Ler por aí
 
25 de Setembro de 2015

Eu queria muito ter cenas para vos contar e opiniões para escrever mas o trabalho (que eu adoro) recomeçou e parece que o universo (pelo menos o laboral) está contra mim e tenho tido demasiado trabalho (depois do trabalho que me têm dado da próxima vez que a A. me pedir sugestões de livros vou-lhe sugerir os piores que conheço, só como vingança, "toma lá que é para aprenderes") e o livro que estou a ler não ata nem desata (um chorrilho de desgraças mas diz que é quase um clássico Português - Gente Feliz com lágrimas, de João de Melo). Como diz a Cati (ela escreve aqui no blog, têm que saber quem ela é, sim?) "já te disse que não faz mal deixar livros a meio" mas a verdade é que estou a gostar do livro (apesar das desgraceiras todas) e eu não gosto de deixar livros abandonados, coitadinhos, ficam tristes e são gozados pelos colegas das estantes*.

* não, não enlouqueci. Pelo menos, ainda não. Acho. Ou talvez sim. Não, definitivamente não: os livros têm sentimentos, não têm?
publicado por Patrícia às 19:35 link do post
18 de Setembro de 2015


Um título que, no mínimo, chama a atenção. Resolvi ir ao lançamento deste livro só porque sim. Cheguei um bocadinho antes e resolvi começar a lê-lo. Na verdade não sabia nada acerca do livro, foi uma surpresa total. 
Sim, a apresentação foi ontem e já o li.

Um Nove Um Seis (assim mesmo, em palavras, que num livro que tanto fala de números há, curiosamente, uma total ausência de algarismos - excepto na capa, claro), o protagonista deste livro, é um jovem que dá por si encerrado num hospício porque, sem razão aparente, começou a ter visões. Entre as conversas com Treze e Um Quatro Um Seis, há uma pergunta que não cessa de aparecer: Afinal, o que são nomes?

Quase como uma brincadeira, Samuel Pimenta, faz uma exercício de resistência à sociedade atual e com enorme facilidade consegue pôr-nos a pensar e a ponderar nos valores que moldam o nosso presente e na responsabilidade individual na construção do futuro. 

Por um lado acho que esta história só teria a ganhar com mais páginas, com uma construção mais aprofundada dos personagens, desta sociedade estranha mas, por outro lado, gosto deste conto grande, que se lê de um fôlego e que nos apresenta um escritor (25 anos, senhores, 25 anos tem este miúdo) que utiliza o seu talento para gritar a sua revolta.

Gostei e vou certamente continuar a ler o que Samuel escrever só que para a próxima vez as expectativas vão ser bem mais altas... Boas escritas, Samuel :)



publicado por Patrícia às 12:39 link do post
18 de Setembro de 2015

Choca-me não saber o valor real de nada com descontos e descontinhos e cartões e ofertas que não me interessam...
Irrita-me que dividam livros às metades (e aos quartos e afins)
Choca-me que um livro com 20 anos (ou 30 ou 50 e até os que já são do domínio público) seja vendido como novidade.
Choca-me que mudem a capa dos livros assim de vez em quando para que vá tudo a correr comprar o "novo" livro só para ficar com a saga toda na mesma capa.
Choca-me que os ebooks sejam mais caros que os livros físicos (já me aconteceu)
Choca-me que haja livros com erros ortográficos.
Choca-me que os ebooks sejam sujeitos a IVA de 23%.
Irrita-me que uma saga não seja TODA publicada.
Diverte-me (com aquele meu sentido negro de humor)  que haja gente (que não alfarrabistas) a vender livros em segunda (ou terceira) mão por 10 euros e que haja gente a achar isso normal.
Entristece-me que os escritores ganhem tão pouco.
Entristece-me que cada vez seja mais difícil publicar (numa editora a sério).

Sinceramente não me choca a esta história da lei que impede os descontos e explico porquê:

- Vi a maioria das livrarias de bairro a fechar nos últimos anos. Só sobrevivem as grandes livrarias e eu gosto de livrarias.
- Gosto de alfarrabistas e tenho imensa pena de os ver fechar portas porque não conseguem sobreviver com a concorrência das vendas directas no facebook e olx e afins e com a concorrência feroz das grandes livrarias.
- Percebo que quem quer ler novidades tem que pagá-las. Quem quer ter descontos pode esperar um ano e meio para ler o livro. (quantos dos vossos livros aguardam mais de 2 anos na estante até serem lidos?)

Não me lixem, há n formas de lerem sem gastar muito dinheiro e sim, ler em inglês também é uma opção. Eu faço-o imensas vezes. E ninguém morre por não ler logo a última novidade literária. (e tenho alguma pena de quem acha que sim porque vai ter muitoooo que aprender ao longo da vida)

Os livros são caros? São. Muito. 
Gosto de descontos? Sim. Tanto como vocês.
E há "n" formas de ler por pouco (ou nenhum dinheiro)
E aposto que todos os que vão ler isto têm livros em casa mais do suficientes para ler nos próximos 2 anos. (vá, acertei?)

