Ler por aí
 
27 de Junho de 2013

O facto de nunca ter ouvido falar deste livro devia ter-me alertado para o facto. Mas a verdade é que ser conhecido não implica ser bom. Mas este não é nem conhecido nem bom.
A sinopse prometia imenso. Mas começamos logo por perceber que a sinopse não bate certo com o livro uma vez que não se deram ao trabalho de traduzir o nome da miúda na dita sinopse. Porque raio a tratam por Luck na sinopse se a tratam por Sorte ao longo do livro?
Depois, isto não é um romance nem histórico nem de fantasia. É um romance e é uma seca. Uma série de clichés (orfã, bem tratada - o que lhe permite ser culta contra todas as expectativas, mal tratada - o que lhe permite sobreviver em situações adversas e contra todas as expectativas, escolhidas pelos deuses - uma tal confusão de deuses que não tive paciência para os aprender) seguidos do romance mais bera que já vi nos livros. Ele apaixona-se perdidamente por ela e ela por ele, mas ela é mais cachorrinha que mulher, completamente submissa (os laivos de tagarelice não a fazem corajosa- fazem-na simplesmente parvinha) e não se passa mais nada neste livro que o romance dos dois. Sinceramente como raio comparam isto à (grande) Marion Zimmer Braddley ou à Juliet Marilier ou à Anne Bishop ou à Trudi Canavan é coisa que não compreendo.

publicado por Patrícia às 16:40 link do post
23 de Junho de 2013

A lista de livros por ler está a aumentar. Foi a feira do livro onde comprei 3 livros, foi a feira de trocas da biblioteca dos Olivais onde adquiri a custo 0 mais 3, é a falta de tempo para ler, são os empréstimos da roda, são as promoções de 60% das livrarias, são as promoções dos jornais (os crónicas de Gelo e Fogo a 5 euros? estou lá, sem pensar duas vezes). Enfim, cá por casa vai aumentando a pilha de livros por ler e eu confesso: detesto isso. Claro que gosto de ter um livro novo para ler sempre que me apetece, mas sinto-me um bocadinho fraudulenta por ter n livros em casa que ainda não li. Já sei que comparada com muita gente, tenho pouquíssimos livros por ler (claro que para além desses 29 que constam da página ao lado, tenho ainda que acrescentar os livros da Sábado que comprei a 1 euro cada e que aguardam pacientemente a sua vez) mas cada um sabe de si e eu, como leitora, não gosto de ter livros na estante que ainda não li.
Por tudo isto o meu desafio (acho que é primeira vez que embarco num desafio) é não comprar nenhum livro até ler esses 29 que estão aí na página ao lado (excepto as crónicas de gelo e fogo) - ou seja não comprar nenhum livro no próximo ano.*

* ok, vai ser impossível, mas posso tentar, não posso?
publicado por Patrícia às 13:51 link do post
22 de Junho de 2013




Os títulos dos livros atraem-me muitas vezesmas nem sei porquê não consigo atinar com este título que até é giro, que faztodo o sentido mas que por alguma razão não me fica na memória, tenho que fazerum esforço por me lembrar da frase que sei que incluí o “céu” mas que nunca seise é debaixo de qualquer céu ou coisaparecida.

