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Ler por aí

Ler por aí

The Cuckoo’s Calling, de Robert Galbraith (ou J.K. Rowling)

 
Omundo literário explodiu quando descobriu que a escritora da saga Harry Pottertinha escrito um policial sob um pseudónimo. Diz que a escritora ficou chateadacom a fuga de informação que deu a conhecer ao mundo que tinha efetivamenteescrito este livro. Quando a mim fiquei feliz porque se não fosse isso estelivro ter-me-ia, provavelmente, passado despercebido.
Lieste ebook na versão original e, depois de alguma estranheza nas páginasiniciais (há muito que não lia em Inglês) a leitura correu-me muito bem.Geralmente leio em Inglês livros mais fáceis, YA ou fantasia, com uma linguagembastante acessível. Este, The Cuckoo’s Calling não tem uma linguagem complicadamas mesmo assim fui várias vezes ao dicionário. Neste ponto tenho mesmo quereferir o quão bom é ter um dicionário ali mesmo à mão. É uma enorme vantagemdos ereaders.  Mas em relação à linguagem,a dificuldade que senti diz respeito aos sotaques ou às calinadas verbais dospersonagens. Houve alturas em que tive mesmo que ler a frase em voz alta paraperceber o que raio se estava a dizer.
Recomeceia ler policiais há pouco tempo, acho que foi a série Millenium que me trouxe devolta a este tipo de livros. Entre os imensos livros da Agatha Christie e doArthur Connan Doyle que li na adolescência e estes policiais nórdicos que tenhoandado a ler (Anne Holt, Jo Nesbo) acho que o único policial que li foi ofantástico “A small death in Lisbon // O último Acto em Lisboa) do RobertWilson.
Umajovem super-modelo (Lula Landry), linda de morrer, rica como poucos, cai davaranda do seu apartamento e a sua morte é considerada suicídio. Teria sidocase closed se John, o seu irmão, não se recusasse a acreditar nesta tese e nãofosse procurar um detetive privado para investigar o caso.
Oraeste detetive é o protagonista desta série (e eu, que não sou fã de séries jáestou desejosa de ler o segundo volume) e é um personagem muito interessante.Aliás, uma das coisas que mais gostei neste livro foi a caracterização dospersonagens principais, o Strike e Robin.
Fiqueifã da Robin (secretária de Strike) desde o primeiro instante. Afinal quem é quenão desejou ser detetive em pequenina? Eu desejei e isso foi o suficiente parasentir empatia e perceber as escolhas que Robin faz ao longo do livro.
Nãome vou alongar com pormenores sobre a história, isto é um policial e é tãomelhor descobrir tudo ao longo da leitura!
Masnão posso deixar de referir o que mais me agradou neste livro. Tudo se passa 3meses após o crime. As pistas já eram. Provas físicas são poucas ou nenhumas. Ea verdade tem que ser descoberta à boa velha maneira de Hércule Poirrot: usandoa inteligência, a intuição, lendo nas entrelinhas, pegando nos pormenores mais ínfimosaté completar o puzzle que é este crime. E eu já tinha saudades deste género depolicial. Fez-me regressar à minha adolescência e aos livros da Agatha Cristhie(que continua a ser a maior) e aos finais dos livros que me faziam dizer: “claro,como é que não pensei nisto antes?”. Sim, porque a verdade é que não acertei noassassino, só o descobri quando a escritora assim o quis.
Nãosendo o melhor livro que li na vida, nem sequer o melhor policial, ainda assimgostei muito, diverti-me imenso e pretendo ler os outros assim que possível.

TAG: LIVROS CRUZADOS

Nos últimos dias esta TAG, criada pela Inês, do InesBooks (blog e Canal) já há bastante tempo anda a ser respondida por várias pessoas (vejam aqui e aqui, por exemplo). Achei interessante e por isso cá vai, em versão blog:

1) Vox Populi (um livro para recomendar a toda a gente)
 
Um dos livros que mais ofereço eque recomendo a toda a gente é o “O último acto em Lisboa” (A small death inLisbon) do Robert Wilson. É um policial histórico que liga acontecimentos dasegunda guerra mundial a um crime (acho que passado nos anos 90) na praia deCarcavelos. Não é um livro muito fácil de ler mas acho que é uma surpreendenteleitura.
2) Maldito plágio (um livro que gostávamos de ter escrito)

Acho que gostava de ter escritoqualquer um dos meus livros favoritos. Adorava ter escrito As Brumas de Avalon,por exemplo, ou o Presságio de Fogo (ambos da Marion Zimmer Bradley). Isto paranão falar da saga “O Primeiro Homem de Roma” (agora a saga tem outro nome, masa minha versão este é o nome da saga e não do primeiro volume que se chama “Amore poder”) de Colleen McCullough, que é fantástica.
 
