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Ler por aí

Ler por aí

Planos de leitura*

Vou umas semanas de férias e espero ter muito tempo paraler. Sinceramente não me apetece fazer nada de nada, exceto vegetar ao sol,ler livros e ver séries.

Como espero andar fora de casa vou aproveitar para ler noKobo e comigo vão dois livros (na verdade vão umas dezenas mas estes são os queespero ler):

The Hero of Ages,o terceiro volume da saga Mistborn. Depois da brincadeira da Saída deEmergência, resolvi comprar o último volume da trilogia inicial em Inglês.

A verdade sobre ocaso Harry Quebert - Acho que foi uma das modas do ano passado e está naaltura de o começar a ler.

Dois livros bastante diferentes, um em inglês, outro emPortuguês que vão, provavelmente ser lidos mais ou menos em simultâneo (duvidoque me apeteça ler em Inglês vários dias seguidos).

Mas antes de me atirar à leitura das férias espero acabar asleituras em curso: Herta Muller com o seu "Hoje preferia não me terencontrado" e J.K. Rowling com "Harry Potter e os Talismãs daMorte" (esta é uma releitura. Os primeiros 3 volumes li emprestados (játenho o primeiro) e os 2 últimos tinha apenas em Inglês. Encontrei este nooutro dia por apenas €2.5, em ótimo estado, e não resisti a reler).

E espero ver alguns episódios da Gilmore Girls. Não segui asérie, vi apenas alguns episódios esporádicos pelo que ver tudo de seguida vaiser brutal.

E vocês, já foram de férias? Há planos de leituras?



* a grande probabilidade é que este plano vá por águaabaixo mas não custa sonhar, pois não?

Um por todos e todos por um*

Não sou a maior fã de séries de livros mas já senti, comotodos os leitores, aquela vontade de que aquelelivro maravilhoso nunca acabasse. E já fui a correr comprar o segundo volume. Ejá apanhei desilusões terríveis com a continuação.
Definitivamente não gosto de livros às metades (ou aosquartos) que transformam em série um livro único - a minha mais recente birracom a editora Saída de emergência com a patética divisão do Herói das Eras é oexemplo mais recente mas basta-me relembrar os livros das Crónicas de Gelo eFogo, a “cara” divisão de “os Pilares da Terra ou a absurda divisão das Brumasde Avalon que é, no original, apenas um (não tão grande assim) livro parachegar à conclusão de que a moda não é nova e que, infelizmente, está paradurar. Ler metade de um livro e esperar meses pela segunda parte chateia qualquerleitor. Pagar por dois livros quando se devia pagar apenas por um é outro dosproblemas.
E há sempre a probabilidade de o restante de série não sereditada…. Se para quem lê (também) em Inglês é chato, para quem lê apenas emPortuguês é de uma injustiça tremenda.
A principal razão pela qual não sou grande fã de séries éporque acho que a maioria das histórias não precisa de mais de 500 páginas (naloucura, 700) para ser bem contada. A maioria das séries limita-se a ser “maisdo mesmo” ou seja, a mesma história contada de várias formas diferentes. Hágeralmente um (ténue) fio condutor que serve de desculpa para prolongar a coisade forma a agradar a editores e a leitores. Sim nós os leitores geralmente nãonos importamos nada com este prolongamento.
E no género do fantástico e do romance as trilogias e asséries estão na moda.
Alguns exemplos: Sevenwaters, uma trilogia que me apaixonou.Temos que admitir que não eram necessários 3 livros. Mas ainda bem que os houve(e o segundo será sempre o meu favorito). Desconfio que a segunda trilogia de Sevenwatersse insere na categoria de “mais do mesmo” (mas em pior) mas como não li(mentira, li o primeiro) não posso afirmar isso com toda a certeza.  E as trezentas trilogias da Nora Roberts? Tudoigual, sem tirar nem pôr. Bem, mas esta é uma das escritoras do tipo “quem lêum, lê todos”.
Por muito interessante que tenha sido regressar ao inferno e ao mundo dos Sangue achei completamente dispensáveis todos os livros que se seguiram àtrilogia das Jóias Negras de Anne Bishop.
Atualmente tento não começar a ler séries nem trilogias (sebem que às vezes acontece, como foi o caso da trilogia Mistborn) mas tenho queadmitir que há casos em que nada bate uma boa saga. Há casos em que eraimpossível (ou pelo menos, não era tão divertido) contar aquela história emmenos páginas.
Claro no topo desta minha lista está a mais genial de todasas séries. Harry Potter, claro está.
Uma série que começa devagarinho e que cresce a cada livro.O primeiro volume, simples, divertido mas já genial. O último, complexo, negroe absolutamente genial. Uma série que cresceu com os leitores. Uma série que jáé um clássico.
Ou a trilogia dos Senhor dos Anéis. A complexidade da históriajustifica os vários volumes. É de facto apenas 1 história, com princípio, meioe fim.
E se falarmos de sagas históricas, tiro o meu chapéu à saga “O primeiro homem de Roma” (ou “Senhores de Roma”, depende da edição que tiverem).7 volumes enormes que nos romanceiam a história de Júlio César (mais coisa,menos coisa). Era possível escrevê-la em menos páginas? Quero lá saber, assim éperfeita.

