Ler por aí
 
28 de Setembro de 2014

 

 
 
Sinceramente até considero irrelevante e quase insultuoso dizer que gostei deste livro. Não gostei. Não gostei do conteúdo. Não gostei do nó na garganta que me acompanhou ao longo desta leitura. Pela primeira vez ponderei parar de ler um livro pela simples razão de que a leitura me estava a incomodar. Em vez disso optei por ler compulsivamente para ver se o incómodo se atenuava. Não aconteceu. Acho que cada vez que olhar para este livro vou sentir vergonha e orgulho em proporções quase iguais. Porque este livro é mais que uma simples história, tem e terá (digo eu) um estatuto de documento. O retorno das colónias contado magistralmente pela Dulce Maria Cardoso (acredito que foi um livro que lhe saiu da alma) sob a voz de um menino de 15 anos que mistura dor, medo, esperança, desesperança e amor. Percebo porque tanta gente se sentiu tocada por este livro. É quase impossível que isso não aconteça. É quase impossível não sorrir e não chorar com o Rui. É quase impossível não sentir um murro no estômago a cada página. Escusado será dizer que recomendo esta leitura a todos.
 
Sinopse:
 
1975, Luanda. A descolonização instiga ódios e guerras. Os brancos debandam e em poucos meses chegam a Portugal mais de meio milhão de pessoas. O processo revolucionário está no seu auge e os retornados são recebidos com desconfiança e hostilidade. Muitos não têm para onde ir nem do que viver. Rui tem quinze anos e é um deles. 1975. Lisboa. Durante mais de um ano, Rui e a família vivem num quarto de um hotel de 5 estrelas a abarrotar de retornados — um improvável purgatório sem salvação garantida que se degrada de dia para dia. A adolescência torna-se uma espera assustada pela idade adulta: aprender o desespero e a raiva, reaprender o amor, inventar a esperança. África sempre presente mas cada vez mais longe.
publicado por Patrícia às 21:07 link do post
26 de Setembro de 2014



Wild Sheep Chase ou WildGeese Chase ou em bom Português “ à caça de Gambozinos” (esse mítico animal quepara mim terá sempre rabo de saca-rabo e orelhas de zorrinha).

Murakami mesmo quandonão é muito bom (como me pareceu neste livro de que não gostei tanto como de1Q84) é fantástico e uma vez mais guia-nos para o meio de uma história ondemuito pouco do que parece é. Desta vez não há duas luas no céu mas há umcarneiro muito especial de quem todos parecem andar à procura. Depois de umaprimeira estranheza não nos é possível ignorar que o carneiro está mais quepresente em todo o lado. Assim de repente é um dos signos do zodíaco, estápresente na religião (o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, S. Joãoque é representado com o cordeiro), na mitologia Egípcia (O deus Amón), naGrega (hermes) e em várias culturas espalhadas por esse mundo for a (China, Índia,África, Europa), etc, etc.

Por isso, como sempre,esta busca de que nos fala o livro, está sujeita a múltiplas interpretações. Oque sabemos é que o protagonista (de quem nunca sabemos o nome) é um homemdesiludido com a sua vida pessoal e emocional, mediocremente vencedor na suaprofissão e sem objectivos de vida, sem objectivos ou projetos de futuro.
Este homem vê-sesubitamente obrigado a sair da sua zona de conforto, a encarar as dúvidas  existenciais que tem, a fechar de vez algumasportas do passado e a encontrar-se. Com ele conhecemos (uns melhor do queoutros) personagens fascinantes. Há uma modelo de orelhas, um homem, outrora desucesso, conhecido como professor carneiro que vive fechado num quarto, há ummotorista que tem linha direta para deus e que gosta de gatos e há um homemconhecido por Rato  (e outros, que estelivro tem imensos personagens).

Uma vez mais foram asdescrições que me obrigaram a gostar deste livro. Murakami consegue,estranhamente, fazer-me gostar de ler sobre nada –nunca soube tanto acerca dopastoreio de carneiros como agora - ou sobre tudo. Porque a verdade é que estelivro pode ser lido literalmente (e aí, convenhamos, não é grande coisa) oumetaforicamente e aí a mestria de Murakami está patente.

