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Ler por aí

Ler por aí

Samarcanda, de Amin Maalouf


 “Uma lenda povoa os livros. Ela fala de três amigos, três persas que marcaram, cada um à sua maneira, os primórdios do nosso milénio: Omar Khayyam, que observou o mundo, Nizam-el-Molk, que o governou, Hassan Sabbah que o aterrorizou.”

Esta é talvez a frase que melhor explica a primeira parte deste livro. “Samarcanda” divide-se em duas partes. Na primeira conhecemos Omar Khayyam, Nizam-el-molk, Hassan Sabbah e outros personagens que com eles se cruzam.
Na segunda parte do livro Benjamim O. Lesage conta-nos a sua história em busca do manuscrito escrito por Omar Khayyam.
Este livro foi-me aconselhado pela Andorinha (obrigada :) ) e foi sem dúvida um dos melhores que li nos últimos tempos. É bastante fácil de ler, apesar de não utilizar uma linguagem corrente e obrigar algumas idas ao dicionário (pelo menos a mim obrigou). Mas mesmo assim li-o num estantinho e gostei imenso. E aprendi. E fiquei com curiosidade para ler mais sobre a Pérsia e descobrir o que é verdadeiro e o que é falso.
Não vou falar mais sobre a história pois seria um resumo enorme e sempre muito incompleto. É um livro para ser lido e apreciado.
Deixo um paragrafo que retive e que, mais do que ser um excerto demonstrativo da história (que não é) me marcou e me fez pensar “é mesmo isto!”

“ Os viajantes andam demasiado apressados nos nossos dias, impacientes de chegar, de chegar a todo o custo, mas não é só ao fim do caminho que se chega. A cada etapa chegamos a algum lado, a cada passo podemos descobrir uma face oculta do nosso planeta, basta olhar, desejar, acreditar, amar”

Bons livros, maus livros...


No outro dia, em conversa com uma menina, enquanto ela me falava da “forma” e do “estilo” dos livros eu falava-lhe da história e do que sentia em relação aos livros. Apesar da mesma paixão pelos livros cada uma de nós olha-os de forma diferente. Ela foi ensinada a ler um livro sob determinada perspectiva devido à formação académica que tem. Eu aprendi a amar os livros através dos próprios livros e através dos conselhos dos amigos e família.
E é engraçado como somos diferentes, como a nossa opinião é oposta relativamente a tanta coisa.
A maioria das pessoas que gosta de livros tem a sua opinião em relação aos escritores, aos vários estilos literários e ao tipo de livro que considera “bom” ou “mau”. E é mais ou menos geral falar-se da Margarida Rebelo Pinto como uma escritora de maus livros. Leio e ouço tantas vezes expressões do género “As Margaridas Rebelo Pinto deste mundo….” que chega a irritar-me.
Não estou aqui a dizer que a senhora escreve bem ou mal, que gosto ou deixo de gostar dos livros dela, que os considero uma obra prima da literatura Portuguesa ou o género de livro que não perco tempo a ler. Mas a verdade é que os livros da senhora se vendem como batatas fritas e mesmo considerando que são lidos apenas uma percentagem dos livros comprados ou oferecidos, os livros dela são dos mais lidos por cá.
E esse valor ninguém lhe pode tirar. Ela pôs muita gente a ler. E isso é sempre positivo. Ainda me lembro bem do furor que o “sei lá” fez.
Em Portugal muitos escritores escrevem apenas para uma elite que lhes aprecia o estilo e escrita. A grande maioria das pessoas não gosta e não tem paciência para ler livros estranhos, com palavras de “sete e quinhentos”, com frases inacabadas (quando li o “cemitério de pianos” de José Luis Peixoto, aquilo já me estava a irritar) ou com outras liberdades literárias que só são permitidas aos “grandes” de quem os críticos gostam.
Eu acho que ler é fantástico e já vos disse que não sou uma leitora muito exigente num post anterior. Tenho, como toda a gente, escritores que venero e outros de quem não posso ouvir falar. O que não sou é pedante ao ponto de achar que os outros têm o direito de gostar daquilo de que eu gosto. E acho mesmo extremamente positivo que haja escritores para todos os gostos.

