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Ler por aí

Ler por aí

Em jeito de balanço..

Foram 20 sugestões livrescas, a ideia era terem sido 24 mas a verdade é que os últimos dias antes do Natal foram tão complicados que não tive tempo nem paciência para vir ao blog e, surpresa para quem não me conhece, não sou tão organizada que agende os posts. Devia, não é? Às vezes faço-o, agendo posts, geralmente para não saírem 3 ou 4 no mesmo dia mas a maioria dos textos é escrita assim, sem pensar muito bem.

Aliás, se eu fizesse planos para 2017 (que não faço, não há um plano meu que dê certo) seria começar a ser bem mais organizada, a ler os textos antes de os publicar, a pensá-los antes de os escrever. Raramente o faço. Não sei se escreveria melhor, se os meus textos seriam mais interessantes se fossem mais pensados, mais estruturados. Duvido que alguma vez o venha a saber. Escrevo como sempre fiz: ao sabor da pena, pondo no papel (ou no ecrã) as palavras que me passam pela cabeça. 

Gostaria de ter aqui no blog pelo menos um texto por dia mas a verdade é que há sempre dias, muitos dias, em que não  tenho nada para vos dizer e este blog, com esporádicas e importantes excepções, é dedicado exclusivamente aos livros. E apesar dos livros fazerem parte da minha vida todos os dias, nem sempre tenho vontade de os partilhar.

Continuo a ter exactamente o mesmo tipo de postura aqui no blog: Não tenho nem quero ter parcerias com qualquer editora, falo mal dos livros de que não gosto, faço publicidade descaradíssima aos livros dos amigos e registo, para memória futura, as opiniões dos livros que leio. 

Não faço ideia de quantos livros li este ano (hei-de fazer o já habitual post de final de ano sem números) mas desconfio que li pouco, muito pouco. Foi um ano complicado a vários níveis e o tempo que consegui dedicar às leituras não foi, nem de perto nem de longe, aquele que gostaria.

Mas 2016 foi um excelente ano de leituras. Os autores portugueses estão em maioria nos autores lidos em 2016 e já não me imagino a ler de forma diferente. Voltei em força à Fantasia e até a ficção científica tem sido uma excelente surpresa.

Os best-sellers estão cada vez mais longe das minhas estantes. Cada vez menos me deixo influenciar pelas leituras dos outros e apesar da Roda dos Livros ser uma fonte inesgotável de tentações literárias cada vez me é mais fácil optar por leituras à minha medida.

No ano passado tinha decido ler alguns clássicos em 2016. Não aconteceu. Isso não me chateia especialmente. Neste momento o meu projecto de leituras para 2017 é completar a colecção (ler e reler) dos livros do Gonçalo M. Tavares. É um escritor de que gosto muito e preciso de livros que me façam pensar, que me façam ir um pouco mais além enquanto leitora. Vamos ver se acontece ou não.

Para todos deixo-vos votos de fantásticas leituras em 2017 e um pedido especial: Leiam escritores portugueses, desafiem-se, leiam livros diferentes dos que fazem parte da vossa estante, arrisquem. Ou então não. Mas leiam. Leiam sempre. 

Boas leituras e um excelente 2017 

 

 

Natal 2016 - Sugestões livrescas #19

Richard Zimler é um dos meus escritores favoritos. O último cabalista de Lisboa é um dos livros que deve fazer parte da estante de cada leitor, é mesmo muito bom.

Mas a minha sugestão é o é ultimo livro do escritor: "O evangelho segundo Lázaro"

Ainda não o li mas será, sem dúvida, um dos livros de 2017.

O Evangelho segundo Lázaro.jpg

 

SINOPSE

No Novo Testamento, ficamos a saber que Jesus ressuscitou um amigo próximo de nome Lázaro. Contudo, em parte alguma do Evangelho segundo São João - que contém este episódio -, se menciona como é que ele realizou o milagre ou se teria algum motivo especial para o fazer. Em O Evangelho segundo Lázaro, Richard Zimler preenche estas e outras lacunas, narrando a história da perspetiva de Lázaro, descrevendo como ele e Jesus se conheceram em crianças, a transcendência da ligação que os une e o momento em que Lázaro acordou no túmulo, desorientado e sem qualquer memória de uma vida após a morte.

