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Ler por aí

Ler por aí

As leituras de 2011

O ano de 2011 começou muito bem com O rapaz dos olhos azuis e o Tigre Branco, dois livros que amei ler sendo este último um dos livros do ANO. Em Fevereiro reconciliei-me com o José Luís Peixoto só por causo do Livro. Já Março foi um mês de altos e baixos: O Filósofo e o Lobo (outro candidato a livro do Ano) foi o livro estrangeiro e a batalha Portuguesa foi ganha pelo Homem que Sonhava ser Hitler e perdida pelo Anjo Branco. Abril foi o mês da Fantasia, onde o vencedor foi português com o Evangelho do Enforcado (livro do ano???), seguido não tão de perto assim pelos Aliança das trevas e A Senhora de Shalador. Ainda no capitulo da fantasia destaca-se o, para mim, pior livro do ano, O Dardo de Kushiel, que nem sequer acabei de ler. Mas como nem só de fantasia se fez este mês duas senhoras encantaram-me com o No seu mundo e 4&1 quarto.
Em Maio fui Jerusalém e desiludi-me com Tudo por amor. Junho e as férias trouxeram-me boas e más surpresas. Nas boas, O último Cabalista de Lisboa, À Procura de Sana e O meu País inventado. A má notícia foi que descobri que estou demasiado velha para fantasia da treta como a de A noite de todas as almas”. Julho foi um mês português, com Uma viagem à India e o último Papa. Em Agosto escolhi antes a Papisa Joana, fui até lá Abaixo e conheci a mentira sagrada que me deixou pouco interesse por continuar a ler este escritor.
Em Setembro, o pior mês das leituras, foi um sacrifício ler O braço esquerdo de deus e em outubro desisti da fantasia para me dedicar a Combateremos a Sombra e aos Olhos amarelos dos crocodilos. Novembro foi “O” mês com a Criança que não queria falar e a Pequena abelha. Os íntimos e os Pilares do mundo fecharam o ano no feminino.

Escritores

Li com prazer a crónica do Pedro Mexia na revista LER deste mês sobre as máquinas de escrever. Um pouco de nostalgia (também tive uma, aliás ainda tenho lá por casa, tenho que ver se ainda arranjo um fita para ela) que me levou a pensar sobre a dificuldade de escrever um livro.
Antes da era dos computadores pessoais que permitem que se escreva (e apague, a parte do apagar é importante) em todo o sitio, que se reformule numa assentada o que demorou imenso tempo a escrever, o simples ato de passar para o papel as ideias não era assim tão simples. Refazer um capítulo devia ser um pesadelo. Repassar uma folha porque se escreveu duas vezes a mesma frase ou porque afinal aquele adjetivo não é o correto implicava interromper um raciocínio que nem sempre é fácil recomeçar. Nunca escrevi um livro, mas imagino que se ande para trás e para a frente imensas vezes.
Antes da era dos corretores ortográficos e dicionários online quem escrevia um livro, palavra a palavra, tinha que saber – mesmo - escrever, tinha que conhecer a ortografia, a sintaxe, a morfologia das palavras…
Para além do talento, indispensável, era preciso técnica, uma enorme perseverança e força de vontade . Acredito que estas dificuldades eram um ótimo filtro para que os verdadeiros talentos emergissem e que a “necessidade de escrever” fosse a verdadeira razão para que um livro fosse escrito
Atualmente a facilidade é tanta, com os computadores, os corretores ortográfico e as sugestões de sinónimos que por vezes se dispensa até o talento…

