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Ler por aí

Ler por aí

O proibido é o mais apetecido. Qdo a censura tem o efeito contrário

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O Facebook, esse sítio onde o bom gosto e moral imperam, considerou que esta imagem atenta contra a moralidade e... censurou-a. Não vou fingir perceber o porquê disso ter acontecido mas, só porque me apetece, vou aproveitar a ocasião para fazer um bocadinho de publicidade ao livro que será o próximo a ser lido. 

Bem, na verdade, já o comecei a ler. Comprei-o ontem (em ebook, ficou a 9.99€) e não resisti e já li umas páginas. Não sei se já vos disse mas, deste que li o Teoria dos Limites decidi ler todos os livros da Maria Manuel Viana (ando com alguma dificuldade em encontrar à venda o "A paixão de Ana B", se alguém o tiver e se quiser desfazer do seu exemplar, avise-me, pf). Ler também algo da Patrícia Reis (escritora super recomendada pela Roda dos Livros) é um excelente bónus. 

Quando foi a última vez que choraste a ler um livro?

Foi hoje, à hora do almoço.
Esqueci-me, em casa, do livro que estou a ler (de propósito?).
Tinha de ir ao Alegro fazer uns recados e não trouxe marmita (de propósito) "- depois como lá qualquer coisa"
Fiz os recados, ia almoçar mas não tinha nada para ler "- deixa ver o que há na naquela loja cujo nome começa por F acaba em C e tem NA no meio..."
Numa quantas páginas o Paulo Varela Gomes a Ouro e Cinza pôs-me a chorar enquanto comia o meu shoarma no prato com molho extra.
Por causa dos Bichos, não só mas também, porque noutra vida fiz Biologia Aplicada aos Recursos Animais Terrestres e o meu pai é caçador.

A última vez que chorei a ler um livro foi hoje.

As gémeas do gelo, de S. K. Tremayne

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Sou fã de terror, de thrillers, de policiais e tenho um fraquinho pelo sobrenatural. Por isso gostava imenso de ter gostado deste livro.

A premissa do livro é bastante interessante. A história começa quando um casal, que passou pela tragédia de perder uma das filhas, decide ir viver para uma ilha deserta. O problema começa quando a filha sobrevivente (as miúdas eram gémeas) diz à mãe que eles se enganaram na identidade da filha que morreu...

E para mim o problema do livro é que depois da surpresa inicial foi cliché, atrás de cliché. Demasiado previsível e aquele final era completamente dispensável.

De leitura rápida e fácil é uma óptima escolha para quem não vai à loucura com clichés (me, me, me) e procura um livro leve (há quem o ache assustador - pessoalmente não achei mas eu papei os Saw quase todos e raramente encontro um filme de terror que me encha as medidas).

 

Os blog e o plágio

Volta e meia um palerma com mania que é esperto decide copiar de forma mais ou menos descarada os posts de um ou mais blogs. Desta vez aconteceu com a Márcia. 

Quem conhece a Márcia, conhece a dedicação e a emoção que põe nas palavras quando escreve sobre um livro de que gostou. Quando escreveu sobre o "A Boneca de Kokoschka", de Afonso Cruz, a 14 de Setembro de 2013 fê-lo da forma a que já nos habitou... com emoção e beleza. 

E a 10 de Abril de 2016 um palerma (estou a ser simpática, eu sei, e o trambolho nem sequer o merece) resolveu pegar no texto dela, traduzi-lo e publicá-lo, na primeira pessoa, sem fazer qualquer referência à autoria do texto original. Aqui o link. E só por causa das coisas o print screen que mostra que não há qualquer referência ao facto do texto não ser seu:

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Há alguns dos posts do blog que têm uma referência à "source" mas não é o caso deste...

Fica também o post da Márcia quando descobriu o roubo.

Não é preciso dizer mais nada, pois não?

 

História do Novo Nome, de Elena Ferrante

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 A minha história com esta tetralogia continua a espantar-me. Leio compulsivamente e se tivesse os outros dois volumes provavelmente só parava quando tivesse acabado de ler história da Lenú e da Lila. Mas a verdade é que, depois de fechar de o livro, a magia vai desaparecendo e não consigo ficar assim tão ansiosa pelo próximo volume. Ainda assim, gostei mais um bocadinho deste volume do que do anterior apesar de não ser, para mim, tudo aquilo que dizem ser.

Lenú e Lila continuam a crescer e a percorrer caminhos distintos apesar do elo que as une. Lila, menina-mulher, luta para não se tornar num cliché, luta para não se tornar em mais uma mulher do bairro, sem rosto, sem vontade, sem nome. Mas tantas vezes a vemos como uma sombra de si. Lenú, continua a crescer e a sentir-se uma farsa. Ela própria se surpreende com as suas vitórias e, apesar de continuar a lutar com unhas e dentes, continua a sentir-se à sombra da Lila, que aos seus olhos continua a ser aquela a quem Lenú precisa mostrar o seu valor.

