Ler por aí
 
29 de Janeiro de 2012


Foi com muita curiosidade e altas expectativas que comecei a ler o último livro de uma autora de que gosto muito. Júlia Navarro escreveu a Bíblia de Barro, um dos livros que mais gostei de ler.
Na Espanha actual, um jornalista frustado, Guillermo, é contratado pela tia para desvendar a história da bisavó desaparecida. Ao longo do livro conhecemos um pouco Guillermo, a sua Mãe e a sua Tia. Os três são personagens desagradáveis, irritantes e absolutamente dispensáveis. A autora opta por contar a história de Amelia Garayoa aos bochechos seguindo a investigação levada a cabo pelo seu bisneto. Para mim a pior opção possível. Se inicialmente parece ser engraçado seguir os problemas do Guillermo mais para o fim torna-se extremamente irritante ouvir falar deste e de sua mãe (e dos seus telefonemas). Guillermo é guiado por várias personagens até descobrir a história de Amelia. Para mim também esta parte é menos bem conseguida. É tudo demasiado fácil e o jornalista é guiado como se de marioneta se tratasse. Claro que todos se lembram exactamente das palavras que Amelia pronunciou há 70 anos atrás e claro que era à primeira que Guillermo encontrava as pessas certas.
Calculo que a intenção a escritora fosse contar a história do sec. XX através de uma mulher e para isso um narrador omnisciente teria sido mais agradável. 
Mas não se enganem. Apesar disto adorei o livro. Apesar de ser impossível que apenas uma mulher passasse por tanto, apesar de Guillermo, apesar do final um tanto ou quanto ridículo. 
Amelia começa por ser uma miúda mimada que fazia parte da burguesia espanhola, que casa (meio por interesse, meio por amor) com Santiago e que tem um filho quando não tem, obviamente, maturidade para ser mãe. Passa de miúda mimada para mulher apaixonada (e tolinha) quando conhece Pierre. Não sei se é verdade que a necessidade cria o engenho mas basicamente é essa a vida de Amelia. De aventura em aventura, de desgraça em desgraça, de vitória em vitória vive a vida que começou a forjar numa época em que as mulheres não tinham voto em (quase) nenhuma matéria. Uma outsider toda a vida, vive à margem do que deveria ter sido a sua vida.
Mas é através da sua história que somos guiados ao longo da história do Sec. XX, começando numa Espanha dividida pela Guerra Civil, por Paris, passando por Buenos Aires a caminho da Moscovo de Estaline. Londres, Berlim, Varsóvia e até o Cairo  formam o palco da vida de Amelia. 
O comunismo, o nacional-socialismo, a Segunda Guerra Mundia, a espionagem e os jogos politicos do Mundo do século XX são o verdadeiro tema deste livro e foi precisamente disso que gostei.
A Amelia não é uma personagem com a qual se crie grande empatia, eu pelo menos não criei.  Mas vi em Amelia muitas outras personagens, algumas de que por quem torcia e outras de que não gostava nem um pouco. Neste livro, um romance histórico, encontra-se o melhor e o pior da humanidade e relembrou-me que até há pouco tempo era permitido que houvesse um muro que dividia um país, que se matava com impunidade quem não pensava da forma estabelecida, que os jogos de poder não levavam em consideração que a vida humana é o mais importante, que a dignidade não deve ser negligenciada, que a honra e o respeito são valores a preservar e que o importante da vida é ser feliz. E não consigo deixar de pensar que me lembro da queda do muro de Berlim, que já visitei aquela cidade e que ainda está enraizado na mente, no coração e no corpo de muitos tudo o que se passou antes de 1989. E que não sentido pensar que tudo isto é história porque acredito que ainda não o é. Hoje como antes, há muitos erros e crimes a serem cometidos.
publicado por Patrícia às 19:57 link do post
26 de Janeiro de 2012

Quando eu morrer batam em latas,Rompam aos saltos e aos pinotes,Façam estalar no ar chicotes,Chamem palhaços e acrobatas!Que o meu caixão vá sobre um burroAjaezado à andaluza...A um morto nada se recusa,Eu quero por força ir de burro.                       Mário de Sá Carneiro
publicado por Patrícia às 22:16 link do post
18 de Janeiro de 2012