Mas vai ser difícil esquecer algunspersonagens deste livro.
Mas vamos por partes. Comecei a lê-lo semqualquer expectativas. Sim, sei bem que Nuno Camarneiro, com este livro, ganhouo prémio Leya. Mas já ouvi opiniões boas e outras más e acabei por ficar semgrande curiosidade e as expectativas bem balanceadas.
Encantei-me às primeiras páginas. Nem foi pelahistória, o que pode parecer estranho, foi pelas palavras, por uma espécie depoesia (provavelmente imaginada) que lhe senti. Li as primeiras folhas parandoem várias frases, imaginando outras, tentando absorver a história, conhecer osinúmeros personagens. Depois veio um sentimento escuro, uma nostalgia etristeza que me acompanhou até ao fim. Há livros que se explicam melhor porimagens, por cores e este é em tons de cinza e negro com alguns raios de luz(azul?) a lutar contra a escuridão.
 Não égente feliz aquela e nem o toque de esperança final me mudou o sentido. Seremostodos, afinal, assim? Sem esperança, sem querer? Sem Crer?
Num livro passado em vários dias, com cada umespecificado, não pude deixar de me arrepiar com a noite de Natal daquelagente. Sou uma apaixonada pelo Natal, pela confusão da família, pelas comidas,pelos doces, pelos risos, pelos jogos. Detesto televisão no Natal, detestocasas vazias, sono, solidão. Gosto da confusão, gosto da expectativa. E a estagente faltou-lhes tudo, os risos, os beijos, a esperança, a ansiedade.  Acho que foi esse o momento mais negro destelivro.
De todos os personagens interessaram-me oDavid e o Marco Moço deste início. O David pelo mistério da personagem, pelasolidão escolhida, pela tentativa de rebelião. O Marco Moço pela luz que cedolhe intuí, pela paz que transmitia, imagino-o um velho com a pele morenacurtida pelo mar e pelo sal, com voz doce e serena.
Não aconselho a que se leia este livro àespera de uma história complexa mas óbvia. E não sou daquelas leitoras queextrapola e faz paralelismos com a realidade e lê nas entrelinhas os segundos eterceiros sentidos que se imagina que os escritores quiseram transmitir. Leioum livro como ele se me apresenta, com as palavras a construírem cenas quecontam uma história. E esta é uma história fragmentada em cenas isoladas, umpuzzle que constrói uma imagem que é afinal um fragmento do todo que, sequisermos, imaginaremos.
Isto tudo para dizer que gostei deste livro,gostei mesmo muito. Não me interessa se foi premiado, se reúne ou nãoconsensos. Um livro vale pelo que consegue transmitir. E eu, por algumas horas,vivi naquele prédio.
publicado por Patrícia às 12:03 link do post
19 de Junho de 2013

Imaginem um roda cheia de livros, onde vocês podem, a cada volta da roda, escolher um para ler, mimar e partilhar. Depois devolvem-no à roda e escolhem outro. Imaginem que gostam tanto de um livro que também o levam para a roda para que outro o possa ler. E nas leituras a partilha é melhor que o individualismo e uma conversa melhor que o silêncio.
Na "Roda dos livros" é isto que se passa. Um grupo de gente diferente que se junta de vez em quando para partilhar uma paixão. E os livros são um vício, uma paixão, uma ponte entre desconhecidos que, de um momento para o outro, se sentem conhecidos e confiam o suficiente para partilhar livros e palavras (muitas palavras) e risos e lágrimas em nome... dos livros.
Há amizades que se constroem à volta de uma mesa de café e outras à volta de uma mesa cheia de livros. E eu sinto-me privilegiada por me terem aceite no grupo e por ter oportunidade para ouvir, partilhar e aprender com eles. 
Parte, uma pequena parte, do que se passa na Roda dos livros pode ser lido aqui, no blog onde se partilha opiniões, se faz sugestões. Eu irei partilhar também lá algumas opiniões que aqui escrevo. Mas como é um blog partilhado por tantos tem opiniões para todos os gostos, de livros muito diferentes e tem algo muito interessante: várias visões sobre o mesmo livro, porque cada um tem a sua opinião...

publicado por Patrícia às 23:15 link do post
18 de Junho de 2013

Quem gostade livros já começou uma frase assim: "tens que ler o livro...".Disse-o inúmeras vezes, ouvi-o outras tantas. Também já aconselhei autores (aminha querida Marion Zimmer Bradley, por exemplo). Eu sou muito de autores.Sou-lhes fiel e quando gosto tenho a tendência a ler todos os seus livros.Durante alguns meses "vendi" a todos os meus amigos e conhecidos oValter Hugo Mãe e o seu "A máquina de fazer espanhóis" que adorei.Subitamente vi-me a desaconselhar o livro "O remorso de BaltazarSerapião" com igual veemência. E questiono-me, faz sentido ter escritoresobrigatórios? Livros faz, certamente, mas escritores que ainda não completarama sua obra, que ainda estão a crescer? Não será demasiado injusto julgar oescritor por uma obra?

