Ler por aí
 
16 de Maio de 2011

“SE EU ME ESQUECER DE TI GEORGE ROSENBERG QUE SEQUE A MINHA MÃO DIREITA”

Comecei a ler este livro com enorme expectativa. Gonçalo M. Tavares é considerado um grande escritor actual e este é o seu (na opinião de alguns, claro) melhor livro. Esperava tanto. Confesso que me desiludi um bocadinho. Na realidade achei o livro uma seca.
A história é simples, começa e acaba no mesmo sítio (uma das partes mais positivas do livro) e não é contada de forma cronológica. Apesar disso é facilmente percebida. Gostei do inicio e do final. O meio foi-se arrastando e tive que me esforçar por ultrapassá-lo.
As personagens são interessantes q.b. E digo q.b porque acho que havia muito mais a explorar em cada uma das personagens. Admito que o autor não tenha querido aprofundar cada personagem tornando-a “gente” e preferindo que fossem exemplos genéricos de um tipo de pessoa (desculpem, mas não consigo explicar melhor esta ideia). Acho que isto acontece com todos os personagens com excepção do Theodor Busbeck. Pessoalmente não acho grande piada a isto. Prefiro personagens construídas integralmente, porque para mim uma história não deve ser extrapolada, existe (e deve existir) por si própria.
Achei interessante que um dos altos do livro (pelo menos para mim) é exactamente o mesmo que num outro livro (O Vento Assobiando nas Gruas, da Lídia Jorge) sendo neste, Jerusalém, muito pouco aprofundado.
No geral não percebi o que faz deste um escritor tão premiado. É, sem dúvida, alguém que escreve bem mas não acho que seja um grande contador de Estórias. E eu gosto de escritores contadores de Estórias.**



** Não consegui transmitir neste post exactamente aquilo que queria. Não utilizo muitas vezes a palavra estória (até porque não gosto dela), prefiro manter-me fiel à antiga história e deixar para quem lê a interpretação e o significado. Neste caso abri uma excepção para acentuar o significado de “contador de estória”.

publicado por Patrícia às 16:45 link do post
12 de Maio de 2011

Do you read books “meant” for other age groups? Adult books when you were a child; Young-Adult books now that you’re grown; Picture books just for kicks … You know … books not “meant” for you. Or do you pretty much stick to what’s written for people your age?

Leio livros para todas as idades apesar de o fazer cada vez menos. Já não tenho idade para gostar da maioria dos livros de "vampirinhos" que se vendem por aí. Por outro lado tal vez seja apenas porque não acho que estejam assim tão bem escritos ou seja interessantes. Adorei a série Harry Potter. Gostei bastante dos livros juvenis do Carlos Ruiz Zafón (Trilogia de la niebla e Marina) ou da Black Magician Trilogy da Trudi Canavan. Há livros para todas as idades como por exemplo o "A história da Gaivota e do Gato que a ensinou a voar" do Luís Sepúlveda. Em miúda li livros "proibidos" (ou seja aqueles que a minha mãe considerava não serem adequados para a minha idade) às escondidas. Destes destaco "Os filhos da droga" lidos aos 12 anos e os "Pássaros Feridos". Este último foi lido precisamente porque me disseram: "Para leres este ainda deves esperar uns aninhos"... (pois, é que "deves"). Mas no geral nunca houve censura lá por casa e sempre escolhi o que queria ler.
Mas apesar do que escrevi antes acho que se alguém consegue ler um livro e gosta dele, é adequado para essa pessoa. Idade não é necessariamente igual a maturidade. Se bem que se pensar no "Trainspotting", aposto que a maioria dos adolescentes gostava de lhes deitar a unha e o raio do livro não é, de todo, adequado para determinadas idades (é aliás um dos livros mais nojentos que tive o desprazer de ler) e se um dia tiver filhos esse livro vai desaparecer lá de casa antes que a criança aprenda a ler.
publicado por Patrícia às 12:36 link do post
08 de Maio de 2011