Passei por muitas fases em relação aos livros. Foi fã dos livros dos Cinco, sete, gémeas e companhia. Depois passei para os Hardy, Nancy, Patrícia. Li os clássicos portugueses (Júlio Dinis, Camilo Castelo Branco), li tudo o que me passou pelas mãos sobre droga logo após ter lido Os filhos da droga. Os livros da Agatha Christie e os de Sir Arthur Conan Doyle sobre o mítico sherlock holmes foram uma das mais interessantes fases da minha adolescência. Embarquei nos clássicos mundiais, em que destaco “O Conde de Monte Cristo” e “Os três mosqueteiros”. Apaixonei-me pelos romances com Jane Eyre e Orgulho e Preconceito. Aos 16 “encontrei-me” nos livros de Marion Zimmer Bradley, com os quais descobri e me apaixonei pela mitologia e pelo fantástico.
O meu fascínio pelo Egipto encontrou eco nos romances históricos de Christian Jacq e mais tarde aprofundei o gosto pelos romances históricos com Colleen McCullough e o seu “O primeiro Homem de Roma”.
Continuo a gostar de praticamente todos os géneros literários embora o romance puro tenha sido praticamente excluído da minha vida (com exceção de alguns clássicos) pois confesso que me começaram a enjoar as histórias típicas e a poesia nunca tenha sido uma constante (mea culpa). Até há pouco tempo não hesitava em considerar o fantástico como um dos meus géneros literários de eleição.
Mas atualmente hesito na resposta. Não suporto os livros de fantasia que por aí andam, já nem consigo olhar da mesma forma para os que tenho lá na estante. Cada vez tenho mais dificuldade em considerar aceitáveis os livros mais in do momento.
Acho mesmo que passei para outra fase e sinceramente acho isso bom. Mas caramba, nunca pensei que acontecesse!
publicado por Patrícia às 17:31 link do post
09 de Janeiro de 2012

Tenho uma série de livros escolares já antigos que não cabem cá em casa mas está-me a fazer um bocadinho de espécie. Vou perguntar lá na biblioteca se por acaso os aceitam.
Vocês por acaso não sabem se há quem aceite (e utilize) livros (6º,7º e 8º ano) já velhinhos (mas em bom estado)? Sei que o programa mudou, que o acordo ortográfico trocou as voltas aos miúdos, mas exercícios são  exercícios, o Francês e o Inglês não mudou assim tanto e a história é imutável (bom, mais ou menos). 
Faz-me um bocado de confusão deitar livros fora, pronto.
publicado por Patrícia às 22:37 link do post
08 de Janeiro de 2012


Não é lá grande ideia começar a ler um livro antes do Natal, principalmente um tão grande como este, pois o mais provável é que a leitura se arraste. Aconteceu-me com este livro. 

O Físico é talvez o livro mais conceituado deste escritor e quase todas as opiniões que já ouvi elevam-no a Obra Prima. Na realidade não acho que o seja.
Começando pelas partes menos boas...
A tradução, que talvez  não seja das melhores (li a edição da Sábado) pelo que acredito que o original seja melhor. 
A história é demasiado previsível. Estive sempre à espera de uma reviravolta qualquer, que nunca chegou, que desse um impulso novo ao tom um pouco monocórdico desta história.
Posto isto vamos à parte positiva do livro.
A história de Rob Cole mistura-se com a história da medicina do sec XI. Em Inglaterra Rob e os irmãos ficam órfãos e são separados por várias familias. Rob passa a ser o companheiro do Barbeiro que percorre Inglaterra a vender o Específico Universal (cura tudo), a fazer shows de malabarismo e tratar de todos aqueles que não podem pagar um Físico a sério. Assim cresce a aprender a ser barbeiro-cirurgião, amar a medicina e a aceitar a responsabilidade que está associada ao dom de curar e de sentir a vida e morte em cada pessoa que encontra. Rapidamente sente a frustração de não saber o suficiente e de não conseguir curar todos os que encontra no seu caminho. Quando conhece um Físico Judeu que lhe fala de uma escola para Físicos na Pérsia, Rob decide ir para lá. 
O que torna esta história interessante é a mistura de culturas e religiões. Cristianismo, Judaísmo e Islamismo misturam-se nas culturas Ocidentais e Orientais. Os ódios raciais eram, tal como hoje, limitativos, discriminatórios e injustos. O saber não estava ao alcance de todos e a decisão de quem era merecedor era feita com base na raça e religião e não na inteligência e talento.
A medicina estava mais desenvolvida do que se poderia pensar mas é engraçado ver como coisas tão banais como uma apendicite não eram conhecidas e eram absolutamente mortais.
Este livro faz parte de uma trilogia que vou, sem dúvida, tentar ler.
publicado por Patrícia às 19:16 link do post
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