Mas cada vez menos gosto de chegar à feira do livro e ver monopólios. Mas não gosto de ver livrarias a fechar e sei que nem todas as vilas e cidades podem ter Fnac e Bertrand. E vou continuar a dizer que os livros são caros, que o preço dos ebooks é absurdo... e talvez ainda vá ler e ouvir argumentos que me façam mudar de opinião e achar que esta lei é completamente absurda (até porque ainda li muito pouco sobre ela) mas para já ainda não me choca.


(*) O que vale é que este blog é pouco lido ou hoje esta caixa de comentários ia ser divertida
publicado por Patrícia às 00:04 link do post
17 de Setembro de 2015

(sou só eu não tenho paciência para os intermináveis posts de divulgações e novidades? que praga!!!)
publicado por Patrícia às 15:55 link do post
17 de Setembro de 2015

Os vídeos abaixo são uma óptima desculpa para voltar a falar deste assunto. 
A resposta mais simples e verdadeira é que a minha mãe me ensinou a sê-lo. Sempre tive livros e a minha loucura pela leitura foi estimulada desde cedo. A minha mãe, professora do 1º ciclo, não me tentou ensinar a ler cedo (sempre achou que teria tempo para isso quando fosse para a escola) mas a verdade é que foi inevitável aprender e quando entrei para a escola sabia ler (mas não sabia escrever).

Ler sempre foi uma forma de me manter sossegada e nada era melhor que receber, no Natal ou no meu aniversário, montanhas de livros. O meu primeiro livro de gente grande foi recebido assim mesmo. "A pousada do Anjo da guarda", da Condessa de Segur no meu aniversário dos 8 anos. Foi o primeiro grande desafio, antes lia livros mais infantis. 
Depois fui crescendo de desafio em desafio: A minha professora do 4º ano para além de me espetar nas mãos um livro extra de matemática (a melhor forma de me manter interessada e ocupada) ofereceu-me o "Ilíada e Odisseia", versão juvenil (cuja história vim mais tarde a recordar com o Presságio de Fogo da Marion Zimmer Bradley). Como estes dois livros me assustaram um bocadinho a minha mãe fez um contrato comigo: enquanto ela fazia o jantar eu lia-lhe o livro, ao ritmo de um capítulo por dia. Acho que isto durou uns 3 dias, o resto li sozinha, não me apetecia esperar pelo dia seguinte.

A minha infância literária passou pelas estantes das minhas primas e aí descobri os Cinco, Os Sete, A Nancy Drew, Os irmãos Hardy, As gémeas e o Colégio das Quatro Torres. 
Lembro-me de um livro chamado "o juiz tinha um filho" que, por um qualquer motivo absolutamente inexplicável me fazia chorar sempre que o lia (uma busca na internet diz-me que é de Serge Delens, quem quer que o senhor seja) e da colecção que incluía "A pulseira misteriosa", "O príncipe Eric" e "A mancha cor de vinho", todos deste mesmo escritor. 

E havia a colecção da Isabel Alçada e da Ana Maria Magalhães "Viagens no tempo". Bem mais interessantes que os "Uma aventura" que quando apareceram já eu andava por outras leituras.

Lá em casa não havia prendas de passagem de ano, assumia-se que ter boas notas era obrigatório, mas tínhamos um contrato: por cada 5 recebia 2 livros, por cada 4 recebia 1, cada 3 tirava um da conta e uma negativa faria com que nesse verão não houvesse livros para mim. Era divertido e estimulante.
Assim fiz a colecção, quase completa, da Patrícia.

Mamãe fez questão que os clássicos não me fossem, de todo, estranhos e, ou em versão integral ou juvenil, vários me passaram pelas mãos: A Morgadinha dos Canaviais, Uma família Inglesa, Jane Eyre, Vinte Mil Léguas Submarinas, As Mulherzinhas, Miguel Strogoff entre tantos outros.

Lembro-me que li quando tinha uns 10 anos o Oliver Twist (versão integral) e adorei. 

Na adolescência descobri Pearl S. Buck e encantei-me com o "Terra Bendita" e o "Flor Oculta" que lia e relia entre os Agatha Christie e Sherlock Holmes...

Acho que aqui já era uma leitora mas não posso deixar de referir mais alguns marcos: "Os filhos da droga", lido aos 12, o "Conde de Monte Cristo" aos 14 e as "Brumas de Avalon" aos 16, fizeram de mim a leitora que hoje sou.

E vocês como se tornaram leitores?