3) Não vale a pena abater árvores por causa disto

Quem me conhece não tem dúvidasacerca da minha escolha para esta categoria. E na verdade até salvei árvores. Oexemplar que comprei na WOOK tinha umas trinta folhas ao contrário e eles,amavelmente (porque quando me apercebi e reclamei já o prazo de todas asreclamações tinha passado) ofereceram-se imediatamente para o trocar. Detesteitanto o livro que não quis um novo. Aquele “estragado” ainda é um peso a maisna minha estante. Falo, claro, do “ORemorso de Baltazar Serapião” de Valter Hugo Mãe
 
4) Não és tu, sou eu (um livro bom lido na altura errada)
Definitivamente o livro deWilliam Golding “O Deus das moscas”.Não consegui gostar deste livro, achei triste e nojento mas provavelmente aminha opinião tão negativa tem a ver com o facto de ter sido uma leituraobrigatória numa altura em que mal tinha tempo para dizer “olá” quanto maispara ler e discutir este livro.

 

5) Eu tentei... (um livro que tentámos ler mas não conseguimos)

Juro que tentei. Muito. Mas nãoconsegui. Falo, claro, do “Arquipélagoda insónia” de António Lobo Antunes. Ao terceiro capítulo não percebia nadado que se passava e desisti (deixem-me só ressalvar que li várias vezes osprimeiros capítulos a ver se melhorava. Não aconteceu)
 
6) Hã? (um livro que lemos e não percebemos nada OU um livro que teve um finalsurpreendente)
Tenho a certeza que vousurpreender muitos ao escolher o “A vidade Pi” de Yann Martel para esta categoria. Mas a terceira parte chocou-meimenso. Adorei o livro e agora já consigo viver com aquele final. Mas na alturacustou-me imenso.
Poderia também escolher o “Para onde vão os guarda-chuvas” masainda não me reconciliei com o Afonso Cruz por causa daquele final.
 
7) É tão bom, não foi? (um livro que devorámos)

Tenho muitos livros à escolha paraesta categoria mas vou escolher dois que li há muito tempo e que reli dezenasde vezes, sempre com entusiasmo. “OConde de Monte Cristo”, de Alexandre Dumas e o “Salto Mortal” da Marion Zimmer Bradley
 

8) Entre livros e tachos (uma personagem que gostaríamos que cozinhasse paranós)

Tive muita dificuldade emlembrar-me de algo para esta categoria até que me lembrei.  Vianne Rocher, de Chocolate de Joanne Harris. Óbvio, nãoé?
 
9) Fast Forward (um livro que podia ter menos páginas que não se perdia nada)

Diz-me quem sou” da Júlia Navarro
Um bom livro para quem gosta deromances históricos (muito romanceados) do género “A queda de gigantes” e “O invernodo Mundo” mas que peca por ter imensas páginas absolutamente secantes (estou afalar de todas as dedicadas ao sobrinho da Amélia”)
10) Às cegas (um livro que escolheríamos só por causa do título)

Não o comprei, ofereceram-me mastinha imensa curiosidade em lê-lo apenas pelo título que acho fabuloso. Já oresto desiludiu-me imenso. Falo do “EnquantoSalazar dormia”, do Domingos Amaral

11) O que conta é o interior (um livro bom com uma capa feia)

As capas feias não me incomodammuito. Mas estive a rever os meus livros favoritos e a fazer um bocadinho depesquisa na net e tenho que admitir que não há 1 capa que faça justiça às Brumasde Avalon. Já lhe puseram n capas, não há uma que preste:
 



12) Rir é o melhor remédio (um livro que nos tenha feito rir)
Não sou de livros de comédia masri imenso com “Caim” de Saramago.Muito bom e muito divertido.
13) Tragam-me os Kleenex, se faz favor (um livro que nos tenha feito chorar)

Chorei com o “A rapariga queroubava livros” de markus Zusak. O livro, o filme, tudo e tudo. Também choreicom o Rei Leão mas isso agora não interessa nada.
 
14) Este livro tem um v de volta (um livro que não emprestaríamos a ninguém)

Não tenho livros que nãoempresto. Mas há muitos que têm um “V” de volta. Escolho por isso o que tem oautógrafo mais espetacular de todos os tempos. O David Soares teve um cuidadoestrondoso no autógrafo do meu exemplar de “O Evangelho do Enforcado”.
 
