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Ler por aí

Ler por aí

Livre - Cheryl Strayed


Adoro viajar, adoro ler sobre viagens, adoro caminhadas, adorei este livro mas não foi um amor à primeira vista porque a Cheryl começou por me enervar à séria. Quem é que vai fazer uma caminhada de centenas de Km com umas botas novas?! (nem vou falar do facto de não terem o tamanho certo…) E quem vai fazer uma caminhada com uma mochila que nem consegue levantar do chão?! E quem é que leva um fogão com o combustível errado?! E quem é que leva uma cadeira mas só leva 2 pares de meias e um já vai calçado?!

Depois percebi … este livro não é um manual de caminhada nem esta é uma história sobre viajar, pelo menos não no sentido literal. Devia ter percebido isso logo quando se vê que tem um comentário da Oprah na capa do livro mas, distraí-me com a foto das botas.

A autora é brutalíssima quando descreve a sua caminhada física pelo PCT – Pacif Crest Trail e quando descreve a sua viagem interior. Quando fala sobre a mãe que morreu de cancro aos 40 e poucos anos e de como o resto da família, e ela própria, se desintegrou quando isso aconteceu. E como os seus pés também quase se desintegraram na caminhada e foi perdendo unhas pelo caminho. 

Também é brutal a forma como descreve que dormiu com homens que mal conhecia e experimentou heroína e se divorciou do marido de quem ainda gostava, e que gostava dela, mas que não a podia ajudar porque ela estava para além de qualquer ajuda naquela altura.

Dolorosa é a forma como nos conta que tiveram de abater a égua Lady, já com 31 anos que tinha pertencido à mãe e que, quando esta morreu, ficou sem ninguém para tomar conta dela.

No entanto embora a autora seja crua quando conta a sua história não é amarga e nota-se que reconhece que o PCT – Pacif Crest Trail foi seu “amigo” dando-lhe a oportunidade de conhecer boas pessoas passar por alguns dos locais mais bonitos do continente norte americano e eventualmente atingir o seu objectivo tanto físico, chegar à Ponte dos Deuses, como espiritual, aceitar que a Vida com tudo o que tem de bom e de mau é extraordinária.

Vou só acrescentar que no fim do livro a autora tem uma lista dos “livros queimados no PCT” e que no fim esta história conquistou-me completamente.

Vidas Surpreendentes, Mortes Insólitas da História de Portugal – Ricardo Raimundo


“Se este livro contribuir para despertar o interesse por uma ou várias figuras, que são o nosso património histórico, levando o seu leitor a querer aprofundar as informações sobre elas, ou trazer ao seu conhecimento personagens até então pouco iluminadas pela nossa historiografia, então o nosso objectivo pode dar-se como cumprido.” Como refere o autor na introdução e, para mim, o objectivo foi totalmente cumprido, gostei muito de o ler e recomendo entusiasticamente. Foi engraçado lê-lo logo a seguir ao “Homens,Espadas e Tomates” porque me deu toda uma outra perspectiva, acho que mais verdadeira, dos portugueses.

Nem todas as pessoas mencionadas tiveram uma morte insólita, judeus queimados pela “santa” inquisição não era uma morte insólita mas sim bastante vulgar na época, mas todos tiveram uma vida surpreendente sem dúvida.

No entanto, antes de chegar ao conteúdo vou mencionar a forma, este livro tem cerca de 30 páginas de notas que não estão distribuídas pelas páginas onde são mencionadas mas sim no fim do livro, e não são notas daquelas bibliográficas mas sim notas com sumo e conteúdo importantes para o que se está a ler, o que significa que temos – sempre – que ir ao fim do livro ver os micro números e respectivas notas enquanto estamos a ler o livro. É uma seca do caraças. Depois algumas notas, contei 6 num total de 54, têm o nome ou o número trocado e mais umas coisitas pelo meio. Pode não parecer muito mas não abona nada a favor da rapariga que fez a revisão.

Voltando ao que interessa, o conteúdo, fiquei a saber muito sobre várias personagens da nossa história e muitas das quais marcam as nossas ruas, pracetas, rotundas, estações de metro... inclusive sobre Antero de Quental que dá nome à praceta onde vivo. Começa com o Martim Moniz e termina no Joaquim Agostinho. Um dos meus preferidos é o Pedro Hispano ou o Papa João XXI que além de Papa era cientista maluco e fez o laboratório, e a ele próprio, ir pelos ares.

