Ler por aí
 
28 de Junho de 2011

Ando a ler o livro "Uma viagem à India" do Gonçalo M. Tavares. Parece que o escritor ganhou mais um prémio da APE com este livro. Achei piada quando ontem ouvi a noticia na rádio (não interessa qual) e o jornalista dizia com o ar mais sério do mundo que o prémio era para o livro "Uma Viagem à China".
publicado por Patrícia às 15:17 link do post
23 de Junho de 2011

Acho que este é o primeiro livro escrito por Richard Zimler. Curiosamente ainda não o tinha lido. Já dei, neste blog, a minha opinião sobre dois ou três livros deste escritor e mais uma vez confirmo que a sua forma de escrever e as suas histórias são das melhores que tenho lido nos últimos tempos.
Comecei com este livro a série sobre Berequias Zarco, Judeu, vendedor de fruta, iluminista e o último de uma espécie... o último cabalista de Lisboa.
Pelo que o autor conta nas nota de autor este livro é adaptado de um manuscrito escrito entre 1507 e 1530 da era cristã encontrado em Istambul e que, supostamente escrito pelo próprio Berequias Zarco, conta a história deste na Lisboa de 1506.
O livro conta a perseguição feita por Beri ao assassino de seu tio, Mestre Abraão, um famoso Cabalista. Mas este livro é muito mais do que um mero livro “policial”
Na capa da edição de bolso que tenho está um excerto da opinião dos leitores (fonte Bertrand livreiros) onde se diz que “este livro vale pela descrição do massacre de Lisboa de 1506” onde morrerem, em fogueiras no Rossio, mais de 2000 judeus, ou melhor, cristãos-novos, baptizados à força segundo a ordem dada pelo rei D. Manuel anos antes (por volta de 1497). Concordo em absoluto. Este livro vale pela descrição do massacre, da atmosfera Lisboeta daquela época. Este livro serve como testemunho da maldade dos nossos antepassados. A história de um povo é feita não só das suas glórias mas também, e talvez principalmente, dos seus erros, em especial daqueles que têm o poder de mudar o destino das gentes. Sei muito pouco sobre esta época e principalmente sobre este massacre. Acho que quando voltar ao Rossio vou olhá-lo com outros olhos. Não sei se alguma vez aquele local ficará limpo do sangue que correu nas suas pedras.
O que seria de Portugal e da Europa se não tivessem havido atrocidades como esta (e todas as que se seguiram com a inquisição “a sério”)? Nunca saberemos, mas com certeza a nossa vida seria diferente.
Algumas semanas antes de ler este livro li outro deste mesmo escritor ( À procura de Sana) onde era mencionada a importância que este livro teve para Sana entre outras coisas. Confesso que gostei de ler “O último Cabalista de Lisboa” depois de ter lido “À procura de Sana”. Dei mais importância, ou melhor, dei a algumas coisas uma importância diferente da que daria se a ordem não tivesse sido esta. Por exemplo à linguagem gestual desenvolvida por Berequias e Farid.
Questiono-me sobre a veracidade de alguns destes acontecimentos, mas mais uma vez não considero isso de grande importância. Gostei mesmo muito deste livro e estou ansiosa para ler o que resultou dos outros manuscritos de Berequias Zarco.

Vale a pena ler.

Um pequeno comentário mais: Portugal tem um história brutal, fantástica e imensa. Apesar de haver muitos livros e história que a contam há poucas estórias a fazê-lo. Ou pelo menos poucas que o façam bem. Isto é, obviamente a minha opinião. Sei bem que não conheço, nem de perto nem de longe, todos os escritores Portugueses que escrevem romances históricos. Começaram a aparecer nos últimos tempos vários escritores a escrever sobre as colónias, sobre a guerra do ultramar e já há alguns que escrevem sobre a ditadura. Dos que já li parecem-me bons esforços, mas não têm sido livros de que tenha gostado especialmente. Os livros sobre o passado português que mais gostei de ler foram de estrangeiros. Assim de repente lembro-me deste Richard Zimler e de Robert Wilson. Curiosamente ambos vivem (ou viveram, já não sei concretamente) em Portugal. Agora digam-me: sou só eu que tenho esta ideia sobre os romances históricos? Estou certa ou completamente errada? Que livros me aconselham a ler para mudar esta opinião?
publicado por Patrícia às 09:35 link do post
19 de Junho de 2011