Porém, só trinta anos depois da crucificação do seu velho amigo, Lázaro começa a entender a extensão do papel que sempre ocupou na vida de Jesus e talvez ainda venha a ocupar. É que a derradeira prenda de Jesus a Lázaro - deixada num dos locais malditos de Jerusalém - parece conter a chave que ajudará Lázaro a concretizar os desígnios de uma Terra Prometida. Deverá ele arriscar tudo e levar a cabo os perigosos planos de Jesus?

Com a voz única a que Richard Zimler nos habituou, este romance apaixonante e amplamente documentado, situado no contexto das práticas e tradições judaicas da era antes de Cristo, irá certamente perturbar alguns leitores e tocar profundamente outros.

Natal 2016 - Sugestões livrescas #17e 18

Um bocadinho de batota, ontem a vida passou à frente do blog e não conegui vir recomendar-vos nenhum livro. Por isso hoje deixo-vos 2 que fazem parte da mesma série. São a minha leitura atual e estou a gostar imenso. Ainda se encontram novos, nas livrarias Europa-América. Imperdíveis para quem é fã de ficção ciêntifica. 

Os-Despojados.png

 

Natal 2016 - Sugestões livrescas #14

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Hoje uma sugestão para os mais novos. Não sabem o que oferecer àquele pré-adolescente ou adolescente que franze o nariz a todos os presentes? Têm na família uma "papa-livros" que adora ler e cujos olhos brilham quando recebe um presente que, pela forma, pode ser um livro?

Então façam um brilharete e ofereçam-lhe este "O feiticeiro e a Sombra", de Ursula K. Le Guin.

 

Sou completamente a favor da manipulação de adolescentes através dos livros certos :)

 

 

 

 

A Gorda, de Isabela Figueiredo

Não sei se em "A gorda" Isabela Figueiredo exorciza os seus demónios mas não tenho dúvidas de que, ao ler este livro, cada leitor o faz. 

Acredito que todos, com maior ou menor intensidade, do lado da vitima ou do lado do agressor, já vivemos situações de preconceito. Seja por uma característica física, uma situação familiar ou apenas por sermos de alguma forma diferentes, todos nós já fomos vencidos pelo preconceito. A maioria de nós terá, espero eu, ultrapassado esse tempo mais ou menos ileso mas a alguns esse preconceito deixou marcas permanentes, moldou personalidades e condicionou futuros.

A Maria Luísa viveu toda a sua vida com preconceito. Às tantas o seu próprio corpo traiu-a e deixou de lhe pertencer, deixou de a representar. Mas ninguém foge do seu corpo. Ninguém consegue evitar ver-se através dos olhos dos outros, através das palavras dos outros. Não imagino o que é chegar ao ponto de optar por se mutilar para finalmente se transformar naquilo que se sabe ser (não se preocupem, está na primeira página, não é nenhum spoiler). 

Este livro é feito de emoções. A escrita crua e angustiante da Isabela Figueiredo faz-nos olhar para a Maria Luísa de dentro. Faz-nos embarcar na viagem de auto-conhecimento enviesado que a própria personagem faz ao longo da vida.

Este livro é marcado pelas relações. Pelas relações de amor-ódio que marcam todos aqueles de quem somos próximos, pelas relações dos que entram e saem da nossa vida sem que percebamos bem porquê. Pelas relações que nos moldam e nos levam à felicidade da pertença ou ao abismo da solidão. Pelas relações de amor, com os outros, mas sobretudo connosco. Pelas relações que nos constroem e pelas que nos destroem.

Li este livro de uma forma muito pessoal, tornei-o meu e isso para mim é o maior elogio que lhe posso fazer. 

a_gorda.jpg

 

 

Natal 2016 - Sugestões livrescas #12

Um clássico é sempre uma boa escolha. E há clássicos que são uma delicia e que nos fazem perder o medo dos clássicos. 

Há livros que nos tornam leitores. Eu acho que este é um livro com essa capacidade, com a capacidade de fazer leitores. Melhor, é um livro com a capacidade de formar gente. Gente de bem. É um livro que assume as suas responsabilidades e devia ser obrigatório em todas as escolas (talvez não na disciplina de Português mas na de educação cívica -que não sei se existe mas devia existir e ser obrigatória e a contar para a nota). É, do meu ponto de vista, obrigatório em todas as estantes. 

Falo claro, do maravilhoso Mataram a Cotovia.

COTOVIA.png

 

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