Ler por aí
 
20 de Novembro de 2013




Começo já por dizer-vos que vou serextremamente injusta para com este livro. Mas o que escrevo neste blog não éaquilo que devia achar mas sim aquilo que acho. Não sou, nem pretendo sercrítica literária. Costumo dizer que “escrevo a quente” as opiniões que tenhodos livros. E a verdade é que não posso dizer que “gostei” deste livro. O quenão é nada justo, mas eu explico.
Duas pessoas de quem gosto bastante, gostam oslivros desta escritora. E por isso, decidi-me a ler este “A árvore dossegredos” (nome um bocadinho infeliz, o original “meet me under de Ombu tree” émuito mais interessante e tem tudo a ver com a história). E não digo que“gostei” apenas porque cheguei ao fim exatamente como comecei. Este livro nãoacrescentou nada à minha vida. Com grande tristeza minha tenho que desistir dosromances românticos. Não tenho paciência e chego ao fim a sentir que perdi umbocadinho do meu tempo.
Mas a verdade é que, para romance romântico(baghhhh) este não é nada mau.
Conta-nos a história de Sofia, uma miúdamimada e rica, voluntariosa e corajosa em plena argentina de 1970. Filha maisnova tem com o pai uma relação de profundo carinho e com a mãe uma relaçãotumultuosa. Não se compreendem e Sofia tudo faz para irritar a mãe, umairlandesa que nunca se conseguiu adaptar à vida numa família argentina.
O amor, a paixão proibida entre Sofia eSantiago deixa-nos com vontade de torcer por eles mas interessante é ver comoSofia cresce e muda apesar de manter a sua essência intacta. De miúda mimadatransforma-se numa  mulher a sério.
Há personagens engraçadas neste livro, quevive muito das relações entre pessoas, que explora as decisões certas eerradas, as consequências, os riscos.
A autora peca, em minha opinião, por facilitardemasiado a vida aos protagonistas. É certo que a vida lhes corre mal, masdepois o resto é demasiado fácil. Mesmo Sofia, que escolhe o seu próprio destino, tem uma vida cheia de sorte. Se assim não fosse talvez este livro não fosse nemligeiro, nem romântico mas tenho para mim que seria mais interessante.
Portanto, para os fãs de romances esta é umaescritora para experimentar. Fãs de Nora Roberts e Nicholas Sparks, ide acorrer à livraria: este livro é muito melhor do que os destes escritores (eantes que perguntem, “sim, li”). Para quem quer passar uma óptima tarde (outardes, o livro é assim para o grandote) a sonhar com a pampa argentina e comamores a sério, dos proibidos e tudo, este livro é para vocês.

publicado por Patrícia às 15:55 link do post
09 de Novembro de 2013

Quando viajo tento trazer sempre um livro novo comigo. Quando  estive em Cabo Verde pela primeira trouxe o "A morte do Ouvidor" de Germano Almeida, livro que ainda está a meio. Muito bem escrito mas a história, que não é a minha, não me prendeu. 
Quando regressei à cidade da Praia voltei à livraria e trouxe 2 livros.
Acho que primeiro devo falar da livraria. A melhor da cidade, super interessante, com um café (tem uns sumos divinais) com esplanada e uma boa oferta de livros - com especial destaque para os livros de autores de expressão Portuguesa (de livros "estrangeiros" a oferta era francamente má). Uma oferta, neste campo, que dá dez a zero a muita livraria Portuguesa.  De lá, para além de 2 livros ainda trouxe uns ímans para o frigorifico e uma t-shirt muito gira.

Não conheço escritores cabo-verdianos (para além do Germano Almeida) pelo que pedi ajuda à empregada da livraria. Ela aconselhou-me os livros de Dina Salústio e eu escolhi este "Filhas do Vento" pela sinopse:

“Filhas do Vento” narra a relação de uma menina com a avó, um fantasma que vive dentro de um livro. Atormentada por um crime que cometeu pede à neta que a livre de uma maldição que carrega, para que a sua família e a sua terra não se percam no meio de um eclipse do tempo. Um tempo sem dia nem filhos ou noite: sem riso, ódio, vento ou mulher; sem carnaval nem homem; sem emoção e amigos ou o mar de uma baía clara. Para a salvar, a neta terá que abandonar a própria história para cumprir o destino que a avó negara, milhares de gerações atrás. Quando Susane soube do pedido teve um ataque, possivelmente de fúria, quem sabe de riso, talvez de choro. Não, na verdade – conforme a velha ama falou – “deu-lhe uma coisa e caiu para o chão”