Portanto, sagas, séries, livros isolados, o que interessa énão estar a ler sempre o “mesmo” livro. 

A Small death in Lisbon / O ultimo acto em Lisboa, de Robert Wilson

 

 



O que une o homicídio de uma miúda em Lisboa com a história de um homem, pertencente às SS, em 1941 em Berlin?
É a resposta a esta questão que, numa primeira fase, os leitores deste livro vão procurar.
No final dos anos 90 uma miúda de 14/15 anos aparece mortana praia de Carcavelos e o investigador da Polícia Judiciária é o Zé Coelho.Paralelamente começamos a conhecer a história de Klaus Felsen, Alemão, que em1941 se torna membro (algo forçado) das SS.
 
Não me vou alongar com a história deste livro, num policial/thriller é sempre difícil saber onde está a linha do “spoiler”.
Prefiro falar-vos do porquê deste ser um dos meus livros preferidos.
Robert Wilson aproveita uma história de mistério para nos contar uma parte da História de Portugal. Em 1941, Lisboa era uma cidade em movimento, Portugal era um país em mudança. Em plena segunda guerra mundial o nosso país era palco de cenas reais de espionagem e contra-espinagem, com nazis e aliados lado a lado entre o glamour do Estoril e o atraso do país. A verdade é que por aqui passaram gentes de todos os lados da Europa, uns em fuga para a América, outros a comprar ou apenas contrabandear bens. E Portugal tinha algo muito importante para os países em guerra: Volfrâmio. E tinha um ditador que jogava muito bem um jogo duplo.
E quantos de nós, Portugueses, conhecem este período da História? Confesso-vos que nunca ouvi falar da maioria disto nas aulas de história.
Neste livro reconheci cada Português. Mesmo quando preferia que aquela não fosse a nossa realidade, tenho que a reconhecer. Mesmo quando não gostava dos personagens (e há poucos, muito poucos neste livro de quem gostei) reconhecia-os.
Não sei como um leitor que não tenha qualquer ligação a Portugal reage a este livro mas imagino que não consiga apreciar a melhor parte desta história. Há personagens que, para muita gente, devem parecer muito pouco credíveis e no entanto são as mais reais, são as tais que me fazem gostar imenso desta história (veja-se, por exemplo, a mulher do Joaquim Abrantes ou o próprio Joaquim Abrantes).
Gostei da estrutura deste livro: duas histórias que acabam por se unir. Não é muito comum, não ajuda à leitura, tornando-a até difícil a princípio mas que acabou por me agradar (especialmente nesta releitura).
O final não me agradou a 100% devo confessar. É certo que não adivinhei o assassino (e eu gosto disso) mas pareceu-me algo rebuscado demais. Ainda assim isso não faz com que tenha gostado menos do livro por isso.
Continuo a recomendar a todos o “O último acto em Lisboa”.

 

Uma das minhas próximas releituras será o “Uma companhia de estranhos”, também deste escritor e também passado em Lisboa durante a segunda guerra Mundial. 
 
Uma nota para as capas que aqui deixo: a horrível é a da minha edição em Português e a maravilhosa é a da minha edição de bolso em Inglês (entretanto ofereci-a, mas continuo a achá-la linda).

