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Ler por aí

Ler por aí

Meio Sol Amarelo, de Chimamanda Ngozi Adichie

Em vez de estarem neste blog a ler a minha opinião sobre este livro deveriam estar a lê-lo. Assim o vosso tempo seria muito melhor empregue, acreditem em mim.

Se não têm o livro à mão, nem oportunidade de o ir comprar então oiçam a Chimamanda Adichie (na TED) a falar do perigo da história única e encantem-se e envergonhem-se. Por todos nós, nalgum ou em muitos momentos da nossa vida, fomos culpados de sucumbir aos perigos da "história única".



É ou não maravilho ouvi-la?

Acabei mesmo agora de ler este livro. Talvez devesse esperar uns dias para escrever a minha opinião mas a verdade é que este blog não é um blog de critica literária (até porque me falta a capacidade e o talento para tal) mas sim um sítio onde "escrevo opiniões a quente porque o livro mais importante é precisamente aquele que acabei de ler".
E a minha vontade é de o começar a ler novamente. E olhem que isto é algo que poucas vezes me lembro de fazer.

Meio Sol Amarelo. O símbolo do Biafra, a representação de um futuro glorioso. 
Começo por dizer que o título é maravilhoso. 
A escrita da Chimamanda conquistou-me deste o início: simples, cuidada, fluída. Esta escritora é de facto uma contadora de histórias. Assim de mansinho apresenta-nos Olanna e Kainene, o maravilhoso Ugwu, Richard e Odenigbo, os cinco personagens que nos vão guiar por estas histórias. É muito fácil deixarmo-nos enredar nas suas vidas, nas suas personalidades fortes, nos retratos clichés e na sua destruição. É-nos fácil sentir empatia e simpatia por Olanna e Kainene, é-nos fácil rir com Ugwu. 
Este livro tem uma estrutura diferente dos outros livros. É linear por camadas: começamos no início dos anos 60, na segunda parte saltamos para o final dos anos 60 onde não podemos deixar de sentir curiosidade pelo que terá acontecido para que as nossas personagens ajam da forma como agem. Nesta parte senti que tudo estava igual mas diferente. Ou melhor, que tudo estava no sítio certo mas que havia qualquer coisa de estranho. (sim, só quem já leu compreenderá o que escrevo, até porque a autora faz questão de que saibamos que alguma coisa aconteceu). Depois damos um saltinho atrás, temos a resposta para uma série de perguntas e depois… oh, depois é um salto para o futuro e é um autentico murro no estômago. Não consigo transmitir-vos o quanto aquelas páginas me atormentaram e encantaram. 
Este é um livro sobre paz, sobre guerra, sobre fome, miséria, alegria, amor, paixão, obsessão. É um livro onde a humanidade dos personagens rivaliza com a desumanidade do ser humano. É um livro sobre factos e é um livro sobre sentimentos. 
Escuso de vos dizer que adorei.



(eu, o livro e o ZéGato momentos antes de embarcar para a fase final da leitura)


...

Neste blog somos a favor da co-adopção e da adopção por gente decente e boa, independentemente da raça, religião ou do sexo da pessoa que escolheram para companheiro.
(e desta vez, comentários ou opiniões contrárias provavelmente serão censuradas)***

(*** ainda espero que o referendo não aconteça mas se acontecer vou mesmo tentar convencer o maior número de pessoas possível porque acredito mesmo que isto é importante. Por isso esta frase vai ficar aqui no blog o tempo que for necessário)

Curtas 2/14 : As capas dos livros

Inúmeras vezes disse que o formato e as capas dos livros não me interessa. Oque me interessa é o conteúdo, pelo que sou fã de livros de bolso, ediçõesbaratinhas, etc.
E neste especto os ebooks vieram ao encontro desta minha opinião. Não pesam,posso ter milhares numa pen e nunca vou ter problemas de espaço para osguardar.
E agora vejo-me a mudar de opinião em relação às edições dos livros físicos.Tenho saudades, muitas, dos livros de capa dura. Daquelas capas maravilhosasque nunca se estragam, que têm tudo a ver com o conteúdo dos livros.
Olho para a minha estante e sinto-lhes a falta. Excetuando o "Latrilogia de la Niebla" e "O Equador" (que tenho numa ediçãoespecial) e fico cheia de inveja quando vejo aquelas edições Brasileiras ouInglesas maravilhosas.

