Ler por aí
 
24 de Fevereiro de 2015

 
 
Um homem decide que a melhorforma de fugir à polícia é enfiar-se num sótão para o resto da vida.Alimenta-se de arroz e pombos, ouve música num rádio da segunda guerra mundiale, volta e meia lá vai roubar um bocadinho de água das torneiras dos vizinhos.Uma das vizinhas é uma velha solitária que passa o dia a insultar as plantasque teimam em não crescer. Depois há a outra que sonha com uma borboleta comcara de gente a ser atacada por uma abelha e ainda há uma peixeira que tem umfilho. No meio de tantas histórias gostei mesmo foi da história do tal rádio dasegunda guerra mundial e dos dois irmãos que queriam ouvir programasdiferentes. E da história da Vera, claro. 
Gostei deste livro que, para mim,vale mais pelas várias partes que pelo todo. As histórias dentro da história deixam-nospor vezes à deriva mas conduzem inevitavelmente a um fim. E falando em final esem deixar nenhum spoiler tenho que admitir que gostei bastante do deste livro,cumpriu a sua função (ultimamente dou por mim a já não esperar um final a meugosto antes a esperar simplesmente um final) e ainda me deixou com um sorriso apesarda crueldade da coisa.
Fez-me pensar a capacidade que oautor tem de nos pôr a aceitar a crueldade como algo aceitável, mediantedeterminados propostos, é certo, mas ainda assim a aceitar coisas que,teoricamente são inaceitáveis e que ali, preto no branco naquelas páginasfinais quase fazem sentido. Quase, porque ainda assim não consigo deixar depensar no que realmente faz o mundo ficar aparentemente mais bonito.
E depois de ter ouvido tantasopiniões diferentes e de ter tido o privilégio de ter ouvido o escritor a falar(este foi o livro discutido no encontro de Fevereiro da Comunidade de leitoresna LEYA na Buchholz moderado pelo Luís Ricardo Duarte) a minha opinião mudou umbocadinho. Afinal compreendi um pouco melhor os porquês, os intuitos, tiveoportunidade de considerar outras opiniões e nestes casos é inevitável que aleitura saia enriquecida.
É possível ler apenas a históriaque o escritor escreveu. Mas também é possível ler mais, ler nas entrelinhasdesta história, ler ironias e denúncias, ler críticas e opiniões. Fica àescolha do leitor.
publicado por Patrícia às 09:44 link do post
14 de Fevereiro de 2015

Para além de ursinhos e bombons as sugestões / promoções com livros estão na ordem do dia. Gosto especialmente de ver livros como o "tudo o que nunca te disse" de Romana Petri ou "biografia involuntária dos amantes" só Tordo. Só livros românticos... bora vender o "tudo são histórias de amor" da Dulce Maria Cardoso com um laço bem giro e uma caixa de chocolates????
Eu sei bem que preferia qualquer um destes livros a um romance cor de rosa....

publicado por Patrícia às 12:10 link do post
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10 de Fevereiro de 2015

Arre que ainda bato em alguém se volto a ler que o filme "O Meu Nome é Alice" baseado no livro homónimo de Lisa Genova.



** sim, eu sei que entretanto mudaram o nome do livro, mas irrita-me na mesma.



publicado por Patrícia às 15:18 link do post
05 de Fevereiro de 2015

Acho que vou começar a divulgar aqui alguns canais literários do youtube... Há por aí coisas giras e que andam a precisar de seguidores e público. 

publicado por Patrícia às 00:29 link do post
01 de Fevereiro de 2015

Marius, um homem em permanente fuga, ajuda uma menina na busca pelo seu pai. São os vários fragmentos  dessa busca que, tal como os cartões da caixa de Hanna, nos conduzem ao longo do livro. Várias são as personagens memoráveis neste livro. O homem que faz parte de uma família que pretende formar um exército obrigando-nos a parar, a baixar o ritmo e olhar com olhos de ver para o que nos rodeia ou o artista que esconde palavras e frases num só ponto são apenas alguns deles. A mim impressionou-me o casal dono de um hotel, com uma geografia muito especial: os quartos não tinham número, tinham nome de campo de concentração e estavam dispostos geograficamente como os campos de concentração no mapa.

 

Sem uma história linear, sem princípio nem fim, este livro levanta mais questões do que aquelas a que responde. Acabo de ler o livro e fico com asensação de que precisava de o ler mais uma ou duas vezes para descobrir os segredos, os sentidos escondidos naquelas páginas. Tenho vontade de me sentar em frente ao Gonçalo M. Tavares e de lhe perguntar o que é que Hanna disse a Marius e qual é, afinal, o segredo de Marius ou que me conte a história do velho que no quarto apenas tinha coisas com um peso igual à metade de seu próprio peso. Aliás gostava que ele me contasse a história de todos aqueles personagens fascinantes.
 

 

Há livros que me deixam com uma sensação de deixei passar alguma coisaou de que me falta conhecimentos ou sensibilidade para perceber o porquê de determinadas escolhas. Este é um deles. Apesar disso (ou também por causadisso) gostei de ler este livro com um nome e uma capa fantástica.
publicado por Patrícia às 21:51 link do post
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