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Ler por aí

Ler por aí

O império Final (Mistborn #1) de Brandon Sanderson

 
 
 

 

 
 

Chegar a casa e ter um presente é óptimo. O presente ser um livro, é Fantástico. Esse livro ser uma “novidade” do meu género “(not, que não estou para isso) guilty pleasure” é perfeito.

Por isso, numa semana em que o trabalho me estava a matar estive a ler este livro. E entre as muitas horas de trabalho a minha forma de “desanuviar” foi ler. Claro que me estiquei e roubei horas ao sono. Mas é tão bom ler até à exaustão. Ler pelo prazer de ler, mesmo quando essa leitura não nos ensina nada de mais, mesmo quando o livro não é assim TÃO bom. Ler até às 3h da manhã (a loucura para quem tem que estar a trabalhar no topo da forma às 8h do dia seguinte – as saudades de ser jovem e inconsciente!!!) .
 
O Império Final é o primeiro volume da saga Mistborn – Nascida das Brumas. Já li algures que a série será interminável (tudo o quetenha mais de 5 volumes é-o) mas para já estão escritos 4 volumes, 2 dos quais publicados em Português. Há em ebook (weee) mas também são caríssimos tal como o livro físico (gostava de ter a colecção em livro mas, se não encontrar rapidamente uma promoção de 50% acho que vou mesmo comprar o segundo volume em ebook apesar de custar quase 14 euros).
O mundo que Brandon Sanderson nos apresenta é “ligeiramente” diferente do nosso. Uma sociedade extremamente estratificada, com diferentes povos/raças (para já conhecemos os Terrisanos, os Skaa e os outros, os nobres mas tenho a impressão que ainda podemos vir a conhecer muitos mais) com diferentes poderes/funções. Para já sabemos que no poder absoluto está o Senhor Supremo um alomante poderoso.
 
A alomância é a capacidade de retirar poder da manipulação (queima) de determinados metais (há 10 conhecidos) que permitem aumentar certas capacidades (capacidades sensoriais, força, manipulação de emoções, etc) e é exclusiva da raça dos Nobres. Os terrisanos (habitantes de Terris) são Guardiões e têm a capacidade de armazenar capacidades. Os Skaa, até ver, não têm nenhuma capacidade especial (para além da capacidade de sofrimento) e acabam por ser escravizados com relativa facilidade. Mas podem facilmente imaginar o que acontece com alguém descendente de duas raças, certo?
Como habitualmente nestes livros a injustiça desta sociedade é imensa e é a história da resistência a este império que começamos a conhecer neste livro.
 
Kelsier é o único sobrevivente dos “poços” e tem a audácia de tentar o impossível: reúne um grupo de ladrões Skaa  para tentar derrubar o império final. No meio desse grupo de especialistas está Vin, uma miúda com enorme talento e descendente de um nobre e que é “nascida das Brumas”. E mais não conto, se quiserem saber vão ler o livro.
Uma das coisas que mais me agradou neste livro foi a ausência de romance. Ok, a Vin tem uma paixoneta mas nada de especial. Foram a amizade e a confiança os sentimentos protagonistas do livro e isso é refrescante.
Nalgumas críticas que li por aí mencionavam a ausência de referências à existência de "classe média/operária" mas, apesar de serem breves e raras, há referências a actividades comerciais (de famílias de nobres) e à existência de artesãos (nomeadamente a loja do Coxo) pelo que se intui a existência de uma classe (transversal) de trabalhadores especializados mesmo que esses não sejam protagonistas nesta história.
Fiquei com vontade de ler mais e gostei imenso de voltar a ler algo (bom) de um dos meus géneros favoritos: Fantasia.

O que não pode ser salvo, de Pedro Vieira


Há livros que incomodam. Este é um deles.
Há livros que espicaçam. Este é um deles.
Tivesse eu o Pedro Vieira aqui à minha frente e neste momento perguntar-lhe-ia o porquê de tamanho vazio de esperança. Porquê esta visão pessimista da nossa realidade (ok, ok, escusam de vir responder, mantenhamos esta pergunta como retórica, sou uma eterna crente na humanidade). Depois de semanas sem tempo para ler nada, hoje reservei o domingo para pôr a leitura em dia, este vício bom que andava meio esquecido à força e em vez de acabar o dia com aquele sentimento bom de ler um livro de uma ponta à outra estou aqui com um aperto no peito, parece que levei porrada (desculpem lá a expressão, mas não encontro outra que sirva à ocasião).

