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Ler por aí

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Shalimar, o Palhaço

Temos assistido, infelizmente, a mais uma guerra, mais ou menos declarada, por um pedaço de terra. Caxemira. Não é nova esta luta, aliás arrasta-se desde o fim do domínio colonial Britânico na India.
Não sei muito sobre este assunto e acho que (tal como em todas as outras guerras por um bocado de terra e que envolvem religião) ninguém tem razão. Ou melhor, razão podem ter, mas nada justifica actos de guerra, mortes e mais mortes. India ou Paquistão é, neste momento, (quase) indiferente.

Mas, com todos estes acontecimentos, tenho-me lembrado de um livro que li, e onde aprendi quase tudo o que sei sobre este assunto.
"Shalimar, o Palhaço", mais um fantástico livro de Salman Rushdie.
Tudo começa com a violenta morte de Max Ophuls no dia de aniversário da filha. O assassino o motorista: Shalimar, o Palhaço.
Mas porquê? Homicídio politico (afinal Max Ophuls tinha sido embaixador Americano na India) ou crime passional?
É na busca desta resposta que mergulhamos na Caxemira ainda sob domínio britânico e acompanhamos a história de Shalimar, entrelaçada com a história desta região.
Do livro, ficaram-me os cheiros, as cores e os sabores da Caxemira de Rushdie. Fica a beleza e a decadência de um paraíso. Da destruição provocada pelo amor e pelo ciúme. Das razões que levam um homem ou uma mulher a re-escrever a sua história e a acabar no sitio de onde nunca deveriam ter saído. Da ténue linha entre o amor e a loucura, a vida e a morte.
Com uma escrita que nem sempre é fácil, este escritor de excelência volta a encantar-me e a ensinar-me.
Um livro que já não é novo, mas que será sempre uma boa escolha.