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Ler por aí

Ler por aí

Para o diabo com as metas literárias

Às vezes perco-me (enquanto leitora) e ler torna-se uma "obrigação". Quem me conhece já sabe o "ódiozinho" que tenho aos desafios e à contabilidade de livros, páginas e afins. Mas no ano passado chamei a mim a obrigação de ler autores Portugueses e as coisas mudaram um bocadinho. Pertencer a uma comunidade literária que lê um livro específico por mês ajudou à festa. Durante mais de um ano direcionei as minhas leituras para determinados livros e determinados escritores. Não me dei mal.

Mas este ano acabei com isso (e o facto da comunidade estar numa pausa também ajudou). Tenho andado a ler o que me apetece, quando me apetece. 

E a verdade é que nada bate isso. Eu quero lá saber se leio mais ou menos que outras pessoas, se estou a ler mais ou menos que no ano passado ou no mês passado.

O que eu gosto mesmo, mesmo é de ler o que me apetece. De ler pausadamente quando a vida e as palavras pedem. De ler desenfreadamente quando os livros assim o ditam.

E sinceramente, já tenho idade para fazer o que bem me apetece!

 

 

Jonathan Strange & Sr. Norrel, de Susanna Clarke

jonathan_strange_2015.jpg

 

 

Há livros que se entranham na pele, que nos apaixonam. Não precisam de estar bem escritos (mas é bom quando estão) nem de ter uma história para lá de espetacular (mas é fantástico quando têm). Só precisam ser o livro certo no momento certo.

E “Jonathan Strange & Sr Norrel” chegou à minha vida no momento certo. Eu sabia que tinha que o ler depois de ter visto este vídeo no canal Vevsvaladares. As expectativas (sacanas que nos estragam tantas leituras) foram devidamente refreadas pela Vera, pelo José e pelo Nuno que não ficaram fãs (meninos, temos que conversar!).

Em ficção habituamo-nos a conhecer novos mundos, admiramos universos construídos do zero onde os animais são parentes ou se queima metal. De Hogwarts a Mordor, do Império Final ao Inferno. Aqui, estamos em Inglaterra do séc. XIX e a História é a mesma que estudamos nos bancos da escola… bem, quase a mesma. Byron, Napoleão ou Wellington são tão reais quando Strange ou Norrel. É como jogar às diferenças: a mesma imagem mas não exatamente a mesma.

A mistura de fantasia e magia com realidade foi perfeita. Susanna Clarke quase me fez ir à biblioteca mais próxima à procura de um exemplar do livro “A História e Prática da Magia Inglesa”, escrito por Jonathan Strange e publicado por John Murray em 1816.

As referencias bibliográficas são maravilhosas... e fazem parte do livro. Aliás, as 189 notas de rodapé (algumas bastante extensas) são tão boas como o resto do livro. Confesso que houve alturas que li o resto do parágrafo antes de ir ler a nota de rodapé (ou li várias de seguida, quando eram pequenas) mas não saltei nem uma.

A História, contada em 3 livros (Livro I – O Sr. Norrel, Livro II - Jonathan Strange e Livro III – John Uskglass) tem ritmos bastante diferentes e acredito que desiluda quem começa a ler à espera de um "Harry Potter para adultos" como já ouvi por aí. O ritmo é, quase até ao fim, lento. Apesar disso (ou talvez por causa disso) é extremamente interessante. Mas o Livro III é de leitura compulsiva. Dei por mim a olhar para o ereader durante o trabalho à espera que chegasse a hora do almoço para me pisgar e ler mais umas páginas.

Li vários textos, entrevistas e opiniões sobre este livro e aprendi bastante. Para começar não fazia ideia do que era um Pastiche e falta-me o treino para reconhecer, sem ter sido alertada primeiro, as homenagens a Jane Auten, Charles Dickens ou a piscadela de olho a Shakespeare. Mas estando alerta, tudo isto se torna óbvio e a leitura fica (ainda) melhor. Por isso, se spoilers não é algo que vos incomode por aí além e se , como eu não percebem muito de teoria literária, leiam algumas coisas sobre este livro antes de o começarem a ler. A vossa leitura vai sair a ganhar.

