Ler por aí
 
30 de Maio de 2014



Pela primeira vez fomos à feira do livro no dia de abertura. A feira está bem gira, com barraquinhas novas. Parece-me que, para os dias mais críticos, não há mesas suficientes nas zonas das comidas. Mas isso já é normal e é impossível fazer com que chegue. Portanto o melhor é a malta se organizar e comer turnos. Ou levar um lanche e "abancar" na relva. Ontem não houve hora H por ser o primeiro dia e ainda bem… tinha-me desgraçado. Ainda assim a passagem pela zona dos alfarrabistas rendeu-me 4 maravilhosos livros e tive que de lá fugir porque a vontade era trazer muitos mais. Há por lá uma escolha óptima. 
Todos os anos decido gastar 20 euros na feira. Claro que isso me obriga a escolher bem o que quero trazer, não posso trazer o primeiro livro que me aparece pela frente (este ano foi o "A arca" de Victoria Hislop. fiz-lhe umas festinhas, namorei-o um bocadinho e depois continuei a procurar) . Cada um destes livros custou 5 euros e como poderia não trazer o "O retorno" ou "A cor do híbisco" a este preço? Pechinchas, foi o que foi. Zimler é Zimler e como que quero ler todos os livros dele aproveito estas oportunidades para os trazer para casa. Antes de ler este vou ter que arranjar o "A sétima porta" mas depois se vê. E "O vendedor passados" foi a minha escolha para começar a ler Agualusa. 

Agora só volto à feira na quarta e não é para comprar mas sim para ir ouvir o João Tordo. E vou manter-me afastada da barraquinha da Cavalo de Ferro onde está um Cortázar que me ficou "atravessado". Esta banca tem uma escolha do caraças.

E assim posso ver o quanto mudei "literariamente" nos últimos anos. Nunca parei na barraquinha da Cavalo de Ferro. Não era o me tipo de livros. Agora reconheço quase todos os autores e era menina para trazer meia banca. Infelizmente não aderiram à Hora H, coisa que compreendo perfeitamente, muitos dos seus autores já foram editados há muito tempo, e assim os preços acabam por fugir ao meu orçamento.

Uma nota apenas para a barraquinha da Princess Pea, onde encontrei uma promoção fantástica e onde comprei 2 t-shirts maravilhosas por 10 euros (as duas, sim).
publicado por Patrícia às 10:24 link do post
25 de Maio de 2014

Em miúda, e sem a quantidade de livros novos que me permitiria lerao ritmo de que gostava, relia. Reli inúmeras vezes os livros de que gostava.Ainda hoje tenho algumas saudades de reler, de reencontrar velhos amigos(Edmond Dantés; Mário e Tommy; Morgaine ou Colin são apenas alguns dospersonagens que quase tratava por “tu”) e de descobrir coisas, pormenores ou palavrasem livros “antigos”.
Atualmente tento variar as leituras e os novos livros não mepermitem reler (e sinto sempre que perco alguma coisa com isso).
Olhando em volta apercebo-me que a busca de novidades está a ser substituídapela vontade da permanência – será medo de sair da tão nossa conhecida “zona deconforto”? Será preguiça de ter que pensar em novas temáticas, absorver novasideias? Será o receio de ter que mudar de ideias, de perceber que o que nãosabemos é tão mais do que o que conhecemos?
A verdade é que se olharmos em volta nos apercebemos que namaioria das áreas esta falta de inovação está presente – e o irónico é que apalavra “inovação” tem sido uma constante nas nossas vidas (profissionais).
Na literatura, as séries ganharam um lugar importante – e noentanto são, na maioria das vezes “mais do mesmo”.
As trilogias são todas do mesmo género. Os Romances têm todos amesma fórmula. Assim que aparece uma novidade, e nem precisa ter qualidadebasta que seja vendida em quantidade, essa fórmula é repetida até à exaustão.
No cinema acontece o mesmo: são os remakes que têm mais êxito, masmesmas histórias contadas de forma ligeiramente diferente – ou nem sequer isso –encantam multidões que se escondem atrás dos efeitos especiais para justificara escolha.
Lembro-me de que ser diferente, únicos, era algo que todosambicionávamos. Agora parece que a única ambição é ser igual, vestir as mesmasroupas, ter os mesmos gadgets, ouvir a mesma música, ler os mesmos livros…passar tão despercebido quanto qualquer ovelha num rebanho.
A sede da novidade está esquecida, abandonada e assim navegamossempre em águas conhecidas, no nosso mundinho conhecido, seguindo a corrente. Aemoção do risco, do desconhecido fica para os outros ou simplesmente para maistarde.
publicado por Patrícia às 05:23 link do post
11 de Maio de 2014