Elena Ferrante conta-nos esta história de uma forma fenomenal e é exímia em tornar reais sentimentos. Será por isso que tanta gente diz que esta é uma escrita "obviamente feminina"? 

A angústia de Lila, a raiva, o medo, a frustração que transbordam daquela criatura. Lila é sempre excessiva, seja na raiva, seja no amor. E o contraste desta explosão de sentimentos com a apatia que por vezes mostra deixa-me estarrecida.

Mas é Lenú que, uma vez mais, me fascina. E me entristece. Quando Lenú descobre que não pertence ao mundo a que tanto lutou para pertencer, ao mundo que deveria ser seu por direito mas que também já não pertence ao bairro, que nunca mais pertencerá ao bairro, o meu coração sofreu por ela. Sentir-se sem chão, sem nada nem ninguém que sirva de âncora é o que de mais triste pode existir.

Antes disse que Elena Ferrante tinha todo este sucesso porque sabia contar bem uma história. Agora acrescento que Elena Ferrante sabe transformar sentimentos em palavras. E no fundo, não é exatamente isso que a literatura procura? Transformar sentimentos em palavras, escrever o amor, a dor, a angústia? Bem, Elena Ferrante fá-lo como ninguém.

Ponto de situação

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Ando a ler isto e a adorar, claro. Sou fã de fantasia. Mas de boa fantasia e não da eterna história da demanda, com paixão e sacrificio e afins, género de que até gostava até que algumas escritoras (sim, Juliet, estou a pensar em ti) estragaram por dela usar e abusar. Gosto de histórias grandes, complicadas, mundos tão diferentes do meu mas que depois de se estranhar se entranham de uma maneira fabulosa. E este The way of kings são 1271 páginas (na minha versão - ebook) de uma construção do mundo e personagens  fabuloso. Perfeito para as férias. Tenho pena de não ter dedicado todas as minhas férias a este livro - assim talvez o conseguisse acabar mas primeiro li o História do Novo Nome (volume 2 da tetralogia da Ferrante) e o As gémeas de Gelo (uma desilusão)...

A vida dupla de Maria João, de Maria Manuel Viana

 

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Fiquei fascinada quando li o “Teoria dos limites”, da Maria Manuel Viana e assim que apareceram a Maria João e a Ana B., lembrei-me do que a autora nos contou, aquando da sua visita à Roda dos Livros. Ana B e Maria João são personagens recorrentes nas histórias da escritora. Ora, eu adoro estes mimos, estas histórias cruzadas que são, para além da importância que o escritor lhes dará, piscadelas de olho aos leitores.

Por sorte (e porque a roda dos livros é espetacular) tinha cá em casa este “A vida dupla de Maria João”, coincidentemente a personagem que mais me despertou a curiosidade na sua breve passagem pelo “Teoria dos Limites”.

Neste pequeno livro, que se lê num ápice, pode já ouvir-se, com clareza, a voz da Maria Manuel Viana. E Maria João é fascinante. Um misto de menina e mulher, de sabedoria e inocência, forte e ao mesmo tempo tão fraca. Autodestrutiva por natureza, obcecada para além do normal, é ainda assim (ou por isso mesmo) interessante e dona de uma personalidade que apetece conhecer. E se é verdade que passei metade do tempo com vontade lhe dar estalos, às páginas tantas tinha a certeza que passaria de boa vontade umas horas à conversa com esta mulher.

Não vale a pena pegar neste livro à espera de uma história rocambolesca, de uma vida genial ou de um romance feliz. Este livro é um mergulho na loucura e, pelo menos para mim, foi impossível dissociar-me completamente desta mulher.

Mais uma vez, gostei muito e fiquei com a certeza que quero continuar a ler Maria Manuel Viana.

Não tenho nada para ler

Chegamos a esta altura do ano e ao olharmos para a estante percebemos que não temos nenhum livro para ler nas férias. O drama, o horror, a tragédia. Por mais que tenhamos centenas de ebooks (não vamos falar sobre isso) e dezenas de livros físicos por ler a verdade é que nenhum deles é adequado para ler nas férias. Como não convém gastar o dinheiro das férias todo na livraria acabamos por nos render e ir apenas comprar um livro novo para aqueles dias. Não é o ideal, lá teremos que ler livros completamente desadequados à disposição das férias.

Ora por estes lados a compra acabou por ser o segundo volume da Ferrante, lá darei uma nova oportunidade a Lila e a Elena, vamos ver se a coisa desta vez me agarra mais. 

E levarei também na bagagem o “Quantas madrugadas tem a noite” do Ondjaki e o “Gémeas de Gelo”. Como seremos dois a ler vai também o “O jogo do Leão” e, para além das das leituras em andamento, o Kobo, recheado de ebooks de todos os géneros.

 

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E vocês, já planearam os livros que vão convosco de férias?