Nunca tinha lido nada do escritor e confesso que, de início, estranhei a escrita. Comecei a ler o livro aos poucos, à medida do pouco tempo que tenho tido, e isso prejudicou a leitura. Mais do que entrar na história vi-me presa à escrita singular, às expressões, à forma que define o público alvo de um livro que não é para toda a gente. E eu confesso que tenho alguns problemas com livros que não são para toda a gente. (Nem toda a gente gosta dos mesmos livros, nem toda a gente tem que gostar mas toda a gente os deve perceber) Mas hoje enrosquei-me no sofá, com o ZéGato ao colo (ou aos pés, que também ele esteve a recuperar do dia de ontem e passou o dia a dormir) e li o livro de uma ponta à outra, deixei-me enredar nestas páginas, entrei na história, escolhi o meu "lado" e comecei a gostar. Li muita coisa em voz alta, estas palavras pedem para ser ouvidas. Li nas linhas e nas entrelinhas. Pensei pouco (isso fica para as próximos dias), li de um fôlego com ânsia de chegar ao fim, sabendo o que por aí vinha, receando isso mesmo.

Um livro diferente na forma, desencantado na história, previsível q.b mas ainda assim surpreendente. E com ele voltei às opiniões rápidas, escritas sem pensar, sem rever, sem censuras, sem pausas. Já tinha saudades, confesso, de um livro que me fizesse vir para aqui atirar palavras à laia de opinião sincera, "a quente" como tantas fiz neste blog.

No goodreads dei-lhe 3 estrelas, estou zangada com o escritor. Desconfio que ainda vou levar alguns dias a fazer as pazes com este livro e talvez depois vá lá corrigir a opinião (ou não, logo se vê).  

Curtas 8/2015 : À laia de justificação

Ando um bocadinho afastada deste blog e já nem digo que vou mudar isso porque, de facto, não tenho tido nada para vos contar em relação à minha "vida literária". Ando com tanto trabalho que não tenho lido nada de jeito. Claro que me sobram horas no dia mas, na maioria das vezes, estou tão cansada que acabo por preferir ver uma série na TV (house of cards, under the dome e agora o lost - sim, nunca vi o lost e ando a colmatar essa falha) porque os meus neurónios entram em greve ao final dia e nem vale a pena tentar ler.
 
Entretanto andei a ler a trilogia Mundos Paralelos do Phillip Pullman mas só vou escrever a minha opinião quando a acabar (li os dois primeiros livros: Os reinos do Norte e A torre dos anjos). Para já estou a adorar. Quem me dera ter lido estes livros aos 15 anos e antes de ver o filme. Por agora o meu tempo divide-se entre o "o que não pode ser salvo" do Pedro Vieira e o "A ridícula ideia de não voltar a ver-te" da Rosa Montero. Mas a pilha de livros por ler lá em casa não pára de aumentar.
 
Para tentar tornar este blog um bocadinho mais activo (e um blog parado é uma seca) propus-me a divulgar canais literários do You Tube mas nem para isso tenho tido tempo. Por isso a ideia inicial de publicar à quinta-feira já foi à vida e vou mesmo publicar quando tiver oportunidade. Ainda hoje vai sair um post novo (valha-nos a possiblidade de agentar publicações, certo?)
 
Para todos "boas leituras" e até já.

A Praça da Canção, de Manuel Alegre

 
A poesia sai à praça, às gentes e é cantada por vozes mais ou menos conhecidas. Já todos (sim, todos) ouvimos os versos de Manuel Alegre, já todos em algum momento tornámos nossos estes versos mesmo sem saber da mão ou da voz que primeiro os escreveu ou cantou.
Os poemas deste livro percorreram mais de meio século e foi neste Abril que me chegaram às mãos. Alegre cantou Abril antes de tempo, quando Abril escondia o medo, a revolta, a morte e não a esperança, a vida e a liberdade.
Não sei apreciar poesia, não a percebo facilmente e só torno meu um poema por acaso, quase por engano. Li este livro por vergonha de não o ler, já que era o livro escolhido para o grupo de Leitura em Grupo da LEYA (na Buchholtz) e acabei por ter uma boa surpresa. É um livro cheio de tristeza, que conta o nosso passado, que mostra a revolta de uns tantos e que faz parte da nossa história literária.
 
Deixo-vos o meu poema favorito:

Variações sobre "O poema pouco original
do medo" de Alexandre O´Neill

 
Os ratos invadiram a cidade
povoaram as casas os ratos roeram
o coração das gentes.
Cada homem traz um rato na alma.
Na rua os ratos roeram a vida.
É proibido não ser rato.


Canto na toca. E sou um homem.
Os ratos não tiveram tempo de roer-me
os ratos não podem roer um homem
que grita não aos ratos.
Encho a toca de sol.
(Cá fora os ratos roeram o sol).
Encho a toca de luar.
(Cá fora os ratos roeram a lua).
Encho a toca de amor.
(Cá fora os ratos roeram o amor).


Na toca que já foi dos ratos cantam
os homens que não chiam. E cantando
a toca enche-se de sol.
(o pouco sol que os ratos não roeram).


Manuel Alegre, in " Praça da Canção ", 1965