E apesar de não ser omelhor livro de Murakami (está longe do 1Q84) é, sem dúvida de Murakami. Estácá tudo: as descrições, o fantástico, o surreal (ok, não há homenzinhos a sairda boca de ninguém, nem duas luas no céu mas....), a comida (acho que naprática a maioria das receitas deste fulano devem ser péssimas mas ali, naspáginas do livro, até aipo com maionese -1Q84- ou sandes de pão caseiro durocomo pedra parece delicioso), as referencias musicais ou literárias (eu nãoconheço a maioria mas as notas da tradutora ajudam imenso).


Apesar de não ter amadoeste livro Murakami continua a ser um dos meus escritores favoritos, um daquelesde quem quero ler todas as obras.
publicado por Patrícia às 19:04 link do post
16 de Setembro de 2014


Este fim de semana fui obrigada a tirar todos os livros queestavam na minha estante.
Resolvi aproveitar e escolher “alguns” para levar para acasa da minha mãe (lá é que está a minha verdadeira biblioteca, na minha casasó tenho esta estante e por isso só por cá ficam os livros que quero ter à mão)e o resultado foi brutal. Tenho, finalmente, espaço para livros novos. Estemonte sobrou e vai viver para o reino dos Algarves.
 
 
 

O resultado final deixou-me um bocadinho em estado dechoque: tenho quase meia centena de livros por ler. Dois quadrados da minhaestante estão dedicados a livros por ler. Nunca tinha feito esta separação eassustei-me. Detesto ter livros por ler e desta vez tenho a noção de que voulevar cerca de 2 anos a ler isto tudo – e isto se não comprar nada de novo,coisa completamente impossível)

Por outro lado renovei o interesse por livros que estavammeio perdidos e esquecidos na estante.

 
 
Aqui, à esquerda Murakami, Chimanda e Zafón, à direita apenas livros de autores Portugueses
 
 
 
Os meus mochos (vindos diretamente do Japão) a fazer companhia aos três volumes do "O conde de Monte Cristo", à direita Saramago, Zimler e espaço para mais autores Portugueses.
 
 
À esquerda D.Quixote (ainda por ler), herança de uma pessoa muito especial, e à direita os livros por ler #1
 
 
Marion Zimmer Bradley de um lado, Allende e Gabriel Garcia Marquez no outro. Um bom par.
 
 
Sim, 7 volumes sobre a história do império Romano. "O Primeiro Homem de Roma" ou "Os Senhores de Roma". Roam-se de inveja, tenho a coleção toda! ADORO! (e meus amigos, isto é que é uma saga, é como se fosse um só livro e não 10 livros iguais como a mioria das sagas que anda por aí)
 
O resultado final:

 
 
3ª fila, 3º quadrado - mais livros por ler.... (estou tão lixada!)
 
 
publicado por Patrícia às 15:07 link do post
15 de Setembro de 2014


Monsieur Malzieu o nosso relacionamento termina aqui. É a segunda oportunidade que lhe dou, primeiro com “A Mecânica do Coração” e agora com este “Metamorfose”. Não me volta a enganar com capas bonitas e promessas de histórias fantásticas.

 

Não me cativou. Achei a escrita desigual, tanto parece uma história fofinha como faz uma paródia tão grande das situações que parece que o autor está s m ﷽﷽﷽﷽﷽﷽ae calhar sonagensarece uma histo Bete 10 anosa gozar com os personagens.

Não acreditei na história de amor entre a médica/pássara e o acrobata, Tom “Hematoma” Cloudman. Só quem nunca esteve dentro de um galinheiro consegue achar um aviário um ninho de amor sexy.

O menino-lua é claramente um golpe baixo, para nos adoçar o coração e puxar ao sentimento.

