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Ler por aí

Ler por aí

Sangue-do-coração, de Juliet Marillier


Uma floresta assombrada. Um castelo amaldiçoado. Uma jovem que foge do seu passado e um homem que é mais do que parece ser. Uma história de amor, traição e redenção... Whistling Tor é um lugar de segredos, uma colina arborizada e misteriosa que alberga a fortaleza deteriorada de um chefe tribal cujo nome se pronuncia no distrito em tons de repulsa e de amargura. Há uma maldição que paira sobre a família de Anluan e o seu povo; os bosques escondem uma força perigosa que pronuncia desgraças a cada sussurro. E, no entanto, a fortaleza abandonada é um porto seguro para Caitrin, a jovem escriba inquieta que foge dos seus próprios fantasmas. Apesar do temperamento de Anluan e dos misteriosos segredos guardados nos corredores escuros, este lugar há muito temido providencia o refúgio de que ela tanto precisa. À medida que o tempo passa, Caitrin aprende que há mais por detrás do jovem desfeito e dos estranhos membros do seu lar do que ela pensava. Poderá ser apenas através do amor e da determinação dela que a maldição será desfeita e Anluan e a sua gente libertados...

Li no blog Estante de Livros que "mesmo no seu pior, Juliet Marillier é boa" e senti que é isto mesmo. Este não é de perto de nem longe o melhor livro da autora. Arrisco mesmo a dizer que é o pior (considero os livros mais juvenis da escritora um caso completamente à parte, mas mesmo assim gostei mais desses). Mas mesmo assim li compulsivamente este livro. Mesmo que nos conte outra vez a mesma história, Juliet Marillier consegue sempre prender-nos a atenção. A personagem principal, Caitrin, é simpática e Auluan é um misto pouco interessante entre herói e coitadinho. O "nosso" Bran dá-lhe de 10 a 0. Por outro lado considerei muitas outras personagens interessantes e muito pouco exploradas. Não vou falar da história pois isso iria estragar o prazer de quem lê o livro. 

O terceiro Reich, de Roberto Bolaño



Udo Berger, que sempre quis ser um grande escritor, mas que tem de se conformar em ser o campeão de "jogos & estratégia de guerra em Stuttgart", decide ir ao Hotel del Mar, na Costa Brava catalã, com a sua nova namorada, Ingeborg (nome de uma das personagens de 2666). O objectivo é treinar-se para participar num novo jogo de estratégia, justamente Terceiro Reich, e preparar-se para ganhar um torneio internacional. Eles compartilham as suas férias com um outro casal alemão, Charlie e Hanna, até que o primeiro destes desaparece misteriosamente depois de se cruzar com dois sinistros personagens que também levantam suspeitas junto das autoridades locais: «O Lobo» e «O Cordeiro». Entretanto, Udo Berger é perseguido por um detective estranho e sombrio e, atormentado por essa perseguição sem sentido, acaba por entrar em delírio com a "paisagem surreal da Costa Brava". Tudo isto acontece quando entra num jogo de vida ou morte com um personagem enigmático e de rosto desfigurado, El Quemado. Uma autêntica sinfonia de literatura, política, divertimento surreal, absurdo. Gozo puro.


Uma autêntica sinfonia de literatura, política, divertimento surreal, absurdo. Gozo puro.