"Os três reinos" e "A Sacerdotisa dos Penhascos", de Sandra Carvalho

“Os três reinos”- 5º Volume da saga das Pedras Mágicas de Sandra Carvalho

A literatura fantástica conhece neste momento um estado de desenvolvimento que a aponta no caminho do crescimento. A Presença iniciou a colecção «Via Láctea», dedicada a este género, em 2002, tendo Sandra Carvalho passado a incluir um leque de ilustres autores em 2005, constituindo-se como a primeira escritora portuguesa a figurar na colecção. Na realidade foi a primeira voz feminina a dar cartas e a conquistar um vasto público, fidelizando-o desde o primeiro instante com a sua série A Saga das Pedras Mágicas, da qual já fazem parte quatro volumes. Agora na quinta história, encontramo-nos no ponto em que as sombras da morte e da guerra alastraram sobre o Norte do Mundo e Thora, a loba prateada, desespera ao saber do destino das suas irmãs. Do Império, a sul, chegam rumores de que aquele que traz consigo o propósito de lançar sobre a Terra a escuridão eterna e absoluta já encarnou o Homem. Que esperança restará aos defensores do Bem, quando até as pedras mágicas da feiticeira Aranwen estão agora nas mãos do inimigo? Estará a profecia dos Três Reinos condenada a perder-se nesta luta caótica sem jamais se concretizar?

Li o 5º Volume da saga das pedras mágicas porque não quero deixar esta saga por ler. Este livro não me agradou especialmente, confesso. A Guardiã da lágrima do sol não me atrai especialmente e a participação do guardião da lágrima da lua não é suficiente para me despertar o interesse.

Mais uma vez o pior que tenho a dizer do livro é isso e que o livro “lê-se”. Ou seja, mesmo não me tendo agradado especialmente li-o quase de uma assentada e ainda tive coragem para pegar no 6º volume. Como sempre o livro acaba num ponto fulcral da história e fica a curiosidade de saber o que vai acontecer depois.


A Sacerdotisa dos Penhascos- 6º Volume da saga das Pedras Mágicas de Sandra Carvalho

Os Guardiães das Lágrimas do Sol e da Lua vivem finalmente em plena união. Dos seus amores nasceram Halvard e Kelda, os gémeos sobre quem pairam profecias grandiosas e temíveis. Halvard está nas mãos de Sigarr, o Mestre da Arte Obscura, que espera treiná-lo para ser o Guardião do Conhecimento Absoluto, e usar o imenso poder deste em seu proveito.

Kelda, no topo da mais alta fraga da Ilha dos Penhascos, entrega o seu corpo dorido e espírito destroçado à violência da tempestade, enquanto as palavras da sua melhor amiga Oriana qual maldição : «Hás-de acabar sozinha e devorada pelo mal como o teu irmão!»

Como poderá lutar contra as forças negras do destino, se todos aqueles que ama lhe viram as costas? Será capaz de provar que os pais estavam enganados acerca da sua índole perversa? E resgatar Halvard do jugo dos Feiticeiros, cumprir os desígnios da Pedra do Tempo e salvar a sua própria alma? Ou está condenada a ceder ao apelo da Arte Obscura que pulsa no seu sangue e tomba ao abismo?

Em contraste com o volume anterior devo confessar que este foi o meu favorito. De toda a saga. Mais uma vez este volume me fez lembrar as histórias de Juliet Marillier. Não pela história propriamente dita, mas pelo género de personagens.
Gostei especialmente da Kelda. E, mais uma vez, fiquei desiludida com a Edwina. E com o Edwin.
E agora, talvez pela primeira vez ao longo da saga, as minhas expectativas estão altas. Espero que o próximo livro surpreenda e que não seja apenas um final mal amanhado.

Um post que não tem nada a ver com livros

Ao comprar bilhetes para uma peça de teatro, e porque não conhecia a sala em questão, deixei o meu nome e nº de telefone para que a pessoa responsável me ligasse de volta.