O meu parágrafo preferido, é completamente irrelevante na história e poderia ter sido eliminado do livro que ninguém dava por isso:

“Durante esta epopeia em caixão sobre rodas, apaixonei-me pelos livros. Expliquei a um casalinho, que acabava de me oferecer uma obra, até que ponto aquela partilha do imaginário íntimo me comovia. Comecei a receber cada vez mais livros. Como me faltava espaço e não tinha coragem de os abandonar, decidi alimentar a corrente. Assim que terminavaum, escrevia o que pensava na página em branco que vinha a seguir ao final do texto, precedido desta nota: “Se encontrar este livro, leia-o e, quando o acabar, escreva as suas impressões, juntamente com a data e o lugar onde o descobriu. Depois, coloque-o num local de passagem, bem à vista.” Alguns desses livros apanharam o comboio, outros chuva. Alguns andaram perdidos durante muito tempo, outros viveram uma história de amor. Um deles voltou inclusive para as minhas mãos, anotado sete vezes.”

 

Cris agradeço a troca. Não mudou a minha opinião mas concordo contigo em relação à tradução.

 
publicado por Catarina às 23:06 link do post
11 de Setembro de 2014

 

Adoro a escrita da Rosa Lobato de Faria, tanto nos põe uma manta quentinha pelas costas como nos dá um estalo na cara.

São vários contos deliciosos agrupados num livro de bolso com esta capa toda bonita.
O meu preferido – Um banco de Jardim - a morte com olhos verdes cegos que arranja um cão, como sugerido pelo senhor Pascoal, para farejar as pessoas certas para morrer. Já se sabe que o cão o farejou a ele.
Outro que gostei bastante – Vem o Senhor – a história de Dª Maria Telles, irmã de Dª Leonor Telles. Que pena a Rosa Lobato de Faria nunca ter escrito um romance histórico porque este conto dava um livro maravilhoso.
E também “Criada para Todo o Serviço”,  “A Fórmula”, “Maçã” todos com o twist certo no final.
E  “O Laço” ? caramba! Que grande maluquice.
 
Obrigada amiga Pat por me teres apresentado a tia Rosa, já faz parte da minha estante.
 
publicado por Catarina às 22:52 link do post
08 de Setembro de 2014

Depois de ler vários policiais nórdicos quase me tinha esquecido como é ler um policial “normal”. 
Não há mãos decepadas, nem olhos arrancados, nem cadáveres ensanguentados deixados na neve, há uma mulher assassinada em casa, tudo muito comum. O nosso herói não é polícia ou detective mas um jornalista da City Radio, em Londres que depois de dizer, no ar, a palavra começada por F, é colocado de castigo a trabalhar com a colega do programa “Rádio no Feminino” e querem que deixe de lado a história do assassinato que estava a seguir.
Também clássico é o facto ser bêbado (era giro uma vez por outra o detective de serviço ser viciado em chá de hortelã, só para ser diferente), abandonado pela esposa que se mudou para a Austrália com o filho e o novo marido. 
Foi escrito no início do século XXI (século XXI caramba! Onde está o teletransporte que nos prometeu o Star Trek?) e é muito anos 90, associações verdes contra a construção de auto estradas, toda agente a fumar em todo o lado e provas importantes escondidas numa disquete.
Todo o livro é muito inocente em comparação com os seus parceiros nórdicos mas para mim cumpriu o propósito, só soube quem era o assassino nas últimas páginas, mas eu sou tótó e papo sempre as dicas que o autor me impinge para distrair do verdadeiro assassino.

 

De 0 a 10 dou-lhe 6.
publicado por Catarina às 19:38 link do post
07 de Setembro de 2014






Na maioria dos livros a escrita depende da estória. Aqui, nitidamente,a estória rende-se à escrita. Ainda não sei se isso me agradou.
Num livro busco acima de tudo uma estória bem contada que me façaencontrar outros mundos, que me permita identificar-me com alguns personagens.Claro que a escrita é fundamental mas é à história que dou o papel deprotagonista.
No céus não há limões é uma estória distópica que se nos apresenta deuma forma nada linear. A primeira coisa que percebemos é que nenhum personagemtem nome. Todos eles nos são apresentados de acordo com uma característica maisou menos vincada. O padre, o Funcionário, os Gémeos, a Avó, a Adolescente, aViúva, o Ogre, O Raquítico de cabelo ralo, o Aleijado, o Acólito, a Filha. Curiosamenteo único que tem nome é o gato, Mau-Mau. E como numa peça de teatro um mundodiferente (e limitado) desenvolve-se sob os nossos olhos.
Na maioria das distopias a análise sociológica do mundo criado é o maisimportante e o que mais desperta a atenção do leitor. Essa análise sociológicaestá bem presente neste livro mas não da forma habitual. Uma peça de teatro,uma experiência num laboratório, cujo espaço e tempo nos vão sendo desvendadosao longo das páginas.