Ainda a propósito da feira do livro tenho que dizer que não percebo porque é que a fazem em Abril/Maio. Vivemos em Portugal, país em que nesta altura do ano é normal chover. Por muito que haja anos em que a seca é dominante e que em Maio se vá para a praia a norma é que chova nestes meses. E mesmo assim a feira é nesta altura. Não se percebe. Mesmo que não chova geralmente as noites são frias e a maioria de nós trabalha e só pode lá ir à noite ou ao fim de semana. E este ano havia imensas mesas para nos sentarmos e pela primeira vez sentámo-nos a jantar. O facto de estar a chover é capaz de ter ajudado, mas a verdade é que até conseguimos mesa na barraquinha da ginjinha. Pena é que o "telhado" fosse de pano e quando ficou encharcado deixou de servir para alguma coisa.
Para além disso não consigo gostar desta moda que a LEYA inventou, porque lhe foi permitido inventar, e que já foi seguida pela Porto Editora (acho) que mostra bem a diferença entre os grandes e os pequenos. Não gosto daquele espaço que parece um hipermercado. Não gosto e pronto.
Gosto das barraquinhas todas iguais. Gosto principalmente dos alfarrabistas, gosto de procurar pechinchas entre aqueles livros velhos. Gosto de encontrar livros em excelentes condições a baixos preços. 
Fico espantada quando encontro livros "novos" nestas bancas. Não sei que são de pessoas a quem os livros foram oferecidos e não gostam de ler, pelo que os vendem ainda novos, ou se foram vendidos por necessidade. Mas fiquei um bocado chateada comigo por não me ter lembrado de ver quais os 2 volumes que não tenho da série "O primeiro Homem de Roma". Encontrei n livros dessa colecção e já com a capa da última edição. E cada volume era apenas 10€.  Mas mesmo assim valeu a pena.
Enquanto lá estava ouvi o anúncio de que a  Helena Sacadura Cabral estava a dar uma sessão de autógrafos e sendo a minha mãe uma fã da senhora não quis deixar passar a oportunidade de ir comprar um livro autografado para ela. Fiquei um bocadinho triste quando me apercebi que não estava lá ninguém e até deu tempo para a autora (uma querida) ficasse à espera que eu acabasse um telefonema e me "ajudasse" a escolher qual o livro que iria comprar para a minha mãe. Espero que tenha tido mais sorte no restante tempo em que durou a sessão. Mas confirma-se que esta altura nem para os autores é boa. Pergunto-me: será boa para quem?
publicado por Patrícia às 21:47 link do post
07 de Maio de 2011




publicado por Patrícia às 20:32 link do post
06 de Maio de 2011

Hoje é dia de feira do livro. Vou, como sempre, dar preferência aos alfarrabistas. Espero encontrar por lá uns livritos à maneira.
publicado por Patrícia às 10:59 link do post
05 de Maio de 2011


Nina Frost é delegada adjunta do Ministério Público, acusa pedófilos e todo o tipo de criminosos que destroem famílias. Nina ajuda os seus clientes a ultrapassar o pesadelo, garantindo que um sistema criminal com várias falhas mantenha os criminosos atrás das grades. Ela sabe que a melhor maneira de avançar através deste campo de batalha vezes sem conta, é ter compaixão, lutar afincadamente pela justiça e manter a distância emocional.
Mas quando Nina e o marido descobrem que o seu filho de 5 anos foi vítima de abuso sexual, essa distância é impossível de manter e sente-se impotente perante um sistema legal ineficiente que conhece demasiado bem. De um dia para o outro o seu mundo desmorona-se e a linha que separa a vida pessoal da vida profissional desaparece. As respostas que Nina julgava ter já não são fáceis de encontrar. Tomada pela raiva e pela sede de vingança, lança-se num plano para fazer justiça pelas próprias mãos e que a pode levar a perder tudo aquilo por que sempre lutou.

Não gostei especialmente deste livro. Tinha gostado bastante do “No seu mundo” e tive a oportunidade de ler este livro (emprestado e ainda bem) pelo que aproveitei logo. Desta vez as expectativas eram altas. Erro crasso.

Mais uma vez a autora pela num tema complicado e arranja uma história para nos fazer pensar. Nathaniel é um miúdo de 5 anos abusado sexualmente. A mãe é Procuradora-adjunta do Ministério Público e é especializada em acusar suspeitos de pedofilia. Nina ama o filho e quer protegê-lo, o que implica impedi-lo de testemunhar e ter de enfrentar o seu violador. Por isso Nina mata-o em pleno tribunal.

O livro não foca o que Nathaniel passou, nem a sua recuperação, nem os seus traumas. O tema do livro é, supostamente, o que podemos, devemos fazer por amor e quais as consequências disso. Mas basicamente a história foca o que Nina fez e o que foi preciso fazer para safá-la em tribunal. Só isto faz com que não o ache assim tão interessante. Mas a trama adensa-se e o que parece ser nem sempre é.

Se este tema fosse abordado de outra forma poderia ter-me feito pensar bastante. Temos padres pedófilos, temos coincidências absurdas (daquelas cuja probabilidade de acontecerem são ínfimas) que fazem com que um homem inocente seja acusado, temos erros gravíssimos que devem querer fazer-nos pensar duas vezes antes de agir, temos traições, dúvidas e muita, muita sorte.

Sinceramente preferia uma história mais “simples” sem tantas curvas mas que me permitisse, de facto, reflectir. Não aconteceu.