Uma história muito interessante, personagens f-a-b-u-l-o-s-a-s (Norrel e Strange, são só o começo... ) fizeram deste um dos meus livros favoritos de todos os tempos. 

E claro, há ainda a série da BBC. Quero muito. Infelizmente ainda não encontrei à venda (Questãozinha: se eu mandar vir a série da amazon inglesa, o DVD terá legendas em Português??? E sim, eu quero com legendas em Português, não quero perder nada).

Depois de ler o livro vejam também este video.

 

Conversas (sur)reais #3: HP a fazer magia

Considerando que o J. faz parte do lado negro da força (os únicos livros que leu na vida foram os do vampiro Valentim, quando era puto e estava de castigo, e o Drácula, de Bram Stoker, para a escola) seguinte conversa deixou-me pasmada e orgulhosa:

Eu – J. devias ler os livros do GoT

J. (sobrinho de 16 anos) – São muito grandes…

P. (marido fofinho e irónico) – o J. vai é ler os livros de “Uma aventura”*…

Eu – Achas? Com a paixão que ele tem por filmes de terror vou-lhe oferecer os contos de Edgar Allan Poe

J. – Oh Patrícia, o que eu queria começar a ler era os livros do Harry Potter….

O orgulho que eu senti, senhores nem imaginam. A pensar que aquele era (literariamente falando) um caso perdido e sai-me esta vontade. Harry Potter a fazer magia tantos anos depois.

 

(obviamente já lhe prometi que lhos empresto todos)

(coisa mai linda da tia que se atira de cabeça para uma maravilhosa aventura de 7 livros)

(* os "Uma aventura" são maravilhosos... mas não para a idade dele, ok?)

O Torcicologologista, Excelência, de Gonçalo M. Tavares

Torcicologologista, excelência.jpg

Está completo o "audiobook" da primeira parte (diálogos) deste livro no Podcast "TSF - Livro do Dia"*.  Ainda quero reler e ouvir de novo antes de me atrever, de lápis na mão, a pegar na segunda parte. Depois falamos melhor. Mas adoro os diálogos. É para ouvir até que a aquilo deixe de ser surreal até que faça sentido.

 

*Juro que ninguém me paga a publicidade.

E aproveito para atualizar a lista de podcast para leitores (em PT-PT) (se conhecerem mais, avisem, pls)

Biblioteca de bolso

TSF - O livro do Dia

TSF - Pessoal e transmíssivel

À volta dos Livros

Última Edição

 

Oh não, outro livro/filme de adolescentes

Finalmente vi o último filme dos Jogos da Fome (A Revolta, parte 2). Como já tinha lido os livros não houve nenhuma novidade em relação à trama e devo confessar que gostei muito do desfecho que a escritora escolheu para esta história. Um pouco previsível, é certo, mas lógico o suficiente para que faça sentido. Considero (como tanta gente) que o sucesso dos filmes é responsabilidade da atriz que deu corpo, personalidade e profundidade a Katniss Everdeeen. Gostei muito.

Agora quero muito pôr as mãos em cima do livro Battle Royale, de Koushun Takami que parece ser o "pai" destas sagas distópicas que estão tão na moda. Ainda só não o li porque é difícil encontrar uma edição em Português e ando com alguma preguiça para ler em Inglês.

Ainda em relação a Filmes YA, resolvi ver também o Insurgente e o Maze Runner e confesso, são estes que dão o título a este post. Ambos péssimos. Se os respetivos primeiros filmes das séries são sofríveis estes nem a esse ponto chegam.