Na realidadequando comecei a escrever este post fi-lo com o intuito de escrever sobre osescritores Portugueses "obrigatórios". Esta nova geração deescritores que anda nas bocas do mundo, que se "vendem" muito bem,que geram ódios, ciúmes e paixões. Qual é, afinal a obrigatoriedade de os ler?o que perdemos se não o fizermos?

E mais, serápossível julgarmos de facto um livro depois de ouvir tanta coisa (boa e má,geralmente em igual quantidade), depois de construirmos tantas expectativas?

publicado por Patrícia às 12:56 link do post
11 de Junho de 2013

Começar a ler um livro com expectativas altas não costuma ser um bom presságio para a leitura. Não foi o caso. Adorei este livro e a pergunta que me faço é “porque demorei tanto tempo a pegar-lhe?”.
É-me difícil acreditar que este livro foi escrito em 1948. É que continuaria a ser um grande livro se tivesse sido escrito hoje. Mas a verdade é que foi escrito há quase 70 anos e continua hoje a ser um livro fantástico.
 
Vejo os clássicos como obras primas da literatura. São-no porque são literariamente especiais, fazem um retrato de época mas geralmente respeitam uma série de regras que só fazem ser sentido porque foram escritos em determinada altura. Nada disto se passa com o 1984. Este livro não precisa de qualquer enquadramento para ser lido e apreciado. Não faz um retrato de uma época, em vez disso apresenta-nos uma sociedade alternativa e é brilhante. Atualmente estão na moda as distopias (lembro-me por exemplo dos “Jogos da fome” e de“Divergente”). Sinceramente não acredito que estes livros existissem sequer se o 1984 não tivesse sido escrito. Acredito que este livro mudou o mundo. E a verdade é que não mudou apenas o mundo de quem gosta de ler. Para o melhor e para o pior trouxe-nos o conceito de Big Brother, de total ausência de privacidade. Seria de pensar que quem lê o livro ficaria com asco ao BB. No entanto alguém que efetivamente leu o livro (ou terá apenas ouvido falar da história?) lembrou-se que seria interessante espetar com 12 pessoas em algo parecido a esta sociedade. Enfim…
Poderia contar-vos a história. Seria tão fácil fazê-lo mas isso iria, a quem ainda não leu este livro, estragar a leitura. Para quem já leu o livro: é ótimo não é? Dá arrepios, não vos parece? A lógica subjacente a toda a sociedade é tão simples que quase dá para acreditar que iria funcionar. Quase…

Não posso deixar de realçar a linguagem que o autor inventou para este livro. Horrível a ideia de limitar a liberdade limitando a capacidade de exprimir ideias por inexistência de vocabulário. E no entanto, cada vez menos utilizamos a fabulosa língua que temos, limitando-nos a nós próprios exatamente da mesma forma.