 



A Lisboa da segunda guerra mundial fascina-me. A mistura entre o provincianismo das nossas gentes, fechadas ao mundo por uma ditadura que, ainda assim, conseguiu livrar esta gente das piores agruras da guerra, com a cultura,a inteligência e a beleza dos refugiados e dos espiões parece-me perfeita para as páginas dos livros. Afinal a verdade é que Lisboa se tornou um palco privilegiado dos bastidores da Segunda Guerra Mundial. 
Começam a aparecer os romances com este pano de fundo. Quem me conhece sabe da minha paixão pelo “Uma companhia de estranhos” de Robert Wilson e da minha desilusão com o “Enquanto Salazar dormia” de Domingos Amaral. A primeira coisa que me atraiu neste “A última noite em Lisboa” foi a capa que me fez pegar no livro, ler a sinopse e decidir que queria ler aquele livro.
E ainda bem que o fiz. Gostei muito.
Ao contrário do “Uma companhia de estranhos” esta história não se centra no desempenho dos espiões, da contra-espionagem, da rede de informação e contra-informação que por cá foi construída. Mas essa parte não deixa de fazer parte deste romance. Está lá, em pano de fundo. Tal como o glamour das festas, das estreias, dos casinos, dos bares. Tal como as meias de seda e as pernas bem torneadas das refugiadas (coisa nunca vista nas ruas Portuguesas), tal como a luz de Lisboa, os apitos dos elétricos e as iscas, com e sem elas.
Mas, acima de tudo, nestas páginas transborda a tristeza dos que por aqui passaram, a dor que comoveu os Portugueses que, na sua maioria, partilhou com generosidade o pouco que tinha.
O protagonista masculino, Henrique, cresceu ao longo da história. De um parolo inteligente que trabalha num jornal pró-nazi transforma-se num homem generoso e corajoso ao conhecer a bela e misteriosa Charlotte. Charlotte, uma refugiada austríaca, com ligação a um ex-prisioneiro de guerra comunista (e que, naturalmente, se torna combatente na guerra civil Espanhola) é uma mulher comum passado que não partilha facilmente, cujas intenções não são claras e que vem destabilizar a relação de Henrique e Maria Carolina.
Dos três protagonistas destaco Maria Carolina que, para mim, representou muito bem Portugal. Provinciana, pobre, honrada, bondosa, curiosa, corajosa. O que esta mulher cresceu ao longo do livro! Tal como Portugal que, com a convivência com todos os que por aqui passaram, soube crescer, aprender, absorver cultura, coragem e beleza.

 

Mas mais do que a Estória eu gostei da História neste livro. Gostei dos pormenores que o escritor usou para nos descrever a Lisboa, o ambiente que se vivia. A mistura entre realidade e ficção é perfeita. Adorei e recomendo.
publicado por Patrícia às 22:35 link do post
11 de Maio de 2014


Santiago Barcelos, médico por sorte ou fado do destino, regressa à terraque o viu "mal nascer". Quais serão as motivações que o levam a regressar a estaterra, a esconder a verdadeira identidade e a fingir-se amigo dos que tanto mallhe fizeram?
Este é um romance escrito a dois tempos e se por um lado acompanhamosum homem de sucesso por outro conhecemos a vida do menino que foi um dia. Comuma escrita cuidada mas fluída a vida de Santiago, os seus pensamentos, crençase pesadelos são-nos expostos e o presente alterna com o passado de uma formainteressante.
No inicio do século XIX o Alentejo era quase um país diferente deLisboa. Mas até por lá se sentia a disputa entre D.Pedro e D. Miguel pelasrédeas deste nosso país. Confesso que adoraria ter visto desenvolvida estaguerra que dividiu o país entre 1828 e 1834. Mas a história que Campaniço nosconta centra-se sobretudo nos sentimentos e nas relações entre as pessoas.
Confesso que foram os capítulos mais negros, da infância de um menino eda sua mãe que mais me interessaram. Não senti qualquer empatia (ou simpatia) como homem em que Santiago se tornou. Mas sofri com o menino que foi.

