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Ler por aí

Ler por aí

O Círculo do Medo, de Sandra Carvalho



No último volume Edwina assistiu ao desaparecimento do seu amado Edwin nas águas profundas do oceano. Na sombra, os mestres da Arte Obscura conspiram: não desistem de se assenhorear das Pedras Mágicas da feiticeira Aranwen. Julgando Edwin morto, Edwina, a Rainha do Sol, desposa Ivarr, e todos esperam dela um herdeiro que perpetue a linhagem dos reis vinquingues. Mas será que mistérios ainda ocultos virão alterar o rumo dos acontecimentos? Poderão, como profetizado, as essências do Sol e da Lua fundirem-se numa só, para darem origem a um Conhecimento superior, como o de um deus? Serão os nossos heróis capazes de superar todas as provas que lhes estão reservadas?





Continuo a ter sentimentos contraditórios em relação a esta saga. Se por um lado as parecenças com as histórias de Sorcha e companhia pararam, por outro lado a história não ganhou muito com isso.

Neste quarto volume, Edwina anda perdida. Sem Edwin, a protagonista cede a Ivarr e acaba por casar sem amor. Paixão, luxúria, sim, mas amor, não. Mas Edwina não se consegue impor nem como rainha do sol nem como princesa. E às vezes dá a sensação de amuar em vez de lutar para ser aceite e respeitada. Acho que este livro não acrescentou muito à história. Foi, quanto muito, um compasso de espera. Espero que a sequência seja menos previsível e mais interessante.

Acho que a escritora está a querer imprimir, às personagens principais, um lado humano: qualidades e defeitos, derrotas e vitórias, certezas e dúvidas. Mas acho que com a Edwina exagerou na dose. O Edwin tornou-se quase banal. A Thora perdeu aquela magia que tinha. A Freya ficou bem mais interessante.

Enfim, o livro lê-se. Mas não me agradou por aí além. Foi interessante apenas (e com algum esforço) o suficiente para me fazer ler o 5º volume.

E esta mania de escrever uma história em 7 (mais coisa menos coisa) livros também me transcende um bocadinho. Acho demasiado. Pessoalmente não gosto de levar “anos” a ler uma história nem de fazer pausas tão grandes entre os volumes. Há muito que decidi não ler nada que não esteja totalmente escrito e editado mas abri uma excepção com esta saga por já ter dois dos livros lá em casa. Vamos ver se valeu a pena.

A Senhora das Especiarias, de Chitra B. Divakaruni


Imigrante indiana nos Estados Unidos, Tilo é Mestra em Especiarias. Na sua loja em Oakland, além de fornecer os ingredientes para o caril e para o Koima, também ajuda os clientes a alcançarem uma mercadoria mais preciosa: aquilo que mais desejam; uma autêntica sacerdotisa dos poderes mágicos e secretos das especiarias.

Através daqueles que permanentemente visitam a loja de Tilo, conhecemos a vida da comunidade indiana local, longe da sua pátria e dos lugares onde as suas tradições são compreendidas. Certo dia, uma americano solitário aparece na loja. Tilo fica perturbada e não consegue descobrir a especiaria certa, pois ele desperta-lhe um desejo proibido. Contudo, se Tilo conseguir os seus desejos perderá os poderes mágicos que possui, o que irá afectar toda a comunidade...

Nem imaginam o quanto gostei de ler este livro. É maravilhoso. Fácil de ler e com uma história que nos prende e nos faz desejar que a história não acabe.
O livro divide-se em capitulos e em especiarias : Açafrão, Canela, Feno-Grego, Assa-fétida, Funcho, Gengibre, Pimenta em Grão, Kalo jire, Neem, Malagueta vermelha, Makaradwaj, Raiz de lótus e Sésamo. É um livro que se desenvolve ao sabor e cheiro das especiarias.
Tilo, uma indiana, Mestra em especiarias vive em Oakland e vive apenas para ajudar os seus clientes (indianos, apenas) encontrando a especiaria certa para eles naquele momento. assim ao longo do livro acompanhamos várias outras histórias, vários outros personagens, por vezes tão interessantes quanto a própria Tilo. Mas Tilo vive sob regras especificas. O não cumprimento dessas regas pode ter consequências graves.
Mas quando conhece Raven, Tilo começa a pôr em causa todas as regras e a sua própria vida.
E mais não conto senão ia estragar o vosso prazer se decidirem ler este livro.
Engraçado como um final pode não ser importante. Ao longo do livro nem sempre desejei que a história acabasse assim. Mas à medida que a história fluia torcia por este final, ou melhor, por partes deste final.