Curtas #13 (2015): Releituras

  Há quem ache que reler livros é deixar passar a oportunidade de ler mais um livro. E como eu compreendo a sofreguidão de ler o mais possível, de embarcar na loucura de querer ler mais e mais. Para quem é viciado em livros é um tormento saber que a probabilidade de ler “O” livro, aquele capaz de nos mudar a vida é ínfima, quase nula, assim perto da probabilidade de ganhar o Euromilhões.
  Às vezes também alinho nessa loucura. Quero ler tudo. Mas ainda assim... leio pouco. E a verdade é que adoro reler livros.
Para mim reler um livro é reencontrar novos amigos, é conhecer as potencialidades reais do livro.
  Ler um livro pela primeira vez é fantástico. Mas a necessidade de lhe conhecer o final não me deixa absorver tudo o que aquele livro tem para me dar. E quase sempre que releio um livro descubro pormenores que antes tinha deixado escapar por entre as linhas.
  Por tudo isso resolvi reler um livro que há muito tempo estava na estante. Li-o pela primeira vez quando tinha 17/18 anos. Chegou-me por correio, um presente do outro lado do Atlântico. Lembro-me de ficar fascinada com a capa do livro de bolso. E também me lembro de ter tido algum medo pela quantidade de páginas em Inglês. Foi o primeiro grande livro que li em inglês. Uns anos mais tarde reli-o, ainda em inglês. Acabei por comprá-lo em português por várias razões. Por um lado sabia que um dia ainda o iria reler na minha língua (e por muito bem que eu leia em inglês, é diferente) e por outro lado queria dá-lo a ler a algumas pessoas.

 

  Chegou o momento de o reler. O próximo post será com a minha opinião da releitura do maravilhoso “O último acto em Lisboa” ou “A small death in Lisbon” de Robert Wilson.

A praia mais longínqua - Ciclo Terramar #3, de Ursula K. Le Guin



Continuofascinada pela saga de Terramar da Ursula K. Le Guin e é sempre muito interessantevoltar à companhia de Gued. Agora, pela Extrema Sul, na companhia de Arren,Gued busca respostas para perguntas que nem sabe bem quais são. É o instinto ouo próprio destino que o leva a partir para tentar perceber o porquê da magiaestar a desaparecer do mundo. Partir acompanhado por um jovem sem magia é algoque nem todos compreendem. Mas Gued há muito aprendeu que o próprio destino seencarregará de mostrar o caminho.
Este é acimade tudo um livro calmo, para pensar e aprender. Gued é professor e ao mesmotempo aluno. Arren, transforma-se e cresce tanto ao longo destas páginas quenos força a crescer com ele.
Cada vezmais acho esta coleção uma pérola (quase) esquecida e como gostava de a terlido na minha adolescência. Tenho a certeza que teria lido e relido e que, acada leitura, teria aprendido mais um pouco.
Aqui a Mortee Vida são temas incontornáveis neste livro. E é inevitável que algumasquestões nos obriguem a refletir. O medo da morte far-nos-á perder o importanteda vida? Até que ponto vale a pena prolongar a existência? De que estamosdispostos a abdicar? De quem estamos dispostos a abdicar? Até que ponto somosinfluenciados pela inevitabilidade da morte?
Mas nem sóde temas escuros se faz este caminhode Terramar. Afinal a confiança e amizade são sempre temas presentes.
E a escrita da autora é, sem surpresas, a cereja no topodo bolo. Simples (e não banal) mas cuidada, da que dá gosto ler e nos envolve earrebata. O tipo de livros que gostava de ver lidos e analisados nas nossasescolas

A SÉRIO? MAS, A SÉRIO????

Às vezes sinto-me burra mesmo por passar a vida a defender as editoras portuguesas, os livros em Português, os ebooks em Português. 

Depois de investir numa série que estava a adorar, parece que me saiu a fava. Parece que a saída de emergência resolver publicar o terceiro volume em 2 partes e eu ODEIO livros às metades. (vi a informação no facebook da saída de emergência, ainda tenho esperança que não seja bem assim).

Considerando que em Pré-venda o livro (ou melhor METADE do LIVRO) custa 17.80€ e que tem esta capa horrorosa (pronto não é horrorosa mas não tem nada a ver com as duas primeiras. Aquela não é a Vin, raisparta!) acho que vou comprar o ebook em Inglês e pronto. Esperar meses para quê? 

Uma pessoa com a melhor das boas vontades: são livros caros (o segundo volume custou-me 26€, sim, ouviram bem, 26€!!!!) mas quero ter a colecção toda em Português, fica giro na estante e tal?

Da capa não gosto mas o que me tira do sério é o facto de dividirem o livro ao meio. Eu não quero ler metade de um livro, eu quero ler o livro inteiro. Não tenho a mais pequena paciência para estas merdas que apenas me parecem uma forma de ganhar mais dinheiro. Não duvido que o consigam, mas comigo não é de certeza.