Para quem gosta de romance, aqui está uma boa escolha para umas horasde leitura. Para os que, como eu, não são muito fãs de romance, aconselho a quearrisquem a leitura de um outro livro do escritor “Os demónios de Álvaro Cobra”,que será certamente uma das minhas próximas leituras.
publicado por Patrícia às 20:47 link do post
08 de Maio de 2014

Queria comprar o ebook "Biografia involuntária dos amantes", do João Tordo. Aparentemente não existe em ebook. Sério? Um livro recente não existe em ebook?
Não percebo esta postura das nossas editoras. Ou percebo e não gosto do que percebo.
 
Ok, a maioria dos livros tem um tempo de "vida" relativamente curto. É nos primeiros tempos, enquanto são um hype, que se vendem mais livros. E é aí que a editora tem que ter o retorno do investimento e a maioria do lucro. Claro que este tempo de vida varia de autor para autor, mas acho que 6 meses/1ano é a média. Ok, façam o ebook com o preço correspondente ao livro físico (no mínimo retirem os custos de impressão e de distribuição física), mas lancem o ebook ao mesmo tempo que o livro físico ou lancem antes até e vão ter os mega fãs a comprar ambos. Depois desse tempo vendam o ebook a preços de ebook (cujos custos para vocês deve ser irrisório e que é certamente igual se venderem 1 ou 500000) e vão ver que a malta se habitua a comprar e não a "sacar" os livros...
 
publicado por Patrícia às 12:14 link do post
02 de Maio de 2014

 



 
É preciso comentar? 
A semelhança é tão óbvia que não é, de todo, coincidência mas (e claro que há um "mas) para quê? O prémio LEYA é tão badalado que é impossível "deixar passar". Para quê ligar mais estes livros? O que têm em comum é apenas o facto de serem vencedores do prémio. Não gosto.?
publicado por Patrícia às 10:04 link do post
01 de Maio de 2014

Não sou leitora de contos e talvez por isso ando a adiar aescrita deste post, desta opinião sobre o livro “Tudo são histórias de amor”.Ou talvez seja porque mesmo agora, passado alguns dias de terminada a leitura, ainda não sei o que pensar sobre este livro.
Aqui, ao longo destas páginas, misturam-se a realidade e aficção de uma forma que me surpreendeu e até me chocou. Não estava preparadapara a crueldade de um livro chamado “tudo são histórias de amor” que fala deamor, pois claro, mas que também fala de morte, decadência, maldade. Isso nãodeveria surpreender-me. Afinal, como todas as verdades têm dois lados e a belezanão faz sentido sem a fealdade, são os extremos que se equilibram, que dãosentido ao mundo.
Será necessário chegar a extremos como esta escritora faz,para se falar de amor? Talvez não mas para fazê-lo e para funcionar énecessário que se seja dona das palavras, é necessário um imenso talento e issoé inegável que a autora é e tem.
Este livro não me encantou. Mas desconfio que este livro nãotem o propósito de encantar. Muitos destes contos deixaram-me desconfortável. Etenho para mim que a intenção era precisamente essa. Surpresa, choque, culpa,desconforto e um ou outro sorriso foi aquilo que senti ao longo destas páginas.
Não sou leitora de contos mas este livro não me deixouindiferente. Não sou leitora de contos mas não me vou esquecer destes tãodepressa.
Não acho que seja um livro ao gosto de toda a gente. Estelivro, estas histórias de amor são, acima de tudo, uma provocação. Mais do quepara ler, este livro obriga-nos a pensar.
publicado por Patrícia às 15:34 link do post
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