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Ler por aí

Ler por aí

Quero. Muito.

Os vampiros.jpg

 

É um romance gráfico. É lindo. Português. Da Tinta da China.

Autores multipremiados da saga Dog Mendonça e Pizzaboy, Filipe Melo e Juan Cavia voltam a colaborar num romance gráfico, desta vez sobre a guerra colonial.

Guiné, Dezembro de 1972.
Em plena guerra colonial, um grupo de soldados portugueses é destacado para uma operação secreta no Senegal. Porém, à medida que vão sendo consumidos pela paranóia e pelo cansaço, esta missão aparentemente simples vai transformar-se num verdadeiro pesadelo.
Embrenhados na selva, estes homens terão de confrontar sucessivos demónios – os da guerra e os que trouxeram consigo.

 

Literatura, mistério, romance ... e dragões

Acho que já vos disse que ando a ouvir (eu nunca “vejo” estas coisas, só oiço) um curso de escrita que o Brandon Sanderson está a ministrar. Não se preocupem, não tenho qualquer intenção de (tentar) escrever um livro. Mas aquilo é muito interessante e acho que me vai fazer crescer bastante enquanto leitora. Na faculdade estudei Matemática e só há pouco tempo comecei a perceber que, de facto, me faltam algumas bases teóricas para evoluir enquanto leitora. Perceber como os escritores nos “manipulam”, perceber se isso está a ser feito de forma consciente ou absolutamente por acaso, perceber um pouco do imenso trabalho que está atrás da construção de um personagem. No fundo, comecei a perceber que saber escrever e ter uma boa ideia não é suficiente para se ser um escritor. Ter talento não é suficiente. O trabalho, a preparação inerente ao ato de “escrever um livro” é algo que me fascina.

A verdade é que nunca tinha pensado muito nisto. E durante muito tempo achei que não me interessava saber a mensagem que o escritor queria passar com aquela história, o que me interessava era o que eu, enquanto leitora, recebia. É verdade que ainda acho que um livro é diferente de leitor para leitor e que o mais importante é a mensagem que o leitor recebe. Mas para mim, esta leitura um pouco mais superficial (dando apenas importância à história) passou a ser insuficiente. Faltam-me as bases da teoria literária. Sei que dificilmente as terei um dia (até porque não me proponho a estudar o assunto a fundo) mas é interessante tentar aprender alguma coisa e ir ouvindo diferentes pontos de vista.

“Qual é a mensagem que o escritor pretende passar? Quão eficaz é a fazê-lo?” Estas são as primeiras perguntas que faço após ter lido um livro (ou mesmo enquanto o leio). Perceber como o fez é o mais difícil e aquilo que procuro entender.

Este curso foca-se sobretudo no género fantástico que é, muitas vezes, considerado uma brincadeira - ninguém me leva a sério quando digo que estou a ler o The way of kings, sou imediatamente catalogada como geek (assim no grupo de fãs do Star Wars ou Senhor dos anéis, como se estes não fosse séries “apenas” geniais) ou na melhor das hipóteses esta leitura é considerada uma brincadeira, uma pausa da verdadeira literatura.

Uma das ideias que me ficou na memória e na qual tenho andado a pensar é o que Brandon Sanderson disse sobre o género fantástico/ficção cientifica*: ao invés de ser um género limitativo, este é aquele que permite tudo: permite romance, mistério, crime, erotismo, filosofia, poesia. Permite ser literário. Permite tudo o que os géneros permitem… e, ainda assim, ter dragões.

How cool is that?

 

*nem sequer é uma tradução do que o senhor disse… é uma interpretação. Minha, obviamente.

O último Livro, A biblioteca e o Escritor-fantasma, de Zoran Živković

 

O ESCRITOR FANTASMA.jpgA BIBLIOTECA.jpgO último livro.jpg

Dos três livros de Zoran Živković que li este verão, o meu favorito foi o livro de contos, A Biblioteca. Não sei se chamar-lhe livro de contos será o mais adequado uma vez que, na verdade, cada conto trata-se de um conto-mosaico que, podendo ser lido de forma individual, faz parte de uma imagem maior.