Depois da angústia que me provocou o "A desumanização" precisava aconchegar a alma com uma história bonita. E foi exatamente isso que consegui com este "Filhas do vento". Adorei, confesso. Acho que li este livro na altura certa, a simplicidade e a magia destas mulheres eram tudo o que precisava.
Fiquei fã e vou querer ler mais livros desta escritora.

A história de Susana Vales é-nos contada de uma forma não linear, com saltos no tempo, mas perfeitamente percetível. Sú é uma perfumista de sucesso e é na festa de lançamento da sua criação "Winds" que reencontra uma velha amiga, Marta Rita, jornalista. Sú aproveita a presença de Marta para a convencer a fazer uma reportagem sobre ela. O que Marta não sabe é que ao longo de 9 dias vai ouvir uma história muito diferente daquela que esperava. É essa história que o leitor vai conhecer. Uma história que começou umas gerações antes, com um crime (?!) cometido por Brava, a avó (ou bisavó ou mais velha ainda) e com uma maldição que Susana terá que quebrar.
Apesar da presença de alguns homens (Óscar, Roberto) a voz desta história é, sem dúvida, feminina. Susana, Severa Ancra, Amapenha ou Marta, todas são mulheres interessantes e com as quais consegui criar empatia - mesmo nos momentos de maldade, vingança ou loucura. A magia presente nesta história dá-lhe um tom especial, principalmente por ser diferente de tudo a que estamos habituados. 
E, posso estar a ser pouco isenta, mas "senti" Cabo Verde nesta história. A Beleza, a solidão, a loucura, a sensualidade. Enfim, as ilhas de "pedras e vento" estiveram presentes nestas páginas.


publicado por Patrícia às 22:26 link do post
06 de Novembro de 2013

 
Um caso de amor, de paixão à primeira página foi o que meaconteceu com o “A máquina de fazer espanhóis”.
Um caso de ódio, de repulsa aconteceu-me com o “O remorso deBaltazar Serapião”.
Agora, depois de ler o “desumanização” tenho que concluir,com grande pena minha, que não me apetece ler mais Valter Hugo Mãe. E tenhopena, sinceramente, porque acho que este fulano escreve como poucos, que temuma enorme capacidade de me fazer sentir e não apenas ler. Mas a negritude dosseus livros e dos seus personagens é tal que o que sinto é apenas tristeza,repulsa, desesperança. E sinceramente não gosto de me sentir assim depois deler um livro. Há muitos leitores para este tipo de livro e de autor. Eu não souum deles.
Não sou de livros com finais felizes. Não sou fã de romances“românticos”. Gosto de livros que me façam pensar. Gosto de livros quetranscendam a história. Mas não gosto de livros sem esperança, sem um pingo dehumanidade. Ou melhor, com a pior parte da humanidade.
Este é um autor de amores e ódios. É considerado um dosmelhores da sua geração, tem uma legião de fãs que adoram tudo o que escreve etem quem o considere sobrevalorizado e que deteste, à partida, tudo o queescreve.
Eu não sou um nem outro. Sou leitora de escritores e quandogosto de um dos seus livros tenho que ler todos os outros. Ainda bem quecomecei por ler o “A máquina de fazer espanhóis”. Fez-me conhecer vhm e o seutalento. Mas apesar de ter alguma curiosidade por ler o “O filho de mil homens”,acho que não tenho coragem, não consigo ler, outra vez, algo não angustiantecomo este livro.
Este “Desumanização” conta-nos a história de Halla, umamenina de 11 anos que perde a irmã gémea. Halla sente-se metade do que era aomesmo tempo que se sente com a obrigação de carregar duas almas. A solidão etristeza desta menina é angustiante (aliás todo o livro o é). A morte de umairmã gémea deve ser terrível em qualquer situação, mas quando à ausência departe do nosso ser se junta o abandono familiar numa terra inóspita o resultadoé algo assustadoramente negro.
Os pais de Halla não sabem lidar com a situação. O pairefugia-se nas palavras e é o menos mau dos dois, ainda consegue ter algumcarinho para dar à “menos morta” das filhas. A mãe é extremamente cruel para estafilha que lhe resta, não a conseguindo perdoar por ter sobrevivido à irmã. Ascenas do livro protagonizadas por mãe e filha são de uma crueza e brutalidadeatroz.
Numa aldeia perdida nos confins da Islândia, numa terra desolidão e luta inglória contra os elementos da natureza, Valter Hugo Mãeconta-nos uma história de solidão, de morte, de perda. O único toque de amordado pelo autor é macabro. Sempre que há uma pequena luz na história, esta éconspurcada por alguma coisa.
Há imensas coisas que me perturbaram neste livro mas de quenão vou falar pois iria desvendar demasiado.
Deixo no entanto algumas notas positivas. Gosto muito daescrita do autor e acho que só isso me fez acabar de ler este livro (isso e aesperança que fosse haver uma luzinha lá para o fim). Os jogos de palavras, apoesia em tantas frases. O pai de Halla e a sua forma de ver tudo através depalavras, poemas foram a única coisa que me encantou neste livro. Ah, e o livro físico é extremamente bonito. As imagens são fantásticas.
publicado por Patrícia às 12:50 link do post
01 de Novembro de 2013

