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Ler por aí

Ler por aí

Curtas 59: Ebooks 1

Comprei um e-reader (Kobo) para oferecer a alguém que lê apenas em Português. Como não tenho nenhum, estou a descobrir, passo a passa como é que aquilo funciona.
Assim de repente tenho a dizer várias coisas:
 
- Senhores que vendem e-readers: convém saberem a diferença entre um e-reader e um ebook.
 
- O site da Kobo é uma treta, quando se quer fazer buscas por livros em Português.
 
- Não é assim tão linear pôr no raio do bicho os ebooks que andámos a colecionar  durante anos
 
- Há diferenças entre Português de Portugal e do Brasil. Eu gostava de ter a certeza do que estou a comprar antes de efectivamente comprar.
 
- Pela oferta de e-books que existe, tenho para mim que a malta tem vergonha de comprar livros porno eróticos em papel e opta pelos ebooks - não dá nas vistas nos transportes publicos e ainda dá um ar de modernice.
 
- Não consigo compreender porque é que determinados livros Portugueses não existem em ebook. Não falo de livros antigos, falo de livros recentes, que acabaram de ser editados. Falo, por exemplo, do "Madrugada Suja" do Miguel de Sousa Tavares. Porque que é este livro não existe em formato eletrónico? (se por acaso existir, avisem-me por favor. Procurei tudo e não encontrei) Será que as editoras querem "obrigar" os leitores a comprar o livro em papel? hummm
 
- É impressão minha ou os editores Portugueses editam o mínimo possível em ebook? (tenho a impressão que editam apenas o indispensável para que os equipamentos eletrónicos se continuem a vender.
 
- Pela quantidade de livros grátis que encontrei acho que é possível ler de borla o resto da vida. Não garanto é a qualidade dos livros.
 
- Os ebooks são demasiado caros. Pelo menos as novidades.
 
posto isto... Eu quero um e-reader para mim!
 
 

Tudo o que nunca te disse, de Romana Petri


Nunca tinha lido nada desta escritora e, apesar de ser muito recomendada pelos outros membros da Roda dos Livros, não estava nos meus planos mudar isso nos próximos tempos. Mas surgiu a oportunidade de um encontro com a escritora, uma espécie de apresentação deste "Tudo o que nunca te disse" e acabei por ir à pressa comprar um livro dela para ter, pelo menos, alguma informação e uma espécie de opinião formada aquando da conversa com a Romana Petri. Calhou ser este o único título disponível. Da escritora sabia que é Italiana, casada com um Português e que, por vezes, escreve sobre Portugal e os Portugueses ("A Senhora dos Açores" e "Esteja eu onde estiver").  
Do encontro com a escritora ficam fantásticas memórias. Ela, para além de ser uma simpatia, é uma contadora de histórias, que enche uma sala e nos prende nas palavras.

Não estava de todo preparada para este livro nem para os tons cinza da sua escrita. Ainda bem. É ótimo quando um livro nos surpreende.

No orignal o título do livro é "Ti Spiego" que significa algo como "Explico-te". Não posso dizer que este "Tudo o que nunca te disse" nada tem a ver com o conteúdo do livro, mas está demasiado colado ao "As palavras que nunca te direi" para me permitir ter uma ideia real do seu significado.
Porque esta não é uma história de amor. De todo. É uma história de desamor. Mário e Cristiana estão divorciados há 15 anos, têm dois filhos e cada um voltou a casar. Ele, atualmente no Brasil com a mulher mais nova e o filho bebé, ela em Itália com o companheiro e os filhos de ambos. Mário, numa aparente tentativa de reviver a sua juventude com alguém com quem a partilhou inicia uma troca de correspondência que os irá levar, numa espécie de jogo, às profundezas mais negras do seu casamento.
Neste livro apenas conhecemos o lado de Cristiana, as respostas aos comentários, às provocações e finalmente, quando o jogo muda, o exorcizar de uma série de situações que nos horrorizam.

Ao mesmo tempo que vamos conhecendo o casal Mário e Cristiana conhecemos um outro, Mimmo e Elsa, que num segundo plano são demasiado importantes para eles, são o molde onde Mário se inspira para enegrecer ainda mais uma relação que começou mal. Os como, os porquê vamos percebendo ao longo do livro. As verdadeiras razões para que Mário comece este jogo só se tornam claro no final e dependerá de Cristiana vencer ou não, porque afinal "vence aquele que menos sofre".

Não é possível ler este livro sem um arrepio, sem a consciência que muito ficou por dizer, que a realidade de Cristiana é a realidade de muitas mulheres por esse mundo fora, uma realidade negra, transversal à nossa sociedade, que corrompe, destrói e que é preciso uma enorme coragem para alcançar a liberdade. Mas este livro não deixa de ser uma réstia de esperança e a prova de que nunca é demasiado tarde para recomeçar.