15) Espera aí que eu já te atendo (um livro ou autor que estamos constantementea adiar)

Nem sei bem porquê mas a verdadeé que tenho adiado a leitura do “Asvinhas da ira” de John Steinbeck. Tenho o livro em casa para ler há tantotempo

Que importa a fúria do mar, de Ana Margarida de Carvalho

 
 
O primeiro romance de Ana Margarida de Carvalho foi um dosfinalistas do prémio LEYA. Foi também um dos livros mais recomendados pelaMárcia (podem ver aqui a opinião que ela escreveu para o blog da Roda dosLivros). As expectativas eram, por isso, muito altas.
Gostei, mas não é o meu livro favorito.
A ideia da história é fantástica. Escrever sobre o Tarrafal éde uma enorme coragem, principalmente porque este episódio negro da nossaHistória é ainda muito recente e ainda há demasiadas feridas abertas.Escrevê-lo sob a forma de romance é ainda melhor, é a minha forma favorita deconhecer/recordar episódios históricos.
Os saltos temporais neste romance estão muito bemconseguidos. Saltitar entre o passado longínquo de Joaquim, o passado recentede Eugénia e o presente de ambos é interessante e conseguiu interessar-me. Não me senti minimamente perdida
Este livro está bastante bem escrito. Gostava de um dia terum vocabulário assim. Infelizmente não tenho e isso obrigou-me a ir váriasvezes ao dicionário. No geral considero ótimo que um livro me faça abrir odicionário (gosto sinceramente de aumentar o meu vocabulário). O problema foique, em algumas partes do início do livro cheguei a ter que ir à procura dosignificado de várias palavras na mesma frase. Depois lá encarrilhei e a coisapassou.
De início achei bastante piada ao facto de estar sempre atropeçar em referências literárias. Referências a títulos de livros, apersonagens de romances, a poemas (é ou não fantástico quando o vosso poemafavorito subitamente vos aparece à frente?). Mas depois tudo o que é demaisenjoa e todas aquelas referências me pareciam um exagero. Às tantas só pensava,“ok, eu sei que tu és super culta, mas já chega!”. E acredito não ter sequer apanhadoalguma das referências (ou ter percebido mal outras porque o título do livro émesmo “a história da gaivota e do gato que a ensinou a voar”, são os felinosque ensinam as gaivotas a voar e não o contrário).
Mas o que me faz ficar de pé atrás com este livro é mesmo aEugénia. Jornalistazinha petulante, enjoadinha, irritante e extremamentearrogante. Arre, que não consegui sentir a menor simpatia ou empatia com asenhora. E eu não gosto de alguém que não gosta de animais, pelo que nãoconsigo gostar nem um pouco desta fulana.
 
Já me tinham dito que era possível ler este livro sem serlinearmente. E é verdade. Acredito que, no final, o resultado era quase o mesmoqualquer que seja a ordem pela qual se leiam os vários capítulos. Talvez a ordemconsiderada seja a mais óbvia mas não é, de todo, a única possível.
 
Apesar dos muitos defeitos que atribuo a este livro, gosteide o ler. Gostei desta viagem à loucura, gostei de conhecer a força do amor a opor-seao pior de que o ser humano é capaz, gostei de ler sobre o Tarrafal, sobre essaaberração que foi esta prisão.

Roda dos livros, Livros em movimento

Há quase um ano que pertenço a um grupo de leitura.  Para alguém que gosta de ler tanto como eu, que gosta de falar de livros tanto como eu, é maravilhoso um grupo de pessoas com quem discutir as últimas e as próximas leituras. É óptimo  e estimulante ter quem me dê a conhecer novos livros e novos autores, quem me desafie a fazer novas leituras.

E é óptimo fazer novos amigos. E ainda por cima são amigos que gostam de ler e de falar de livros. ADORO. 

Este nosso grupo - Roda dos Livros, livros em movimento - tem um blog (e agora com cara nova) onde publicamos regularmente as nossas opiniões sobre os livros que lemos.
Geralmente eu publico no blog da roda as opiniões sobre os que livros de que falei por lá ou que li por pertencer à Roda. E os posts são iguais aos que publico aqui, no Ler por aí.

Mas no blog da roda há opiniões e livros para todos os gostos. Vão explorar um bocadinho este blog e certamente encontrarão livros que não conhecem e sugestões para novas leituras.