Aqui também contam a vida de Duarte de Almeida, o Decepado, que com muita coragem e mesmo sem mãos nunca deixou cair a bandeira real, contado tal como no “Homens,Espadas e Tomates”, mas que aqui acrescentam: morreu na miséria, esquecido pelo Rei e pelos camaradas de armas.

Achei curioso também como estes dois livros se referem a D. João de Meneses e ao seu envolvimento na morte do príncipe D.Afonso, filho de D. João II. No “Homens, Espadas e Tomates”: “D. João de Menezes, horrorizado por semelhante fatalidade, afastou-se da corte, procurando razão para a continuação da sua existência na defesa das praças portuguesas em África”. No “Vidas Surpreendentes, Mortes Insólitas na História de Portugal”: “D. João de Menezes, certamente receoso de alguma represália, por parte do espírito irascível de D. João II, fugiu sem deixar rasto e só muitos anos mais tarde foi mandado regressar à corte, já com D. Manuel I”. Interessante, não?

Outro tuga, dos meus favoritos, é Bartolomeu Dias. Conhecido por passar do oceano Atlântico para o Índico cruzando o Cabo das Tormentas morreu, naufragado na segunda vez que passou o cabo, quando já sabia o caminho e o cabo já se chamava “da Boa Esperança”...

Temos também D. Pero Fernandes Sardinha enviado pelo Rei para a diocese de S. Salvador da Bahia, Brasil, queria converter os ameríndios à força não os considerando sequer seres humanos. Foi morto e comido num ritual antropofágico por uma tribo dos ameríndios que era suposto converter. Acho que os seus métodos não lhe deram os resultados que esperava...

D. Maria II, para quem se lembra que já tivemos o nosso próprio dinheiro, estava nas notas de 1000 escudos e morreu, aos 34 anos, no parto do seu 11º filho.

D. Francisco da Costa, foi negociar a libertação de 80 fidalgos feitos prisioneiros na batalha de Alcácer-Quibir, libertou-os ficando como garantia e morreu na prisão porque os senhores fidalgos, depois de estarem de volta a Portugal, esqueceram-se dele.

Luís da Câmara Pestana médico, amigo e colega de Ricardo Jorge (o do Instituto), morreu aos 36 anos de peste bubónica porquen ão usou luvas para obter amostras de cadáveres infectados.

Carlos Burnay da Cruz Sobral, morreu em Moçambique quando tentava caçar o seu 13º leão. Ganhou o leão.

Luísa Todi cantora lírica fez uma carreira internacional estrondosa. Em Portugal precisou de uma autorização especial paracantar em público, o que era proibido às mulheres. Morreu praticamente cega e com grandes dificuldades económicas.

Em resumo são 55 personagens que valem a pena conhecer, algumas ficamos com muita vontade de saber mais. Lendo a história da vida destas 55 pessoas concluo que governantes mesquinhos que usam as pessoas e depois as deixam na prateleira não é de agora, alguns dos nossos melhores artistas serem maltratados e viverem na pobreza também não é de agora e a igreja ser responsável por assar na fogueira pessoas de valor parece ser a única coisa que, felizmente, mudou com o tempo.