(vídeo Original):




(onde vi esta TAG)
publicado por Patrícia às 14:31 link do post
16 de Setembro de 2015



Na derradeira parte da saga "Mistborn" ou "Nascidos nas brumas" ficamos finalmente a saber quem é o Herói das Eras. Mas antes há ainda muitas surpresas. Gostei imenso desta trilogia (Trilogia, ouviram? 3 e não 4 como a editora Saída de Emergência nos quer fazer acreditar*) e apesar de provavelmente não ir ler a trilogia seguinte deste mundo da Alomância (e já expliquei o porquê aqui) vou ter muitas saudades da Vin e companhia. 
Depois de um primeiro volume de apresentação e de um segundo de transição e enganos, este terceiro volume revela-nos a verdade sobre um mundo de Alomância, Feruquímia e Hemalurgy (será Hemalurgia? acho que sim, mas não tenho a certeza) enquanto nos obriga a reflectir acerca da religião, da vida, da criação, da preservação e da ruína, do bem e do mal. Acho que muita gente não vai gostar tanto dessa parte mas, confesso-vos, a mim agradou-me bastante. Segui com expectativa e interesse os dilemas de Sazed, as dúvidas da Vin, o drama de Marsh e o percurso de Susto/Spook. Uma vez mais Elend não me conquistou e dele vou guardar memórias ténues enquanto os outros vão ficar para sempre associados a todos e cada um dos metais.

Não é o tipo de livro de que se possa falar sem estragar a surpresa de quem ainda não leu mas se quiserem falar um bocadinho sobre o livro usem a caixa de comentários que vou gostar muito de falar convosco). Para quem não leu, já sabe, não me responsabilizo pelos spoilers que por lá possa haver...

*Não me vou alongar, está tudo nos posts passados, mas sim, li este volume em Inglês a um preço bem simpático. Foi bem mais fácil do que tinha pensado e nem sequer tive dificuldade com os metais e poderes - no final do ebook há tabelas de conversão, listas de explicações, enfim, tudo o que possam precisar.

publicado por Patrícia às 15:57 link do post
14 de Setembro de 2015

Nesta altura apetece sempre fazer planos. Depois de um ano em que o objectivo era ler maioritariamente livros de autores Portugueses o próximo vai ser ler os Clássicos que tenho lá por casa.
Guerra e Paz, As vinhas da Ira, Nossa Senhora de Paris, O Prémio e Servidão Humana serão as minhas leituras-objectivo dos próximos tempos. Mas, claro, misturadas com as leituras da Roda dos Livros e com os autores Portugueses da Comunidade LEYA. 
publicado por Patrícia às 10:16 link do post
07 de Setembro de 2015

 

       Li este livro em duas horas numa manhã de praia. Reli-o depois a marcar as minhas partes favoritas (numa folha à parte que este livro foi emprestado - obrigada amiga! - nada de sublinhar frases e escrever notas nas margens), calmamente, a saborear a escrita e os pormenores.

 

As personagens são maravilhosas.
Eu já sabia que o narrador é uma osga mas, quando estava a ler, surpreendeu-me e quando reli continuei a achar as primeiras páginas ambíguas o suficiente para ver o Eulálio e não a osga.
Félix Ventura um albino em Angola, não sabe quem é, foi encontrado por Fausto Bendito Ventura, alfarrabista, dentro de um caixote cheio de livros do Eça de Queirós – “Eça foi o meu primeiro berço”, vende passados falsos e tem como amigo uma osga com quem conversa.
Um vendedor de passados e uma osga chamada Eulálio? Supimpa.
Mas há mais. José Buchmann, repórter fotográfico, cliente que quer comprar um passado ou melhor toda uma vida, uma identidade africana:
“...O albino ouvia-o aterrado:
"Não!", conseguiu dizer. "Isso eu não faço. Fabrico sonhos, não sou um falsário... Além disso, permita-me a franqueza, seria difícil inventar para o senhor toda uma genealogia africana."
"Essa agora! E porquê?!..."
"Bem... O cavalheiro é branco!"
"E então?! Você é mais branco do que eu!..."
"Branco, eu?!", o albino engasgou-se. Tirou um lenço do bolso e enxugou a testa: "Não, não! Sou negro. Sou negro puro. Sou um autóctone. Não está a ver que sou negro?..."
A sério que a osga se fartou de rir com esta.
Temos ainda Ângela Lúcia de quem Félix diz:
<<Ela é assim ...>>, fez uma pausa, as mãos espalmadas, os olhos apertados num esforço de concentração, demorando-se a encontrar as palavras: <<Pura luz!>>
Há outras personagens paralelas a Velha Esperança, salva de ser fuzilada pela “logística”, que se julga imune à morte e diz que são os muros que fazem os ladrões. O Ministro que compra toda uma genealogia e passa a ser neto de Salvador Correia de Sá e Benevides libertador de Luanda do domínio holandês.
Mas a história principal é a de Ângela Lúcia e José Buchmann que, vimos a descobrir, têm um passado em comum e o final da história dos dois, não o fim do livro, mas o final da história dos dois é surpreendente e brutal.
 
José Eduardo Agualusa, sou fã. Vou ler o “A Rainha Ginga”. Volto mais tarde.
publicado por Catarina às 21:45 link do post
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