Ainda hei-de dar mais uma hipótese a esta escritora mas não devido a este livro.












publicado por Patrícia às 15:35 link do post
05 de Maio de 2011

gentilmente convidada pela Andorinha

1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Há muitos livros que li e reli várias vezes. Até começar a trabalhar não conseguia comprar livros à medida que os lia pelo que li e reli tudo o que havia lá por casa. O livro que até hoje mais vezes li foi sem dúvida o “O Salto Mortal” da Marion Zimmer Bradley. Um livro que amei ler e que sei que ainda vou ler mais algumas vezes ao longo da vida é o “Conde de Monte Cristo” de Alexandre Dumas. Li há pouco tempo outro livro que ainda hei-de reler porque tenho a impressão que cada vez que o fizer vou “pensá-lo” de forma diferente. Falo de “O filósofo e o Lobo” de Mark Rowlands.

Quando estou muito cansada e só me apetece não pensar em nada pego num livro light para reler. Pode ser qualquer um da Marion Zimmer Bradley, da Juliet Marilier ou de outro escritor do fantástico. O importante é que seja um livro que já tenha lido e que não tenha nada a ver com a realidade. Basicamente isto ajuda-me a fazer reset.

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

O Arquipélago da Insónia, do António Lobo Antunes. É uma pedra muito irritante no meu sapato.

3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

Épa não sei. Não sei mesmo. Provavelmente um livro de filosofia. E grande. Daqueles que servem para pensar e que podemos interpretar de mil formas diferente. É que por muito que goste de um livro não me parece que ele sobrevivesse ao teste da eternidade.

E não gosto desta pergunta. Pensar em ler apenas 1 livro o resto da vida

4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

A nível de clássicos Guerra e Paz de Tolstoi. E já agora o único livro (eu ignoro as Darkover novels que andam por aí à venda) da Marion Zimmer Bradley que nunca consegui encontrar em Português. Acho que se chama “o Trillium Negro)

5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?

Não me costumo esquecer dos livros. Ou melhor basta-me ler uma ou duas páginas e lembro-me de (quase) tudo. Geralmente o fim dos livros (excepto se forem policiais) não tem uma grande importância. O resto é muito mais importante.

6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Sempre li. Sempre me conheci rodeada de livros. Comecei com os livros da “Condessa de Ségur”, Cinco, Sete, as Gémeas no colégio, O colégio das quatro Torres, Patrícia, Nancy, Hardy, Uma aventura. Passei a fase dos diários, dos clássicos (As mulherzinhas marcaram-me). Aos 12 li “Os filhos da droga” às escondidas e entrei numa outra fase. Os clássicos portugueses sempre me fizeram companhia porque a minha mãe sempre fez questão disso.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

Não sei. Sinceramente não sei. Devem ter sido alguns mas definitivamente não me ficam na memória

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Esta resposta muda de cada vez que for respondida. Depende do que me lembro na altura. Por isso vou mudar as regras do jogo e deixar uma nota para duas Senhoras da literatura em português: Rosa Lobato de Faria e Lídia Jorge.

Cada uma à sua maneira escreve de uma forma que eu adoro. Os livros da Rosa Lobato de Faria são deliciosos e muito simples, especialmente o “Os pássaros de seda”. Já a Lídia Jorge é mais complexa e dela destaco o “O vento assobiando nas gruas”.

9. Que livro estás a ler neste momento?

Tenho a meio o “Jerusalém” do Gonçalo M. Tavares mas como me esqueci dele estou a ler o “O fim de semana” de Bernhard Schlink.

10. Indica dez amigos para o Meme Literário:

Quem quiser responder que sinta-se indicado, ok?

publicado por Patrícia às 11:26 link do post
03 de Maio de 2011

Em tempos escrevi um post sobre o livro "3 Chávenas de chá" que conta a história de Greg Mortenson um alpinista que se tornou angariador de dinheiro e construtor de escolas no Afeganistão e Paquistão. Fiquei fascinada com esta história. Ofereci o livro a algumas pessoas (foi o meu modo de contribuir para uma causa em que acreditei no primeiro momento) e divulguei a iniciativa por quem conhecia.
Soube agora que até o Obama lhe deu parte do que ganhou com o Nobel da Paz. E soube também que ele foi entrevistado pelo programa "60 minutes" onde lhe fizeram uma série de perguntas sobre a veracidade de algumas das histórias do livro e também sobre o destino do dinheiro que lhe foi entregue. Aparentemente o senhor não é assim tão porreiro e quis mesmo foi vender livros e ganhar dinheiro.
Confesso, fiquei triste. Cada vez mais me convenço que dar dinheiro ou contribuir de alguma forma para associações não é de todo uma boa ideia. Mais vale dar dinheiro ou alguma coisa a um sem-abrigo directamente do que confiar em quem quer que seja.
publicado por Patrícia às 10:49 link do post
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