 

 
Que "livro" maravilhoso! Não é um livro normal em papel mas também não é um vulgar livro electrónico, é um livro interactivo! Com música e imagens que se animam com o movimento dos nossos dedos, personagens que respiram e ouvimos o bater do seu coração, relógios que dão horas e o "livro" vibra com as badaladas, adorei esta forma de apresentar as histórias do senhor Allan Poe. 
Neste volume estão 4 contos: "The oval portrait", "The tell-tale heart", "Annabel Lee" e "The masque of the red death" neste último dá para apanhar um verdadeiro cagaço na última página, e ainda tem um resumo da vida do autor. O segundo volume já está na minha lista "quero muito este livro".
publicado por Catarina às 21:07 link do post
01 de Novembro de 2013


Ler os livros de Rosa Lobato de Faria é sempre um prazer.
Acho que a escritora tinha o talento de simplificar ocomplexo, de nos contar uma história cheia de tudo em meia dúzia de palavrassimples, sem pretensiosismos. Não há palha nos livros dela, não há palavras amais, não há palavras supérfluas e no entanto não fica nada por contar, nãoficam sentimentos para transmitir. Porque este, como outros livros da tiaRosinha que já li, são sentimentos em palavras, são histórias de vidas normais,vidas que podiam ser nossas e que no entanto são excecionais.
As mulheres criadas pela Rosa Lobato de Faria são sempremulheres fortes, especiais. Desta vez é Camilla que aos noventa e tal anosresolve escrever a sua biografia, baseando-se nos diários que manteve ao longodos anos. E assim, ao som das palavras e dos amores de Camilla (uma senhora nãofala de política) atravessamos o sec. XX e conhecemos Camilla, Paca (umapersonagem maravilhosamente misteriosa) a sua ama, os seus três maridos e osseus amores, os amigos e os inimigos. E assim de raspão, temos um vislumbre doPortugal do Séc XX, desde a monarquia à democracia, com um toque muitopequenino de ditadura, que este livro é um livro doce e maravilhoso que fala decoisas importantes e não de detalhes políticos (não se fala de política juntodas senhoras, já vos tinha dito?). Num livro tão pequenino que se lê quase deuma assentada falamos de amor, de desamor, de família, de saudade, de perda, demorte, do que é ser-se mulher numa sociedade que tanto tem mudado mas que emtanto se mantém igual. Fala-se de destino, de sombras e sangue, fala-se deculpa e de redenção, de paixão e da felicidade da serenidade.
Os livros da Rosa Lobato de Faria são deliciosos. E eu, quejá tenho quase todos, vou lendo-os devagarinho, para os fazer durar, e vouguardá-los com o carinho com que guardo uma suave lembrança.

(não consigo gostar ou sequer perceber esta capa, mas é a que tenho....)
publicado por Patrícia às 11:27 link do post
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