Um post do blog da LER

"A Brilliant Books, uma livraria do Michigan, decidiu devolver o dinheiro aos clientes que se sentiram ludibriados com Go Set a Watchman, o livro de Harper Lee. Dado que o livro recentemente descoberto entre os papéis de Harper Lee não é nem uma sequela nem uma prequela de Não Matem a Cotovia, “nem sequer um novo livro”, mas apenas “um primeiro manuscrito que foi originalmente, e com razão, rejeitado”, a livraria aceita que os seus leitores estejam diante “pura exploração quer dos fãs de literatura, quer de um clássico americano muito querido” – e aceita as devoluções. A verdade é que muitos americanos não aceitam que o personagem Atticus Finch, que no cinema foi intepretado por Gregory Peck, tenha alguns “deslizes racistas”. Não há pureza na literatura, já se sabe; apesar de ainda haver livreiros honestos. [F.J.V.]"

Um post do blog publicado no blog da Ler

Originalmente daqui

No mínimo dá que pensar...

A magia dos números, de Yoko Ogawa



Uma maravilhosa história de amizade e números que me chegou às mão viaRoda dos Livros (Obrigada Renata).
Yoko Ogawa conta-nos a história da amizade entre uma empregada delimpeza (e o seu filho Root (Ö)) e um matemático peculiar. Na sequênciade um acidente a mente deste homem ficou sem capacidade de reter memórias pormais de 80 minutos. Como construir uma relação se todos os dias é necessáriocomeçar do zero?
Com uma carreira que se adivinhava fulgurante antes do acidente, estehomem continua a depender dos números para existir e para além responder adesafios matemáticos numa das mais prestigiadas revistas da especialidade, éatravés da magia dos números que se relaciona com os seus únicos amigos, aempregada da limpeza e Root (porque tem cabeça de raiz quadrada), um menino comquem ainda partilha o amor pelo Basebol.
(e para mim que não percebo nada de basebol esta foi a parte mais chatadeste livro)
Não é possível deixar de sorrir com as explicações matemáticas que seencontram nestas páginas. Explicar a amizade e a beleza da vida através dapoesia dos números, sejam eles primos, amigos ou imaginários é absolutamentemaravilhoso.
E porque será que aidentidade de Euler foi tão importante nesta história? Será por ser consideradauma das mais belas fórmulas da matemática? 
Para quem gosta de números e de beleza, este é um livro a não perder.
Para quem gosta de histórias, este é um livro a não perder.
Para que não gosta de números, este é um livro a não perder – há umagrande probabilidade de mudar de ideias.








O poço da ascensão (Mistborn #2), de Brandon Sanderson

 
 
Kel, Vin e companhia venceram a batalha mas o custo pago pela derrota do senhor supremo deixou-lhes (e a nós) um gosto amargo e uma enorme incerteza acerca do futuro. A responsabilidade de manter a salvo a cidade de Luthadel recai nos ombros dos (previsíveis e imprevisíveis) sobreviventes.
Neste segundo volume da saga dos Nascidos nas Brumas, Vin e Elend assumem o protagonismo dividindo-se entre a luz e as sombras, entre a política e a força.
O grupo de Skaa reunidos por Kel tem agora que provar ser digno o bastante para se manter ao redor de Elend e, mesmo sendo este a mais imprevisível escolha para suceder ao senhor supremo, apoiá-lo na que parece ser a missão mais impossível de todos os tempos. Depois da vitória inicial tudo se torna mais difícil. Luthadel é cobiçada por muitos e Vin, a mais talentosa dos nascidos nas brumas, encontra adversários à altura e terá que, vezes sem conta, contrariar a sua própria natureza e relembrar a mais importante lição que Kellhe ensinou: a confiar.
 
Num volume muito mais lento que o primeiro (o que é inevitável uma vez que o mundo e sociedade estão já devidamente apresentados – e essa é sempre a melhor parte quando lemos fantasia, a surpresa da novidade) assistimos ao crescimento de Vin e Elend enquanto pessoas e líderes.
Grande parte do livro é bastante lento, debruçando-se sobre as dúvidas de Vin, acerca do passado, do futuro, das suas capacidades e da relação com os outros. 
Personagens incontornáveis como Sazed ou o Coxo e o Ham continuam a ser parte importante desta história - afinal serão sempre o grande suporte de Vin- mas alguns perdem protagonismo para novos personagens que chegam para surpreender. Alguns até ficam um bocadinho esquecidos – mas ou muito me engano ou serão importantes no próximo volume.
 
Na verdade prefiro não falar sobre a história – surpreendam-se como eu– mas tenho que admitir que adorei mergulhar no fantástico mundo criado por Brandon Sanderson, que a Vin entrou direta e destacadamente para o top das minhas personagens femininas favoritas e que espero ansiosamente pela continuação (é já no dia 04 de Setembro) desta história.

 

Se gostam de fantasia não hesitem: leiam a saga Nascidos nas Brumas, os dois primeiros volumes não vos irão desiludir.
 
 

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