Num final de tarde de Setembro, quando a famosa historiadora de Yale, Diana Bishop, abre casualmente um misterioso manuscrito medieval alquímico há muito desaparecido, o submundo mágico de Oxford desperta. Vampiros, bruxas e demónios farão tudo para possuir o manuscrito que se crê conter poderes desconhecidos e pistas misteriosas sobre o passado e o futuro dos humanos e do mundo fantástico. Diana vê a sua pacata vida de investigadora invadida por um passado que sempre tentou esquecer: ela é a última descendente da família Bishop, uma longa e distinta linhagem de bruxas de Salem, marcada pela morte misteriosa dos pais quando era criança. E do meio do turbilhão de criaturas mágicas despertadas pela re-descoberta do manuscrito surge Matthew Clairmont, um vampiro geneticista de 1500 anos de idade, apaixonado por Darwin. Juntos vão tentar desvendar os segredos do manuscrito e impedir que caia em mãos erradas. Mas a paixão que cresce entre ambos ameaça o frágil pacto de paz que existe há séculos entre humanos e criaturas fantásticas… e o mundo de Diana nunca mais voltará a ser o mesmo…


Leitura de férias: leve, daquelas que permitem limpar a mente de tudo o que seja real, sem grande conteúdo que nos levante questões ou nos faça pensar. 
Por mais que tentem colar este género de livros à saga Harry Potter não há qualquer hipótese real disso acontecer. O mesmo se passa com a "colagem" a Carlos Ruiz Safón (a sério???): não tem nada, mas mesmo nada a ver. Talvez a única comparação (entre as que constam na capa do livro) que considero adequada seja a feita com o livro " O historiador" de  Elizabeth Kostova. 
para quem gosta de fantasia leve e juvenil o livro é óptimo. Lê-se bem e como qualquer outro livro deste género é viciante. Mas não é nada de especial. É demasiado grande (a história contava-se facilmente em metade das páginas), é pesado (seria uma leitura de praia óptima, se não fosse um tijolo), por vezes a história arrasta-se e o pior de tudo é que o raio do livro vai ter continuação...
Resumindo: porreiro para adolescentes, para os outros só mesmo para uma altura em que não vos apeteça pensar. 


publicado por Patrícia às 15:42 link do post
19 de Junho de 2011



A amizade pode crescer no mais árido dos solos - mas talvez não de forma durável
Em Fevereiro de 2000, Richard Zimler foi à Austrália para participar no Encontro de Escritores de Perth. No dia da sua chegada, conheceu uma talentosa bailarina brasileira que lhe contou o muito que o seu romance O Último Cabalista de Lisboa tinha significado para ela. O trágico passo que ela daria no dia seguinte mudou para sempre a vida de Zimler, lançando-o numa intensa investigação de três anos sobre o passado dela.
O escritor descobre então uma infância vivida à sombra do Monte Carmelo na década de 1950, uma época de tolerância entre comunidades vizinhas de árabes e de judeus nos velhos bairros de Haifa. À medida que esta paz se vai fragilizando, duas raparigas - uma palestiniana, outra israelita - tecem entre si laços que as ligam para sempre. A demanda de Zimler desvenda a história desta amizade extraordinária, apesar de o conduzir através de uma teia de ilusão, crueldade e enganos e, finalmente, ao 11 de Setembro de 2001, quando a tragédia que testemunhou em Perth surge à luz do mais extremado contexto político.
À Procura de Sana apaga as fronteiras convencionais entre realidade e ficção, ao analisar a natureza da verdadeira amizade, e o germinar de um crime impensável. Escrito pelo autor de alguns best-sellers sobre a cultura e a história judaicas, é ao mesmo tempo uma emocionante digressão sobre questões que nos afectam a todos.