Princesa Tarita


A Catarina tem 9 anos e tem síndrome de Rett, uma daquelas doenças raras e manhosas, que todos tentamos esquecer que existem e que esperamos muito que não nos aconteça.

Numa simples busca no Google encontrei esta descrição da doença:


Clinicamente é caracterizada pela perda progressiva das funções neurológicas e motoras após um período de desenvolvimento aparentemente normal, que vai de 6 a 18 meses de idade. Após esta idade, as habilidades adquiridas (como fala, capacidade de andar e uso intencional das mãos) são perdidas gradativamente e surgem as estereotipias manuais (movimentos repetitivos e involuntários das mãos), que é característica marcante da doença.

Ainda não conheço pessoalmente a Catarina, ou Princesa Tarita como é conhecida pelos amigos, mas conheço familiares e amigos que se dedicam a tentar melhorar a qualidade de vida desta menina.

À Tarita não lhe falta amor, acompanhamento e carinho. Mas falta outras coisas. Neste momento A família tenta comprar uma carrinha adaptada que dê mobilidade a uma criança de 9 anos. E estas coisas conseguem-se passo a passo. Aproveitanto a proxima das redes sociais a família tem criados alguns eventos para angariar dinheiro. Venderam, por exemplo, t-shirts onde pintaram as mãos e pés da Catarina. (hei-de pôr aqui uma foto da minha t-shit para vocês verem). Neste momento estão a sortear algumas coisas que lhes foram oferecidas. Procurem no Facebook por Princesa Tarita e vão a eventos (Vamos ajudar a Princesa Tarita) e comprem uma rifa.

Também podem fazer uma doação na página do GiveForward
Ou podem fazer uma transferência direta para a Catarina. 1 ou 5 euros podem fazer-nos ou não diferença na conta. Para a Princesa Tarita faz muita diferença, certamente. Aqui fica o NIB para quem quiser contribuir:

NIB 0033 0000 45353746607 05

Ou então podem divulgar os eventos no FB, ou divulgar o caso nos vossos blogs.

Wishlist1*: o Reino, de José Manuel Marques

O Reino

Honra, Coragem e Glória
Sinopse:O Reino é um romance histórico baseado nos conhecimentos atuais sobre os factos que estiveram na origem da formação de Portugal. O livro retrata a vida de Dom Afonso Henriques e a complexa teia de relações que levou ao nascimento e reconhecimento de Portugal como um novo reino.
É também de um olhar novo sobre a vida de Dom Afonso Henriques e através dele se propõem novas interpretações históricas sobre muitos dos episódios que estiveram na origem de lendas que ainda hoje conferem um estatuto de mito àquele que foi o primeiro rei de Portugal.
 
 
Adoro romances históricos. Felizmente, por cá, cada vez se escrevem mais livros deste género. Com a fantástica História que temos isso é fantástico.
Começam a aparecer romances históricos baseados nos reis e nas rainhas que fizeram do nosso país aquilo que é hoje tal como aparecem inúmeros livros passados no ultramar. Este chamou-me a atenção por dois motivos. Um é que o personagem central é D. Afonso Henriques, o nosso primeiro rei. Quem não tem curiosidade acerca deste personagem? Outro motivo foi o título. Não se chama "D. Afonso Henriques" (boring) e algo me chamou a atenção. Vou mesmo ter que ler este livro.
 
 
 
 
 
 
*Não é meu hábito fazer divulgações e quero deixar bem claro que não tenho nenhum contacto com nenhuma editora, ninguém me pediu para fazer isto, simplesmente vi o livro e fiquei interessada.
Na página ali ao lado (wishlist) estarão os livros que compoem esta rubrica para me ser mais fácil encontrar o livro certo quando o quiser comprar/ler.

Top Ten Tuesday - 10 Autores que Merecem Mais Reconhecimento



A rubrica Top Ten Tuesday  originalmente publicada no blog The Broke and the Bookish

Tenho visto esta rubrica em vários blogs e fiquei interessada no tema desta semana. Autores que merecem mais reconhecimento. Resolvi roubar-lhes a ideia e fazer também a minha lista.

Sem nenhuma ordem especial, cá vai:

Rosa Lobato de Faria - Já li vários livros desta escritora e não deixo de me encantar cada vez que pego num livro dela. Confesso-me preconceituosa e a verdade é que, durante muitos anos, a considerei uma menos escritora de novelas e músicas dos festivais. Afinal escreveu livros deliciosos e que me encantaram. Destaco a historia de Diamantina no Os Pássaros de Seda. São livros que se leem muito rapidamente, extremamente simples mas que me deixam sempre de bem com a vida. Nada como uma história bem contada. E a Rosa Lobato de Faria sabia contar uma história.