Li a saga do Divergente/Insurgente/Convergente (e não li mais que não fiz mal a ninguém), sendo que o convergente foi lido na diagonal e vi os filmes por um misto de curiosidade e necessidade de passar umas horas a olhar para o ecrã sem pensar em nada (cada vez é mais difícil encontrar um bom filme de terror e as comédias, sejam românticas ou não, estão banidas lá de casa - nem o gato gosta de tal coisa).  Previsíveis, tontos e com muitas coisas completamente inexplicáveis.

E aqui é, para mim, o ponto fulcral do problema. Isto é fantasia, eu sei. Mas quando uma história de fantasia está bem escrita/criada então tem que nos convencer de que é possível, Tem que fazer sentido naquele universo. Tem que ser coerente com a história. Detesto soluções milagrosas que aparecem exatamente quando são necessárias. Não é por ser do género fantástico que tudo é permitido.

Mas pronto, eu já não sou propriamente adolescente e não sou, de todo, do público-alvo destas séries. Vou voltar para os filmes de terror de baixo orçamento que sempre permitem umas gargalhadas valentes (já alguém viu o "A purga"? maze-runner, versão terror. Ambos igualmente maus.)

 

 

 

O verdadeiro "disclaimer" deste blog

Na Roda dos Livros cada um de nós fala dos livros que quer. Dos que gosta e dos que não gosta. Acho que algumas das meninas da Roda (não vou dizer nomes mas elas sabem bem quem são) preferem quando eu falo mal de um livro. Na última Roda (que aconteceu na Mercearia Criativa) estive a desabafar acerca das minhas impressões menos positivas do livro da Helena Vasconcelos, "Não há tantos homens ricos quanto mulheres bonitas que os mereçam" e, garanto-vos, foi uma galhofa. 

Eu sei que sou demasiado emotiva com os livros (afinal é só um livro, não é?) e que quando gosto muito ou não gosto nada sou um bocadinho exagerada. E ao longo das várias vidas deste blog (é como os gatos, tem 7 vidas e pelas minhas contas vai na sua 4ª vida) isso tem ficado bem presente.

Mas nos últimos tempos tenho pensado duas vezes antes de escrever os post mais negativos. Não vale a pena estar aqui com paninhos quentes: tenho lido bastante em Português e saber que os autores facilmente chegam aqui (coisa que já aconteceu) condiciona-me. Não me condiciona a ponto de dizer que gosto de um livro quando não gosto nem de deixar de escrever sobre os livros de que não gosto mas ainda assim não escrevo o que escreveria se não tivesse essa condicionante.

Sinceramente não fiquei nem um bocadinho feliz com o post que escrevi acerca deste livro e quem me ouviu falar dele sabe bem disso. Tenho que me disciplinar e não ceder à tentação da auto-censura. Não se iludam, não digo isto por ter alguma ilusão de que os meus textos são importantes (há meia dúzia de pessoas a ler cada um deles, não mais, e por muito importantes que essas pessoas sejam para MIM o número não é estatisticamente suficiente para fazer qualquer diferença) mas porque esta pessoa não sou eu. Eu sou a espalha-brasas que convence pessoas a ler livros que detestou porque tê-los odiado significa que me aingiram e que por isso merecem ser lidos. Eu sou aquela que escreve textos da treta porque o faz 5 minutos depois de ter acabado de ler o livro. Eu sou aquela que escreve todos os textos de memória, na maioria das vezes nem tem o livro ao lado e que se esquece de fazer anotações porque está demasiado interessada na história do livro (ou no chocalate que tem na mão) para se dar a esse trabalho.

Eu não sou a pessoa que tem cuidado com o que escreve porque tem medo de pisar os calos a alguém. Portanto, depois do ridículo disclaimer do outro post, este é o verdadeiro:

"Este blog é meu, escrevo o que quiser. Escrevo sobre livros porque os livros são uma das minhas grandes paixões, às vezes não gosto de bons livros e outras gosto de maus livros"