Mais um livro que recomendo e mais um que li graças à Catarina (obrigada, obrigada, obrigada)

LER, a revista

Gosto de revista LER. Aliás gosto de revistas sobre livros e escritores.
Hoje fui dar um giro e ver as revistas. Vi a LER e ainda lhe peguei para a comprar. Depois vi o preço, 5€ e lembrei-me porque é que não compro. É que me irrita dar 1000 escudos, 1 conto de réis por uma revista.
E pensei, como penso sempre: "Vão mas é roubar para a estrada".
"Ah e tal, mas a revista tem tão pouca tiragem, por isso é cara"... prefiro "se fosse mais baratinha se calhar vendiam mais, não?"
"Ah e tal, mas é uma revista de qualidade, vale a pena"... até pode ser, mas é mais forte do que eu, não dou 5€ por uma revista que vai acabar no lixo (vá, na ecoponto azul)
"Ah e tal, mas é a LER e tem comentadores fabulásticos..." ... prefiro comprar os livros deles. Esses não acabam na reciclagem. Na pior das hipóteses acabam no bookcrossing.

Provações

Nem imaginam como é triste entrar numa livraria, comprar o último livro da minha escritora favorita, que ainda não li, chegar à caixa, descobrir está com 10% de desconto e mandar embrulhar; pagar, não trazer mais nenhum livro e sair. Até os pézinhos se arrastavam.
Logo à noite o momento em que o for oferecer a uma das minhas melhores amigas vai ser nova provação.

...

E isto é assim mesmo tendo uma catrefada (gosto desta palavra) de livros para ler em casa... se não tivesse nenhum acho que saia de lá a chorar. Vá, estou a exagerar um bocadinho, mas não muito!

A longa caminhada, de Slavomir Rawicz




Slavomir Rawicz era oficial da cavalaria polaca quando foi capturado pelo Exército Vermelho, em 1939, durante a divisão da Polónia entre a Alemanha e a URSS. Acusado de espionagem, seria condenado a vinte e cinco anos de trabalhos forçados na Sibéria, sem nunca ter tido a oportunidade de defender-se e sem que jamais fossem apresentadas contra ele quaisquer provas.

Juntamente com outros seis prisioneiros – cinco europeus de Leste e um americano – Rawicz elabora então um plano de fuga. Conseguem fugir um ano depois, levando consigo pouco mais do que a roupa que vestiam e a certeza de que não estariam em segurança enquanto se mantivessem em território russo. Rumo à Índia britânica, através das regiões inóspitas da Mongólia e do Tibete, numa caminhada longa e árdua feita em condições adversas, apenas o desespero e a esperança os acompanhavam. Mas parte do grupo consegue chegar à Índia, onde são assistidos pelos ingleses e enviados de regresso aos respectivos países.
É essa história de coragem e determinação, de amizade e trabalho de equipa, que o presente livro nos conta, dando ao mesmo tempo testemunho de um dos períodos mais marcantes da história do século XX.

Esta história é mesmo uma história e não uma estória. E isso faz toda a diferença. Não é um livro que se leia pela história, que é obviamente triste, mas sim pelo impacto que essa história tem em nós. 
Chamar-lhe "a longa caminhada" chega a ser irónico. Um ano de pé, a caminhar desde a Sibéria até à India. Um ano em fuga, desde o gelo da Sibéria, até à India, passando pelo calor infernal e mortal do deserto, pelas montanhas fatais, pelo Tibete. Um ano que mostra a força do ser humano, o seu melhor e o seu pior. A amizade daquele grupo de homens que mesmo nas piores circunstâncias são capazes de dar a vida uns pelos outros e pela menina-mulher que os acompanha. Conhecemos o melhor do ser humano, que mesmo com fome, sede, piolhos, é capaz de ser Homem, no melhor sentido da palavra. Conhecemos o melhor do ser humano em cada pessoa que os ajudou, muitas vezes sem sequer compreender o que aquele grupo de maltrapilhos dizia, e lhes deu um tecto, um chá, comida, abrigo, esperança.
Mas também este livro conhecemos o pior do ser humano, que tenta desumanizar os outros, que tortura, mata, humilha sem mais razão do que um estúpido sentido de superioridade que não tem explicação. Não há guerra, interesse, pátria que consiga justificar o que se passa nas guerras ou nos regimes totalitários que usam a força para se manter. 
Não consigo imaginar o que aqueles seres humanos sofreram. A força que foi necessária para sobreviverem nas condições mais adversas, mesmo depois de perderem o seu bem mais precioso.
Um livro que não é fácil de ler, mas que vale a pena.