Homens, Espadas e Tomates de Rainer Daehnhardt

Há já algum tempo que este livro estava na minha lista de leitura, já me tinham falado dele, já o tinha visto na feira do livro embora nunca na altura certa ao preço certo, entretanto vi que um amigo no Goodreads o tinha e cravei-o emprestado.
O livro está dividido em duas partes, a primeira – Os Homens -  muito mais interessante com histórias de coragem dos homens portugueses na altura dos descobrimentos  e a segunda – As Armas -  com uma listagem das armas da época, um bocado secante (a quem emprestou o livro: tinhas razão).
Devo referir que tanto a introdução e dedicatória do autor como o prefácio do Arquitecto e Ten. Coronel do Exército Português Armando Canelhas  davam pano para mangas ou melhor para camisas inteiras: pátria, monarquia democracia, Deus, União Europeia, perda de soberania, perda da moeda... tudo em meia dúzia de páginas. Para mim o mais estranho foi ver um autor com um nome tão “estrangeiro” falar com tanta alegria e admiração da coragem do povo português.
Sobre o livro em si, este é uma exaltação à coragem dos portugueses que batalharam e ganharam em muitas situações em que estavam em desvantagem. Os “tomates” do título não são por isso os tomates da salada mas os de ter coragem e ousadia. É verdade que há coragem mas também me parece haver muita estupidez natural como a de D. Diogo de Anaia Coutinho que conseguiu capturar um mouro nas barbas do inimigo e levá-lo para o castelo e quando lá chegou viu que o capacete, que lhe tinha sido emprestado por um companheiro, tinha ficado no meio dos mouros. Atirou novamente uma corda por cima das ameias, desceu, correu para o meio dos inimigos, encontrou o  capacete, voltou a correr, subiu a corda e devolveu o capacete. Como já disse parece-me mais descontracção e estupidez natural que outra coisa ...
Mas temos de dar mérito aos nosso antigos tugas que para além de valentes já nessa altura tinham excelentes ideias. Quem se lembraria de fazer, com balas de canhão, o que se faz com pedras achatadas atiradas rente à superfície da água? Ricochete com balas de canhão, que chegavam mais longe e abriam buracos nas embarcações turcas mesmo junto à linha de água e que se afundavam bem rápido, era batalha naval de alto nível .
Temos também as nossas próprias “Inês da minha Alma”, Eyria Pereira, “mulher portuguesa que, solteira, se fez ao caminho da Índia em busca de aventura” e D. Maria Ursula d’Abreu e Lencastro que, com 18 anos, se alistou no exército como Balthasar de Couto Cardoso e serviu na Índia tendo combatido com valentia inúmeras batalhas. A vida destas mulheres dava com certeza um bom livro.
Vou ainda mencionar Duarte de Almeida, conhecido como o “Decepado” que, na batalha de Toro, ao empunhar o estandarte real ficou sem as duas mãos e continuou a segurar o estandarte com os  braços e os dentes até se capturado pelo inimigo nem o Black Night dos Monty Python teria feito melhor.
Depois temos o contraste em que o autor, com grande tristeza e verdade, nos diz que não sabemos preservar a nossa história. As cotas de malha usadas em batalhas foram cortadas para fazer esfregões e as armaduras reaproveitadas para tachos, panelas e espelhos de fechaduras. Há uma  fotografia na pág. 87 que nos mostra uma tampa de panela feita a partir de uma armadura e na legenda diz: “... A chapa fria, que outrora ouvia o bater do coração dum português, acaba por ouvir hoje o saltitar das batatas dum cozido. Triste fim!”
Na segunda parte do livro, sobre as armas, fiquei a saber que D. Sebastião mandou abrir vários túmulos incluindo o de D.Afonso Henriques e o D. Afonso V para retirar as espadas e levá-las na sua campanha de África. O resto já se sabe é história, perdeu-se D. Sebastião e perderam-se as espadas, ficou o país sem rei e sem herdeiro ao trono à mercê dos espanhóis.
Achei este livro muito interessante, nota-se que o autor adora a história de Portugal e o país e, por isso, talvez não seja imparcial na sua avaliação dos factos, não tirando qualquer mérito ao livro e aos portugueses que nos seus tempos áureos eram uns grandes malucos capazes de grandes feitos.
 
 

 

 

1Q84 (#3) , de Haruki Murakami



Nem sei bem por onde começar. Talvez por dizer que meapaixonei pela escrita de Haruki Murakami, pela forma única como ele me contouesta história.
Acho que posso dizer que estes 3 volumes (mais de 1500páginas) nos contam uma simples história de amor.
Aomame e Tengo, buscam-se depois de 20 anos de distância.Antes um simples toque, um olhar, breves momentos partilhados na infância queinspiraram uma procura incessante e quase insana um pelo outro.
Para além de Aomame e Tengo, conhecemos (depois de uma levepresença no segundo volume da saga) Ushikawa. Este estranho personagem temagora direito a voz própria. Não podemos, no entanto, esquecer Fuka-Eri, oprofessor, o Líder de uma estranha e perigosa organização religiosa, AyumiNakano, Kamatsu, Tamaru e a Viúva Ogatha (e mais meia dúzia de personagenssatélite).

A história é surpreendentemente simples. Tengo procuraAomame que por sua vez o procura a ele. Tengo, matemático e escritor, reescreveum romance fantástico da autoria de Fuka-Eri e com isso provoca reaçõesinesperadas. Para apimentar a história (afinal são cerca de 1500 páginas) temostambém um organização religiosa capaz de tudo, homenzinhos pequenos que saem daboca de cabras ou de homens mortos, duas luas no céu, uma gravidez miraculosa,uma assassina quase perfeita, um cobrador fantasma, crisálidas de ar, umdetetive com cabeça de abóbora e uma cidade dos gatos. Confusos? Eu ficava.

Mas a verdade é que a grande vitória deste livro é a misturaabsolutamente surreal da realidade, tal como a conhecemos, com elementossurreais, que roçam o ridículo, mas que fazem sentido no meio desta confusãotoda.

