
03 de Janeiro de 2017

E a culpa é da Edite do O livro pensamento. Simpática,a moça :)

É ler aqui

Obrigada

publicado por Patrícia às 11:07 link do post
02 de Janeiro de 2017

6451699.jpg

 

Sempre receara que isto acontecesse, mais do que alguma vez receara a morte. Morrer é perder o eu e reencontrar o resto. Ele conservara-se a si mesmo e perdera o resto

Acabei o ano de 2016 com um livro cuja primeira edição data de 1974. E que excelente final foi.

A ficção cientifica não é um dos géneros que mais leio e é um dos mais subvalorizados do panorama literário… e que injustiça isso é.

Ler Os despojados- uma utopia ambígua de Ursula K. Le Guin é muito mais ler um ensaio político, filosófico, feminista do que ler uma história com naves espaciais. Nesta primeira parte do livro a parte das “naves espaciais” (ou seja, das teorias que suportam a parte da ficção cientifica – com especial destaque para a teoria da simultaneidade, que Shevek desenvolveu – ainda mal deu um ar de sua graça) é claramente preterida em relação à parte política e social.

Não é possível ler este livro e começar sequer a compreendê-lo sem o contextualizar historicamente. Em 1974 duas guerras estavam na ordem do dia: a fria e a do Vietnam que ceifavam vidas e confrontavam ideologias políticas e sociais. Nem sequer é preciso ter grandes conhecimentos de história para perceber que em Urras estão presentes os Estados Unidos e a União Soviética. A introdução de um terceiro movimento, representado por Anarres, ajuda a complementar a reflexão a que a escritora se (e nos) propõe.

Nesta primeira parte (a edição que estou a ler é da Europa-América e está divida em 2 partes) é-nos contado que um grupo de pessoas vai viver para a lua de Urras contruindo ali uma sociedade anarquista/socialista com base nas ideias de Odo, uma mulher que, curiosamente, não sobreviveu tempo suficiente para ver a concretização dos seus sonhos. Algumas gerações depois, Shevek, um físico, vem para Urras tentar estabelecer uma ponte entre duas sociedades que se tinham separado de forma radical – a única comunicação entre estes dois planetas era feita atrás de muros.

Estes muros surgem literal e metaforicamente logo nas primeiras páginas deste livro. Literalmente quando separam os habitantes de Anarres das naves espaciais que chegam do planeta-mãe Urras e que nos levam a questionar se os muros são um símbolo de liberdade (uma vez que os habitantes de Anarres se exilaram por escolha própria) ou uma prisão mascarada. Metaforicamente quando começamos a perceber a filosofia base da sociedade de Anarres. Na página 20 podemos ler, a respeito das “ideias” que “Havia paredes à volta de todos os seus pensamentos e parecia não ter nenhuma consciência delas, embora se escondesse perpetuamente por detrás”.

Ao longo destas páginas todos os sistemas são questionados. Todos os conceitos são dissecados, transformados e refeitos. Muitos chocam com tudo o que conhecemos, que aprendemos, que nos é inerente. O conceito de família, por exemplo. Absolutamente deturpado (em relação ao que conhecemos) leva-nos a questionar a obrigatoriedade dos laços de sangue, do casamento, da sexualidade, dos sentimentos (e falar de sentimentos em Anarres é até uma coisa que parece estranha).

Apesar de ter ganhado bastantes prémios (Nebula, Hugo ou Locus) este é um livro claramente subvalorizado. Assim como Ursula K. Le Guin é, infelizmente, uma escritora esquecida em Portugal.

publicado por Patrícia às 15:48 link do post
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