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Ler por aí

Ler por aí

Contracorpo, de Patrícia Reis

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Às vezes questionamo-nos como é possível que um livro descreva tão bem coisas que sentimos e nunca conseguimos transmitir.

Às vezes perguntamo-nos como é possível que aquele escritor escreva sobre nós.

Às vezes transformamos em nosso um livro e torna-se difícil, ou mesmo impossível, opinar sobre ele.

Este é um daqueles livros em que isso me aconteceu e por isso ando há semanas a “engonhar”, a processá-lo na minha cabeça, assim meio esquecido, meio presente.

Quando acabo de ler um livro e tento pôr em palavras a minha opinião, a primeira coisa em que penso é no tema do livro, na mensagem que o escritor/a quis passar e se (eu acho que) o conseguiu fazer. Ora, de início, achei que obviamente este era um livro sobre o luto. Maria perde o marido, Pedro perde o pai e ambos têm que aprender a viver sobre isso. Depois torna-se óbvio que o livro fala sobre a maternidade, sobre a relação de uma mãe com o seu filho adolescente. Depois percebi que este livro é uma viagem de autoconhecimento, para ambos, mãe e filho.

Mas para mim, e provavelmente só para mim, este livro é sobre a transformação. Maria começa por ser a viúva, a mãe e precisa, sob pena de se perder definitivamente, de se transformar, acima de tudo, na mulher.

E o Pedro precisa de se encontrar, de se responsabilizar. Apesar de à sua volta todos julgarem todas as suas atitudes à luz daquela morte (a morte de um pai marca, muda e condiciona tudo), o Pedro tem consciência de que as suas atitudes são suas e que também ele se tem que libertar das desculpas, dos condicionamentos, assumir as suas responsabilidades e acima de tudo tomar decisões, fazer escolhas. Escolhas, é isso. Escolhas.

O fim dos ebooks?

Diz que se vendem menos ebooks. A mim não me surpreende, para dizer a verdade.

Diz que é a vitória do livro físico, do amor às páginas, a vitória dos verdadeiros amantes de livros em relação aos traidores que se dizem leitores e que depois cometem o sacrilégio de usar um e-reader ou um tablet ou um computador. Diz que as pessoas se estão a cansar das merdices electrónicas, que estão cansados de passar o tempo à frente de um computador e que estão a regressar às páginas dos livros....

Bem, depois de me rir um bocado, deixem-me dizer-vos uma coisa: que grande treta! Vamos falar a sério, ok? E por pontos:

1. Como qualquer pessoa que leia regularmente vos pode dizer: a ideia dos ebooks não é substituir os livros físicos. Todos os leitores de ebooks gostam de livros físicos. Por n razões também lêem em equipamentos electrónicos mas em casa têm estantes a abarrotar de livros físicos que efectivamente leram. E que vão continuar a ler.

2. Lá porque as vendas baixaram, ninguém me convence que há menos livros electrónicos a serem lidos. Mas acredito piamente que haja menos ebooks a serem comprados. Uma coisa não é igual à outra. 

o que me leva ao ponto 3...

3. Há ebooks de borla aos pontapés.... ah o choque, o horror... sejamos sinceros uma busca simples no google dá-nos acesso a quase todos os livros em pdf, epub, mobi e afins. Se lerem em inglês, conseguem ler o resto da vida de borla. A maioria das pessoas que também lê em inglês tem gigas de livros que nunca vai ler. Se gostarem de ler em Português do Brasil também, mas tuga que é tuga acha que o único Português verdadeiro é o que se escreve por cá*.

Ah, mas os ebooks estão protegidos...

4. 30 segundos chega para tirar o DRM de um ebook. É um facto. Até uma naba informática como eu sabe disso. É por isso que já há editores e autores a venderem ebooks assumidamente sem DRM... não vale a pena e pode ser que os 

 

Se alguma vez os ebooks acabarem não é por falta de leitores... é por falta de compradores. É que nesta industria não há concertos para compensar a coisa, não há cinema  nem video clubes das Tv's. Aqui a coisa pia mais fininho e os editores acabam por, mais tarde ou mais cedo, se confrontar com uma questão:

"Será que vender os ebooks que vendo, compensa o facto de "oferecer" o meu catálogo?"

E acreditem que me custa horrores escrever isto. Porque enquanto leitora de ebook não quero que eles morram e porque tenho noção que são os leitores de ebooks que os vão "matar". E é por isso que compro cada vez mais ebooks. Em inglês (até porque são muito mais baratos) e principalmente em português. 

 

*mas depois escreve com kkkk's

Adoração, de Cristina Drios*

A Cristina é uma escritora fantástica (sigam o link e leiam algumas opiniões do pessoal da Roda dos Livros sobre os livros que já escreveu). E o seu novo livro Adoração já está à venda (e antes que digam que é muito caro, o ebook está a 7,20€).