Zoran Živković é, claramente, um escritor amante de livros e é inevitável que a primeira abordagem aos seus livros seja de espantosa alegria. Nós leitores somos muito facilmente atraídos para textos que expressem o nosso amor pelos livros e pela literatura.

Para além de transformar sempre o livro num personagem o escritor o elemento fantástico está presente para nos obrigar a continuar a ler.

Depois de ter lido estes livros nunca mais pensarei da mesma forma sobre o inferno (eu quero muito ir para o inferno do Živković, onde se lê para toda a eternidade) ou entrarei da mesma forma numa livraria (nunca se sabe se por lá está o último livro). E nunca, mas nunca quererei beber chá de figo.

Estes livros também têm alguns “problemas”. A previsibilidade, por lado. A pouca densidade de alguns personagens, por outro. Aconselho-os sobretudo a jovens leitores, parecem-me perfeitos para criar leitores (e ao contrário de muito bom livro que por aí anda, estes estão muito bem escritos) ou a quem quer passar umas horas a ler algo leve.

Uma chamada de atenção para as capas destes livros. São maravilhosas. 

Mas o "The Way of kings" é sobre o quê?

There are four whom we watch. The first is the surgeon, forced to put aside healing to become a soldier in the most brutal war of our time. The second is the assassin, a murderer who weeps as he kills. The third is the liar, a young woman who wears a scholar’s mantle over the heart of a thief. The last is the highprince, a warlord whose eyes have opened to the past as his thirst for battle wanes.

 

Há quatro que vigiamos. O primeiro, o cirurgião, forçado a desistir de curar para se tornar um soldado na mais brutal guerra do nosso tempo. O segundo é o assassino, o que lamenta enquanto mata. O terceiro a mentirosa, uma jovem mulher que usa o manto dos estudiosos sobre o coração de uma ladra. O último, o príncipe, um senhor da guerra cujos olhos se abriram para o passado à medida que a sede pelas batalhas se desvaneceu. *

 

*tradução (minha) livre

Bora ler Fantasia Épica?

Para além de estar a ler o livro (bem mais lentamente do que gostaria) ando a ouvir opiniões (sem spoilers) e a ler muito do que se escreve por aí sobre o The Way of Kings de Brandon Sanderson.

Claro que me apetece reler a trilogia Mistborn (provavelmente irei comprar os ebooks que me faltam e reler a série em Inglês) e tudo o resto que o autor escreveu. Acho que vou passar os próximos anos a ler muita fantasia épica com alguns interregnos para ler os livros da comunidade de leitores a que pertenço (o próximo livro a ser discutido será o A Gramática do Medo, que já está lido). Gosto muito de fantasia e sinto-me feliz porque encontrei bons livros dentro do género. Há algumas séries de alguns escritores que quero  acabar/começar (Ursula Le Guin, Philip Pullman, Robert Jordan, Patrick Rothfuss e claro Brandon Sanderson), tenho a maioria dos livros destes escritores em ebook pelo que é mesmo uma questão de enfrentar uns milhares de páginas e divertir-me. 

É provavel que este blog passe a ter muitos post que só farão sentido para quem lê Fantasia Épica ou mesmo para quem já leu o The Way of Kings. Mas isso é o que reflecte as minhas leituras atuais. Pelo menos uma vez por mês deverá haver uma opinião sobre um livro diferente. 

E claro, as opiniões da Catarina continuarão a marcar a diferença por aqui.

Podem deixar-me sugestões de boa fantasia ou podem ler também o The Way Of Kings e vir conversar comigo sobre o livro.

Para já deixo-vos uma entrevista do Peter Orullian Talks ao Brandon Sanderson que, apesar de já ter alguns anos, é super interessante para perceber o autor atrás desta enorme série (diz que vão ser 10 volumes).