1Q84 (#2), de Haruki Murakami



Começo por dizer que adorei o livro. Estou fascinada com os contornos deste mundo criado por Murakami. Nem a lentidão com que tudo se passa, nem as voltas e reviravoltas para chegar ao mesmo sítio (por onde já tinhamos passado) consegue diminuir o meu entusiasmo.
Se eram necessários 3 livros para contar esta história? Tendo em conta os 2 primeiros, provavelmente não. Murakami conta as mesmas coisas várias vezes, de pontos de vista ligeiramente diferentes, faz descrições pormenorizadas (faz às vezes com a descrição do Ramalhete quase perca o lugar cimeiro das descrições memoráveis), que se enrolam umas nas outras, mas antes de darmos por isso estamos tão enredados naquela história e naquele mundo que vamos espreitar à janela quase à espera de ver duas luas. 
Por isso as palavras a mais nesta história, não estão a mais, não me chateiam em nada. Apesar de ansiar pelos desenvolvimentos aproveito cada frase.
Há poucos personagens novos neste segundo volume (Ushikawa e o Líder são os principais) mas muitas novidades, para mim bastante surpreendentes. Continuamos a conhecer a história do ponto de vista de Tengo e Aomame. Algumas das perguntas que ficaram por responder no primeiro volume têm agora uma resposta - que nem sempre é aquela de que estávamos à espera e que não está, de todo, completa. Fuka-Eri continua a ser uma menina estranha mas muitas das suas reações são explicadas neste livro. Conhecemos finalmente a história do livro Crisálida de ar; sabemos mais acerca do povo pequeno. E conhecemos finalmente o Lider daquela estranha seita e percebemos que nem tudo é o que parece (será a realidade apenas uma, como tantas vezes é referido ao longo deste livro? Ou estarei a ser enganada e manipulada pela mestria do contador de histórias?)
Há duas coisas que me fascinam neste livro. Uma é a elaborada construção dos personagens e outra é o mundo de 1Q84. Devagarinho, quase sem notar, passamos para este mundo tão igual e tão diferente do de 1984. 

Estou ansiosa por começar o terceiro volume.

E em 2014?

2013 foi um anofantástico em relação aos livros e às leituras e a minha participação no grupode leitura “A roda dos livros” teve muito a ver com isso.
Não li muitos livros,mas li bons livros e acima de tudo conheci bons escritores e falei muito acercado meu tema favorito: livros, pois claro. A minha “lista de desejos” aumentoudesmesuradamente o que me assusta um bocadinho (ainda não me consegui livrardaquela ansiedade do “nunca vou conseguir ler tudo aquilo que quero/precisoler”) mas que me deixa feliz por incluir tantos escritores Portugueses. Cadavez mais, gosto de ler escritores Portugueses, cada vez mais acho que seescreve bem em Português. E cada vez mais o desafio é fugir das novidades, dosguilty pleasures, das leituras fáceis. Nunca vou deixar de ler este tipo delivro, às vezes é mesmo o que me apetece (e não tenho qualquer problema comisso) mas enquanto leitora quero ler coisas diferentes, quero sentir queaprendi alguma coisa com aquele livro. E quero acima de tudo continuar a gostarde ler.
Vou tentar, com muitaforça, não comprar livros novos. A verdade é que hoje é dia 4 de Janeiro e jáacrescentei 2 livros novos à minha biblioteca. Mas a verdade é que não gasteidinheiro com nenhum deles: O terceiro livro do 1Q84 tinha que vir fazer companhiaaos outros dois. Era inevitável. Aproveitei uma troca de uma prenda de Natal (omiúdo a quem ia oferecer aquele livro já o tinha e não tive oportunidade de otrocar atempadamente, pelo que lhe comprei outro) e um bocadinho do que tenhonum cartão oferta. O outro livro The Tragedy of Fidel Castro é um ebook que me foi amavelmente oferecidopelo escritor João Cerqueira e que será certamente uma das próximas leituras noe-reader.
Estou absolutamente proibida decomprar novos livros até ao meu aniversário que será já no próximo mês ( a nãoser que sejam comprados com os cartões oferta que tenho na carteira e que serãousados em casos de extrema necessidade – sim, a maioria das mulheres quandofica deprimida compra sapatos, eu compro livros) principalmente porque aspróximas leituras já estão definidas: O meio sol amarelo, da Chimamanda NgoziAdichie; O hotelmemória, do João Tordo e Sangue vermelho em campo de neve, de Mons Kallentoft,(todos via Roda dos livros) e claro, os dois de quefalei acima. Pelas minhas contas só preciso de mais livros lá para Março.

E a vocês desejo grandes leituras este ano e muito, muito sucesso.