Deixo-vos a sinopse, a capa do livro e uma foto da apresentação que foi hoje. Depois de ler, virei cá deixar-vos a minha opinião. Leiam para depois podermos conversar um bocadinho...

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Uma rapariga, um comissário de polícia, a Máfia e Caravaggio.
 
Descrito pelo duque de Nottetempo, seu contemporâneo, como «um brigão, um arruaceiro», o pintor Caravaggio passou uma curta temporada na Sicília em 1609, aguardando o indulto papal para um crime de sangue que cometera em Roma. Nesse período, pintou uma tela que ficaria conhecida por A Adoração e que esteve no Oratório de S. Lourenço, em Palermo, até ser roubada em 1969, ano em que nasceria Antonia Rei.
É essa mesma Antonia que, em 1992, testemunha um homicídio perpetrado pela máfia numa praça da cidade, onde é interrogada pelo comissário Salvatore Amato, que acaba por contactar alguns dias mais tarde. Mas não é curiosamente sobre o assassínio que lhe quer falar, antes sobre o roubo do famoso quadro.
Oscilando entre épocas afastadas no tempo, entre a história fascinante da pintura d’A Adoração e a da investigação de Salvatore Amato num dos mais violentos períodos da acção da máfia, este romance recorre aos jogos de espelhos que Caravaggio usava nas suas pinturas para atrair ao mesmo vórtice de luz e trevas as vidas de um leque de personagens cativantes, mortas ou vivas, mas todas misteriosamente condenadas ao desencontro.
 
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* Como sempre neste blog a "publicidade" é sempre de minha responsabilidade, completamente parcial e porque gosto dos escritores. 

Words of Radiance, de Brandon Sanderson

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Algumas respostas, muitas perguntas. Algumas respostas a perguntas que nem sequer sabíamos que existiam.

Para quem já leu o The way of Kings só tenho uma coisa a dizer: You know nothing

A imaginação do autor não tem limites, é impressionante como neste segundo volume da saga épica temos a noção de que ainda estamos na parte de caracterização de personagens e de construção do mundo. (para quem leu o The way of kings: achavam que esta parte já tinha passado e que agora ia começar a coisa a sério, não era? Pois, também eu).

Uma vez mais não vou dar 5 estrelas a este volume e ao contrário do primeiro não ponho a hipótese de o fazer. Não por não ter gostado, que gostei. Muito. Mas porque este é um livro de transição. A genialidade da construção do mundo está no primeiro volume (apesar de algumas coisas muitooo importantes só se perceberem no final deste), a maioria dos personagens foram caracterizadas no primeiro volume (Kaladin, Dalinar, Shallan, Syl, Adolin) e aqui “apenas” desenvolvidas. Das novas personagens só se tem um “cheirinho” (como não amar a Lift, aquela pirralha maravilhosa, que acredita ter capturado um voidbringer e que tanto nos faz recordar a Vin? Ou como não esperar grandes coisas da Eshonai?).

E as batalhas são memoráveis, sim. Aquela luta entre o Kaladin e o Seth, em que passamos o tempo todo a desejar que nenhum seja magoado a sério. E os duelos do Adolin? Muito bons.

Regressar ao passado com a Shallan, ver crescer uma personagem como ela, é muito bom. Aliás, este formato, em que cada livro é mais focado numa personagem, mostrando-nos os porquê e os como é exemplificativo do “show, not tell” do autor. E apesar deste “truque” não ser novidade, é muito bem explorado por Brandon Sanderson. Afinal o presente mais não é do que a consequência do passado e é isso que o escritor nos passa grande parte do tempo a mostrar: o passado.

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 E por falar na Shallan, devo dizer-vos que adoro o Pattern.

***alerta de mini-spoiler***

E, a todos os que leram o The Way of King e se apaixonaram pelo Kal, devo dizer-vos que passei grande parte deste livro com vontade de lhe bater. Com muita força. Homem irritante e burro que não aprende. A quantidade de asneiras que aquele homem faz ao longo destas páginas é impressionante. Tantas vezes que disse “A sério Kaladin? A SÉRIO???”

Acho, sinceramente, esta uma grande saga de fantasia. Do género que eu gosto. 

Depois do penúltimo “Como???” (eu digo muitos “como?”, “ãh?”, “não…” - e outras coisas que não posso escrever aqui- enquanto estou a ler estes livros) de The Way of Kings  comprei o ebook do segundo volume de Stormlight archives. Assim que acabei de ler um livro de 1283 páginas, comecei a ler um de 1093. Infelizmente vou ter muito que esperar pelos restantes volumes (o escritor vai a 78% do Stormlight 3).

Entretanto, enquanto espero que saia a continuação, vou querer ouvir os audiobooks, que parece que são muito bons.