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Ler por aí

Ler por aí

Memórias esquecidas, de Jodi Picoult


Passei por uma banca de livros usados e apeteceu-me comprar este livro. A Jodi Picoult não é das minhas escritoras favoritas mas o "No seu mundo" faz-me, às vezes, ter vontade de lhe dar mais uma oportunidade. E, por razões que não interessam nada, tenho andado sem tempo ou capacidade para ler. Mas qualquer viciado na leitura vos dirá que ler é algo que já faz parte de quem somos e que só ler nos ajuda a passar determinados momentos. Por isso apetecia-me ler um livro fácil. E os livros da Jodi Picoult, apesar de terem sempre temas difíceis, são livros fáceis, de leitura compulsiva.  E isso aconteceu-me até meio do livro. Depois foi mais difícil e confesso que apenas a teimosia me levou a chegar ao fim. 

O dilema (nos livros desta escritora há sempre um dilema, já sabem) é simples: uma mulher, a Delia, com uma filha e um noivo alcoólico, vê o pai - e seu modelo e âncora - a ser preso pelo seu próprio rapto. E desde o início sabemos este facto: aquele homem raptou a própria filha e safou-se durante 28 anos. Delia descobre que, afinal, a sua mãe não morreu e tem que lidar com o facto do seu próprio pai ter sido o responsável pela sua infância sem mãe. Ao mesmo tempo que o noivo de Delia (advogado) é responsável pela vida do avô da sua filha tem que lidar com o seu inferno pessoal. 

Como sempre nos livros desta escritora perguntamo-nos se os fins justificam os meios, somos levados a perceber que nem tudo o que parece é.

Nestes livros a fórmula é sempre a mesma por isso a verdade é que me sinto sempre a ler o mesmo livro. E das duas uma: ou o tema central nos interessa imenso (como foi o caso do síndrome de Asperger no "No seu mundo") ou de facto não vale a pena insistir com os livros desta escritora. Infelizmente tendo a esquecer-me dos livros que não me deixaram marca e só me lembro do único de que gostei realmente.




Curtas 11 (2015) : Vou ensinar-vos um truque (provavelmente a v/ professora do primeiro ciclo já vos disse o mesmo)

Se conseguirem substituir o "A" por "existe" então a forma certa é "há".
Por exemplo: "muito tempo" ou "existe muito tempo" ... com o existe pode não ficar tão bonito mas funciona, não é?

"Vou à praia"... se tentarem "vou existe praia" não funciona pois não? Então é "à".

E lembrem-se: "á" simplesmente não existe (a solo). mas o dicionário não dá erro... pois não, é que na palavra composta (não faço puto de ideia se é assim que se chama que a minha gramática anda pelas ruas da amargura) far-se-á, ele existe...

(a sério, ler opiniões sobre livros ou comentários de leitores com este tipo de erro - uma vez passa por gralha mas mais vezes não, ok? - dá uma certa vergonha alheia e dá vontade de dizer que andam a ler os livros errados)

(E sim, podem e devem indicar-me todos os erros de ortografia, sintaxe ou outros que encontrem neste blog. Eu agradeço e aprenderei convosco de boa vontade)

era uma vez em goa – paulo varela gomes

 
Adoro viajar, adoro ler, ler livros com viagens lá dentro é um bónus. A este até lhe mudei o nome, enquanto o li foi “uma viagem a goa”.
Vamos por Goa adentro com o Graham um inglês totó (nem sabe onde fica Portugal!) que os goeses teimam em pensar que é um espião português só porque é moreno com ar tuga em vez de loiro com olhos azuis, como todos os ingleses devem ser: “you angrez? You look pacló”.
Graham anda ao Deus dará e chega a Goa à procura de uma paisagem “de postal”,  praia de areia branca, mar azul, coqueiros perfeitos inclinados para o mar...
Achei a ideia de procurar uma paisagem de sonho muito à frente para a época retratada no livro, anos 60, altura em que a Índia anexou Goa. Acho que nessa altura as pessoas pensavam em tudo menos em férias numa praia com coqueiros ou, se calhar, eram só os portugueses que tinham outras coisas em que pensar.
Embora Graham não encontre a praia paradísica que procura, há bosta de vaca no areal, a areia é cinzenta e a água parda, encontra a hospitalidade Goesa:
No chão havia uma barra de sabão azul e branco e não o pratinho com um líquido de textura duvidosa com que fingia que me lavava há semanas e semanas, pensão rasca após pensão rasca. Sabão azul e branco. Civilização. Um palácio.”
“... o que eu tinha dentro do prato, no meio dos vegetais cheios de massala, era, palavra de honra,um bife. Cortei e provei: apesar do picante, do vinagre, de um sabor esquisito, aquilo era carne e não tinha ossos. Era portanto e definitivamente um bife.”
Encontra também a Casa do Antonio, é com o António que resolve transformar a casa num hotel e quase tem um ataque cardíaco só a lidar com o pessoal das obras, a descrição é hilariante. Temos aliás, muito bom humor neste livro até nas notas de rodapé e embora estas nos digam muitas vezes que o autor não sabe quase nada, o autor sabe muito. Nesta história, consegue colocar o agente da PIDE Casimiro Monteiro e o escritor Graham Green a interagir com o nosso inglês tótó de uma forma espectacular como ainda nos diz porque é que dos vencidos não reza a história: Viste a pensão Lisboa? Agora é Gomes não sei quê. Amanhã será Gomantak ou coisa assim.
 Para além disso escreve coisas deliciosas, ora leiam:
“O Camião saiu do meio das bonitas casinhas nos arredores de Mapuça e foi andando todo contente, sempre a apitar, por uma estrada alcatroada que tinha coqueiros de ambos os lados, arrozais zonzos de tanta cor esmeralda e tão brilhantes brilhos de água, uma igreja faiscante de branco contra uma encosta encharcada de verde. Aquilo era lindo, lindo, palavra de honra”
Já alguma vez tiveram saudades de um sítio onde nunca estiveram? Eu nunca fui a Goa e tenho vontade de lá voltar.
 
 
 
 
 
 

 

 

Desassossego da Liberdade



A Sofia tevea certeza que havia por aí quem fosse “…umlivro em branco que, afinal, se encontrava cheio de histórias” e vencendoobstáculos (leiam nas palavras dela), conseguiu trazer-nos este livro cheio deliberdade. Tanta gente diferente que se juntou para sonhar este livro queconseguiu proporcionar-me bons momentos.

Também paramim é difícil falar destes contos, conheço-lhes a voz e os sorrisos e opinarapenas pelas palavras torna-se redutor e impossível.

Não vos digoque gostei de igual forma de todos os contos mas gostei de muitos, quase todos.E alguns vou reler muitas vezes, vou deixar-me desassossegar vezes sem conta,num “somatório de pequenos instantes que,de tão pequenos, se parecem o mesmo”.

Claro quesinto um carinho muito especial, um orgulho imenso ao ler as páginas do “Tempovazio” da Márcia. É sempre bom ver sonhos tornados realidade, é sempre bom vero orgulho e a coragem estampados na face de uma amiga. E dá vontade dizer queum dia hei-de procurar entre os meus livros, revirar e desarrumar tudo. E vê-lo-eiaparecer. O teu livro. Com o teu nome da capa.

A todos, semexceção, os meus Parabéns. Sinceramente, gostei J