publicado por Patrícia às 15:31 link do post
02 de Junho de 2013



Anéis entrelaçados. Assim como os do símbolodos jogos Olímpicos. É a imagem de anéis entrelaçados que me vem à cabeçaquando penso neste livro.
Ando a ler os livros de Jo Nesbø numa sequência que não lembra o diabo. Comecei pelo 4º e passei agorapara o segundo. Não fazer o trabalho de casa antes de ir à livraria é no quedá. Adiante, que isso não me incomodou assim tanto.
Anéis entrelaçados. Histórias dentro dehistórias, vidas que se enrolam umas nas outras. Gostei. Gosto dos personagensprincipais, gosto de Harry Hole e de Beate. Gosto muito da Beate Lønn. Acho que ela e o Hole fazem uma óptima parceria.
Um assalto a um banco (com uma vitima mortal)dá o mote. Mas o crime que nos leva a ler página atrás de página é a morte deAnna Bethsen, uma antiga namorada de Hole que está na cidade. Hole ésimultaneamente investigador e suspeito desta morte. Curiosos? Leiam o livroque acerca e um policial não se diz grande coisa.
Não é propriamente o mistério e aidentificação dos culpados que me faz gostar de um policial. Aliás devo dizerque desde o inicio adivinhei o culpado da morte de Anna e que cedo percebi otruque da história do Banco. Foram os porquêsque me agarraram.  Foi o como. Foram os fios condutores que melevaram a conhecer um pouco melhor Hole que me agradaram.
Como único ponto negativo tenho a apontar ahistória atrás da história (já vos tinha dito que isto me lembra anéis entrelaçados?)e o envolvimento do Waaler. Esta parte vai arrastar-se quanto tempo? Por quantoslivros? Claro que convém haver um fio condutor a ligar os livros mas ser umarqui-inimigo do qual só se vai conhecendo migalhas não me agrada por aí alémuma vez que o mais atrativo dos policiais é podermos fechar o livro com osentimento de “fim”. Coisa que não acontece nestes livros.
E agora acho que vou mudar de estilo de livropor algum tempo e vou arrumar as armas e os policiais. Mas vai ser apenas porpouco tempo.  
publicado por Patrícia às 18:35 link do post
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02 de Junho de 2013

Acabei de chegar da feira do livro. O entusiasmo este ano não era enorme mas à medida que se aproximava o dia marcado a expectativa crescia. Aliás os inúmeros posts com as compras planeadas e efectuadas que a maioria dos bloggers insistiu em fazer ajudaram à festa.
E hoje lá fui. E tenho várias coisas a comentar.
As barraquinhas dos alfarrabistas continuam a ser as minhas preferidas. Claro que ir lá ao sábado à noite e tendo a feira começado há mais de uma semana não é o mais inteligente. Mesmo assim consegui trazer dois livritos a preços simpáticos. Na realidade um deles (da Rosa Lobato de Faria) que comprei por 5 euros está à venda novo (em versão de bolso) a pouco mais desse valor. Mas, nem sei bem porquê, já se tornou uma tradição comprar os livros da Tia Rosinha nos alfarrabistas da feira do livro.
Trouxe também a 3 euros um livro que quero ler há bastante tempo: "O Adeus Princesa", da Clara Pinto Correia. Para este as expectativas são baixas mas gosto do título e tenho alguma curiosidade em ler um livro desta autora.
Para além disso aproveitei o desconto da feira para comprar o livro da Maria João Lopo de Carvalho, "A Marquesa de Alorna", em livro de bolso.
Mas continuo a não gostar das praças das grandes editoras. Ou melhor da praça da LEYA que aquilo é uma confusão do pior, toda a gente se empurra, um barulho que não se pode e ainda tive que levar com um misto de mornas (que adoro) e de música pimba (juro que dava para fazer bailarico) que me irritou solenemente.
Tirando os alfarrabistas não acho as promoções da feira assim tão boas a não ser que se vá lá na hora H. O que nem sempre é fácil. infelizmente começo a trabalhar às 8h da manhã, pelo que ficar em Lisboa até às 10h da noite implica chegar a casa por volta da meia-noite - e ser um zombie no outro dia. E ao fim de semana não há (acho) hora H.
Tivemos também a triste ideia de lá ir jantar. As bifanas tinham acabado e a pita shoarma estava intragável, salgadíssima e trazia batalha palha lá enfiada (???!!!). baghhhh, um nojo.
Salvou-se a ginjinha (não dá para estragar, certo?) e a companhia.
E sendo sábado à noite não seria de haver umas actividades?  Sei lá, umas sessões de autógrafos, qualquer coisa que animasse a feira? Nada planeado para a noite. Digo eu, que tenho mau feitio, que fazia falta.
Mas apesar de tudo adoro a feira do livro, passear entre livros e gente que gosta de livros. 
Parabéns aos livreiros e a todos os que lá trabalham. Não deve ser fácil aturar as gentes que por lá passam e, a um sábado à noite, ainda distribuir simpatia.

publicado por Patrícia às 01:47 link do post
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