Apesar de não estar (ainda) rendida a esta forma de romance, de nãosaber se alguma vez vou estar, apesar de preferir sempre uma estória bemcontada, gostei de ler este livro, gostei de ler cada página, de reter frases,pensamentos, estados de espírito. Sendo um livro com um ritmo lento e que nãonos faz correr para o fim (perdi cedo a esperança de um final fechado pelo quemais valia apreciar o caminho) pode ser lido com toda a calma e apreciado peloque tem de melhor: a escrita.

Quanto à Estória, bem, acredito que neste, mais do que em qualquer outro livro, cada leitor tenha a sua interpretação pelo que não faz grande sentido falar muito dela. Cada um terá que o ler e construir a sua própria opinião.

Uma última nota para a capa deste livro. Extremamente bem escolhida. Ascores desta capa acompanharam-me ao longo de toda a leitura.

Sinopse:
No Céu não Há Limões descreve um mundo em guerra entre o Norte rico e o Sul pobre, em que os pobres do Sul tentam por todos os meios ter acesso ao bem-estar do Norte, e os do Norte usam de todos os meios para conservar a sua riqueza só para si.
Sandro William Junqueira não apresenta soluções, mas à medida que o livro se aproxima do final uma personagem se destaca – o padre –, procurando uma saída. Será esta uma saída?
O autor não dá a resposta. A resposta fica com cada um de nós, porque este é o nosso mundo.
publicado por Patrícia às 10:57 link do post
03 de Setembro de 2014


 

 

Uma pessoa pega num livro e lê na capa:

A mais significativa e triunfante obra que Lewis  escreveu  - NEWYORK HERALD TRIBUNE - positivo!

Um dos maiores clássicos da fantasia, ao lado de “O Senhor dos Anéis” de J. R. R. Tolkien  - muito positivo!

Na contra capa diz:

Agora já estou velha e não temo a fúria dos deuses… irei escrever neste livro tudo aquilo que uma pessoa que é feliz não se atreveria a escrever. Vou acusar os deuses, especialmente o deus da Montanha cinzenta. Vou contar tudo o que ele me fez, como se estivesse a apresentar a minha acusação perante um juíz. Eu sou Orual, a filha mais velha de Trom, rei de Glome. - é capaz de ser assim ao jeito das Brumas de Avalon, quero ler isto!

 

Depois começamos a ler e é uma seca descomunal do princípio ao fim.

A Orual, supostamentea nossa heroína, passa o tempo todo a queixar-se que é feia e que os deuses são maus e que lhe levaram a irmã bonita preferida.

A irmã bonita é oferecida ao filho da deusa Ungit e não quer voltar para a irmã feia porque “...agora sou esposa. Já não é  a ti que devo obedecer.”

O avô Raposa é o filósofo grego chato.

Não ajuda o facto de nunca ter gostado da disciplina de filosofia e também de o autor frase sim frase não escrever cenas entre ( ) - é irritante.

Até percebo que seja a reinterpretação de uma história da mitologia clássica, é a visão do autor dessa história mas, tal como na música, se vais fazer uma nova versão convém que seja melhor ou tão boa como o original. 

Podia ter lido só a nota final do livro que, em três páginas, conta a história original de Cupido, Psique e Vénus e tínhamos ficado por aí.

Tenho que aprendera deixar um livro a meio se não estiver a gostar. 

Tempo da minha vida perdido que não vou recuperar, nunca.

 

 
publicado por Catarina às 21:41 link do post
03 de Setembro de 2014

E o bom que é ter agendado um duelo literário sobre aquele livro que detestámos e que o outro lado adorou? Ah pois é. Isto das paixões literárias não é pacífico e é tão bom "discutir" um livro que detestámos como partilhar um outro de que adorámos. Ah como é bom falar de livros!
publicado por Patrícia às 19:57 link do post
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