Trudi Canavan - A The Black Magician Trilogy foi uma óptima surpresa. Adoraria ter lido os livros dela bem mais cedo. Acho que podem ser uma óptima alternativa para quem é fã de Harry Potter. À Trudi falta-lhe a publicidade, acho eu. 

David Soares - Não é um autor de consensos. É difícil de ler por vários motivos: a utilização de palavras ...vá, difíceis, o tom negro das histórias, o facto de ser um escritor do Fantástico mas diferente. Mas continuo a gostar e a achar que é um autor que merece ser lido. Gostei bastante do Evangelho do Enforcado.

Júlia Navarro - Amei o "A Bíblia de Barro" que comprei porque achei o título bonito. um impulso que me fez fã da escritora. Dela li todos os editados em Portugal. O último livro desta escritora espanhola é o "Diz-me quem sou" que não é tão bom como os outros mas que também vale a pena ler. Ainda hei-de reler o A bíblia de barro só para escrever um post que lhe faça jus.

Robert Wilson - Acho deveras que o escritor do "O último acto em Lisboa" merecia ser mais lido. Gosto especialmente dos seus livros sobre o nosso país (O último acto em Lisboa e o Uma companhia de estranhos). Quem gosta de policiais históricos não deve deixar de ler. 

Mário Zambujal - Também, tal como com a Rosa Lobato de Faria, me convenci de que não iria gostar dos livros deste escritor. Tola que fui. Foi divertidíssimo ler este Dama de espadas (crónicas dos Loucos amantes)

Lídia Jorge - Gosto. A autora é amorosa e escreve muito bem. Gostei do "O vento assobiando nas gruas" (adoro o título) e do "Combateremos a sombra". Tenho ainda vários livros da escritora para ler, é uma vergonha nunca ter lido o "A costa dos murmúrios" por exemplo.

Frank McCourt - Um homem como uma história de vida fantástica que escreve na primeira pessoa. As Cinzas de Angela encantaram-me e o "Esta é a minha terra" conquistaram-me definitivamente.

Hoje fico-me pelos 8 escritores que mereciam mais reconhecimento mas seria tão fácil escolher muitos mais. Principalmente escritores Portugueses que escrevem tão bem mas que são tão pouco lidos. E na verdade mereciam muito mais reconhecimento.


Ainda Alice, de Lisa Genova





Quando a Márcia, no meu primeiro encontro da Roda dos livros, falou neste livro o meu coração falhou uma batida. Quando,muito ao seu jeito, leu algumas passagens ficou-me uma dor no peito que não melargou todo o dia. Ela foi a última a falar e ainda bem que acho que não tinhaficado lá se tivesse sido a primeira e aquelas palavras continuassem a ouvir-sena minha mente.
Claro que tinha que ler este Ainda Alice. Masmesmo aquelas palavras não me prepararam para a viagem que ia fazer ao ler estelivro. Sinceramente não me interessa se está bem escrito, se tem uma linguagembonita ou não.
Ler este livro é conhecer o meu Pai. Ele, talcomo Alice, teve Alzheimer Precoce. Ele, tal como ela, perdeu-se de si e de nósdemasiado cedo. Eu era uma miúda quando isso aconteceu mas de alguma formaconvenci-me de que ele não teria tido total consciência da degradação da suamente e que a sua doença teria sido mais horrível para os outros do que parasi. Ao ler este livro essa esperança ruiu. E apesar de pensar “isto é um livro,é impossível ter a certeza do que outro alguém sente” não posso deixar de saberque para ele o caminho deve ter sido excruciante.
Li várias opiniões sobre este livro e eraunânime que este livro devia ser lido por quem conhecia alguém com Alzheimer.Sinceramente não concordo. A realidade é suficiente, ler isto é pura tortura.
Está tudo aqui. Os primeiros lapsos, asprimeiras falhas, o diagnóstico incorreto ou incompleto que faz com que otratamento seja tardio e que, no entretanto, haja quem se julgue louco (e nemsempre é o doente). A desorientação que faz com alguém se perca no seu caminhopara casa. A perda de capacidades cognitivas. O afastamento dos amigos, a marcaescarlate que uma doença mental acarreta. As alucinações. O amor mais sentidoque pensado e que mesmo assim insiste em aparecer. Os erros, os acertos, dosoutros, da família que  tem que fazeropções.
E a derradeira opção. O momento de parar. Apossibilidade de escolher. Quais são os limites da dignidade humana? Será queos momentos de pura felicidade que podem existir compensam tudo o resto? Quando é a que liberdade de morrer na altura certa vai ser dada a todos?
Não é um livro para toda a gente. Atrevo-me adizer que nem toda a gente merece ler este livro. Porque este livro tem que serlido com o coração.

