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Ler por aí

Ler por aí

45 days Book Challenge

Acabou ontem a minha participação neste desafio e o balanço que faço é positivo. Achei piada à ideia e a algumas perguntas. No geral vi este desafio como uma forma de mostrar o tipo de leitora que sou, quais os meus gostos e por isso decidi participar. Como não achei graça a algumas perguntas tentei dar a volta à questão fazendo alguma batota e não respondendo directamente. Lamento se irritei alguém desse lado por ter, nalgumas perguntas, sido esquiva ou ter assumido abertamente que achava aquele tema uma treta.
Respondi a quase todas as perguntas no mesmo dia e agendei as publicações. Não consultei livros para ir à procura de citações nem imaginei romances e one night stand. Fui pouco imaginativa e isso terá tirado algum interesse ao desafio... para quem leu. Lamento. Para mim, que respondi ao desafio, foi elucidativo e fez-me recordar algumas leituras e anotar alguns livros para ler (ao ver as respostas do pessoal que também respondeu) e para reler.
Por outro lado responder a todas estas perguntas fez com que o blog estivesse bastante activo. Ando a ler pouco, muito pouco e o blog acaba por ficar sem qualquer actualização durante demasiado tempo uma vez que, aqui, apenas escrevo sobre os livros que li e sobre os que me chamam a atenção por qualquer motivo.
Como acabou o desafio é provável que o Ler por aí fique um pouco mais abandonado nos próximos tempo. A quem teve paciência para me aturar neste últimos 45 dias, obrigado.

Dia 45 – Próximo livro a ler, 45 days Book Challenge

Neste momento divido-me entre o "As quatro últimas coisas" de Paul Hoffman, que não aconselho especialmente, e o "Combateremos a Sombra" da Lídia Jorge.
Para as férias vou ver se despacho o "Os olhos amarelos dos crocodilos" de Katherine Panco (depois de ter lido algumas criticas um bocadinho más, estou com as expectativas abaixo do normal) e depois logo se vê.

Dia 43 – Livro que marcou a infância, 45 Days Book Challenge

Um só? Tenho muitos: Os cincos, O colégio das 4 torres, O colégio de santa clara, Patrícia, etc…
Mas talvez o livro que mais me tenha marcado tenha sido o primeiro. Aquele que me foi oferecido no meu oitavo aniversário e que me asustou um pouco por ser grande e não ter desenhos. Aquele que a minha mãe resolveu ler comigo, um capítulo por dia: eu lia em voz alta enquanto ela fazia o jantar. Esta parceria durou três dias porque eu resolvi que um capitulo apenas não me chegava e que ia acabar o livro "a solo". Acho que ela nunca soube como acabou o livro.
Era o "A pousada do anjo da guarda" da Condessa de Ségur.


O Braço Esquerdo de Deus, de Paul Hoffman


Sinopse:
A sua chegada foi profetizada. Dizem que ele destruirá o mundo. Talvez o faça ...
“Escutem. O Santuário dos Redentores, em Shotover Scarp, é uma mentira infame, pois lá ninguém encontrará santuário e muito menos redenção.”
O Santuário dos Redentores é um lugar vasto e isolado – um lugar sem alegria e esperança. A maior parte dos seus ocupantes foi levada para lá ainda em criança e submetida durante anos ao brutal regime dos Redentores, cuja crueldade e violência têm apenas um objectivo – server a Única e Verdadeira Fé. Num dos lúgubres e labirínticos corredores do Santuário, um jovem acólito ousa violar as regras e espreitar por uma janela. Terá talvez uns catorze ou quinze anos, não se sabe ao certo, ninguém sabe, e há muito que esqueceu o seu nome verdadeiro – agora chamam-lhe Cale. É um rapaz estranho e reservado, engenhoso e fascinante. Está tão habituado à crueldade que parece imune a ela, até ao dia em que abre a porta errada na altura errada e testemunha um acto tão terrível que a única solução é a fuga.
Mas os Redentores querem Cale a qualquer preço ... não por causa do segredo que ele sabe mas por outro de que ele nem sequer desconfia.


Comprei este livro sem conhecer a história, porque gostei da capa, porque me apetecia entrar num outro mundo, num mundo mais alternativo e com poucas parecenças com a realidade. Sem grandes expectativas li o livro num instante mas não lhe dou uma opinião muito positiva. Digamos que fica ali no 2/5 (rating que lhe dei no goodreads) e que após ler a sequela pode (ou não baixar).
A história apresenta-nos Cale, um miúdo de 14/15 anos que vive no santuário dos redentores, local inóspito, cinzento e triste onde a violência e a desinformação imperam. Cale é forjado no medo e na violência e ainda na adolescência é um miúdo duro, cheio de raiva e rancor. Naquele santuário reinam os redentores, monges cruéis e hipócritas, com um objectivo macabro que esperam atingir por meio daqueles jovens que se transformarão em máquinas de guerra por meio dos mais terríveis métodos.
Cale vê o que não deve e comete um “erro” que lhe custará a vida a não ser que consiga fugir e que esta fuga seja bem sucedida. E aqui começam as aventuras de um trio de miúdos que poderia ser muito melhor explorado. Mesmo assim é interessante ver a relação inconstante entre Cale, Henry Vago e Kleist.
O livro até tem um história engraçada, bastante negra e que deve agradar bastante a um público jovem/adulto.
Temos a impressão de estar num mundo criado pelo escritor… mas só até um determinado ponto. A partir de uma certa altura as semelhanças entre a religião apresentada no livro e a religião católica são demasiado evidentes e até ridículas. Na religião Católica o filho de Deus vem à terra para salvar a humanidade e é crucificado. Neste livro o redentor é enforcado. A mãe de ambos é pura e virgenzinha. Há santos (existentes na religião católica), conceito de céu, inferno, orações e pecados. Fiquei estupefacta com uma referência à lenda do homem que viveu 3 dias na barriga de uma baleia. Na bíblia este é Jonas. Aqui é Jesus Cristo. Se o escritor queria escrever sobre a religião católica e sobre a violência religiosa desta igreja, devia tê-lo feito abertamente e sem recorrer a este paralelismo tolo. Se bem que, apesar de toda a violência exercida em nome de Deus, nunca ouvi falar de nada como é descrito neste livro.
Cale é o herói da história. Um herói um bocado relutante e muitíssimo violento. De tal forma que chega a ser difícil criar empatia com o personagem principal. Há momentos que temos pena do miúdo, noutras que lhe achamos alguma piada mas não há grande afinidade com ele.
Mesmo assim o livro lê-se bem e tenho alguma curiosidade em saber como vai acabar a história. Espero, no entanto, que o próximo livro não esteja tão cheio de clichés como este.

Dia 40 – Autor(a) cujo talento invejas, 45 Days Book Challenge

Tantos. Gostava de ter talento para escrever. Admiro os escritores que conseguem criar mundos alternativos e que não se perdem lá dentro. Admiro os contadores de histórias (e isto funciona também para os filmes). Admiro quem consiga fazer de uma estória simples um bom livro, quem consiga fazer rir e chorar. Enfim, admito o talento, o dom para escrever, para transmitir emoções.

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