Bem, devo ser um bocadinho burra porque não percebi a parte da política nem do divertimento surreal ou do gozo puro. Para dizer a verdade nem a parte do absurdo.
também confesso que não tinha fumado coisas estranhas enquanto li este livro. Talvez se o tivesse feito toda a parte do surreal me tivesse sido apresentado de outra forma.
O livro não é mau. Mas quando um livro nos é apresentado como algo muito bom as expectativas são altas. Neste caso saíram goradas. 
A história é algo entre o simples e o estranho: Udo vai passar férias com a namorada para Espanha, para o mesmo hotel que frequentava enquanto criança. Para ele aquele tempo não será de férias propriamente ditas: ele vai preparar-se para um jogo e escrever uma série de artigos sobre esse mesmo jogo: o terceiro reich. No fundo aquilo pareceu-me ser uma espécie de "risco" temático uma vez que pretende "apenas" a conquista do mundo a partir do cenário da 2ª guerra mundial.
Udo e Ingeborg conhecem um outro casal alemão (Hanna e Charlie) e é a partir desta amizade que tudo acontece. Charlie torna-se amigo de dois espanhóis algo estranhos conhecidos na história como Lobo e Cordeiro. Udo por sua vez é atraído pelo "Queimado" que aluga gaivotas na praia. Para completar o cenário só falta apresentar a dona do hotel e o seu marido moribundo.
Quando Charlie desaparece e é dado como morto, Udo é o único que fica em Espanha à espera que o seu corpo apareça e ao mesmo tempo envolve-se numa partida do Terceiro Reich com o Queimado.
A partir daqui (sensivelmente a meio do livro) a história é-nos contada de uma forma algo absurda.
Se tivesse que qualificar o resto do livro diria que a história cresceu juntamente com a loucura do protagonista. O problema é que no fim fica apenas um "é só isto?" "a sério que esta coisa acaba assim?". Parece-me que fui levada a esperar muito, a esperar algo realmente diferente e senti-me completamente defraudada. É quase como se o génio do autor o tivesse  abandonado antes do fim.
Não sei, talvez ainda dê uma hipótese a "2666" mas temo que para mim fique a impressão deste Terceiro Reich e esta não foi das melhores.

Os factos da vida, de Graham Joyce


Sinopse:


Sete irmãs extraordinárias vivem juntas sob a sombra da guerra, unidas pela lealdade, pelo amor, pelo medo e pela esperança. Até que chega uma noite alucinante em que Luftwaffe arrasa Coventry. No meio das tempestades de fogo que se propagam pela cidade, a filha mais nova experimenta um despertar mágico que resultará, anos depois, no nascimento de uma criança. Após o fim da guerra, os percursos das irmãs divergem, mas permanecem atraídas por esta criança extraordinária. À medida que o rapaz cresce, as circunstâncias conspiram para pôr à prova as suas lealdades mútuas, enquanto abrem o pano dum mundo de eventos verdadeiramente espectaculares.

Uma história familiar (no feminino) que começa com a quase entrega de uma criança nas escadas de uma catedral.
Cassie tem momentos em que está com a “melancolia”. Seja isso um eufemismo para esquizofrenia ou qualquer outra doença mental, a verdade é que é opinião mais ou menos unânime que ela não tem capacidade para cuidar daquela criança. Mas Cassie, a quem não falta instinto maternal nem amor por aquele ser pequenino que dela saiu, não tem coragem de o entregar.
Assim, e por decisão familiar (a Matriarca Martha decide e depois convence todos de que decisão foi democrática) Frank torna-se membro activo da família e é responsabilidade de todos, não apenas de Cassie.
Numa família onde o contacto com o além é um dado adquirido e onde sete irmãs têm comportamentos e valores distintos, Frank é criado por todas e insere-se às mil maravilhas, nunca se apercebendo que essa não é forma tradicional de criar uma criança. Assim, o miúdo cresce passando por várias experiências. Há a vida com Cassie e Martha, na cidade, com Bertie numa comuna, com as gémeas espíritas, com a tia mais conservadora e sem qualquer instinto maternal, com a tia casada com um embalsamador profissional (o que é, mesmo nos anos 40 um espectáculo muito mais interessante que a televisão - apesar desta ser total novidade) ou na quinta de Una e Tom onde a liberdade e amor é uma constante tal como a presença do “homem por detrás do vidro”.
Este livro conta-nos uma história diferente. Lê-se muito bem mas passei boa parte do livro sem saber muito bem o que pensar. Ao mesmo tempo que a história era extremamente simples havia ali qualquer coisa que era mais do que realmente parecia. Os mistérios do livro não são o ponto central mas estão sempre por ali. Mais ou menos presentes.
No final posso dizer que gostei, que recomendo e que foi um tempo bem empregue. E que, ao contrário do que pensei enquanto lia o livro, sei que não me vou esquecer desta história tão depressa.