E as descrições? Este homem põe o Eça e o Ramelhete a umcantinho ao descrever tudo em pormenor. Muitas vezes. Incontáveis vezes. E issonão me incomodou nem um bocadinho, para dizer a verdade. Os personagens são-nosapresentados exaustivamente, vezes sem conta. Cada situação é-nos contada sobvárias perspectivas. E ainda assim, e por causa disso, este livro é tãoespetacular.

Não posso deixar de chamar a atenção para a quantidade devezes que se fala de comida neste livro. Cada refeição dos protagonistas éreferida. E os livros que são citados são brutais. E a música que nos obriga air ao youtube…

Ficaram muitas coisas por esclarecer? Sim, ficaram. Mas nestecaso nem isso me incomodou. Sou perfeitamente capaz de imaginar uma continuaçãopara casa uma das situações em aberto.

Por um lado acho que este foi o final perfeito para este1Q84. Por outro lado tenho alguma esperança que o rumor de que um quarto volumeestá a ser escrito não seja apenas um rumor e que possa, num futuro próximo,regressar a um mundo com duas (ou mais) luas no céu.


Gabriel García Márquez

Gabriel García Márquez  
6 de Março de 1927 - 17 de Abril de 2014

Reparo agora que leio Gabriel García Márquez há quase 20 anos, parece mas não é muito, tendo em conta que, quando eu nasci, já ele ia nos 47 anos e com o "Cem anos de solidão" e muitos outros publicados. O primeiro livro que li dele foi o "Doze Contos Peregrinos" que fui agora buscar à minha estante e que vou arejar e reler - vai ser como reencontrar um velho amigo.

Gabriel Garcia Márquez 1927-2014


Será eternamente conhecido por "Cem anos de Solidão" mas eu adorei o "Crónica de uma morte anunciada" e "Notícias de um sequestro". E a melhor homenagem que posso fazer a este homem é continuar a ler o que escreveu. Acabei de decidir que a minha próxima leitura será mesmo o "O amor nos tempos de Cólera" que, imperdoavelmente, nunca li.

A segunda morte de Anna Kerénina, de Ana Cristina Silva

Um livro dividido em dois. Não sei o levou a escritora auni-los mas essa ligação ténue não foi para mim suficiente. Mais que um livro,foram dois contos que li.
A primeira parte conta-nos a história de Rodrigo, um oficialPortuguês na primeira grande guerra. As cartas que Rodrigo escreve a Eduardo eque este deixa no seu túmulo revelam um homem que poucos conheceram, revelam averdade da mentira que este homem viveu. Por outro lado são um testemunho dapresença Portuguesa na 1º Guerra Mundial, coisa que tantas vezes temostendência a esquecer.
Das duas partes deste livro esta foi a de que gostei menos.Não gostei especialmente de Rodrigo e o pouco que conheço do início do séculoXX fez-me ter muitas dúvidas relativamente à possibilidade de alguém “pensar” daquela forma. Parece-me umdiscurso demasiado atual pontuado por algumas indicações do quão fechada epreconceituosa era a sociedade na época.
A escritora uniu as histórias de Rodrigo e de Violanteatravés de um “pormenor” comum a ambos (convenhamos que serem mãe e filho nestecaso é apenas um pormenor de somenos importância) e umas cartas encontradas numtúmulo. Ora esta foi a parte que mais me incomodou neste livro: um jazigo defamília é aberto inúmeras vezes, é visitado amiúde (naquela época muito mais doque hoje) além de que é referido que o jazigo ainda tem espaço para mais 3cadáveres, tornando difícil que o caixão esteja de alguma forma num espaçofechado pelo que  não me parece que aprobabilidade de tais cartas serem encontradas seja pequena. Ora considerando oconteúdo das cartas tudo isto se torna inverosímil e este subterfúgio encontradopela escritora para unir as cartas torna-se ridículo.
A segunda parte do livro conta-nos a história de Violante,uma atriz fabulosa, uma mulher apaixonada, impetuosa e vibrante. Confesso queadorei Violante. Leria muito mais páginas acerca deste mulher. Gostei do toquefinal que a escritora deu a esta parte. Li estas páginas quase de umaassentada, achei que o ritmo desta parte foi muito diferente do da primeiraparte e muito mais do meu agrado. Contar-vos mais alguma iria estragar aleitura, por isso não o faço.
No geral gostei do livro, mais um que li graças à Roda dosLivros (deixo-vos aqui o link para outras opiniões sobre esta mesma história). Obrigada, Márcia .

Curtas 7/2014 : Ressaca literária?