Boas leituras e até já...

 

 

 

Os livros são caros?

A primeira resposta, a inevitável resposta é SIM, claro que os livros são demasiado caros.

Mas (e há sempre um mas) serão mesmo demasiado caros?

Nos últimos tempos tenho pensado bastante nesta questão e acho que a primeira resposta, a inevitável resposta é demasiado simplista. E os primeiros números que lanço são mesmo os da entrevista da Bárbara Bulhosa que partilhei no post anterior.

Uma edição de 1500 livros. Esta edição tem que pagar o trabalho do escritor, do revisor, do editor, a edição propriamente dita, a distribuição e a margem do vendedor e do editor. E estou a falar de uma forma básica, apenas daquilo que é óbvio para o leitor. 

Com a lei que impediu os descontos superiores a 10% em livros com menos de 18 meses subiu o tom com que se critica o preço dos livros em Portugal. Já na altura defendi que quem é leitor, quem quer ler, não tem necessariamente que ler as novidades e que esperar 18 meses para comprar um livro, se o seu preço de venda ao público não é satisfatório, não mata ninguém.

Continuo a ter exactamente a mesma opinião: quem quer ler novidades bem pode pagar por elas. Quem não as quer pagar, procura uma alternativa ou espera e entretanto lê outras coisas.

E quanto mais falo sobre o assunto com quem está dentro do ramo mais concordo que os livros em Portugal são ao preço a que podem ser. Somos um país pequeno, lê-se pouco, vende-se pouco e as editoras fazem o que podem para sobreviver. 

Claro que há coisas que me tiram do sério. Quem me conhece já sabe qual o meu ódio de estimação e qual a editora à qual não voltarei a dar um tostão. Detesto livros às metades, principalmente quando a segunda metade do livro só é editada 6 meses depois da primeira metade. Não me vendam por 40 euros um livro. Por 40 euros eu exijo, no mínimo, uma edição "para lá de espectacular", com capa dura e o dvd do filme...  E como até leio sem problemas em inglês e gosto imenso de ebooks, essa editora não tem a mínima sorte comigo. 

Mas voltemos ao preço dos livros.

Os livros são caros em Portugal? 

Vejamos, assim meio a brincar, alguns preços:

colecção de livros RTP - capa dura - estão a ser vendidos a 9 ou 10 euros

Os Clássicos para leitores de hoje estão a ser vendidos a menos de 10 euros

O último livro que li (e que aconselho muito) o "A Gramática do Medo" custa 14,90€  ou 9.99€ em versão electrónica. 

A maioria dos ebooks custa à volta de 10€.

E sim, há quem não possa gastar 10 € num livro. E há bibliotecas municipais, há amigos com bibliotecas e há o projecto Gutemberg onde podem ler livros que já estão no domínio público. E há imensas promoções (onde as editoras escoam o que lá têm no armazém) e que podemos e devemos aproveitar. E há alfarrabistas onde se encontram cenas fantásticas.

 

Os livros são caros em Portugal? Sim, são. Mas eu, que não gosto de trabalhar de borla e não conheço um único escritor que consiga viver apenas dos livros que vende, não me sinto habilitada para dizer que os livros estão a ser vendidos mais caros do que o que é justo.

Além disso, gosto muito de ler em Português e gosto muito de ler escritores Portugueses. Não gostava de nada de ver as editoras todas a ir à falência. Portanto continuarei a comprar, em Portugal, livros em Português (excepto daquela editora, que não acho que esteja a ser correcta).

 

Vá, comentem, digam-me porque é que eu não tenho razão, porque é que vocês preferem optar por comprar em inglês. Porque é que preferem as livrarias online (e estrangeiras). Digam-me se de facto consideram que os preços praticados por cá são acima do que vocês consideram justo por um livro. Digam-me, se conseguirem, o que é justo pedir por um livro. Conversemos...

 

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