Sinpse
O mundo de Alice é perfeito. 
Professora numa conceituada universidade, é feliz com o marido, os filhos, a carreira. E tem uma mente brilhante, admirada por todos, uma mente que não falha… Um dia, porém, a meio de uma conferência, há uma palavra que lhe escapa. É só uma palavra, um brevíssimo lapso. Mas é também um sinal de que o mundo de Alice começa a ruir. 
Seguem-se as idas ao médico e, por fim, a certeza de um diagnóstico terrível. Aos poucos, Alice vê a vida a fugir-lhe. Amada pela família, unida à sua volta, é ela que se afasta, suavemente arrastada para o esquecimento, levada pela Alzheimer. 
Ainda Alice é a narrativa trágica, dolorosa, de uma descida ao abismo, o retrato de uma mulher indomável, em luta contra as traições da mente, tenazmente agarrada à ideia de si mesma, à memória de uma vida e de um amor imenso.

(Quando fui procurar a sinopse descobri que este livro está à venda por 2.9€)

A vida secreta das Abelhas, de Sue Monk Kidd


O problema de alguns livros são a comparação com outros. Aolongo da leitura deste livro não conseguia deixar de me lembrar do “Asserviçais”.  O tema e a época são mais oumenos os mesmos: o racismo na América dos anos 60, a relação entre uma miúda brancae várias mulheres negras. Aqui temos também a violência familiar que nos fazrefletir.
O que mais gostei de ler foi a história da Madona Negra// Nossa Senhora das Correntes e de tudo o que a envolvia. Gostei especialmente da forma como August explica a Lily que a ligação com Maria se encontra dentro dela e não numa imagem. Achei tão certo que uma escultura de um barco se tornasse para um povo a imagem física de um culto e que isso tivesse acontecido por escolha. Porque eu própria acredito que ter fé é uma escolha pessoal.
Dos personagens o que mais me atraiu foi May, como não podia deixar de ser. Se bem que nunca, mas nunca na vida iria tentar salvar baratas. Detesto matá-las, é certo, mas formar um carreirinho de comida para as salvar? Tenham mas é juízo. Nojo puro.
Gostei de aprender um bocadinho mais sobre abelhas. Gostei dos pequeninos trechos de livros técnicos no início de cada capítulo. Gostei das malucas dos chapéus amigas da August, May e June. E só por causa delas tenho vontade de ver o filme.
Ah e gostei do final, da história da mãe de Lily.
E à medida que escrevo esta opinião apercebo-me de que, se calhar, gostei mais do livro do que achava. Não é nenhum livro obrigatório, mas se o tiverem por aí não deixem de ler, não serão horas perdidas.
 
Não deixa de ter piada o facto de, enquanto lia este livro,ter no braço os vestígios de uma picada de abelha. Como sou um bocadinhoalérgica as picadas desses bichinhos amorosos deixam-me sempre marcada unsdias/semanas..
 

Sinopse
Um romance sobre o poder transcendente do amor e a faceta feminina de Deus. Uma história que as mães gostarão de contar às filhas.
Lily cresceu na convicção de que, acidentalmente, matou a mãe quando tinha apenas quatro anos. Do que então aconteceu, ela tem não só as suas próprias recordações mas também o relato do pai. Agora, aos catorze anos, tem saudades da mãe, a quem mal conheceu mas de quem recorda a ternura, e sente uma desesperada necessidade de perdão. Vive com o pai, violento e autoritário, numa quinta da Carolina do Sul, e tem apenas uma amiga, Rosaleen, uma criada negra cujo semblante severo esconde um coração doce. Na década de 60, a Carolina do Sul é um sítio onde a segregação é ainda realidade. Quando, ao tentar fazer valer o seu recém- -conquistado direito de voto, Rosaleen é presa e espancada, Lily decide agir. Fugidas à justiça e ao pai de Lily, elas seguem o rasto deixado por uma mulher que morreu dez anos antes e encontram refúgio na casa de três excêntricas irmãs apicultoras. Para Lily esta vai ser uma viagem de descoberta, não só do mundo, mas também do mistério que envolve o passado de sua mãe.
"A Vida Secreta das Abelhas" é um romance sobre o poder transcendente do amor e a faceta feminina de Deus. Sue Monk Kidd, ao escrever sobre o que é misterioso, e até difícil, na vida, ilumina tudo o que esta tem de maravilhoso. Ela prova que uma família pode ser encontrada nos sítios menos prováveis – talvez não sob o nosso próprio tecto, mas no sítio mágico onde encontramos o amor.


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