Ler por aí
 
16 de Março de 2010



É um lugar comum dizer-se que determinada orientação sexual não é uma escolha, porque, se fosse, ninguém escolheria o caminho mais difícil. Foi esse caminho mais difícil que Teófilo teve de percorrer, desde a incompatibilidade com os pais, aos desencontros dentro de si próprio, chegando mesmo a acreditar que alguém lhe tinha trocado a alma...



Depois de ter lido e gostado do livro “As esquinas do tempo” de Rosa Lobato faria resolvi comprar este “A Alma trocada” e mais uma vez deliciei-me com a forma de escrever desta escritora.

A história deste livro gira em torno de Téo e da sua busca por si mesmo. Téo sempre achou que tinha a alma trocada. A dificuldade em lidar com a homossexualidade reforça essa convicção. Téo estava de casamento marcado (ou devo dizer “arranjado”? ) com Raquel quando conhece Hugo. A relação dos dois pautada pela calma e pela serenidade ajuda a que Téu tenha a coragem de mudar de vida e assumir-se de uma vez. Com esta decisão não perde só a noiva. Perde os pais. Mas ganha muito mais. Tendo uma avó no Alentejo é para lá que vai quando precisa descansar, esquecer-se da vida e do mundo e encontrar um turbilhão chamado Tinito. E mais não conto.

A história deste livro poderia ser pesada, triste mas não é. Poderia ser uma história de vingança (e há vingança neste livro), de ódio (que também há), de crime mas não é.

A simplicidade com que a história é contada (na primeira pessoa) faz toda a diferença. É um livro dos sabores do Alentejo que eu tanto gosto. Um livro cheio de palavras, de cheiros que nos fazem sentir que não estamos aqui, mas lá, numa Alentejo profundo. Um livro de toques, de sentimentos. E depois disto tudo a história é (quase) secundária.
publicado por Patrícia às 16:02 link do post
16 de Março de 2010


“A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós , nem nós o entendemos a ele."

José Saramago


Para quem me conhece não é novidade nenhuma que eu não propriamente fã de José Saramago. Dele, até agora, li dois livros: o “Ensaio sobre a cegueira” e o “Evangelho segundo Jesus Cristo”. Não gostei de nenhum simplesmente porque não consigo gostar da forma como ele escreve. Até diria que era o meu gene “filha de professora primária” que não me permite gostar das “calinadas” na gramática dos livros dele se a minha mãe não fosse uma leitora ávida de Saramago. O resultado é que lá em casa há praticamente todos os livros do prémio Nobel mas de todos só li 2. Depois chegou “Caim” e a polémica. O drama atingiu proporções épicas e nunca ficou provado se foi também uma grande jogada de marketing ou se foi apenas mais uma tolice da igreja. Enfim, a minha mãe, católica praticante e inteligente, disse logo que tinha que ler o livro. E leu. E adorou. Talvez como só alguém que conhece a bíblia pode gostar. Desta vez convenceu-me a ler o livro também. E tenho que confessar que gostei. Pronto, continuo a não gostar daquela forma de escrever, corrida, sem pontuação, sem maiúsculas, sem parágrafos, que me obriga a ter atenção às palavras e não apenas à história. Mas isso já eu sabia que ia acontecer. O que eu não esperava era achar piada à história. Ou melhor, à confusão de histórias. Porque é isso mesmo que o livro é: uma fantástica e muito bem construída confusão. Não é apenas a história de Caim mas também a de Job, Abraão, Noah, Lilith, Adão e Eva, Noé e toda a sua família entre outros que conhecemos.

Saramago apresenta-nos o seu deus através de todas estas histórias, através da relação de Caim e de Deus. E fá-lo de uma forma extremamente divertida.

Não acho que haja razão para tanta polémica. Sinceramente acho que quem tanto criticou não deve ter lido o livro.

Ou seja, gostei e recomendo.
publicado por Patrícia às 15:46 link do post
06 de Março de 2010


Timor, a ilha das trevas. Um livro que me deixou meio "banza". Uma mistura de realidade/história e de ficção, daquela ficção que ajuda a contar a história e que transforma um livro chato e realista num livro extremamente interessante e realista na mesma. Assim de repente é já, na minha opinião, o melhor dos livros de José Rodrigues dos Santos.
Tendo sido o seu primeiro livro (há uns ensaios antes, mas livro, livro é o primeiro, acho) é tratado injustamente e só tem o "sucesso" merecido depois de JRS ter escrito os seus outros livros. Adiante.
É um livro que conta a história recente de Timor Leste, deste a descolonização/abandono após o 25 de Abril até que nasce o primeiro país do sec.XXI.
Sou Portuguesa, e como tal tive vergonha e orgulho ao ler este livro. Vergonha, por tudo o que se passou o pós 25 de Abril. Apesar de conseguir compreender os porquês, as razões da incapacidade de Portugal de Manter Timor Leste como parte de Portugal, de proteger aqueles portugueses ou de conseguir fazer uma descolonização decente, sendo a ponte que permitiria que Timor se tranformasse num país livre, não deixo de sentir vergonha por tudo o que se passou.
Orgulho por tudo o resto. Porque Portugal nunca desistiu, porque soube ser um espinho na garganta da Comunidade Europeia até conseguir que a Indonésia saísse de Timor, até conseguir denunciar as atrocidades que se passavam naquela ilha.
Aprendi imenso ao ler este livro. Recordei imenso. O massacre de Dili. as manisfestações, a união, o prémio Nobel... enfim. Um livro muito, muito bom.



publicado por Patrícia às 15:00 link do post
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