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Ler por aí

Ler por aí

Mini conto de 2013

A casa de Gaian, acolheu-me no princípio do ano mas só fechei oficialmente as festas do ano passado em meados de Janeiro na companha de Gaspar, Belchior e Baltasar mesmo antes de conhecer O prisioneiro do céu e de embarcar na Crónica dos loucos Amantes com a Dama de espadas
Em Fevereiro fui a Barcelona visitar a Catedral do Mar e em Março ouvi A voz da Vida de PI e ao olhar o céu à procura do norte vi a Estrela do Diabo
Em Abril tive vontade de usar A Bala Santa para dar um merecido e demasiado misericordioso fim no Remorso de Baltazar Serapião mas o Hipnotista impediu-me de transformar Maio num Inverno de Sombras. A Roda já rodava mas ainda consegui entrar. Em Junho uma Vingança a sangue frio fez com que em 1984 me encontrasse Debaixo de algum céu, à sombra do Espinheiro Sagrado.
Em Julho semeei a Raiz do Ódio e conheci a Vida Secreta das Abelhas enquanto Tudo o que nunca te disse ficou perdido nas lágrimas do Ainda Alice.
Este blog ficou (ainda) melhor em Agosto com a presença da minha querida CG que deu um ar de sua graça enquanto me especializava na Arte de Matar Dragões transformando-me numa Princesa de Gelo
Em Setembro fiz uma Revolução Paraíso no Twilight's Dawn e em Outubro fui à Livraria Noite e dia do Sr Penumbra só para me esquecer do Inferno do Inverno no mundo.
A festa dos três casamentos de Camilla S.  foi ensombrada pela Desumanização das Filhas do Vento que fecharam Novembro sob a Árvore dos Segredos.
Em Dezembro do ano de 1Q84, deixei de saber Para onde vão os guarda-Chuvas.

Para onde vão os Guarda-chuvas, de Afonso Cruz

***ATT SPOILER ALERT (depois não digam que eu não avisei)

 

 
 
Caro Afonso,
Deixa-me desabafar: vai-te lixar, ok? Que raio de final é este? Juro-te que me sinto quase traída com este final. Mas no que raio estavas tu a pensar? Isto lá é coisa que se faça a alguém? Não sei se alguma vez te vou conseguir perdoar.
Nestas alturas gostava de conseguir achar que Isa escolheu bem e que não se deixou enfeitiçar pelo amor (olha que raio de parvoíce escrevo eu!). Gostava de acreditar que o instinto de sobrevivência,que todos temos, prevaleceu e a necessidade de viver se sobrepôs à necessidade de ser amado e querido e de ser, finalmente, visível.
Gostava de bater em que precisa de perder para encontrar, em quem cede ao preconceito, à maldade, em quem não vê o que está à frente do seu nariz. Em quem busca sonhos impossíveis e que com isso deixa passar a possibilidade de sonho que está à sua volta.
Afinal, para onde vão os guarda-chuvas? Sabes, ninguém os perde mais do que eu. Não pude deixar de imaginar que um dia vou encontrar os meus, os que perdi (e sabe Deus que foram muitos) com alguns dos meus guarda-chuvas fugidios.
Ok, eu sei o que é uma metáfora, uma fábula, uma parábola, sei essas coisas todas, mas mesmo assim tenho alguma dificuldade em transformar as tuas personagens em minhas e em decidir eu (sinto-me assim um bocadinho fraude mas o pior é que a minha decisão é precisamente o contrário da que gostaria que fosse).
E há algumas folhas, ter-te-ia dito que este livro é fantástico, que me sinto reconfortada e que adorei  a forma como misturaste culturas, religiões e depois as reduziste à simplicidade do amor. Podes ser cristão deste que sejas um bom muçulmano. Há umas folhas dir-te-ia que gosto de acreditar, aliás escolho “crer” e, também por isso, gostei de tanta coisa neste livro. Os fragmentos persas são fabulosos. A história da pulga da pulga da pulga captou a minha atenção e fez-me rir.
Há umas horas dir-te-ia que amei o cuidado com as imagens, que o jogo de xadrez me interessou e me fez sorrir (e logo eu que, que nem sequer jogo xadrez), que vi cada página diferente, cada tipo de letra diferente. Que este é um livro para se ler e se ver (mas se um mudo pode falar em poesia, qual é o problema de apreciar um livro sem sequer precisar de o ler?).
Mas agora, Afonso, agora estou demasiado zangada contigo para te dizer isso tudo. Porque não estava preparada para este final.
Mas, apesar de ainda estar zangada contigo (esta carta tem sido escrita aos bocadinhos) tenho que te dizer que este é um livro para nos fazer pensar. Suponho que cada leitor o leia de forma diferente (e alguns de uma forma que nem tu próprio consegues imaginar) e a verdade é que poucos livros têm o poder de nos atingir desta forma. Falar de morte e de perda, de bondade e de amor, de maldade e ódio, de discriminação e preconceito de uma forma doce e bonita não é para todos.
E por tudo isto, Obrigada.
Mas aquele final, Afonso, aquele final....
Encontramo-nos num próximo livro
Patrícia

Muito mais que uma biblioteca


Faço destas, as minhas palavras. Num segundo se destrói o que tanto tempo levou a criar. E numa altura de crise, proteger as bibliotecas é mais importante do que estes senhores pensam. Para todos os que não têm dinheiro para gastar em livros, em cultura, este é um porto de abrigo que faz, agora, mais sentido do que nunca.