(informação pertinente: o meu ultimo nome é igual ao de um politico muito conhecido)

2 minutos depois o meu telemóvel toca:

- boa tarde, fala o xxx da companhia XPTO. Sei que pretende bilhetes para o próximo sábado. em que sessão é?
- Boa tarde. Olhe, na realidade quero bilhetes para a sessão que tiver melhores lugares disponiveis. Sei que já um bocadinho em cima da hora, ptto nem tenho sessão preferencial.
- desculpe, mas posso fazer-lhe uma pergunta?
-sim, claro.
- Por acaso não é familiar do   @@@@@@?
- (rindo-me imenso). Não, não. é mesmo só o nome que é igual.
- sabe, é que fosse eu tinha que avisar a produção....


Épa, passam a vida a perguntar-me se sou da familia do senhor, tive um chefe que me apresentava como sobrinha dele (as vergonhas que eu passava ao ter que desmenti-lo) mas uma destas nunca me tinha acontecido. Mas a verdade é que, mesmo não sendo familiar do outro, os lugares eram óptimos... provavelmente uns dos melhores da sala.

Enquanto Salazar dormia, de Domingos Amaral


Uma história de amor em tempo de Guerra. Lisboa, 1941. Memórias de um espião numa cidade cheia de luz e sombras.
Numa Europa fustigada pelos horrores da II Guerra Mundial, os refugiados chegam aos milhares e Lisboa enche-se de milionários, actrizes, judeus e espiões. Portugal torna-se palco de uma guerra secreta que Salazar permite, mas vigia à distância.
Lisboa, 1941. Um oásis de tranquilidade numa Europa fustigada pelos horrores da II Guerra Mundial. Os refugiados chegam aos milhares e Lisboa enche-se de milionários e actrizes, judeus e espiões. Portugal torna-se palco de uma guerra secreta que Salazar permite, mas vigia à distância. Jack Gil Mascarenhas, um espião luso-britânico, tem por missão desmantelar as redes de espionagem nazis que actuavam por todo o país, do Estoril ao cabo de São Vicente, de Alfama à Ericeira. Estas são as suas memórias, contadas 50 anos mais tarde. Recorda os tempos que viveu numa Lisboa cheia de sol, de luz, de sombras e de amores. Jack Gil relembra as mulheres que amou; o sumptuoso ambiente que se vivia no Hotel Aviz, onde espiões se cruzavam com embaixadores e reis; os sinistros membros da polícia política de Salazar ou mesmo os taxistas da cidade. Um mundo secreto e oculto, onde as coisas aconteciam «enquanto Salazar dormia», como dizia ironicamente Michael, o grande amigo de Jack, também ele um espião do MI6. Num país dividido, os homens tornam-se mais duros e as mulheres mais disponíveis. Fervem intrigas e boatos, numa guerra suja e sofisticada, que transforma Portugal e os que aqui viveram nos anos 40.

Ofereceram-me este livro (Nick and Jacyn, thank you so much), escolhido pela capa. Preocupados perguntavam-me se seria adequado, por tinha sido uma escolha um bocadinho aleatória (pois nenhum fala Português). Eu, com toda a verdade, respondi-lhes que eu era menina para o escolher só com base no título.
E, de facto, acho que este é um título feliz. "Enquanto Salazar dormia" é um dos melhores títulos que já li, para um romance histórico. Pena é, que as virtudes deste livro acabem aí.
Há muito que não me custava tanto ler um livro.
A escrita é simples. Demasiado simples. Acho que não havia 1 única palavra que eu não saiba o que significa. Isto poderia ser uma coisa boa, como é nos livros dos Miguel de Sousa Tavares. Neste livro limita-se a ser irritante.
A história parte de um tema fantástico: Lisboa, em plena segunda guerra mundial, é o centro onde se juntam espiões, Ingleses e Alemães, homens charmosos e perigosos, mulheres lindas e misteriosas, onde o charme e a sedução se misturam com a guerra e a traição.
Neste livro, Jack Gil é o nosso herói. Digo "nosso", pois é meio Inglês, meio Português. Na realidade não gostei dele nem um bocadinho: pedante, mulherengo e com a mania que é garanhão. O facto do escritor o ter "mostrado" aos 85 anos a relembrar todas as mulheres com quem se enrolou não lhe deu, quanto a mim, charme nem interesse. Tornou-o banal e não credível. E um velho a relembrar cenas de sexo é tudo menos sensual. baghhhh
Como ponto positivo, para além do tema príncipal, é a forma ambígua como é apresentado Salazar: ditador implacável e estratega suficientemente bom que conseguiu manter Portugal fora da Segunda Guerra Mundial. Mas mesmo aqui o livro não me convence muito: apesar de compreender o lado inteligente de Salazar, nota-se pouco neste livro o seu lado cruel que manteve Portugal na obscuridade durante tanto tempo.
Apesar de ter alguns personagens interessantes, eles não são bem aproveitados.
Enfim, como se percebe, não gostei nem recomendo.