Quando eu estou de ressaca doí-me a cabeça, tenho a boca seca, estou capaz de "jogar fora". Não apanhei tantas bezanas como isso, mas basicamente é assim quando me estico na bebida. Uma coca-cola costuma ajudar.
Nunca me senti assim depois de ler um livro.
Portanto expliquem-me lá esta moda nova da "ressaca literária", se faz favor.
 
(devo mesmo estar a fica velha)

Curtas 6/2014 : Ebooks

Gosto de ler no ereader. Gosto de ler em Português. Estas duas coisas são aparentemente incompatíveis. Digo eu que as nossas editoras não deveriam deixar que o dinheiro que estamos dispostos a dar por um ebook fosse para livrarias lá fora. Digo eu... (outra forma de dizer isto: não habituem a malta a comprar ebooks em Português que quando os quiserem vender a malta já não os quer comprar).

Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

 
Ler Chimamanda Ngozi Adichie é sempre um prazer. Os seuslivros trazem uma garantia de qualidade que a fez tornar-se uma das minhasautoras favoritas depois de apenas ter lido dois dos seus livros. O Meio SolAmarelo é já um dos preferidos de todos os tempos. Mas hoje estou aqui pararegistar a minha opinião acerca do Americanah, o último romance desta escritoraNigeriana.
A protagonista deste livro é Ifemelu, uma miúda nigerianaque vai estudar para os Estados Unidos. Ao longo destas páginas acompanhamos ocrescimento da Ifemelu na Nigéria, a sua paixão pelo Obinze, a sua relação comos pais, amigos, colegas. Conhecemos a realidade Nigeriana e as razões pelasquais tantos Nigerianos optam por ir estudar para o estrangeiro (EUA eInglaterra, principalmente). Aliás “Americanah” é precisamente o nome pela qualaqueles que retornam a casa vindos dos Estados Unidos são conhecidos.
Já nos USA Ifemelu sente-se, pela primeira vez, negra. É lá,fora de África, que a questão da raça se põe pela primeira vez. E é essa questãoque leva esta mulher a escrever um blog “SobreRaça ou Várias Observações sobre os Negros Americanos (Anteriormente chamadosPretos) por uma Negra Não Americana”. Mas este não um livro apenas sobreRaça. É um livro sobre Penteados. Sobre Amor. Sobre ser jovem, ser adulto.Sobre ser mulher (e chamem-me o que quiserem mas eu gosto de livros sobre mulheresescritos por mulheres). É um livro sobre racismo, sobre violência, sobre livros(é impressionante a quantidade de referências a livros que encontramos nestaspáginas). É um livro sobre identidade. Sobre preconceito, sacrifício, amizade esobre escolhas.
Não há heróis, nem heroínas. Há pessoas, com qualidades edefeitos. Há acontecimentos que nos permitem enquadrar a história no tempo etermos a certeza que aqueles sentimentos podem estar a ser sentidos por alguémque conhecemos.
Chimamanda Ngozi Adichie obriga-nos a ver de váriasperspectivas as nossas próprias atitudes. Racista, eu? Nunca. Ou será que sim?
Gostamos de acreditar que para nós não há qualquer diferença em relação à cor da pele mas será que é mesmo assim? Será que nunca olhamos para alguém diferente de uma forma especial por esse alguém ser diferente? Mas a verdade é que o preconceito não é exclusivo de nenhuma raça. Não sei se cá por Portugal existe a diferença entre os Negros Portugueses e os Negros não Portgueses mas a verdade é que por cá há muito preconceito. Mesmo que seja um preconceito bem intencionado, uma espécie de discriminação positiva, mas que não deixa de ser preconceito.
A imigração ilegal ocupa uma pequena mas importante parte deste livro. Quanto daquilo se passa aqui em Portugal? Muito, provavelmente. E confesso que essa foi a parte deste livro que mais me chocou.
Gostei imenso das citações do Blog da Ifemelu, com os seus titulos pomposos, mordazes e importantes.
Acho que já perceberam que gostei bastante deste livro. Nãoé tão bom como o Meio Sol Amarelo, mas é uma fantástica leitura.
( Um último ponto que se refere apenas à edição Portuguesado Livro. O preço deste livro é absurdamente elevado. Quase 25 euros. É certoque o livro é grande (e as folhas são demasiado grossas) mas continua a serdemasiado caro. Parece-me um aproveitamento do nome da escritora, da suapopularidade. E uma vez mais não existe em ebook, pelo menos em Português dePortugal (não procurei em Português do Brasil mas na verdade apenas encontreiem Inglês e Espanhol). Um bocadinho triste, não?)

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