Os Pilares do Mundo, de Anne Bishop



Anne Bishop é o género de escritora que nos consegue prender à história, mesmo quando ela não é grande coisa.  Um livro que se lê sem parar, num fôlego só.
A saga das jóias negras foi uma pedrada no charco. Não estava habituada a esse género de fantasia e fiquei presa aos 3 volumes da trilogia. Os seguintes já foram um pouco demais, tanto que ainda não tenho, nem li, o final da saga. Já conheço a história (li todos os spoilers disponíveis) e não sei se quero que, para  mim, o final seja aquele. Depois, com Sebastian e Belladonna, Anne Bishop demonstra, outra vez, a fantástica imaginação que tem e cria um mundo completamente diferente. E Belladonna é, talvez, a minha personagem favorita dos universos de Bishop.
Com esta nova trilogia temos novamente um mundo novo, com algumas semelhanças aos outros (sonhos tornados realidade, lembram-se?) e com personagens incompreendidas, fascinantes e simpáticas.
Mas começa a parecer-me “mais do mesmo”, com a sexualidade em primeiro plano (se bem que desta vez muito, mas muito mais soft) a par com a violência/maldade extrema, uma história que varia pouco e um grande fascínio pela morte. Por acaso é mesmo a Ceifeira a minha personagem favorita e é ela a única razão para que vá ler os próximos dois volumes da trilogia.

Os Íntimos, de Inês Pedrosa




Foi o primeiro livro da escritora que li e não posso deixar de me sentir um pouco desiludida. Esperava mais e o problema das expectativas é que elas crescem e na maioria das vezes ficamos com um certo formigueiro na ponta dos dedos.
Afonso é o fio condutor desta história que dá voz a 5 amigos, homens, diferentes e com uma amizade “tipicamente” masculina. Ou pelo menos é isto que a autora parece pretender. Afonso, Filipe, Pedro, Guilherme e Augusto reúnem-se para um dos seus habituais jantares e ao longo do livro conhecemos os seus pensamentos e boa parte da sua história. E principalmente a história da sua amizade, a tal tipicamente masculina (o que quer que isso seja) com todos aqueles clichés habitualmente atribuídos aos homens (e às mulheres). E foi aqui que este livro me desiludiu. Não me pareceu uma história sobre a amizade masculina, que compreendo perfeitamente ser atrativa para as mulheres, mas sim um livro sobre o que as mulheres supõem ser uma amizade masculina. Não é que o livro seja mau, porque não é, simplesmente parece-me pretender ser aquilo que não é. E parece-me isto precisamente pelas inúmeras menções ao que “as mulheres são...” e/ou “os homens são...”.
Gostei da história propriamente dita, dos personagens e da forma como todos, mais ou menos, têm voz e contam a sua versão de um mesmo acontecimento. Gostei as intrusões femininas no livro, da carta da Ana Luísa, da história de Bárbara e principalmente do conto da doente do Afonso. Apesar de estar um pouco descontextualizado achei-o brutal (nos vários sentidos desta palavra) principalmente por contrastar tanto com o tom (falsamente) ligeiro do livro.

As aventuras de Penélope, de Mónica Faria de Carvalho



E se dois gatinhos bebés falassem? Revelassem o que lhes vai na alma, manifestassem as suas opiniões sobre o pequeno mundo que os rodeia, exprimissem os seus afectos, gostos e desilusões?
O olhar terno de uma apaixonada por felinos que há trinta anos observa o comportamento dos seus gatos e analisa a forma encantadora que têm de comunicar…
Uma história simples e divertida, para «miúdos e graúdos», protagonizada por dois jovens heróis de quatro patas com forte personalidade e muito amor para dar!


Hoje deixo-vos uma óptima sugestão para a prenda de Natal dos miúdos da família: As Aventuras de Penélope, um livro delicioso escrito por Mónica Faria de Carvalho. As ilustrações são fantásticas e a história um doce. Seguir as aventuras da gata Penélope e do seu irmão vai ser, sem dúvida, uma das magias deste Natal.
Quem sabe este não é o livro certo para que uma criança se apaixone pela leitura?

Não faço, geralmente, divulgações aqui no blog, mas conheço a Mónica há alguns anos e não podia deixar de fazer a divulgação deste livro, tão especial quanto ela. Uma querida amiga a quem desejo toda a sorte (porque o talento já o tem) e felicidade nesta aventura da escrita.