Quem quiser ler um bom livro sobre este mesmo tema leia o "Uma companhia de estranhos" de Robert Wilson.




 


Escolher um livro

Há muitos tipos de livros. Há os clássicos, os históricos, os técnicos, os de literatura erudita, os estranhos, os de fantasia, os romances, os romances de cordel (ou cor-de-rosa, como quer que lhe queiram chamar), os policiais, etc, etc, etc.
Escolher um livro nem sempre é fácil. Eu tenho n critérios para escolher os livros que leio.
Leio fantasia, porque adoro. É um dos meus guilty pleasures. Digo guilty pleasure, porque tanto leio leio livros de escritores conceituados e francamente muito bons (sendo a minha preferida a Marion Zimmer Bradley) como leio a uma qualquer treta que me passe pela mão. Fico muitas vezes com aquela sensação de ter perdido tempo, mas a verdade é que leio muitas vezes livros da treta, só porque são de fantasia. Neste campo o meu limite está nos livros “vampirescos”. Já li o que tinha a ler sobre esse assunto e fartei-me (vá, num dia de pura loucura sou capaz de abrir um excepção para o último volume da saga do Crepúsculo).
Leio romances históricos, porque adoro. Tenho um gostinho especial por tudo o que tem a ver com o Egipto e o Império Romano (a saga “o Primeiro Homem de Roma” é qualquer coisa de fantástico), mas ando a descobrir os romances históricos portugueses.
Leio romances porque adoro. “o deus das pequenas coisas”, “A sombra do vento” são dois dos exemplos de livros que para mim são “de culto”. Lindos, que me deixam de alma cheia. Mais leves, mas igualmente fantásticos, lembro-me do “Meia-noite ou o princípio do mundo” ou “A ilha”.
Leio policiais. Não é que goste muito (excepto da “tia” Agatha, que nunca passará de moda) mas leio principalmente quando gosto dos escritores. Por exemplo “O cego de Sevilha” é muito, muito bom. Mas também, escrito por Robert Wilson só podia ser.
Leio “Romances de cordel”. Não é que goste por aí além, mas já aconteceu não ter nada para ler e pegar num destes romances e ler. Aconteceu-me com Nicholas Sparks. Depois de anos a recusar-me a o que quer que fosse deste escritor, uma noite vi-me sem nada para ler e com todos os livros encaixotados (a casa estava em obras). O desespero (o barulho da festa da aldeia era tanto que não me deixava dormir) e peguei num livro do Nicholas Sparks que me tinham oferecido anos antes. Quase fiquei surpreendida por não ter ficado com urticária por ter lido aquele livro. Mas li e sobrevivi.
Leio biografias, porque adoro. Não são todas, mas se o sujeito foi interessante, não há melhor.
Leio livros técnicos porque… bem, geralmente porque tem que ser.
Leio revistas, jornais, blogs. Leio em papel. Leio ebooks.
Escolho livros pelo título, pela capa, pelo escritor, porque está na moda, porque tem boas críticas, porque tem péssimas críticas.

Depois de ter relido isto tudo chego à conclusão que não sou uma leitora muito exigente….