Desde que li o "Meia-noite ou o princípio do mundo" que fiquei fã deste escritor. Pela sua simplicidade, pela beleza das histórias e da forma como comunica connosco sem grandes floreados. Desta vez aproveitei a feira do livro de Lisboa para comprar em 2ª mão e baratinho este "À procura de Sana". Pela sinopse percebi ser completamente diferente do "Meia-noite ou o princípio do mundo" ou do livro de contos "Confundir a cidade com o mar".
Zimler conhece, quando está na Austrália num encontro literário, uma mulher que o fascina pelo silêncio, pela mímica, pela solidão, pelo mistério. Quando ela o aborda para lhe pedir um autógrafo e lhe confessa a importância que o livro "O último cabalista de Lisboa" teve na sua vida   consegue a sua atenção. No dia seguinte esta mulher, uma bailarina, suicida-se à sua frente. Um ano depois o livro que Zimler autografou aparece nas mãos de Helena e Zimler mergulha numa investigação surpreendente à procura de Sana.
Contada na primeira pessoa esta história que não é uma mera investigação impessoal mas que mistura pormenores da vida do autor com a vida destas personagens (se são reais ou fictícias parece-me ser irrelevante para a minha opinião sobre o livro) e que retrata a vida e a relação entre Israelitas e Palestinianos de uma forma diferente da que nos habituámos a ver nas televisões.
Gostei imenso deste livro que me fez ter vontade de ler imediatamente todos os outros livros do escritor (estou neste momento a meio do "último cabalista de Lisboa" que num registo completamente  diferente deste me está a conquistar).
Não estou a escrever esta opiniões imediatamente depois de ter lido o livro (nas férias só li, não escrevi) mas, para além da história, uma das coisas que retive do livro foi (não tenho neste momento acesso ao livro, pelo que escrevo de memória) :
"Os judeus recusaram-se a ser as eternas vitimas e começaram a ripostar e por isso nunca serão perdoados." 
Mais do que história em si (interessante e bem contada) este livro vale pelas questões que levanta e que nos fazem pensar.

publicado por Patrícia às 15:08 link do post
01 de Junho de 2011


Sinopse

O amor pelo Chile e uma grande nostalgia são a origem deste livro. A presença contínua do passado, o sentimento de ver-se ausente da pátria, a melancolia por essa perda, a consciência de ter sido peregrina e forasteira: em “O Meu País Inventado”, Isabel Allende recolhe toda a emoção que isso implica, e transmite-a com inteligência e humor. Analisado pelo olhar e pelas recordações da autora, o Chile torna-se num país real e simultaneamente fantástico, uma terra estóica e hospitaleira, de homens machistas e mulheres fortes, apegadas à terra. Mas, essencialmente, é o cenário da sua infância que aparece retratado: evocados com graça, aqui ganham vida de novo a sua original família, a casa dos avós, o cerimonial dos almoços, as histórias de infidelidade... e os espíritos que sempre a acompanharam.
Em "O Meu País Inventado", Isabel Allende reúne todos os seus sentimentos para recriar duas histórias entrelaçadas, a do seu país e a sua própria, num tom intimista, de confissão autobiográfica poética.


Gosto muito da escrita da Isabel Allende. Gosto desde que li o “A casa dos espíritos”.
Este “O meu país inventado” é completamente diferente dos outros livros da escrito se bem que os completa, ou melhor conta a história por detrás da estória. O livro, muito autobiográfico, fala principalmente do Chile, dos Chilenos e de Isabel Allende enquanto Chilena. Claro que, como Isabel Allende vai avisando ao longo do livro, este Chile que nos é apresentado é um misto de realidade e imaginação como qualquer memória que tenhamos, em que exageramos nas qualidades e desprezamos os defeitos. Enquanto lia o livro pensei imensas vezes “tenho que vir copiar esta passagem para pôr no blog. É perfeita para ilustrar a minha opinião” mas depois continuava a ler e nunca mais me lembrava de pelo menos apontar a página.
É um livro à “Allende” e fez-me ter vontade de ler os livros dela que me faltam “A filha da fortuna”, “Soma dos dias” e “Paula” (que já tentei começar a ler algumas vezes, mas depois desisto sabendo que vai ser triste, triste).
publicado por Patrícia às 11:56 link do post
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