Foi com perplexidade e muita apreensão que tomei conhecimento da intenção da Câmara Municipal de Lisboa em desmantelar a actual rede de bibliotecas municipais ao passar 8 bibliotecas para a responsabilidade de Juntas de Freguesia. Como utente da rede BLX não posso deixar de assinalar aqui o serviço excelente e sempre eficiente prestado por esta estrutura que considero indispensável para a população da cidade. Para além das enormes mais-valias e facilidades de acesso a um vasto acervo de documentos  que decorrem do funcionamento em rede, as bibliotecas promovem também inúmeras actividades de índole cultural e didáctica relacionadas não só com o mundo dos livros  e da literatura mas também com outras artes como a música e as artes visuais. São ainda regularmente organizadas actividades  relacionadas com o acesso à informática a populações infoexcluídas bem como oficinas/sessões orientadas para a melhoria do bem estar dos cidadãos e para aprendizagem de técnicas artesanais variadas. Sem colocar em causa o valor intrínseco a cada biblioteca , o funcionamento em rede permitiu, ao longo dos anos, a criação de sinergias muito importantes traduzindo-se hoje num amplo leque de serviços fundamentais,  muitos gratuitos e outros a custos reduzidos, os quais permitem o acesso à leitura e a outras actividades culturais a todos os habitantes da cidade e não apenas àqueles que possuem condições económicas para comprar livros e “consumir cultura”. Nestes tempos de crise económica estes aspectos adquirem ainda mais importância para a generalidade dos cidadãos pelo que nunca será demais salientá-los. Será que este elevado nível de serviços se manterá no futuro caso as 8 bibliotecas em causa passem a ser geridas por Juntas de Freguesia? Mesmo que estas tenham possibilidades de manter as bibliotecas tal como se encontram hoje, perdem-se sinergias que demoraram décadas a construir e equipamentos que dantes serviam toda a cidade passam a ser apenas de determinado bairro.
1489281_638244032906776_381940806_nPara terminar gostaria apenas de enfatizar o excelente atendimento, a simpatia e a grande eficiência do pessoal que integra a equipa da rede BLX que tudo fazem para prestar um serviço de grande qualidade a todos nós. E não posso também deixar de salientar que a existência desta Roda dos Livros também se deve à disponibilidade e ao gentil acolhimento que a BLX dos Olivais nos dispensou. Por tudo isto:
Muito, muito obrigada rede BLX, com um agradecimento muito particular à Biblioteca Municipal dos Olivais!

1Q84 (#1), de Haruki Murakami




1/3.
Não vale a pena pensar neste livro como parte de umatrilogia. Este livro é a terça parte da história e pronto. Aconselho-vos a nãofazerem como eu, que ainda não tenho os dois outros volumes em casa (e nem seise vou esperar pelo Pai Natal ou não, é que já mandei umas piadas mas acho queninguém percebeu).
Na realidade vejo este livro como a apresentação dahistória, dos personagens, deste mundo (ou mundos, sei lá), deste ano de 1Q84 edas subtis diferenças para 1984. Qualquer semelhança com o 1984 de George Orwelnão é pura coincidência.
Adorei o estilo da escrita, a forma lenta, quase em espiral como a história nos é contada. Senti que me estavam a contar uma história, com toda a calma, dando-me os pormenores um de cada vez, exatamente quando tinha que os conhecer.
Os personagens principais são 2 jovens Aomame, personaltrainer e assassina nas horas vagas e Tengo, professor de matemática e (aspirantea) escritor. Estes dois personagens fascinantes vêm acompanhados de outrosigualmente interessantes: Fuka-Eri,  umapseudo-escritora disléxica  de 17 anos, oProfessor, para quem os fins justificam alguns meios, uma mulher mais velha,dona de um albergue para mulheres vitimas de violência doméstica, Komatsu, umeditor arrogante e pouco simpático,uma menina traumatizada, uma mulher políciagira, uma cadela que come espinafres, um grupo de uma seita manhosa…
Neste primeiro volume ficamos a saber muito acerca de algunspersonagens, pouco acerca de outros e quase nada acerca dos restantes. E nãopodemos esquecer o “povo pequeno”. Aomame e Tengo, um capítulo para cada um, àvez, duas histórias que parecem não ter nada a ver uma com a outra e cheio decalma Murakami vai desenhando um mapa, posicionando personagens, explicando-nosos cruzamentos e no fim do livro a única coisa que temos é um emaranhado delinhas que se cruzam, temos mais perguntas que respostas mas estamos preparadospara o avançar da história neste mundo de 1Q84 e …acaba o primeiro volume. Semuma única resposta, sem um único desenvolvimento, sem um único “doce” para nos ajudara esperar pelo próximo livro.
A sério, odeio parar um livro a meio e agora vejo-me com umlivro a 33%. Raiospartam o Murakami e os livros aos terços.

Tag: 10 perguntas literárias

Este Tag foi roubadíssimo dos blogs da Diana e da Tita e foi inventado pela Ana Vitorino do Como Respira
 
1 - Qual a capa mais bonita da tua estante?
 
A capa do livro “La trilogia de la niebla” de Carlos Ruiz Zafón. E nemsequer é preciso ter a capa de papel. A outra é igualmente bonita.
Este livro tem os três livros juvenis do autor e foi uma ótima leitura emespanhol, língua que não domino mas na qual me desenrasco. Nada como ler nooriginal e sendo um livro juvenil tem uma linguagem acessível.
 
 
 
2 - Se pudesses trazer 1 personagem para a realidade, qual seria?
A primeira personagem que me vem à cabeça é a Morgaine das Brumas de Avalonmas a verdade é que não acho que a Morgaine se inserisse neste mundo. E claroque trazer uma personagem para a realidade só seria interessante se fosseaprender alguma coisa com ela, por isso escolho a Truth do Circulo de Blackburn(da Marion Zimmer Bradley) que me poderia esclarecer uma série de coisasincluindo o que raio aconteceu com a Atlântida uma vez que ela é a reencarnaçãode uma das irmãs (já não me lembro bem se é da Deoris ou da Domaris)…
 
3 - Se pudesses entrevistar um autor(a), qual seria?
Humm, a Marion ZimmerBradly, of course. Masconsiderando que a senhora morreu em 99 parece que já não é possível.
 
(na realidade até tenho tido bastante sorte e tenho conversado com algunsdos nossos escritores)
4 - Um livro que não lerás de novo? Porquê?
 O “O remorso de baltazar Serapião”. Não leio novamente aquilo nem quefique sem ter acesso a livros o resto da vida. A minha imaginação é mil vezesmais interessante e positiva que aquilo. A sério: não!
5 - Uma história confusa?
O “arquipélago da insónia” do António Lobo Antunes. Li 3 vezes o primeirocapítulo, 2 vezes o segundo. Depois de ter lido o terceiro e de, mesmo assim,continuar sem perceber nada, desisti. O problema é certamente meu, mas lá que ahistória era confusa era.
 6 - Um casal?
 Elizabeth Bennet e Mr. Darcy de “Orgulho e preconceito”. Nada como duaspessoas imperfeitas para só “estragarem uma casa”. E eles são tão fofinhos.Adoro.
7 - 2 vilões. (Pode ser tanto 2 vilões que gostes como 2 vilões que nãogostes).
Dois personagensexecráveis: O Baltazar de “O remorso de Baltazar Serapião) e o tutor de LisbethSalender em “Os homens que odeiam as mulheres”. Aliás, os vilões que mais meincomodam são os reais, os que podemos encontrar na rua e que têm a força e opoder para magoar.
8 - Uma personagem que matarias (ou tiravas do livro)?
Tirar um personagem era desvirtuar uma história, pelo que (por mais queum personagem me seja indiferente) não posso escolher nenhum. Provavelmente osque não fazem falta são os que não me lembro. Tão insignificantes que seperderam na memória.
 Mas por umaquestão de bondade mataria a mulher do Baltazar no minuto em que olhou paraele. cortava-se o mal pela raiz (lamento, aquilo incomodou-me a sério)
 9 - Se pudesses viver num livro, qual seria?
Não me importava de viver em Avalon (brumas de Avalon) ou de viajar com ocirco (em o Salto Mortal), ou de viver na Atlântida (A queda da Atlântida) ouem Kyralia(guilda dos Mágicos) ou em Hogwards (Harry Potter)
 10 - Qual o teu maior livroe o mais pequeno? (Em termos de páginas).
Suponho que o maior seja “Ospilares da Terra” que tenho numa versão de um volume só. Isto não considerandoas séries, claro (acho que a que ganha é a “O primeiro homem de Roma” em quequalquer um dos 7 volumes é enorme). Quanto ao livro mais pequeno, semconsiderar os infantis, acho que posso arriscar nos livros da Rosa Lobato deFaria, que são pequeninos mas que eu adoro.